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Jornal do Blogueiro

Diretorio 100% brasileiro




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Domingo, Janeiro 29, 2006

"Ô coisinha tão bunitinha do 'pai'..."

Emily e Gabriela

O tempo vai passando, os fios brancos começam a brotar na barba e o cabelo começa a ralear mais e mais. A gente acha que não é nada até se tocar que está usando o termo "quando eu tinha a sua idade..." muitas e repetidas vezes. Pois é... a segunda geração começa a escutar aqueles rocks pauleiras, ameaça ir ao shopping sozinha, começa a namorar, casa, engravida e, quando assustamos, nos vemos com coisinhas gostosas em nossos braços.

Pode me chamar de tio/padrinho coruja que eu admito: sou sim! É muito gratificante estar presente na vida destas meninas (e meninos: o Thomás, filho da minha irmã Gláucia com seu marido, o Amaro, nasceu semana passada), ver estes "presentinhos" chorando querendo mamar, chorando de pirraça, fazendo beiço querendo colo, ver aquelas bolinhas com fraldas descartáveis rolarem na cama de um lado para o outro, descer do sofá com extrema dificuldade e começarem a engatinhar pelo chão, os primeiros passos... tem coisa melhor? Sim, tem sim... quando elas te olham, te reconhecem e levantam os braços pedindo um colinho (para sair do berço prisão, principalmente) e, de quebra, um beijo mordido nas bochechas.

Ops, babei no teclado!

posted by : o Administrador desta empresa, uai!
8:44 PM


Quinta-feira, Janeiro 26, 2006

Socorro!

Uma colega foi vítima de seqüestro relâmpago - teve sua conta esvaziada, mas depois do susto, a moça passa bem. Duas de minhas tias, ao chegar na casa de uma delas bem à tardinha, foram rendidas por dois safados em uma motocicleta e ficaram sem suas bolsas e celulares - mas os bandidos não tocaram em nenhum fio de cabelo. O tio de um conhecido, depois de sair de casa para trabalhar, foi assaltado quando deixou seu carro numa rua praticamente ao lado do seu serviço - ficou sem carro, sem carteira e sem bater ponto (o crachá que estava dependurado no retrovisor interno foi embora com o ladrão). O outro chegado, que mora próximo à uma delegacia de polícia que vive sempre lotada, não pôde chegar em casa no horário habitual porquê alguns dos detentos haviam fugido da dita delegacia e provavelmente se escondido nos conjuntos de prédios - depois que averiguaram todos os apartamentos, liberaram a entrada do pessoal. Um outro amigo saiu para beber umas cervejas com sua turma, ficou mais para lá do que para cá, catou uma mocréia banguela e com ela foi namorar num motel - ficou sem graça de encarar os amigos no outro dia.

Se continuar deste jeito, não se assuste se nossos anjos da guarda começarem a pedir insalubridade...

posted by : o Administrador desta empresa, uai!
3:43 PM


Quarta-feira, Janeiro 25, 2006

"Quando o segundo Sol chegar..."

Na realidade, quem está sofrendo horrores neste verão é o coitado do pobre.

Pobre... a gente que é pobre sofre na alegria e na tristeza, não tem jeito: se está frio para burro, não tem um cobertor decente; se está quente pro diabo, o caboclo nem consegue dormir direito. Sério mesmo, não ria... você bem sabe que o pobre fica "menos triste" e consequentemente "menos bravo" com a vida quando consegue dormir um bom sono, quando tem feijoada na sexta-feira, quando estão asfaltando as ruas perto de suas casas e quando há futebol da Seleção Brasileira - ou do Flamengo - na televisão. Mudou alguma coisa neste "quadrado mágico" e os dentes raivosos ameaçam ficar à mostra.

E agora eu te pergunto: tem condição de nós, simples seres humanos desprovidos de numerários para adquirir e instalar em nossas casas um aparelho de ar condicionado - coisinha de poucos BTU's, mas que custam os olhos da cara - dormimos com um calor destes? Está cada vez mais difícil...

De noite tá quente, de tarde tá quente, de dia tá quente. Eu fico é imaginando quem trabalha de gari, na construção civil, quem ganha a vida como vendedor ambulante, quem sua como operador de britadeira... o coitado daquele cidadão honesto, ralando embaixo daquele sol à pino o dia inteirinho, tem condição de ser plenamente feliz ao puxar uma salutar soneca depois de bater sua marmita? Acho que não... está quente demais, não tem sombra que dê jeito! Daí dá cinco e pouca da tarde, saí o coitado do trabalho e chega em casa já puto da vida com a bolha d'água que nasceu no pé: bate aquele rango repleto de gorduras, proteínas e sais minerais, aquela "guia" para amaciar a língua e depois, vai fazer o quê? Ora, vai caçar um canto para dormir um sono sossegado. E consegue? Lógico que não! O sol que assou seu lombo também ficou assando a laje, as paredes e até a lâmpada 80 watts desde a hora que levantou até às seis e cinqüenta e nove da noite! Termina a aventura com o pobre, coitado, rolando de um lado e para o outro da cama, aproveitando ao máximo a irradiação que não o deixa dormir vinda do concreto e dos tijolos à mostra. "Há alguma coisa de errado com o mundo" - pensa ele.

Para fuder com tudo, no outro dia, bem cedo e já quente (para variar), o peão, já suado, pega seu radinho de pilha e, quando vai sintonizar uma rádio qualquer na AM para ouvir notícias de quem morreu esfaqueado ou tomou tiro no beco do Joelho de Cobra, ouve uma mulher que nunca viu na vida dizendo no meio de uma música que o segundo sol está para chegar! Ah... aí o peão surta de vez!

- Bem que podia chover... este calor já está cozinhando meu cérebro!
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Em tempo: no dia de temperatura mais alta nos últimos 30 anos, no mês de janeiro, máxima em BH foi de 35 graus e a umidade relativa do ar ficou em torno de 25%. Tais índices são considerados por meteorologistas acima da média prevista para esta época do ano.

posted by : o Administrador desta empresa, uai!
5:25 PM


Terça-feira, Janeiro 24, 2006

Ambientalistas avisam: show do Rolling Stones pode causar desastre natural sem precedentes em Copacabana.

Direto da redação.

O palco começa a ser montado nas areias escaldantes da praia de Copacabana. Na televisão, reportagens e propagandas em horário nobre sobre o grande show do ano. Mick Jagger e companhia limitada tocando em solo brasileiro novamente, mas desta vez, ao contrário de eventos anteriores, sem cobrar nadinha, nem um real, um dólar ou um euro sequer dos inúmeros fãs tupiniquins, argentinos, bolivianos, paraguaios ou de outras paragens deste Mercosul varonil, pessoas que viajarão quilômetros e quilômetros em estradas esburacadas ou em céu de brigadeiro para conferir de perto o som dos seus ídolos britânicos... e o que é melhor, ainda mais nesta parte do mundo de economia subdesenvolvida, de graça!

Mas os ambientalistas não estão achando nenhuma graça neste evento em plena orla carioca. Segundo eles, este show de rock'n'roll já começa a modificar, significativamente, a vida das espécies animais que vivem e se reproduzem naquele local. Milhares de tatuís, caranguejos e principalmente siris serão afetados - estes últimos em maior escala conforme os estudos.

Inúmeros crustáceos estão sendo amedrontados pelos cambistas de lugares - um novo tipo de sub-sub-sub-emprego temporário criado por alguns cariocas da gema desempregados - mas a cruel realidade que bate à porta é que seus lares serão simplesmente desapropriados e os lugares alugados no dia do show. "Minha geração mora aqui próximo da barraca de côco gelado há mais de cem anos" - reclamava a matriarca da família Rikka, a dona Siri Rikka - "e agora estão me dizendo que vai vir um monstro aí, que vai vir de longe, com uma calça apertando os bagolinos e uma boca enorme sugar toda a areia da praia! Agora eu tenho que fugir daqui com meus netos... meu Deus, vai ser o fim do mundo."

Fazendo ameaças e coagindo os pobres crustáceos, os cambistas de lugares na praia vão conseguindo, sistematicamente, fazer com que os siris deixem, em êxodo, as suas casas. Procurado por nossos repórteres, alguns siris relataram como agem estas pessoas que guardam lugares na areia para serem, depois, comercializados no dia do show grátis: "eles vão chegando, vão observando o lugar e, de repente, vem em bando chutando a areia pra cima e gritando "o Bocão taí... ruh! o Bocão taí... ruh!", que isso aqui vai virar um inferno dia 18 de fevereiro, que uns tais motoqueiros "Réeus Êngeus" brazucas vão tomar conta e que é para a gente se pirulitar" - bradava um siri que, com medo, não quis ser identificado - "já me avisaram que vou ter que sair de casa o mais rápido possível! Mas agora, por intermédio de vocês, fiquei sabendo que onde fica minha humilde residência vai ser é alugada por um 'cambista filho de uma sirigaita' por mais ou menos vinte reais para um show rock'n'roll" - completou, indignado - "só vinte? Eu moro de frente para o palco... devia ser, pelo menos, uma onça, peixe!"

Revoltado com a atitude de alguns destes seres humanos, muitos siris se dirigiram a delegacia mais próxima para exigir seus direitos, mas infelizmente não conseguiram ser ouvidos pelos policiais de plantão. Descontentes com o péssimo atendimento, protestaram fechando a Rua Hilário de Gouveia na altura do número 102 com faixas, cartazes e palavras de ordem como "nós também somos cariocas e exigimos respeito", "com Tom Jobim era bem melhor" e "queremos ouvir Garota de Copacabana só no banquinho e no violão". Mais indignados do que nunca com o descaso das autoridades e com a população local que gritava "é Garota de Ipanema, seus siris burros", alguns crustáceos robustos invadiram a delegacia e obtiveram, à força, a informação que o Delegado titular estava comendo um caranguejo na Tijuca, próximo à Barraca do Pepê. A multidão de crustáceos se dispersou desesperadamente...

Ao que tudo indica, os atos dos cambistas de areia vão continuar até expulsarem os siris e lotearem toda a areia da praia de Copacabana para o show dos Rolling Stones. "Este lugar aqui é do Romário" - dizia um cambista de areia que veio conversar conosco apontando para um espaço na praia, junto ao calçadão e próximo de um vistoso coqueiro - "ele veio aqui antes do jogo de domingo, reservou um canto e ainda pagou adiantado". Prevendo o pior, o famoso ambientalista russo Jahvi Koizza Pyhor alertou os órgãos públicos: "Quando esta banda tocou na Praça Vermelha, vários compatriotas esquilos moscovitas que moravam nas imediações do show ficaram com sérios problemas de audição por conta do volume elevado do som e abandonaram seus lares por alguns dias. Como estávamos ainda com a Perestróika receptiva à todo mundo e principalmente ao capital internacional, nós, o povo russo, tratamos nossos esquilos rapidamente e pouco à pouco eles foram retornando ao seu habitat natural. Agora estou com medo, e eu falo com autoridade no assunto, que os siris de Copacabana nunca mais voltem às suas casinhas depois do show da banda britânica... mas isso vocês, que são da Discovery Channel, sabem muito bem: os siris tem ouvidos muito, mas muito sensíveis!! Peraí, vocês são da Discovery, não são?"

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12:57 PM


Segunda-feira, Janeiro 23, 2006


6:30 AM e eu passei batido...

[olhos fechados] parece que já é dia, mas sei lá, ainda estou com um pouco de sono [afofa o travesseiro] e vou dormir mais um pouco [encobre o rosto com o braço esquerdo] queria saber que horas são agora [pára, pensando um pensar de recém acordado] mas o despertador ainda não tocou, ou seja, deve ser mais ou menos seis e poucas [confere os raios do sol batendo na cortina] mas não ainda seis e meia, certinho [pensa no celular embaixo da cama] e deve dar para dormir mais um tiquinho [leva a mão no telefone: está lá!] nossa, tanta coisa para fazer hoje [olhando para o teto] ligar para minha mãe, passar lá em casa, dar um abraço de aniversário, ligar para a irmã para saber notícias do sobrinho que nasceu na sexta, pegar um Cd com todas as músicas do Korn em MP3, ver o saldo no banco [travesseiro em cima da cara] conferir se não ganhei na Mega Sena [olhos ligeiramente abertos] bem que podia começar o dia assim, meio ao contrário: prêmio milionário, música, ligação telefônica, presente caro para a velha [que horas será que são agora?] deve dar para dormir mais um pouco [será que olho no relógio?] não devia ter ficado até tarde da noite conversando, nem vendo televisão [será que o sono está indo embora?] devia ter ido dormir lá pelas dez da noite... mas não, a televisão não deixa, os comentários sobre o almoço de domingo [vou ver que horas são agora...] dez para as seis, poxa, ainda tenho quarenta minutos de sono, droga [porquê fui acordar], tenho que voltar à dormir, dormir, dormir [mas cadê o sono que estava aqui?], tenho que ligar para mamãe, para a minha irmã, ver como está o papai... [lembra de alguma coisa] o papai que bateu o carro domingo [de novo, para variar...], monte de ferro chamado Opala ano 70 num monte de plástico chamado Pálio zero quilômetro [abre os olhos pensando no prejuízo] "será que amassou muito?" vem no pensamento assim que se imagina uma colisão, pequena ou não, de dois monstros sagrados da indústria automobilística brasileira: um opalão e um Fiat novinho em folha, recém saído da concessionária [preciso voltar à dormir mais um pouco, urgente]... preciso ficar sem pensar em mais nada, deixar o sono voltar, voltar, voltar à dormir [barriga para cima, braço direito desta vez encobrindo os raios do sol] deve ser umas seis horas agora [meia hora de sono] acho que vou dormir um sono beeeem tranquilo [o telefone debaixo da cama me avisa quando der...]

[olhos fechados] estranho, tá quente, sol quente, acho que já deu a hora de levantar [pega o telefone, confere as horas, sete horas e vinte e dois minutos: merda!] e a segunda-feira dia começou bem...

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10:34 AM


Quinta-feira, Janeiro 19, 2006

Ruindade.

Quem nunca fez uma ruindade na vida levante a mão. Eu já, é lógico, e aposto que você também já aprontou as suas poucas e boas! Bem, já que o assunto é esse, vou te contar um segredo: um bom tempo atrás eu quase vendi a Brasília de um colega de serviço - sem ele me pedir, é claro!

Lembro que fazia um calor infernal naquela tarde, calor assim como este que estamos vivendo agora. Quase ninguém nas salas, quase ninguém trançando nos corredores: estávamos todos reunidos na portaria, tomando um vento "menos quente" na cara, observando quem entrava para bater ponto e rindo da cara de quem ia embora debaixo daquele sol escaldante. Nisso me chega o Geraldo Preto, gozador de primeiríssima mão, na sua Brasília azul escura, carro que era (e ainda é) o xodó dele, e estaciona o "poçante" [de poça de óleo de motor] na rua: o homem suando igual à uma tampa de chaleira (ou, se preferir, suando como um burro velho) por detrás do volante, aquele barulho de 1.600 cilindradas "tã tã tã tã tã..." zoando alto na orelha, uma maravilha de cena. Sai o nêgo do automóvel com aquele seu sorriso Colgate, cumprimenta a turma, bate cartão e entra para trabalhar.

- Vou vender este carro!

Fui lá na sala e digitei a placa que pregaria, logo depois, no velho automóvel do também velho amigo Geraldo:

Vendo Brasília ano 1977
RARIDADE
Ótimo estado de conservação, motor e embreagem novas.
Preço: R$ 600,00 à vista. Tratar aqui, com
Geraldo (Almoxarifado) no telefone 3333-4455.


Depois de feita a ruindade, voltei para a sala e fiquei só na escuta. O pessoal que trabalhava com ele despistava e me ligava para contar o que estava acontecendo, praticamente chorando de rir com o que acontecia lá no outro setor da empresa.

- Cara, você precisava estar aqui para ver. Ligaram para o Geraldo querendo comprar o carro.
- Quem ligou?
- Sei lá, alguém que viu a placa pregada no carro!!
- E aí?
- E aí? E aí que o homem tá soltando fogo pelas ventas!
- Meu Deus!
- Ele tá doidinho para saber o que está acontecendo...


Mais alguns minutos de riso, lágrimas e com a barriga doendo, quando outro colega me liga, passando mal de tanto rir...

- Cara, o Maradona (um faxineiro gente boa que trabalha com a gente) veio aqui comprar a Brasília, você acredita?
- Não... é sério mesmo?
- O Mará ligou para a esposa pouco depois que você colocou a placa no carro do Geraldo. Aí que o homem disse para a mulher que havia achado um carro e queria que ela concordasse em tirar a grana do banco para comprar a Brasília.
- E aí?
- E aí que ele pediu ao chefe dele para dar um pulo no Bradesco e agora os dois estão aqui, Maradona e a esposa, bem na frente do Geraldo, com os seiscentos reais nas mãos e querendo levar as chaves...


Nem precisa dizer que eu nego a autoria da brincadeira até hoje...

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2:28 PM


Quarta-feira, Janeiro 18, 2006

Sou tarado mesmo, maníaco compulsivo, não vivo sem elas de jeito nenhum. Se estou andando e vejo coisa nova, coisa que acabou de chegar, dou meu jeito, pergunto e confiro quanto é, vou alisando, alisando, vou logo abrindo, passando a mão e os olhos e, quando assusto, já estou levando. Com algumas sou bastante rápido, outras demoro bastante até chegar ao final (principalmente com as mais cheinhas e com aquelas que somos obrigados a percorrer os olhos em cada desenho, cada página, ler cada balão com muita atenção). É, eu sou louco com...

Revistas de Heróis em quadrinhos [é o título do post de hoje]

... hq's e já faz um bom tempo. Alguns muitos anos atrás, lá na casa de um amigo meu que morava na Pampulha, eu lia, desesperadamente (porque o tempo era curto, haviam muitos exemplares disponíveis e ele morava longe que doía), algumas revistas velhas do Homem-Aranha e de outros heróis publicadas pela Editora Ebal. O ano era 1981 ou 82 e eu viajava, como toda criança viaja, naquelas histórias dos Campeões (Hércules, Homem de Gelo, Anjo, Motoqueiro Fantasma e Viúva Negra enfrentando, pela primeira vez, um inimigo chamado Campeão... uma ótima história), dos Vingadores e, logicamente, daquele grupo que começava a despontar para o mundo, os X-Men. Infelizmente, por conta da longa distância entre nossas casas, nossa amizade foi se diluindo pelos anos e perdi, momentaneamente, o interesse pelas revistas de heróis.

Minha primeira revista foi a Heróis da TV 25. Certo dia um amigo de aula apareceu com este quadrinho e quis me vender. Eu, sei lá, revolvi comprá-la: tirei umas moedas do bolso, dinheiro para lá, revista para cá. Shalla Ball, Norrin Radd, Mefisto, a história me remetia à próxima revista. A numeração da HTV já estava lá nos 60, se não me engana, e me pus a procurar nos sebos do centro da cidade pelos outros gibis. Nunca mais parei, já estava viciado, totalmente tomado pelas histórias envolventes da Marvel Comics da Editora Abril.

Certo dia, completei finalmente, a danada da coleção. Haviam algumas revistas que não achava de jeito nenhum (algumas primeiras do Capitão América, algumas outras da Superaventuras Marvel, outras da própria Heróis da TV) e, numa tarde de um dia qualquer (do ano, se não me engano, 1987) voltando da casa de uma tia minha no Bairro Pompéia, achei todas elas, mas simplesmente todas aquelas relíquias sendo vendidas a preço de banana. Lembro que tirei todo o meu dinheiro do bolso, grana que dava para levar a metade das revistas que estava separando, e falei para o dono da banca:

- Pelo amor de Deus! Amanhã, de manhã, eu venho aqui pegar estas outras. Não venda, não venda para ninguém, que eu estarei aqui, logo que você chegar para trabalhar...

Como tinha passado para o cara até o dinheiro da passagem de ônibus, pus-me a percorrer, feliz, os míseros doze, treze ou quatorze quilômetros, do bairro Pompéia até o Sion. Cheguei em casa tarde da noite, "pai, me arruma, por tudo que é mais sagrado, algum dinheiro", e fui esperar, contente e apreensivo, o outro dia chegar. Alguns anos se passaram, comecei a tocar bateria e vendi minha coleção para adquirir um instrumento novinho em folha, uma bateria Santa Cecília vermelha. Doeu o coração desfazer das revistas e jurei que nunca mais compraria outro quadrinho ou faria outra coleção. Durou dois anos esta bobagem: um dia, me grita de dentro de uma banca de revista a Grandes Heróis Marvel 31 (esta aí com a Rainha Branca e os Novos Mutantes com uniforme dos Satânicos, a catalizadora da minha nova coleção) e comecei tudo outra vez, comecei a comprar as revistas exatamente de onde havia parado.

Eu tinha (e ainda tenho) conta em banca de jornal, acredita? Primeiro foi numa banca perto de casa, a Banca do Vargas. Hoje compro minhas revistas perto do serviço, cliente fiel desde 1993! Chega alguma coisa nova e já me ligam querendo saber seu eu vou levar. Pego, levo, leio e pago certo dia do mës o que lá compro. E com esta (certa) facilidade em poder adquirir revistas, comecei a adquirir também quadrinhos da DC (como Batman, Superman, Liga da Justiça entre outros), da Image Comics (Spawn, Wichtblade, Cyber Force, Gen 13, WildC.A.T.S., YoungBlood, Savage Dragon), da Mythos e o que mais pintasse pela frente.

Bem... agora que o(a) amigo(a) blogueiro(a) chegou até aqui e já sabe de toda a história, você bem que poderia me ajudar numa coisa? Estou precisando de uma cômoda bem grande ou uma estante em sucupira bem forte que comporte mais de cinco mil revistas.

- Tem uma aí para me arrumar?

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5:50 PM


Segunda-feira, Janeiro 16, 2006

Nuvem de quê?

Me disseram, quando eu era pequeno, que da primeira vez que Deus se enfezou para valer com a gente, o mundo quase foi para o saco com tal do Dilúvio. Noé e alguns caboclinhos, que não eram bobos nem nada, deram seu jeito "quase brasileiro de ser" e se safaram numa boa, deixando para trás só o Monstro de Lock Ness (que, como todo mundo sabe, sabia nadar) e o Minotauro (que, como não tinha par, escafedeu-se afogado). Depois que a água baixou, que limparam todo o barro, que desentupiram os esgotos lotados de garrafas "tipo pets" feita do autêntico barro do Mar Morto, que arrumaram aquela zona toda, que erigiram a tal da Torre de Babel e fundaram novas religiões, falaram, quase debochando do "Magnânimo Barba Branca", que com água Ele não iria limpar os pecados dos homens, muito menos exterminar a espécie humana. Pronto: se não vai com água, vai com fogo! Criou-se o mito de que da próxima vez que Deus subir nas tamancas, este planeta e adjacências iriam acabar no fogo. Acreditamos, é claro...

Mas agora uma reviravolta infernal: estão falando por aí que o mundo vai acabar numa NUVEM DE POEIRA.

Caramba, Deus! Mas logo com poeira? Eu sou alérgico, pôxa! Eu proponho uma votação: voto para, se é para acabar de vez com o mundo, que seja no fogo mesmo, todos queimados por igual, todos nós bem tostadinhos, uns seguindo direto para o andar de cima com a queimaduras de 5º grau na alma, outros entrando no elevador, apertando o "subsolo" e rumando, feliz ou não, para as profundas (e também bastante quente) dos infernos e brincar de pique-esconde com o chifrudo.

Domingo, dia 1º de julho de 2014, às 9 horas e 15 minutos, a tal da "nuvem poeirenta" deverá bater à sua porta. Se isso tudo aqui não se acabar, eu estarei provavelmente iniciando um delicioso churrasco lá em casa (mesmo espirrando sem parar), as faxineiras do mundo todo receberão horas extras dos seus patrões e os donos de fábricas de espanadores ficarão ricos...

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2:56 PM


Domingo, Janeiro 15, 2006



Josefina sai do seu quarto, atravessa o pequeno corredor e entra na sala. Lá rodeia a mesa de centro por duas vezes, coça o couro cabeludo ainda molhado, olha para José Uoshington, ameaça lhe perguntar alguma coisa, pára, observa o teto e o pequeno candelabro que precisa urgentemente ser limpo, lança novamente um olhar ao sofá e sai em direção à cozinha. Ouve-se o barulho de copos, o chiado da água da torneira batendo na pia, um silêncio.

Volta. Volta e em Clementino desaba seu peso de mulher, braço esquerdo tampando os olhos, olhos despejando uma imperceptível gota de lágrima, pequena gota que se mistura rapidamente aos longos cabelos.

Josefina: Sabe gente, eu estou péssima! Ando tão solitária, tão necessitada de ser amada, de ser compreendida... precisando tanto de um carinho, um afago, um colo. Porquê, porquê os homens não percebem isso? Deviam saber instintivamente quando sua mulher está precisando desesperadamente destas coisas, que para eles não tem tanta ou nenhuma importância, mas que para nós tem um valor incomensurável, coisinha que pode determinar se vai para frente ou não uma relação. É... alguma coisa se perdeu durante a evolução do macho, aquilo de ferônimos, de cheiro, de rodear a fêmea, conquistá-la de qualquer forma mas tendo o cuidado de agradá-la de algum modo. Você me entende?
Clementino: Claro, Josefina, entendo sim (ou eu acho que entendo). Você está carente, é isso!
Josefina: Carente! É esta a palavra, meu caro Clementino... estou carente. Carente e sinto que Adalberto está me tratando com muita indiferença. Será que o problema é com ele ou é comigo? Será que eu estou forçando demais a barra? Será que eu também estou errada?
Clementino: Criança, me fale direito o que está se passando nesta sua cabeça! Primeiramente, me diga o porquê da senhora estar acordada à esta hora da noite...
Josefina: Ah, sei lá. Numa hora, estávamos nós dois dormindo. Numa outra, eu buscando ardentemente Adalberto. Poxa... ele se levantou e foi ao banheiro cagar, acredita?
José Uoshington: Peraí! Um homem não pode ter dor de barriga de madrugada, não?

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11:35 AM


Sábado, Janeiro 14, 2006

Olha só quem apareceu para o jantar de hoje e o almoço de amanhã?

Isso é para eu aprender a não reclamar de barriga cheia, não cuspir para cima, não jogar palavras ao vento. Sabe quem também estava sem o que fazer nestes últimos dias? Pois era a Dona Gripe. E não é que a sem graça apareceu justamente por aqui, montou na minha cacunda e fez gato e sapato de mim ela, junto com Dona Dor de Cabeça, sua irmã Dona Dor de Garganta, a Dona Coriza e o Seu Espirro? Companhias agradabilíssimas nestes últimos três dias, digo de passagem.

Mas agora já estou bem. Depois de algumas noites mal dormidas, depois de algumas pílulas bicolores aqui, alguns chás de alho com limão acolá, o corpo foi se endireitando, endireitando, endireitando... até, finalmente, aprumar de vez. Está certo que Dona Dor de Cabeça não está muito a fim de ir embora, mas também é porque a Dona Pressão Alta, uma velha conhecida que há muito tempo me acompanha, não estava com a mínima vontade de tomar o chá das quatro com biscoito sozinha hoje...

Nossa, quase ia me esquecendo. A Dona Gripe falou que, se aí onde você mora estiver quente de dia, abafado mesmo, aquele calor insuportável até debaixo da sombra e aquele vento frio à noite, ela passa para te fazer uma visitinha também. Ah... ela disse ainda que dispensa o chá de alho, viu?

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7:22 PM


Quarta-feira, Janeiro 11, 2006

Comida é água, bebida é pasto...


Ontem, quase chegando à noite e depois de descansar meus pobres braços mortos de cansaço por conta da grama da calçada, resolvi fazer kibe. Novidade para mim, já que nunca havia feito esta deliciosa iguaria. A receita peguei na internet; corri no supermercado, comprei a carne moída, o trigo para kibe e coloquei, literalmente, a mão na massa. Ficou uma delícia.

Agora mesmo, sem o que fazer, resolvi ousar: canjica de amendoim e côco ralado, aquela mesmo, igual a que vovó fazia. Panela de pressão, torra o amendoim no forno, rala o côco, leite condensado, pau de canela, cravo da Índia... este negócio vai ficar bom demais.

Amanhã, se der sol, já está na lista fazer pão doce. Sério mesmo: tem que ter sol para a massa crescer. Pois é, este está sendo o jeito de matar o tempo (ou isso ou conferir que há marimbondos no sótão). Vou te falar uma coisa: se eu tivesse mais uns vinte dias de férias, me matricularia num daqueles cursos de culinária experimental, daquele mesmo que passou no Fantástico no domingo passado. Já imaginou eu fritando maionese? Ou eu, de bobeira, fazendo sorvete de tabaco especialmente para amigos que largaram o vício? Que ruindade gostosa! Quem sabe se eu tivesse mais alguns dias...

- Hummm... moça, você sentiu um cheiro de broa de fubá de milho com queijo derretido?
- É... é que eu vou fazer um lanche...
- Peraí... este cheiro, da broa, está vindo de onde?
- Daqui, deste minúsculo frasco.
- Mas como?
- É que meu marido...


Já imaginou a gama de coisas que poderíamos fazer? Doce brigadeiro em folha de papel A4, pudim de milho verde com aquela canela salpicada em spray, colírio de churrasco de alcatra maturada...

Minha Nossa Senhora, a panela da canjica está queimando...

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3:20 PM


Terça-feira, Janeiro 10, 2006

Férias é férias, o resto é segunda-feira brava!


O bom das férias é que a gente fica sem fazer nada o dia inteirinho. Levantar a hora que a gente bem entender ou levantar, escovar a arcada, comer alguma coisa e tibum na cama de novo, assistindo televisão até a hora do almoço. Mas ficar neste ócio o dia inteiro cansa... e como cansa. Uns dois ou três dias já está de bom tamanho para a coçeba, mais que isso é o mais puro exagero.

Fui na roça e voltei, isso você já sabe. Agora estou aqui, de bobeira, e isso você também já sabe! Mas o que você não sabe é que tenho ainda uma semana de férias, quer dizer, uma semana sem absolutamente nada o que fazer aqui em casa! Peraí, quem sabe você possa me ajudar: o que a gente pode fazer neste período específico das nossas férias? Digo, depois que você viajou, saiu para um canto qualquer no mundo e lá visitou seus parentes, depois que escalou montanhas, andou de barco, passeou pelas matas observando a natureza, depois que você fez e aconteceu sempre sobram uns seis, sete, dez dias do mais completo "não sei o que fazer mais", concorda? Pois é, eu estou assim, sem ter nada o que fazer.

Para tentar fazer alguma coisa de útil nestes dias, peguei no sábado uma pancada de bons filmes para assistir nesta última e derradeira semana: já assisti todos. Comprei um monte de revistas que já devorei. Estou meio que completamente "desprovido de numerários", o que complica bastante o que escrevi lá em cima (a frase certa deveria ser "não sei o que fazer mais estando duro"). É triste, mas sobrou ficar zanzando pela casa, como um neo-fantasma solitário, olha a parede aqui, olha a janela lá, Vídeo-Show, Sessão da Tarde e Malhação... puts, que tortura!

Resolvi dar um basta nesta vida sedentária regida pelo ócio e pelo controle remoto. Peguei o tesourão, vassoura, pá, um saco de lixo e fui cortar a grama do passeio daqui de casa, que por acaso, estava bem grandinha. Aquele sol inclemente de quase meio-dia castigando o lombo, as gotas de suor (quase um litro) minando pelos poros, infinitos "clac clac clac's", (ufa!) tchau, graminha...

Nada, mas nada me tira de frente da televisão amanhã... e depois de amanhã também, é lógico! Já te falei que adoro os filmes da Sessão da Tarde? Bons, não é?

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5:59 PM


Sexta-feira, Janeiro 06, 2006


De boa cepa a vinha e de boa mãe a filha ou não será culpa da Raísa, meu Rei?

Rei de Portugal acaba de entrar.

Rei de Portugal: Caminha, Caminha, meu bom Caminha...
Caminha: Vossa Alteza, eu daqui d'outro lado do oceano, vos beijo as mãos...
Rei de Portugal: Pára, ó Caminha, com estas frases complicadas...
Caminha: Mil perdões, meu Rei...
Rei de Portugal: Diga, Caminha, encontrastes minha filha e Vossa Rainha que aí foram passar as férias?
Caminha: Sim, Milorde. Encontrei ambas, vossa filha e nossa idolatrada Rainha junto com Adão, o segurança real...
Rei de Portugal: Adão, Adão! Segurança como este, o reino nunca mais terá. Acompanha a Rainha a todo e qualquer lugar, este nobre plebeu!
Caminha: Sim, meu Rei. Odes terão que entoar a Adão, segurança exclusivo de vossa consorte, a Rainha.
Rei de Portugal: Mas diga, ó Caminha, diga onde as encontraram: nestas belíssimas praias? A fazerem compras? No consulado? Na embaixada?
Caminha: Bem, meu Rei... Vossa filha encontrei num baile funk...
Rei de Portugal: Fuck you, Caminha! Ora pois, pois... isso lá é jeito de falar com seu Rei?
Caminha: Milorde, Milorde... jamais nesta vida trataria Vossa Alteza de forma desonrosa! Falei apenas que Vossa filha estava a dançar num baile f-u-n-k...
Rei de Portugal: Ah, Caminha... é com "N" no meio! Você me passou um belo de um susto! Mil perdões, meu súdito, mil perdões. Mas então, diga-me, conte-me como é este tal de baile... funk?
Caminha: Bem... o baile que acá vossa filha e filhas e filhos de muitos daqui deste país estavam consistia-se em dançar bastante com os nativos, esfregando-se, literalmente, ao som das músicas que ali se ouviam...
Rei de Portugal: Assim como nos grandes bailes da monarquia, cheios de pompas...
Caminha: Sim, mas com uma enorme diferença, Milorde.
Rei de Portugal: E qual seria esta diferença, ó Caminha?
Caminha: As indumentárias, meu Rei.
Rei de Portugal: Ora... o que tem as indumentárias?
Caminha: Vossa filha, meu Rei, estava usando um vestido tão pequeno, mas tão pequeno que, se por acaso viesse ela a espirrar, aparecer-lhe-ia o umbigo...
Rei de Portugal: Mas Caminha, porquê tu não se moderniza? Como era o clima aí neste tal baile?
Caminha: Um calor insuportável...
Rei de Portugal: Então, Caminha... estava minha filhinha vestida para um ambiente tropical, diferentemente dos tradicionais vestidos rodados, de muitas e muitas camadas de panos...
Caminha: Mas meu Rei... do jeito que a jovem se comportava e com o tamanho tão pequeno da peça, todos estava a ver suas vergonhas, pois todavia ao sentar-se, não se lembrava de o estender muito para se cobrir.
Rei de Portugal: Ai, Caminha, mas como tu és antiquado...
Caminha: Se for o que acha, sou antiquado então...
Rei de Portugal: Certo, certo, certo! E minha Rainha, onde a vistes?
Caminha: Fazendo compras acompanhada do sempre presente Adão, o segurança real.
Rei de Portugal: Gastando à rodo nosso dinheiro, isso sim! E em que magazine: C&A, Riachuelo, na tal da Daslu?
Caminha: Não Milorde. Os vi entrando num sex-shopping intitulado A Perereca Feliz...
Rei de Portugal: Sex-shopping? E o que ela fazia num sex-shopping tupiniquim?
Caminha: [risada cínica] No mínimo, meu Rei, comprando adereços para apimentar Vossas relações íntimas...
Rei de Portugal: Sim, isso sim, com toda a certeza!
Caminha: Mas o que me encafifa, meu Rei, é que o manequim de Vossa Alteza não se assemelha em nada com o tórax musculoso, o abdome bem definido e com a exagerada altura de Adão!
Rei de Portugal: Como assim?
Caminha: É que, por exemplo, ela apreciava um modelo de couro, tipo daqueles sadomasoquistas, e media a vestimenta espelhando no manequim do Vosso segurança real...
Rei de Portugal: Mas é lógico, Caminha! Sua Rainha estava somente comparando nele as peças que servirão para atiçar mais e mais nossa intimidade, entende? É que eu também ando malhando nas horas vagas, entre uma audiência real e outra, coisinha boba. Ah... e aposto minha coroa que os vendedores brasileiros não sabiam que estavam a vender estes objetos e vestimentas para o viril e insaciável Rei de Portugal.
Caminha: Será que Vossa Alteza...
Rei de Portugal: Caminha, ó Caminha, aprenda de uma vez por todas uma coisa: a inocência desta gente é tal que a de Adão não seria maior -- com respeito ao pudor.

Rei de Portugal não pode responder porque o status de Rei de Portugal é "Carteirinha de Sócio Benemérito do Clube dos Cornos luso-brasileiro: que raio de coisa é essa?"

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12:01 AM


Quinta-feira, Janeiro 05, 2006

Só cinco dias?


Dizem que o tempo do interior é diferente do tempo contado nas cidades grandes. E é a mais pura verdade.

Sinceramente, acho que fiquei lá na roça, lá naquela ótima cidade interiorana, lá longe de tudo e perto do ar puro (quando não está rolando uma queimada "autorizada" de leve), perto da natureza sendo devastada para surgir no seu lugar enormes plantações de eucaliptos, lá, praticamente assim ó (pegue os dois dedos indicadores, aponte para frente, junte-os e friccione rapidamente: íntimo) da poeira de terra que adentra as ruas, as casas, nossas narinas e os poucos estabelecimentos comerciais por uns, digamos, quinze dias.

O tempo, literalmente, não passa de jeito maneira. No segundo dia (na minha contagem de tempo, o equivalente ao sexto dia, de tardinha) já não agüentava mais aquela vida. Deitado na cama olhava para o teto de telhas coloniais e madeira e pensava sabe em quê? Computador. Vício ou não, pensava que, se estivesse em casa, estaria naquela hora em frente a um computador, navegando pelas internetes da vida afora. Mas como lá não tinha nada disso, contentava em contar quantos caibros havia no quarto de dormir.

Comia muito, é devera (opa! Lá todo mundo fala "é devera", interrogando ou exclamando), e a toda santa hora. Olha... era cada comida cheirosa, simples e deliciosamente gostosa que dava até gosto de lambuzar a boca toda. Assim como o tempo, o arroz, o feijão, as carninhas dos frangos caipiras feitas na banha de porcos da roça e as farinhas de milho são totalmente diferentes das que habitualmente comemos nas grandes capitais. Lá o prato (e o estômago) parece não ter mais fundo, de tanto que nos abre o apetite ver aquelas delícias sendo preparadas nos fogões a lenha da nossa casa e das outras por nós visitadas.

E o sol? Inclemente lá, enquanto por aqui chovia horrores. Lá pelo décimo segundo ou décimo terceiro dia da minha contagem (equivalente ao quarto dia que estava lá no meio do mato) já não agüentava mais ficar embaixo do sol. Para falar a mais pura verdade, nem embaixo do sol, nem embaixo de sombra, nem de lugar nenhum. Um abafado que só vendo, não havia mais lugar para mim. Celular, computador, meus Cd's de rock'n'roll do Smashing Pumpkins que ninguém levou (só dava Bruno e Marrone no carro, ida e volta... Bruno e Marrone e buracos, buracos e Bruno e Marrone... o Cd quicava, o cantor repetia a última estrofe, mais um buraco, voltava tudo de novo... uma delícia de viajem), cerveja gelada a um preço normal (lá a cerveja é vendida a preço de ouro com diamantes e esmeraldas incrustadas... só na cana mesmo), estava sentindo uma falta danada do barulho do trânsito, dos apitos dos guardas e daquele medo que a gente tem de ter levado uma multa. Lá só se via tranqüilidade... e muito, mas muito calor e pernilongos.

Pois é... depois de uma eternidade curtindo a vida natural, curtindo andar de pés descalços, de comer banana verde frita, de tomar leite sem aquele tradicional acréscimo de 50% de água mineral (aviso aos navegantes: o autêntico "made in cow" dá uma dor de barriga incrível, é pá e correr para o trono), comer chouriço no mercado com aquela talagada de cachaça, cheguei, novamente, em casa.

... mas, sei lá, algo me chama para a roça neste carnaval.

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10:18 AM


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