Quarta-feira, Abril 26, 2006
Quem tá triste aqui?
Vamos alegrar, gente!
Vamos sorrir, mostrar as canjicas para todo mundo!
Vamos falar besteira, muita de preferência!
Vamos apontar o dedo do meio para aquela prova que a gente se lascou e gritar um sonoro "fudeu... mas ninguém morreu!"
- Ah, como é bom não ligar para nada!
Quer dizer, mais ou menos não ligar para nada... ai, tenho que comer livros agora!!
-----------------------------------------------------------------------------------------------------
Depois de refeito do susto dos resultados das avaliações, te digo que hoje, excepcionalmente (ou não), a brincadeira tá lá no...

posted by : o Administrador desta empresa, uai!
3:50 PM
Segunda-feira, Abril 24, 2006

O moço que brincava capoeira.
A muito não sentia nas suas pernas o suave toque dela, sempre presente.
Um tempo relativamente longo se passou desde que o sarcoma despontou para a dor em plena avenida, na alegria da festa pagã, entre beijos e flertes numa noite de carnaval.
Chegou e rapidamente se esparramou pelo corpo atlético do moço como se fosse restos cortantes de uma xícara de café a se espatifar no chão límpido da cozinha.
Chegou espalhando agruras em sua mente, em suas ações, em suas palavras, escritas ou proferidas em xingamentos silenciosos, e nas poucas coisas que imaginava um dia ver: o mar.
A visão do ontem se contrapunha com os lençóis cheirando levemente à cloro dos hospitais
Cenas de inclementes e finas agulhas em vez da velha e surrada calça de capoeira
Silenciosos choros noturnos, desabafos ao céus e exames de todos os tipos onde outrora existia o vibrante som do agüê, dos atabaques e da marimba.
A alegria, paulatinamente, dando vez à desesperança
O sorriso, ah... aquele sorriso jovial e cheio de vida dando lugar à incerteza
A ilusão de vindouros dias ensolarados em campos verdes,
Do futebol de domingo, de namorar, de sentir os pés a andar, simplesmente, à beira do mar, sumindo assim como o seu ar cada vez mais ralo, cada vez mais raro, cada vez mais desejado, cada vez menos...
Meu olhar fixo naquele olhar tristonho
Um leve aperto nas mãos, mão bastante enfraquecida pela luta que perdia, que não podia ganhar, luta injusta, injusta...
E de repente, não mais nada, nada... nada!
Não viu o azul do oceano nem tampouco o branco das ondas a desaparecer ao morrer na clara areia do mar, areia que sempre sonhou sentir sob seus pés.
Não viu o último fio de esperança ser consumida nas lágrimas dos meus olhos, dos olhos dos seus parentes e dos olhos dela, da sua irmã querida e sempre presente.
Ao cerrar seus pobres olhos cansados olhos viu, enfim, o alívio que vem da luz que não se vê, juntamente com a presença etérea do final e do começo de tudo, amálgama da não-dor, do saber espiritual, da infindável paz na claridade ofuscante em si mesmo, acompanhada do semblante sereno do homem que morreu na cruz.
Marconi (30/11/1976 à 05/05/2002) morreu muito jovem, sendo por todos aqui muito amado. Desta vida se foi levando o interminável balanço do mar na ginga do seu maravilhoso espírito de luz.
-----------------------------------------------------------------------------------------------------
Texto produzido especialmente para o 24º Concurso Maldito dos:
Blogueiros Malditos
posted by : o Administrador desta empresa, uai!
6:28 PM
Segunda-feira, Abril 17, 2006

Esperança tingida de cinza e carvão...
Me falaram que existe neste país um lugar onde as crianças aprendem a ler bem cedo e ficam brincando de bicicleta a maior parte do dia. Eu às vezes fico imaginando este canto abençoado por Deus, lugar que deve ter muitas árvores frutíferas para a gente subir e gangorrar nos seus frondosos galhos, lugar que deve estar logo abaixo de um imenso e interminável céu azul, com seus rios cristalinhos, com muita comida gostosa e diversos doces para a gente comer até se esbaldar. É... eu sei que existe um lugar assim neste mundo.
De noite, quando chegamos da carvoaria, eu passo um bom tempo observando meus pais e meus outros irmãos, uns maiores e outros dois um pouco mais novos do que eu, e torço para que um dia eles - estou falando dos meus pais, que são gente grande e que querem sempre o melhor para seus filhos - decidam de vez nos levar para lá, para a gente conhecer este outro lado da vida, diferentemente deste do que estamos acostumados à enfrentar dia após dia.
Queria, sei lá, conhecer este outro mundo, longe do calor insuportável das caieiras, das queimaduras nos pés e nas mãos, ir para bem longe da fumaça que tanto nos provocam doenças e tosses que não param nunca. Lá, acredito, não deve ter nada disso, só coisas boas, para mim e para meus irmãos.
Eu penso muito neles, principalmente o mais novo. Ele tem só seis anos, nove abaixo de mim, e já tem os olhos tristes do meu pai. Tento conversar, dizer à ele que um dia isso aqui, este nosso sofrimento, vai acabar, esta agrura que é levantar três horas da manhã e começar à queimar madeira, toco de pau e restolho de árvore... e ele não fala nada, emudece para tudo e para todos. Sabe... acho que ele está pensando "quinem" nosso tio que morreu da doença no pulmão, um pobre coitado que desiludiu da vida e se entregou nos últimos momentos. Penso no futuro do meu irmão, queria muito que ele não visse o que eu vi com estes meus olhos que estão sempre ardendo, queria que ele, um dia, abraçasse o mundo sem ser com seus bracinhos cheio de farpas dos pedaços de pau que vão para o forno, mas bom um forte e saudável aperto, como aqueles quando se ganha de um tio ou um parente qualquer que há muito não vimos...
É. Acho que agora vou dormir e sonhar só com coisas boas. Acho que vou sonhar com um mundo um pouco melhor do que este que vivemos. Queria ter tido a oportunidade só de aprender à ler, só isso, só para poder um dia contar minha vida para vocês...

"Também, que futuro esse país pode esperar de uma criança que nem eu? Tenho 15 anos e já estou cansado de trabalhar. Ainda tenho sorte. Sei que por aí estão até matando meninos e meninas. "O Brasil não gosta de mim" (Duarte de Oliveira, carvoaria de Bocaiúva/Minas Gerais)
-----------------------------------------------------------------------------------------------------
Texto produzido especialmente para o 23º Concurso Maldito dos:
Blogueiros Malditos
posted by : o Administrador desta empresa, uai!
10:00 PM
Rooooonc...

Já me disseram que eu ronco. E muito.
Há uns tempos atrás (mais precisamente em 1998) fui à um médico para ver este esquema de parar de roncar. Lembro muito bem dos dizeres da amada esposa, que na época era namorada, que durante uma conversa bem animada me pôs contra a parede: "você ronca demais, amor... e se continuar assim não dá para casar. Não ria que eu estou falando sério... ".
Fui deixando aquilo como estava porque, afinal, não estava me atrapalhando em nada o meu roncar. Passaram-se mais alguns meses e euzinho, como estava m o r r e n d o de vontade de conhecer o outro lado da vida (onde, aliás, dizem que não há vida alguma), me consultei assim, meio ao acaso, com o tal do Doutor do Ronco.
- Você tem que tirar a sinaleta...
- O quê?
- A sinaleta. E também as amígdalas...
- Sério mesmo?
- E tem que fazer desvio de septo também... coisinha simples...
- Poxa, só isso? E eu nunca mais vou roncar?
- Nunquinha...
- Você jura, Doutor?
- De pé junto...
O homem tirou mais de ½ quilo de carne e eu, finalmente, deixei de roncar... por alguns meses. Começou com um ronquinho frouxo, um tiquinho de nada. Depois foi aumentando, aumentando até, voilá, olha o ronco aí de novo.
Tá bom, confesso que não é sempre que ronco. Eu, uma vez, li que a arte de roncar é intrinsicamente associada com a vida que a gente leva. Eu, por exemplo, se estou estressado, ronco muito. Se eu bebo uma (estou colocando no singular porquê minha esposa pode ler isso aqui um dia destes) inocente cervejinha, um copo lagoinha só, coisa besta, no intervalo da faculdade, eu ronco. Se eu durmo de barriga para cima, eu ronco. Se eu durmo de barriga para baixo, depois de bater aquele pratão de comida às altas horas da noite, eu ronco... caramba, no fritar dos ovos, eu ronco direto.
E ontem, juro por Deus, eu acordei com meu próprio ronco. Coisa medonha abrir os olhos, assustados, e ouvir aquele "roooooonc, rooooooooooonc" reverberando dentro do meu quarto de um jeito que pensei que fosse uma Halley Davidson acelerando até no toco por uma daquelas rodovia deserta e com aqueles matinhos rolando. Gente, eu não ronco muito não, eu RONCO MUITO ALTO MESMO! (tudo culpa do pedaço de bolo que comi poucos minutos antes de ir deitar. Bolo de aniversário? Não... é que teve um churrasquinho lá em casa e rolou um bolinho assim, para adocicar a boca da gente depois das carnes, coisa bestinha, algumas caixas de cerveja, umas picanhas, umas peças de contrafilés, toucinho de barriga, a marvada...)
Agora eu sei que antes de dormir, devo usar um abafador auricular para ter uma noite de sono tranquilinha, salutar e sonhar com os anjos, não fazer nenhuma escala na própria cama e dormir na sala de uma vez!
(quando sair, por favor, apague a luz, tá?)
posted by : o Administrador desta empresa, uai!
5:27 PM
Terça-feira, Abril 11, 2006
"... não tenha tanta pressa, senta aqui!"

Não que eu inveje imensamente as pessoas que trabalham em pé por horas à fio e que, ao final do expediente, tem como paga por seu tremendo esforço laboral os pés inchados e seus dedos todos "amassagados" e doloridos dentro dos sapatos ou a panturrilha toda estropiada de tanto se manter em cima de um salto agulha... mas venhamos e convenhamos, trabalhar o dia inteiro sentado também cansa demais.
Cá para nós, eu, por exemplo, passo, nos dias úteis, 22,91% do meu tempo dormindo e outras 72,91% das 24 horas sentado, ora numa confortável cadeira com encosto, regulagem de altura e outras baboseiras que nem ouso aqui exemplificar (senão é capaz de vocês não acreditarem), ora numa carteira escolar que também não é das piores (se você somar direitinho, vai ver que existe uma hora de diferença [4,18%], e esta lambuja eu considero como tempo de trajeto: ou seja, andando mesmo), e destas 17 horas que eu passo acordado, estas que eu vivo trabalhando/estudando, é que estou reclamando.
Barriga cheia? Que isso, nada à ver... você que não sabe, mas ficando o dia inteiro com a bunda pregada numa cadeira cansa todo o corpo de uma forma até mais agressiva do que se estivéssemos em pé, de sol à sol, correndo e quase sendo vítimas de ladrões ou automóveis velozes nas ruas da cidade. E sabe quem é um dos grandes responsáveis pela estagnação do glúteo nestes móveis: o grande vilão é o danado do ar condicionado! Este ar, este posicionado estrategicamente em nossa volta, vinculado com o conforto das poltronas e o discreto livramento das amarras cor cordões dos sapatos (para propiciar uma melhor liberdade dos pés por debaixo da mesa) é que nos fazem ficar horas e horas em frente ao monitor, ora trabalhando, ora trabalhando... e trabalhando mais um tiquinho. Triste, mas é a mais pura e nababesca verdade: acostumamos com o conforto das poltronas, o clima artificial propício e os pés livres dos sapatos e estrategicamente escondidos de todos e de tudo (inclusive da câmara de vigilância) e ficamos como bichos em cativeiro, quietos, digitando e digitando sem parar um instante sequer, sentados.
É bobagem, eu sei, mas sinceramente, estou farto de ficar sentado o dia inteiro... queria arrumar um jeito de, sei lá, sair para a rua, pagar alguma coisa num banco qualquer e lá ficar alguns intermináveis minutos, em pé na fila, e depois sair correndo para um destes órgãos públicos que se tem horário para chegar e depois, se Deus quiser, voltar, suado, para o serviço...
Mas lá fora tá um calor dos infernos...
posted by : o Administrador desta empresa, uai!
1:55 PM
Quinta-feira, Abril 06, 2006
Uááááááááááhhhhhhh... ai ai!

Estou com tanto sono, mas tanto sono que, neste exato momento, estou abrindo a boca e bocejando bem, mas bem gostoso mesmo. Sabe aquela lagriminha que brota do canto do olho quando a gente boceja? Saíram duas, uma de cada canto dos meus olhos cansados, exaustos, fundos de tanto sono.
Sabe que é... é que eu arrumei um estágio na parte da manhã. É mesmo! Agora eu estou ralando num órgão público, de oito ao meio-dia, de segunda à sexta-feira. Sim, peguei o boi, eu sei, ainda mais que a repartição onde arrumei esta boquinha lida exatamente com o que já trabalho, que é o processo tributário e o fiscal, e que pretendo me especializar. Como? Ah, sim, continuo trabalhando no mesmo lugar, mas tive a minha carga horária reduzida para seis horas/dia justamente para poder conciliar o estágio supervisionado com o meu ganha-pão (mas um dia ainda ganho na Mega-Sena). Que hora eu trabalho? Ah... de uma da tarde até às sete da noite.
Quê? A aula? Ah, sim... esta eu não consegui mudar não. Continuo tendo que chegar lá na faculdade às 19:00 horas, bufando, esbaforido, suando até a última geração... e de lá só saio às 22:30, 22:35, às vezes 22:25 horas.
Vidão, né? Eu chego em casa todo dia por volta das onze e quinze, onze e vinte... banho, janta, cataplum na cama, uma conversa bem gostosa de pai para filho (intermediada pela barriga da esposa)... para acordar no outro dia impreterivelmente às dez para as seis.
Se esta correria não me matar, devo perder de um à 10 quilos nesta brincadeira... quer apostar?
Postar? Não, postar e visitar os amigos blogueiros está ficando cada vez mais difícil! Mas eu falei apostar... tá valendo?
Ps.: este aí da imagem não sou eu... mas que parece, parece! Olha... até o relógio, o dente canino... este cara é uma réplica perfeita de mim mesmo... clone?
posted by : o Administrador desta empresa, uai!
1:46 PM
Segunda-feira, Abril 03, 2006
Isso aí nem de nasal eu gosto!
Se tem uma coisa que eu gosto de ver é congestionamento. Sério mesmo, não tem coisa mais gostosa e divertida para se fazer naquele momento em que tudo está totalmente parado do que ver a cara do povo, desesperado, arrancando os cabelos, atrasados para trabalhar e loucos de vontade de chegar à algum lugar... e os automóveis não avançam um metro sequer.
Aqui em Belo Horizonte está assim hoje: tudo, mas tudo travado! O trânsito tá travado, os elevadores estão travados, as portas dos banheiros públicos estão travadas, a Dona Maria, a que faz o café e que tem prisão de ventre, está do mesmo jeito e, para não perder o costume tipicamente mineiro da capital projetada antes mesmo de ter brasileiro e cachorro russo voando pelo espaço, o trânsito também está travadérrimo, tudo por causa da 47ª Reunião Anual dos Governadores do Banco Interamericano de Desenvolvimento. Você não está entendendo nada, né? Olha, o negócio é o seguinte: a tal inauguração do BID acontece hoje, lá no Palácio das Artes, e, para assegurar total controle da situação e evitar tumultos (leia-se protestos, pancadarias e coisa e tal...), a Polícia interditou... ah, lê aí:
A interdição foi solicitada pelos organizadores do evento para garantir a segurança das autoridades que participam da reunião. O trânsito está fechado em dois trechos da Avenida Afonso Pena: entre a Rua da Bahia e a Rua Pernambuco; e entre a Avenida Carandaí, esquina com Rua Pernambuco, e a região da Praça Afonso Arinos. O reflexo chega a diversos corredores de tráfego da capital. Segundo a BHTrans, as avenidas Bias Fortes e Contorno são as mais prejudicadas. Os passageiros que decidem desembarcar dos coletivos para terminar o trajeto a pé têm uma desagradável surpresa, pois o trecho da Afonso Pena fechado está bloqueado, inclusive, para pedestres.

E tá gostoso, viu? Você mofa duas horas dentro do ônibus e, quando finalmente fica puto nas calças e resolve encarar uma árdua jornada despencando à pé de um canto à outro da cidade, chega num determinado local que pedestre não passa! É uma delícia sem igual ter que dar uma voltona filha-da-mãe e ainda não ver a cara de nenhum ator da política (sentiram o termo de gozação, né? Eu nem sei se lá tem tapete vermelho, mas deve ter... ). Uma colega que mora bem longe do centro da cidade, ao sair da sua casa lá por volta das 7 da manhã, tomou um susto: a sua rua, outrora tranqüila, pacata e serena, estava congestionada. Isso mesmo, lá, há mais de não sei quantos quilômetros da baderna, já haviam carros, um atrás do outro e buzinando incessantemente, tudo por conta do BID. Outra amiga que tomou seu coletivo lá nos cafundós onde Judas quebrou a unha do dedinho mindinho do pé, disse-me que cansou de dormir e babar na bolsa, tudo por conta do trânsito totalmente engarrafado por conta de quem? Do BID.
Aposto que não há na pauta do dia nada sobre isso de congestionamento. Mas o que tem de helicópteros sobrevoando o centro da cidade não está no programa... ou estava?
posted by : o Administrador desta empresa, uai!
1:17 PM
|