Terça-feira, Outubro 16, 2007
Mil chegará, de dois mil não passará...
Que dureza! Olha, estou para te dizer que nunca na minha vida passei por um perrengue tão perrengoso como este! Quê? Sim, falo de dinheiro... ou a falta dele. Como tá difícil conseguir o vil metal (ou as vis notinhas de cinquenta, umas cem unidades delas, novinhas, de preferência... e por mês!) para pagar as contas. Contas... outra palavrinha fudida na minha lista de perrenguiçes: contas! Hoje tenho inúmeras contas para pagar. Vez ou outra me vejo acumulando as diabas para o mês subsequênte e vamos que vamos.
Sinceramente, sabia que este dia iria chegar! Se eu fosse um cidadão brasileiro que fosse um mínimo assim, que colocasse na ponta do lápis (ou numa planilha de Excell) suas contas e seu salário, líquido, é claro, veria que um dia a casa iria cair. E caiu!
Olha, estou para te dizer que a culpa de tudo isso é o arrocho salarial. Antes a gente não ganhava merda nenhuma à mais, mas pelo menos dava para se manter com um mínimo de dignidade. Hoje em dia está tudo pela hora da morte, e o salário, infelizmente, não acompanhou a (invisível?) inflação. Repare: tudo sobe!
Energia elétrica: antes eu pagava xis por mês! Foram-se passando os anos, fomos adquirindo novos eletrodomésticos lá para casa (para substituir os antigos, que simplesmente chupavam energia) e hoje a conta, em kilowatts, está até na média... mas a porcaria da conta, em reais, tá escorchante (para quem não sabe o significado, imagine você num ônibus lotado e um monte de neguinho passando atrás de ti...). A conta d'água também está sufocante, mas não tão fudida assim, dá para levar. A conta de telefone... ah, a conta de telefone é outra desclassificada! Minha amada esposa, em conjunto com minha adorável cunhada, tem que fazer cursos todo mês, via intranet. Adivinha quem paga o curso? Adivinha quem paga a conta? Adivinha se elas usam a internet depois da meia-noite durante a semana ou depois do meio-dia, aos sábados, para pegar aquela boquinha filhadamãe de um pulso por conexão? Não! Elas usam, sem dó nem piedade, a internet das 18:00 horas até um pouco antes das doze badaladas notúrnicas. Aí a conta daquela porcaria da internet discada vai nas alturas... e tá, inclusive, na pendência para ser quitada (algum dia).
Outros devedores surgem ao passar do mês, como uma famosa loja de roupas que me envia faturas para ser quitadas (só Deus sabe quando) e a própria faculdade, com seus últimos (graças ao Senhor) boletos com três dígitos e um número sete na frente. Tudo isso fora o resto, como o pagamento do INSS da babá, a grana do sacolão, a grana do pão e do leite da criança, a fatura, gente, quase estava esquecendo, a fatura, descontada diretamente no meu contra-cheque, do celular corporativo e da drogaria, drogaria esta fornecedora de fraldas descartáveis, leite em pó que custavam um pouco menos de vinte reais (graças ao Senhor, acabou!), remedinhos contra dor de barriga do neném, remedinho para passar na assadura do neném, remedinho para a esposa e para o papai aqui, que é hipertenso.
Não dá! Não dá, mesmo, é estar atolado em dívidas e ainda dever o banco. Aí sim é o fim da picada. E a minha picada, ihhh, a minha picada ruiu faz tempo. É o empréstimo pessoal e o limite do cheque especial que toda hora estoura, e ambos, vez ou outra, não me deixam dormir o sono dos justos à noite, quando tento me desfalecer para acordar no outro dia mais propenso à dar a volta por cima. Tá osso! Juros do banco girando à 8% é o mais duro osso do mundo. E como se faz para sair desta? Como quitar tudo e começar à viver sem dever? Quem é que não deve neste Brasil? Você não?
A culpa é do salário. Eu acho! Eu acho não, eu tenho quase certeza que a culpa é do MEU salário. Se antes a gente tinha um poder de compra, hoje temos um "querer de compra" e que está cada vez mais ralo. Quem compra hoje é doido. A gente liga a televisão e vê neguinho oferecendo de tudo e de um jeito que, sinceramente, dá para comprar. Eu, por exemplo, comprei um Siena 2007 modelo 2008 para pagar em milhões de vezes. Bom, né? É... mas quando chegou primeira mensalidade, junto com a conta do IPVA, do Seguro Obrigatório e do Seguro "seguro" que, não ria, paguei só a metade (a compra foi em julho, logo a metade dos impostos - com exceção do Seguro Obrigatório, que é único) tive vontade de voltar pro ônibus, que aliás, não abandonei (olha o preço da gasolina, meu filho...). Ou seja, melhorei, mas aumentei mais o rombo. Ano que vêm, janeiro, vou ver a porca torcer o rabo, ipsis literis. Gente, é conta demais. E o IPTU? Putaqueopariu, estava esquecendo do IPTU. É conta para dar com o pau.
Estou lembrando que no começo do ano o Imposto de Renda comeu minha grana. Era uma mixaria, eu sei, mas comeu minha grana. Às vezes come, às vezes não, depende do teto... mas comeu minha grana. Foi num mês aí, nem sei mais qual, mas comeu minha grana porque o Estado achou que eu "tava bombando na bufunfa". Pois é... pedi a restituição. Pedi a restituição lá no começo do ano e, caçando onde achar uma fonte de arrumar um dinheiro, conferi no site da Fazenda e me assustei ao conferir que a quantia já havia sido depositada (no banco onde eu tô devendo...). Resumo da ópera: não vi a cor da minha restituição. Saiu e entrou e desapareceu no meio dos juros sobre juros, das taxas de emissão de extratos, nas taxas para manutenção do cliente que tá com a corda no pescoço. Foda isso, gente... naquele mês que o Leão da Receita Federal levou meu rico dinheirinho, não estava totalmente por cima da carne seca... estava era seco mesmo, devendo, pagando minhas dívidas... e o dinheiro retido fez falta. E agora, que me devolveram, não vi nem a cor da bufunfa... isto é triste!
A classe média é que paga sempre o pato. E este pato, parece, tem um sabor não muito agradável. Eu, tempo atrás, resolvi investi minha grana do Fundo de Garantia num imóvel. Não pude. Sou da classe média, salário incompatível com o programa (lembra que o Lula arrumou um programa para financiar a casa própria do brasileiro?), que tinha que ser pobre mesmo. Eu não era pobre. Só era um pobre não-pobre, classe média, com emprego fixo, pagando impostos, morando numa casa própria e outras firulas que não vou nem falar. Resultado: não pude mexer no meu Fundo. E pagar a faculdade com o fundo, pode? Ñem a pós-graduação? A resposta? Imagine...
É por isso e por outras que acho que estamos caminhando para o fim do mundo. Se o Brasil continuar assim, esmagando a gente desta forma tão cruel, sei lá... é capaz de rolar a extinção da população devedora brasileira. Ninguém "güenta" mais, tio Lula, viver evitando as ligações dos cobradores; ninguém "güenta" o SERASA no nosso pé; ninguém "güenta" os juros do cartão de crédito, do cheque especial e do empréstimo pesssoal, que às vezes beiram o anatocismo (anatocismo: É a incidência de juros sobre os juros acrescidos ao saldo devedor em razão de não terem sido pagos). Eu, por exemplo, não tô mais "güentanto", tio Lula... e você, tá? O jeito é pegar com a fé... e com as profecias.
Pensando lá na frente, a Gerolino Incorporation - Divisão Mãe Dinah & Paizinho de Oxum - orgulhosamente apresenta a sua mais nova previsão para o futuro do país.
Se mil passou, dois mil foi aquele alvoroço todo, três mil... ihhh...
posted by : o Administrador desta empresa, uai!
6:00 PM
Quarta-feira, Outubro 03, 2007
A pequena Michele
Estou me sentindo, desde que ouvi a notícia, mais triste com e como ser humano.
Como ser humano, me sinto angustiado ao ver o que o próximo pode fazer com seu par, ou melhor, com a sua cria. Filho! Filha! Outro ser humano que nasce, se desenvolve de dentro de seu ventre, que carrega o seu sangue, que é carne de sua carne!
Impossível não ficar chocado com o relato da pequena mocinha, que encontrou uma “boneca” no leito do poluído Rio Arrudas e que correu e chamou a mãe para mostrar... uma criança recém nascida. Impossível não parar de respirar, mesmo que momentaneamente, ao ler a nobre explicação do grande homem que pulou neste rio e resgatou a pobre indefesa. Impossível não sentir, como diria Jefferson, o instintos mais primitivos, ao ouvir a confissão da besta – me refiro à um tipo de animal, mas também pode-se buscar referências no Livro Sagrado – que não a quis e que se livrou do pequeno anjo de uma forma covarde, impossível de perdão.
Não há, não existe, nunca vai existir explicação para isso. Não vou tecer comentários sobre o estado puerperal, sobre maternidade, sobre problemas que todos temos... quero, agora, te dizer que estou sofrendo... pela pequena.
Acompanhando, ou melhor, sofrendo ao ler as notícias sobre a pequena criança, fiquei mais comovido ao saber (tomara Deus que não!) que ela terá problemas por conseqüência da falta de oxigenação do cérebro. Sabe o que é já estar chateado ao saber que você, eu, nós, integrantes de mesma família, recebemos uma notícia desta, bem cedo pela manhã? Acho que Deus não vai deixar que nada (mais) de mal aconteça com a pobre Michele.
Faz muito tempo que não sinto o que é tristeza. Preciso de um ombro amigo. Posso conversar contigo?
posted by : o Administrador desta empresa, uai!
6:45 PM
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