Terça-feira, Fevereiro 21, 2006
Esta é a história da Josefina, moça que desde cedo se enamorou, noivou e casou com Adalberto. Este é o relato de sua vida em causos que transitam facilmente do conflituoso ao cômico, mas sempre passando pelos olhares e comentários indiscretos e espirituosos de seus sofás, Clementino e José Uoshington. Móveis que falam, um marido não lá muito confiável, uma esposa de alma pura e inocente... isso dá ou não dá uma boa história?
A esperança de dias melhores segundo Clementino:
Ainda bem que Dona Clotilde está morando aqui em casa por alguns dias. Como é divertida esta senhora, como é! Ontem ela estava passando uma receita muito gostosa de biscoito de doce de leite para a Josefina - que é uma negação na cozinha, todo mundo sabe disso! Mas minha patroa até que está gostando de ter a mãe por perto... principalmente por ter, agora, alguém para conversar. É... porque aquele pilantra do marido dela, o Adalberto, chega em casa para dormir e é só - pelo menos eu acho que é! Mas estou gostando muito da Clotilde, quer dizer, da Dona Clotilde. O ruim que ela ronca, e como ronca.... mas como não está roncando em cima de mim, mas sim do Uoshington, eu estou achando é muito bom. Expansiva ela que só vendo... sempre gostou de falar uns palavrões em vez em quando, é muito perspicaz, sagaz e, melhor ainda, já desconfiou do Adalberto como marido - bem que podia ter desconfiado dele quando era namorado ou noivo. Ah, mas eu quero ver agora o circo pegar fogo. Josefina não tem o olhar clínico que agora tem a sua mãe, e eu estou torcendo, com toda a minha força de sofá, que Adalberto escorregue em alguma das suas e que a mamãezona esteja lá para alertar a filha. Quer dizer, isso se ela quiser acreditar na verdade, não é?
O desabafo de noites sonolentas segundo José Uoshington:
É... você não sabe o sufuco que está aqui. Três dias com a jararaca andando para lá e para cá e já mudou, ou melhor, está tudo de pernas para o ar aqui em casa. Primeiro o patrão Adalberto, que de uma hora para outra desembestou a chegar tarde da noite sem dar nenhuma explicação para a esposa do que estava fazendo na rua, esquecendo-se completamente que agora abriga a sogrona que chifou o sogro em sua residência. Segundo a velha babenta que está dormindo em cima de mim, babando e roncando a noite inteira. E terceiro... terceiro é esta mesma velha babenta colocando caraminholas na cabeça da Josefina. Você acredita que ela mal chegou e começou a apontar as coisas aqui em casa? Sério mesmo, porque parece que já desconfiou do Adalberto desde que colocou as malas no chão três noites atrás e perguntou pelo marido da filha: "ainda não chegou, mamãe!". Ah... esta velha veio para semear a discórdia entre Josefina e meu estimado dono, ah se veio! Sabe outra coisa que ela, a mãe da minha patroa, está fazendo? Conferindo, uma por uma, as camisas e bolsos da calça do Adalberto. É... quem me contou foi a lavadora de roupas: "a gente que é mulher, Josefina, deve sempre averiguar se não há manchas estranhas nas roupas dos nossos homens" - disse a cobra para a jumenta, quer dizer, disse a velha para a filha. Josefina riu, é lógico, mas parece ter ficado com uma comunidade inteira de pulgas atrás da orelha: "será que Adalberto mudou o seu desodorante italiano por um Vaness... não, meu marido não iria trocar a marca do desodorante sem me consultar!" Está ficando difícil, cada vez mais difícil, segurar as pontas por aqui... mas mesmo na adversidade, eu hei de dar o nó nas duas e também hei de proteger aquele que me adquiriu - junto com a secretária pernuda, aquele clone da Cláudia Raia - e a quem eu devo meu mais profundo respeito. Afinal de contas, malandro que é malandro acende cigarro em relâmpago, não é?
posted by : o Administrador desta empresa, uai!
9:59 AM
Segunda-feira, Fevereiro 20, 2006
Isso ninguém me contou...

Estava agora mesmo cortando meus poucos cabelos, conversando sobre o futebol de domingo, reclamando deste calor infernal, o fim do horário de verão logo após o show do Rolling Stones e a biritagem do final de semana quando o barbeiro veio com a conversa:
- Então já que você não foi ver o Mick Jegger no Rio, com certeza foi lá conferir o show da banda Calypso em Sete Lagoas!
- Eu? Tá louco?
- Aqui... saiu no jornal de hoje que o negócio lá foi fraco para caramba!
- É mesmo? E porquê?
- Você não está sabendo não?
- Sabendo de quê?
- Da história do menino monstro de três olhos de Sete Lagoas!
- Menino o quê?
- Cara... até saiu no jornal!
- Uai! Eu não li nada sobre isso não!
- Nossa senhora, está todo mundo falando nisso! É que na semana passada nasceu um menino com três olhos, dentes afiados e cabelos espetados na cidade vizinha! Quando o médico viu aquilo, exclamou: "nossa, que menino feio".
- Tá brincando!
- Sério! Aí o menino, mais que na hora, virou a cabeça e respondeu: "feio você vai ver é no sábado, durante o show da Banda Calypso".
Quase que eu fico sem a orelha!
posted by : o Administrador desta empresa, uai!
3:32 PM
Quinta-feira, Fevereiro 16, 2006
Fala que eu te escuto...

- E aquele seu colega de serviço, como vai? Sumiu...
Porquê os dentistas ficam nos perguntando coisas depois de encher nossas bocas de algodão, quando estão usando o motorzinho da tortura ou logo após uma dolorida anestesia? É impressionante o procedimento odontológico... já reparou nisso? Você entra no consultório cheio de medo, ele calado; você se deita na poltrona, ele mudo; você abre a boca sentindo aquela lâmpada queimando sua goela, ele em pensamentos absortos; é o bendito profissional colocar os olhos em nossos dentes que começa a metralhadora de perguntas e comentários sobre o Jornal Nacional...
- ... horrível aquela mulher que jogou a criança na lagoa, não é?
E se ele for daqueles torcedores fanáticos? E o pior, se você não torcer para o time dele, aquele que foi recentemente rebaixado? Tá fudido...
- Ah... então você é cruzeirense? Tinha que ter falado antes...
O espelho roçando lá nos últimos dentes; a língua retesada; o maxilar até doendo, músculos mantendo aquela posição desconfortável, o irritante "ziiiiiiiiiiiii" no seu ouvido... e você querendo responder à pergunta. É... eles devem ter tido aulas de como deixar seu cliente de boca aberta com sua perspicácia na faculdade. Ou quem sabe curso avançado em mímica...
- Se estiver incomodado, levante a mão esquerda e pisque o olho duas vezes, ok?
Mas é quase certo que todos eles tem adoração em ficar falando, e falando, e falando - rixa brava com os taxistas - durante a consulta todinha, tendo como respostas singelos e inúmeros "hum's", acenos discretos com a cabeça ou incessantes piscadelas de olhos. Só eles, dentistas soberanos naquele consultório odontológico, o mundo mudo em sua volta...
- Parece que dói é este dente aqui! Vou colocar o dedo nele e você me fala...
Teve um dia que eu tive uma dúvida quanto a reembolso, modalidade nova para pagar o serviço do profissional. Cheguei, falei com ponto de interrogação, ela me acomodando, procedimentos normais, abre a boca, plantação de algodão, novelas, blá-blá-blá's, risos, veio com uma seringa enorme e anestesiou minha boca. Toda a boca, incluindo as amígdalas, a sinaleta, a língua e o cuspe, tudo junto. Depois de alguns minutos - em que eu estava praticamente almoçando meu próprio beiço - a danada veio...
- Qual foi mesmo a parte do convênio que você não entendeu?
posted by : o Administrador desta empresa, uai!
12:22 PM
Quarta-feira, Fevereiro 15, 2006

F.I.V.
Ela queria, sempre quis. Ele sonhava com isso desde a puberdade. Ambos, em seus respectivos mundos, ansiavam por aquilo, pela experiência ímpar de passar de protegido a protetor, de ter alguém para observar nas noites de tempestades, os primeiros dentes nascendo, as palavras papai, mamãe e "au-au" soando gostosa da boca daquele pequeno ser.
Ela queria, sempre quis, e ele mais ainda. O tempo passou, os remédios foram aposentados, houve a bênção, passaram a compartilhar o mesmo leito. Questão de tempo... já imaginavam a prestação do pequeno berço, a primeira chuquinha, o mordedor, observava as outras famílias com olhares de festa de aniversário. Demora, e a demora faz ela nervosa. Ele ainda é um tanto quanto paciente, aguarda a hora certa, sabendo que não seria, de jeito nenhum, escolhido pelo destino - este que às vezes brinca com as pessoas - e que cedo ou tarde traria seu rebento ao colo e o apresentaria, finalmente, ao mundo.
Mas demora, e a demora avança anos...
Os remédios, que antes barravam, agora tentam aproximar as células. Quase não existe passagem - o cientista do corpo diz - mas não percam a fé! Fé, tratamentos, consultas, ouro e prata, palavras de consolo, palavras que machucam, lágrimas noturnas em soluços baixinhos. Ela quer desistir; ele, sinceramente, não mais acredita... mas mesmo assim vão tentar.
Estranho como meu mundo fica tão triste sem você! Estranho lidar com esta sua falta! Estranho lidar com este sonho cada vez mais distante de ganhar presente no segundo domingo do mês de junho... um abraço e um beijo bastaria!
F.I.V. = fertilização in vitro
posted by : o Administrador desta empresa, uai!
11:51 AM
Segunda-feira, Fevereiro 13, 2006
Meu cunhado é um doce!
Se você tiver um cunhado e ele não for folgado acredite: ele não é seu cunhado. Está duvidando? Pois se o cara for gente boa (geralmente os cunhados são), educado (também são), compreensivo (eu acho que alguns são, outros ficam putos porquê você está pegando a irmã dele) e nada folgado (esta é a parte importante... é tipo uma marca registrada, um pedigree), você pode fazer um DNA que vai descobrir que o cara é um primo seu de terceiro, quarto ou quinto grau, um amigo que seu pai tem ou até seu irmão perdido, fruto de uma aventurazinha besta do velho, mas nunca vai ser seu cunhado.
O cunhado tem que ser folgado para ser cunhado. Ele confunde as coisas, não consegue perceber que, enquanto você namorava a irmã dele, o tratamento era um... mas depois que você casou, que fez as pazes com o sagrado matrimônio, assinou o pepelinho no Cartório Civil e que trocou a aliança no dedinho da mão direita para a esquerda, o negócio teve, obrigatoriamente, que ter uma mudançazinha para correr bem. Para quem não entendeu, a folga tem que acabar, de um jeito ou de outro, para que todos convivam bem e para a alegria geral da nação, entendeu? Aquilo de abrir a geladeira e beber a última cerveja quando era irmão da sua namorada é uma coisa.. mas chegar na casa da irmã sem ser convidado, abrir a geladeira e pegar a ÚLTIMA CERVEJA do marido da sua irmã é outra, por sinal, completamente diferente.
Parece que lá em casa virou um sítio, uma casa de repouso, um Spa, uma verdadeira casa da Mãe Joana para a mulher do meu cunhado: ela vem na cola do marido e não faz absolutamente nada o domingo inteiro. Chega, embarreira na cozinha, cruza seus bracinhos gordos bons de cortar uma cebola e fica sorrindo o tempo todo, um sorriso Colgate de canto à canto da boca (lógico, não está no fogão preparando o rango). Não faz nada, mas em compensação fala, mas faaaala até não poder mais. Fala do vizinho, fala da vida, fala do preço das coisas do supermercado, fala do próprio irmão da minha esposa e dá aquele risinho de é mentira, viu?, enquanto esperam, mortos de fome, o almoço. Depois de se fartarem, depois de beber a minha última cerveja, depois de deixarem os pratos sujos por sobre a pia e de levar uma marmitinha para o marido comer na segunda-feira (juro por tudo que é mais sagrado), ambos observam o tempo se fechando (lá fora, é lógico) e soltam a célebre frase, esta tão esperada por todos, todos mesmo:
- É... vamos embora antes que comece a chover, né bem?
Vai... vai com Deus, cunhadinho & companhia limitada. Deixa estar... no domingo que vem eu vou pedir dois marmitex no restaurante, ah se vou! Que cara folgado... beber a latinha que deixei para antes do almoço é foda!
posted by : o Administrador desta empresa, uai!
4:27 PM
Sexta-feira, Fevereiro 10, 2006
Esta é a história da Josefina, moça que desde cedo se enamorou, noivou e casou com Adalberto. Este é o relato de sua vida em causos que transitam facilmente do conflituoso ao cômico, mas sempre passando pelos olhares e comentários indiscretos e espirituosos de seus sofás, Clementino e José Uoshington. Móveis que falam, um marido não lá muito confiável, uma esposa de alma pura e inocente... isso dá ou não dá uma boa história?
Entra a dona da casa esbaforida e chegando da rua. Traz no rosto um semblante um tanto quanto preocupado, olhos semicerrados, um mordiscar no beiço de baixo.
Josefina: Meu Deus...
Clementino: Que cara é essa?
Josefina: Acabei de descobrir uma coisa...
José Uoshington: Podemos saber o quê?
Josefina: Minha mãe, José Uoshington... minha mãe traiu meu pai...
Clementino: A dona... não, não acredito...
Josefina: Sério mesmo... meu irmão me ligou agora mesmo! Está o maior bafafá lá em casa...
José Uoshington: Quem diria, sua mãe (que ainda bem que não conheço) metendo um belo par de chifres do seu pai... que pouca vergonha.
Josefina: Pois é... eu até agora não estou acreditando...
Clementino: Josefina, liga para ela, veja o que está acontecendo...
Josefina: Eu vou ligar, eu vou ligar... mas, meu Deus... mamãe traindo papai...
José Uoshington: Todo mundo um dia trai, Josefina...
Josefina: Mas minha mãe? Uma mulher tão boa, dona de casa exemplar, amada pelos filhos e pelo marido... o que a levou fazer uma besteira destas?
Clementino: ....
José Uoshington: ... falta de sexo?
Josefina: Peraí, Uoshington, segura aí sua língua! Você está falando da minha mãe, ok?
José Uoshington: Eu sei, eu sei... mas, sei lá, quem sabe ela estava naquela de procurar coisas novas, novas formas de se amar e ser amada, daí para pequenas aventuras, uma escapulidinha que deu certo, mais uma outra que deu mais certo ainda, atender o chamado das amigas para sirigaitear por aí, dar um jeito na mesmice...
Josefina: Uoshington, por favor...
José Uoshington: ... ou simplesmente seu pai não estava dando conta do fogo da véia!
Josefina: Uoshington...
Clementino: Não adianta, Josefina... deixa ele para lá! Vai... vai e liga para sua mãe e veja se ela está precisando de ajuda...
Josefina: Isso que vou fazer!
Sai a mulher da sala com o telefone na mão. Mesmo sozinha em casa, tranca-se no seu quarto.
José Uoshington: Que coisa, hein?
Clementino: Pois é, quem diria...
José Uoshington: Você que conhecia, como a tia é?
Clementino: Ah, sei lá... uma pessoa legal, nem tão idosa e com uma mente muito aberta...
José Uoshington: A mente só?
Volta à sala com um sorriso no rosto, daqueles de fora à fora:
Josefina: Gente, tenho novidades...
José Uoshington: Já sei, sua mãe não traiu, mas foi traída...
Josefina: Não... mamãe vai vir passar alguns dias aqui com a gente...
Clementino: Sério?
José Uoshington: Sério, que sério merda nenhuma: isso é verdade? E o patrão Adalberto já sabe?
Josefina: Ah, Adalberto vai adorar a novidade. Falando nisso, vocês viram que horas ele chegou ontem de madrugada?
Clementino: Eu não vi... e você, Uoshington?
José Uoshington: Humm... aqui em casa não tem cama extra. Gente... a véia vai dormir na sala? Meu Deus, a véia vai dormir na sala!
posted by : o Administrador desta empresa, uai!
11:02 AM
Quarta-feira, Fevereiro 08, 2006
- Uai, cadê minha Incorporação que estava aqui?
- O gato comeu!
- E cadê o gato?
- Sei lá... se vira!
A Coca-Cola é Corporation, assim como também é a Pepsi. Tem gente que não sabe disso e nem quer saber, ainda mais que faz tempo o nome empresarial se mesclou com o líquido, bebidas que tanto nos fazem bem para o estômago e que aliviam nossa sede (acredite: tem gente que prefere os refrigerantes à um belo copo d'água gelado. Eu, particularmente, prefiro cerveja...).
Espera aí... estou falando da empresa Coca-Cola e da empresa Pepsi, e não dos seus produtos finais. Será que, quando alguma empresa for pagar uma delas, por exemplo, irá emitir um cheque administrativo para o nome fantasia? Não... tem que ter a denominação empresarial, o Corporation no finalzinho do nome, como manda o figurino.
A Nike é Incorporation, mas a gente fala somente Nike (ou bate o olho no logotipo e já sabe). A Toyota se chama Toyota Motor Corporation, a Microsoft é Corporation, a General Electric é Incorporation... e o Gerolino também!
Daqui a pouco o pessoal vai só falar Gerô, assim como fizeram com a Coca...
- Coke?

Ah, Bloggerman, quase ia esquecendo... tem uma gelada paga para você aí no boteco da esquina, ok?
posted by : o Administrador desta empresa, uai!
7:28 PM
Terça-feira, Fevereiro 07, 2006

Isaac.
Estranho... Isaac, mesmo sendo filho e neto de extremistas judeus, ainda conservava aquele ar de pureza dos recém-nascidos. Era meio bobinho o moço, tanto que muitas vezes nem parecia que havia nascido num dos muitos subúrbios de Haifa, terceira cidade do nosso querido Estado de Israel, só perdendo em número de habitantes para Tel Aviv e Jerusalém. Acreditava no próximo, na bondade alheia, em dar a outra face, em ajudar os necessitados... enfim, Isaac era um bom homem, o coitado.
Posso te contar uma história? Vez ou outra pegava-o olhando para a imensidão do céu. Fixava o olhar numa nuvem, por exemplo, e assim ficava por horas e horas à fio... observava-a, deitado na grama do quintal de sua pequena casa, e assim passava o tempo até aquele monte de água em pó - dizia ele - sumir do seu campo de visão. Parecia que viajava lá em cima, parecia que pululava por cima delas, uma à uma, e parecia estar próximo de Deus deste modo.
Detestava falar desta política aí, mais norte-americana do que tudo. Detestava ouvir falar de guerras, de disputas de terras e queria namorar uma bela moça palestina - veja só que idéia! Era ouvir falar que iria casar-se com uma filistéia que sua mãe, que Deus a tenha, corria para o quarto e começava a chorar copiosamente, indagando-se onde foi que pecou na educação que deu ao filho mais novo, o último de cinco irmãos.
Seu pai deixou de conversar com ele em meados de 95, mais ou menos próximo ao mês que morreu Rabin. Queria que seu filho seguisse sua ideologia, queria que a família permanecesse unida, pelo menos, nesta parte - ainda mais que perdera o mais velho em Gaza durante um conflito que deixou muitos mortos e feridos, de ambos os lados. Mas Isaac não queria nada disso, queria só viver a vida dele... queria ser cineasta ou, na pior das hipóteses, músico.
Acho que o culpado disso tudo foi o Steven e seu extraterrestre de 82, filme que mexeu com sua cabeça de criança. Famoso, rico, inteligente... estou falando bobagem, Isaac queria justamente o contrário: entrar e sair dos lugares sem ser incomodado, ajudar os pobres, tocar seu violão, dividir tudo o que possuía, inclusive cultura de paz: "a gente não tem que viver brigando... olha só quantas pessoas já morreram e quantas ainda terão que morrer para que a fraternidade venha, finalmente, reinar neste planeta" - sempre dizia - "já que queremos a mesma coisa, que pulemos as guerras imbecis e desnecessárias". Eu achava isso tudo uma grande bobagem, já disse, mas, sei lá porque não conseguia deixar de gostar do nosso bom Isaac, de rir dos seus pensamentos tolos. Acho que no fundo eu esperava, quem sabe, entendê-lo algum dia.
Isaac, Isaac... não sei porquê, juro, resolvi acompanhá-lo em Tel Aviv naquela tarde de verão, como também não sei porquê não o impedi de tentar entregar aquela sacola, uma que nós dois vimos esquecida próximo ao balcão da lanchonete que estávamos, um segundo depois de presenciar seu dono sair do local esquecidamente. Num momento, num instante que nem dá para te falar, vi saindo Isaac atrás do homem que agora corria desesperadamente pelas ruas da cidade...
Não! Eu cheguei a gritar para ele largar aquilo, mas foi tudo rápido demais. Hoje, por causa dos estilhaços que me desfiguraram o rosto, não posso mais enxergar e meu amigo, este meu amigo Isaac, morreu acreditando no bem que as pessoas ainda podem trazer no coração.
Ainda vejo seu rosto sorridente quando fecho os olhos...
-----------------------------------------------------------------------------------------------------
Texto produzido especialmente para o 16º Concurso Maldito dos:
Blogueiros Malditos
posted by : o Administrador desta empresa, uai!
6:54 PM
Segunda-feira, Fevereiro 06, 2006
Projeto da Lei Seca já começa a ganhar adeptos em BH.
Direto da redação.
Se alguém vier lhe perguntar em que horário e em que lugar mais se bate-boca na cidade, muitos virão dizer que é no calar da madrugada, nos bares e em suas proximidades. Como a madrugada foi feita para neném dormir, como de madrugada a maioria da força policial está também nanando, como de madrugada a pilantragem está perigosamente à solta e como é de madrugada que quem tem olho não ousa piscar, ficou gravado em nosso subconsciente coletivo que aquelas poucas horas malditas é propícia para tudo que é coisa ruim possa acontecer com uma pessoa de bem, principalmente se esta pessoa pura e de comportamento ilibado está mais para lá do que para cá. Pensando nisso, alguns vereadores - que parecem gostar de dormir bem cedo - bolaram um Projeto, chamado carinhosamente aqui na nossa cidade de Projeto da Lei Seca, que pretende fechar os botequins, bares e afins da região das 23h às 6h.
Alguns desaprovam veementemente a idéia, como é o caso dos donos dos bares da Vila do Sereno, região que recebe milhares de freqüentadores ávidos pela diversão cara e pelos drinks exóticos. Outros já recebem o Projeto de Lei que visa a proibição do funcionamento na madrugada de braços abertos. Nesta vertente, aprova o não funcionamento o cidadão belorizontino Tuberculino Saint'Clair, vigia de boate há 8 anos e que toda noite é obrigado a desferir boas bolachas nos freqüentadores folgados do estabelecimento: "A gente tá aí, na nossa, tirando nosso sustento numa boa, mas aí vem este pessoal aí e depois de beber todas vem zoar com a gente, aí resolvem sempre encrespar com a gente, a gente que é pobre e que não fez nada" - dispara o indignado vigia - "aí eles vão bebendo cerveja, whisky, vodka, tomam aí uns remedinhos parecendo Viagra e aí, quando não acham nenhuma mulher para dar um trato, vêm caçar confusão com a gente" - desabafa - "aí é 'caxa', né?".
Seu colega de profissão, Wandercleisson, já perdeu a conta de quantos dentes já extraiu, na base do tapa e nos ganchos de direita, destes filhos de pais de classe média-alta que se divertem nos estabelecimentos da zona sul da cidade: "Tenho conta não. No começo eu tentava dialogar, ficava puto nas calças, aceitava levar para casa umas provocações... mas depois que fiquei sabendo por intermédio dos 'colega' de profissão que eles, estes playboys, depois de bicudos, gostam mesmo é de apanhar, ah... agora eu sento o sarrafo, sem dó nem piedade" - mostrando o punho direito enfaixado da briga do último final de semana.
A Associação dos Vigias e Seguranças de Bares Noturnos e Congêneres da Região Metropolitana de Belo Horizonte também aprova o Projeto de Lei: "por mês temos de cinqüenta a setenta associados que faltam de serviço ou são afastados pelo INSS porquê deslocaram o ombro ou machucaram a mão dando porrada nestes bandos de folgados... e isso é um absurdo. Estamos tentando, junto com os órgãos competentes, ver se dá para a gente usar cassetetes de borracha em vez de nossas mãos nuas, mas por enquanto tá meio difícil conseguir a aprovação do pessoal" - reclama, indignado, o presidente da AVSBNC-BH, Closvaílton Smith da Silva.
E há outras opiniões positivas acerca o não funcionamento nas madrugadas. Um outro exemplo é a Associação Amadora dos Lutadores de Boxe de Minas Gerais - AALB/MG, que em nota oficial, também aprova a lei e saúda os vereadores que levaram a idéia à Câmara: "Tem que fechar mesmo! Tem que fechar que este negócio todo já está refletindo até no Boxe Amador. O pessoal que gosta de uma boa luta tá fugindo dos ringues da periferia para ver a porrada comer nas portas das boates da zona sul" - reclama o presidente da AALB e também dirigente da Liga Mineira de Boxe Amador, a LiMBA, senhor Sulvinílton Stuart - "e fora que os olheiros de outros Estados vem de longe e ficam de plantão nas portas das boates... aí, depois que rola a confusão e os rapazes cansam de socar a cara dos riquinhos, vêm com um cartão, aquele papo pega-mosca e levam os vigias e seguranças, muitas vezes nosso associado, para lutar boxe em outro Estado, tipo São Paulo e Rio de Janeiro: é uma puta duma sacanagem com a Associação daqui de Minas! Mas com esta proibição, quero ver estes vigias arrumarem sparring de graça, quero ver..." comemora.
posted by : o Administrador desta empresa, uai!
5:17 PM
Domingo, Fevereiro 05, 2006
Sabe o que fiz hoje? Nada! Fiquei pensando na morte da bezerra, pensando que amanhã é outro dia, dia de ralação em horário integral, dia de volta às aulas. Estava eu a pouco tomando uma gelada, olhando para o aqueduto do Bicame e imaginando que, infelizmente, a mamata acabou... tsc!
Mas espere aí, como assim acabou?

Sim... acabaram-se as férias. Findaram-se aqueles dias e noites de intermináveis coçar de saco, ver televisão até tarde da noite ou simplesmente cair na cama cedo e dormir. E pensar que estava vivendo num oásis de interminável falta de que fazer, nenhuma prova valendo trinta pontos para a segunda ou terça, viver sem nenhuma preocupação com o daqui a pouco, viver somente para aquele dia, sem medo nenhum do amanhã. Pois é, acabou!
Dá um aperto no peito, um desejo de, sei lá... rever os amigos? Saber o que eles fizeram nestes últimos dias, olhar para a cara do novo professor e tentar, na base do instinto, saber se vamos passar na matéria ou não, sentar no Amarelinho e pedir aquela gelada para o Fernandão, pindurar a conta para pagar no sábado que vem...
Oba, amanhã tem aula...
posted by : o Administrador desta empresa, uai!
9:09 PM
Quinta-feira, Fevereiro 02, 2006
O Brasil é moda? 
Este povo brasileiro não pára de me surpreender. Na iminência da Copa do Mundo no país que inventou a arte do chucrute, agora virou moda aqui, no país do futebol, a arte de estampar o nosso glorioso e às vezes não muito politicamente usado "Ordem e Progresso" em camisas, calças e lenços. O verde e amarelo virou, praticamente, sinônimo de passarela pelas bandas de cá, criando formas nunca antes vistas (até vibrador, gente, tem até vibrador!) e que não ficam somente restritos em nossas fronteira: nossas cores invadem pouco a pouco as ruas, os carros, ônibus, aviões e vai até o espaço sideral. Nossas cores singram o universo todo e devagar desembarca lá na casa do chapéu, tendo como ponto de chegada a Alemanha para depois conquistar o mundo. E já começou, viu? Ontem mesmo, em pleno fevereiro e aqui nos corredores da empresa, vi uma moça usando um colante branco de ginástica e uma bandeira enrolada na cintura como saia. É, a bandeira brasileira como micro-mini-saia... e nem tinha amistoso contra a Argentina!
Brasil. Mesmo atolado em denúncias de corrupção e de que estes buracos que você não viu nas estradas nestas férias de janeiro é obra para reeleger nossos governantes, o povo ainda acredita no país - pelo menos dentro das quatro linhas. E pensar que em 2002 a cor da moda era o vermelho soviético e aquela estrela solitária, hein? Camisas vermelhas, bonés vermelhos, calças, chinelos, bandeiras do PT desfilavam abertamente pelas ruas. Hoje o povo nem tchum para a política nem para a cor... mas tá acesso para o verde e amarelo e ligado no futebol que vai ter lá na Alemanha, ô se está!
Viu como é volúvel, maleável e inconstante este mundo da moda, de se estampar desejos de conquistas futuras em vestimentas do dia-a-dia? O lugar onde a Gisele ganha o pão é do caramba: fica rico quem tem as idéias mais doidas, os cliques extravagantes e quem joga este pensamento, rápido, nas ruas! Venhamos e convenhamos: uma vez que cai no gosto popular, a tal da São Paulo Fashion Week dá um estalo, se contorce e se espalha pelo país, começando lá no Oiapoque, terminando lá no Chuí e embarrigando lá para o Mato Grosso afora. Alguém dita um modismo e, de repente, está todo mundo aderindo um determinado conceito de moda...
E falando em conceito de moda, ontem, aqui mesmo no serviço, me chamou a atenção uma outra moça. Ela vestia uma calça ao avesso: o cós à mostra, toda a costura aparecendo. Na hora olhei para a cara dela e imaginei que, coitada, devia ter acordado atrasada e posto a roupa assim, de qualquer modo, e saído esbaforida para o trabalho. Ainda abismado com a indumentária da colega de serviço, acompanhei-a até o elevador, observando, estupefato, a displicência dela - onde ia colocar as moedinhas do troco do ônibus sendo que os bolsos também estava para dentro? Só depois fiquei sabendo que é moda (hã?) usar a roupa mostrando a costura (cuma?), ao contrário mesmo (não brinca!), pelo menos, aqui no nosso país (não acredito!).
E pensar que eu, um dia desses de começo de horário de verão, acordei naquele escuro dos infernos e coloquei, sem querer, minha cueca ao contrário! Eu estava na crista da onda e não sabia!
posted by : o Administrador desta empresa, uai!
5:54 PM
Quarta-feira, Fevereiro 01, 2006

Há vagas!
A queria desde que adentrou em sua sala solicitando uma chance na empresa. Poderia ser chamada de lascívia o modo indiscreto que ele olhava para sua boca carnuda e besuntada de batom vermelho; poderia ser chamada simplesmente de uma irresistível atração por aquele corpo esguio e pelos seus cabelos encaracolados ou poderia ela simplesmente ter despertado naquele homem seus básicos instintos de bicho macho, caçador, copulador e ávido pela fêmea à sua frente: no final nada importava, nada passava pela sua mente a não ser aquela desejável mulher.
Com o passar dos dias, percebeu que mudou seu jeito de ser, o jeito de se comportar quando estava ela presente, seja nas reuniões, no elevador ou nos quase imperceptíveis acenos de cabeça nos corredores. Percebeu numa noite que a enxergava em sua mulher quando se amavam. Percebeu que começava a perder a compostura nas indiscretas insinuações e nos insistentes pedidos de um drink depois do expediente. Percebeu que a simples aliança na mão esquerda daquela mulher era mais valiosa que a grossa argola de ouro com dois pequenos diamantes que ostentava na sua.
A queria desde que adentrou em sua sala solicitando um emprego. A queria em caros lençóis de linho, embebida em champanhe francesa e deitada de bruços clamando insistentemente por seu nome. A queria, e queria mais que tudo e todas, mas por conta das negativas, pegou seu telefone, ligou para o Recursos Humanos e mandou-a embora, assim, sem mais nem menos.
-----------------------------------------------------------------------------------------------------
Texto produzido especialmente para o 15º Concurso Maldito dos:
Blogueiros Malditos
posted by : o Administrador desta empresa, uai!
12:01 PM
|