Sexta-feira, Dezembro 30, 2005
Ai, que delícia...

Você que vai à um motel somente para fazer "bobice", não sabe o que está perdendo. É... você não deve saber, mas existem outras delícias além das delícias daqueles amassos, daqueles apertões, daquilo mesmo que você está pensando neste momento. Está duvidando? Sério, juro que estou falando a mais pura verdade... olha só os cardápios destes motéis (estou falando, logicamente, de motéis cinco estrelas, ok?) que você vai ver o que estou dizendo: é a conta da gente pegar o menu, abrir delicadamente aquele objeto aveludado e conferir o quanto há de variedades e de pratos deliciosos no lugar. Olha... se bobear, só de passar os olhos nas fotos das comidas ou nos nomes das refeições que chega a nos dar água na boca!
Tá bom, tá bom... também nos dá água na boca a pessoa que levamos para o lugar, é lógico, mas é completamente diferente da água na boca que vem depois de dar uma olhadela no cardápio. E é até bom já imaginar, com bastante antecedência, o que você vai comer depois de se praticar o "rala e rola", certo? Ora... afinal, temos que repor as energias de algum modo.
- Nossa, querida... que gostoso, continua que está gostoso... [hummm... acho que vou pedir camarão empanado...]
- Aí mesmo, querido... aí mesmoooo... [gente, quanto tempo faz que não como nhoque? Acho que ainda era virgem...]
Você aí, que está de bobeira e pensando no que falei a pouco, vale à pena - você sabe bem o quê - e conferir, antes ou depois da "nhanhada", o cardápio dos motéis. Quê? Quer uma dica minha? Bem... tem uma torta de trufas neste aqui que é um tesão e proporciona um orgasmo múltiplo nas papilas gustativas de tão gostoso que é. Trata-se de uma torta que literalmente derrete na boca, torta feita de um chocolate um pouquinho amargo, chantilly e um creme de leite delicioso... olha, o negócio é bão mesmo!
Tem gente que volta lá só pelas trufas, acredita? E fora que rola aquele outro lance, o da certeza de que, se por um lado a transa for uma verdadeira de uma merda, pelo menos a torta salva a noitada...
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2:47 PM
Quarta-feira, Dezembro 28, 2005
ANTESPECTIVA 2006.
E porquê não criar uma Antespectiva para o ano que virá? Nada de retrô, nada daquela onda avassaladora de pensamentos passados que nos atinge a cabeça assim que passa o Natal. Nada de ficar remoendo o que passou, relembrando do que fez de bom, remoendo que fez de ruim, onde deveria ter melhorado, onde realmente pisou feio na bola! O negócio é dar uma de Mãe Dinah e vislumbrar o futuro... e seja o que Deus quiser!
Janeiro/2006 - Incrível como nunca troquei um pneu na estrada. Já rodei, rodei, rodei por estas estradas esburacadas e nunca, nunca mesmo tive o desprazer de trocar um pneu sequer! Ainda bem que tenho esta sorte! Mas o que eu vi de carros parados nas estradas por conta dos buracos é de ficar de queixo caído. Nestas férias eu, logicamente, passei ileso... desviei de um aqui, outro lá... cheguei e voltei sem mexer no estepe! Choveu na volta, mas a viagem foi tranqüila. Este mês também eu fui tio: nasceu o Tomás, primeiro filho da minha irmã e do marido dela! Uma graça de sobrinho! Dia 31/01 acordei numa ressaca filhadamãe, porque na segunda, dia 30, foi aniversário da minha esposa.
Fevereiro/2006 - Volta às aulas. Larguei mão de vez de só estudar no final do semestre. Ralei muito neste começo de mês, fiz novas amizades e principalmente anotei, coisa que não fazia, os dias das provas e das entregas do trabalho. Nem passei perto do boteco que fica próximo à faculdade... nos primeiros dias. Tá bom... sexta-feira dia 10 eu fui lá, mas só para tomar uminha só! No carnaval, como de praxe, saí vestido de mulher no Bloco dos Sujos e enchi a lata! Normal...
Março/2006 - O médico me falou para parar de tomar cerveja. Ah, e falou também para tomar cuidado com a pressão arterial. O gerente do banco me chamou para uma conversa na quinta, dia 23. Na quarta-feira 22 eu quase ganhei na Mega-Sena! Ah, já imaginou eu fazendo um depósito de milhões na minha conta? Deus não dá asa à pobre nem fudendo...
Abril/2006 - Fui bem mal nas primeiras provas. Merda! A gente estuda, estuda, estuda... mas chega na hora da avaliação, sei lá, dá um biziu nos neurônios e a gente se lasca - isso fora uma cola "furada" que me passaram e que não tinha nada à ver! Ainda bem que temos uns trabalhos para entregar, que valem pontos... dá para recuperar! Na Semana Santa viajamos para a roça de novo e, como não poderia de ser, continuei não trocando nenhum pneu numa viagem. Trouxe queijo e alguns litros duma pinga boa que só vendo! No feriado dia 21, que deu numa sexta-feira, fomos todos à uma churrascaria onde bebemos e comemos muito!
Maio/2006 - Cansei de escrever. Sabe... já estava, com esta rotina toda de estudar finais de semana praticamente inteiros, sem tempo de blogar! O pessoal me entendeu, mas não me compreendeu. Mas não estava dando tempo para nada mais. Fui brincar com o Tomás e ele vomitou em mim! Vomito de neném é puro leite e tem um cheirinho ruim, né? Comprei um CD do Kenny Wayne Shepperd e lembrei do pessoal da banda de blues (eles estão tocando para caramba! Ah, vocês tem que ouvir...).
Junho/2006 - O Brasil parou quando o Japão meteu um gol quase no final do segundo tempo! Putamerda... que defesa é esta? A gente estava num bar e, vou te falar, todo mundo engoliu em seco (mesmo com muita gente bebendo cerveja). Mas no final brilhou as estrelas dos nossos atacantes, ainda bem! Este mês foi só futebol: é futebol para lá, futebol para cá... ninguém falou de política, de roubalheira, ninguém falou de nada! Ô povo bobo, sô! E nesta de futebol, futebol e mais futebol, consegui passar para o 8º semestre sem tomar uma prova especial sequer! Meus professores adoram futebol...
Julho/2006 - Dia 09 o time do Brasil detonou e trouxe o caneco para casa! Que festa! E agora que a farra acabou (leia-se churrascos na casa dos amigos e encontros para ver o jogo nos botecos) eu tenho que arrumar um jeito de levantar uma grana para a matrícula (que encareceu horrores!). Mas tá bom... agora faltam poucos meses para formar! Uma coisa que reparei é que eu adoro o mês de julho: é uma tranqüilidade quase mórbida na cidade! Tudo tranqüilo...
Agosto/2006 - Ô inferno é esta merda de volta às aulas. Trânsito caótico, todo mundo estressado... um horror! Comprei um carro financiado em milhões de prestações e já estou pensando em trocá-lo por uma moto, uma bicicleta 21 marchas ou um tênis de caminhada. Para arrumar vaga nas ruas então, é como achar uma agulha num palheiro! Quase briguei com o flanelhinha e quase apanhei (porque eles andam em bandos). Decidi andar de ônibus mesmo...
Setembro/2006 - Não agüento mais ver propaganda política e por isso não vou mais comentar sobre isso. Quero que se lasquem, todos eles! Fiquei velho dia vinte e, como fiz nos últimos 34 anos passados, fiquei na minha - não gosto de comemorá-lo! Como sempre tem prova no dia do meu aniversário... e desta vez não podia ser diferente. Rolou uma prova tão cabulosa, mas tão cabulosa que perdi até a direção de casa: parei num botequim! Tomei duas cervejas, comi um tira-gosto e depois fui para casa! Festa-surpresa... puts! Acabou minha invencibilidade...
Outubro/2006 - O gerente do banco, de novo, me chamou para uma conversa! Eu fiquei lá, olhando para ele, ele falando sobre movimentação, ter um saldo positivo, falou de cheques, empréstimos, queria me empurrar goela abaixa um título de capitalização, e ele falava, falava e falava... e eu só pensando no prêmio da Mega que quase ganhei em março! Mas tá bom, pobre é igual carne em churrasco: se não virar, queima! Quanto aos estudos, estou até bem na faculdade, estudando muito! Até demais, ouso dizer! Voltei com o blog bem no início deste mês... estava morrendo de vontade de rir de mim mesmo.
Novembro/2006 - Arrumei um outro emprego. É lógico, gente... tinha que me virar, não é mesmo? Espalhei meus currículos à torto e à direito e consegui um trabalho novo. O ruim é que a Blogger.com.br é bloqueada! Tsc! Ela e o Messenger também... e o Orkut! Para falar a verdade, é mais fácil eu tentar falar o que é liberado! Hahaha! Mas se paga bem, e é isso que é o interessante. Com a grana da rescisão contratual quitei todas as dívidas (puts... será que esta ano é o ano das dívidas?) e guardei o restinho para pagar o IPVA e o seguro no ano que vem. Ai ai... pena que não rolou de viajar no dia 15 (sabe como é, né... emprego novo, não tive cara de pedir ao chefe uma "emendada" na quinta e na sexta-feira).
Dezembro/2006 - Graças à Deus acabou o ano de 2006! Começou e terminou rápido esta época das festas, comemorações de lá, comemorações de cá, uma belezura que só vendo! Fui consultar com médico antes do Natal e o mesmo me falou que a pressão arterial estava meia-boca (imagino por conta das contas, por conta das prestações, por conta da conta do cartão de crédito que estourou em fevereiro...), mas me falou uma outra coisa que me deixou um pouco preocupado: você tem que parar de tomar esta "cervejaiada" toda porquê está com princípio de cirrose! Princípio de cirrose, eu? Cara... se eu estou só com o princípio, imagine então meus amigos Gaúcho, Lucas, Milene e Glenda, turma boa de copo e mais que presente nas mesas de botecos nas imediações da faculdade? Devem estar já com a cirrozilda grudada com SuperBonder no figueiredo! Acho de bom tom avisá-los... mas só depois do Ano Novo, né? Afinal, não quero prejudicar a festa de ninguém...
Opa, agora é só gritar Feliz 2007... e alguns frasquinhos de glicose para aquele pessoal ali!!
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12:18 PM
Terça-feira, Dezembro 27, 2005
Blogs, blogs e mais blogs...
Gente... é blog demais que existe na rede. A cada instante cria-se um novo diário pessoal, a cada minuto têm-se para ler, brotanto nos nossos monitores, novas formas de pensar, novas idéias, como a do cara lá do norte do nosso país, ou aquela poesia linda da menina do centro-oeste, ou o triste relato da chuva lá nos cafundós do judas! É a inundação dos diários pessoais, tudo novo, novos tudo!
Há pouco entrei num blog que o tema era emagrecer. Emagrecer saudavelmente, sem stress, chegar à um peso ideal, chegar à uma qualidade de vida proporcionada diretamente com a redução da massa corpórea. Pintou a vontade de escrever, mas não só escrever... queria compartilhar o que aprendi correndo os olhos no blog dos outros...
Por esta razão, convido vocês a prestigiarem um outro blog. É isso aí, pessoal! Hoje o texto é lá mesmo, no nosso...
Jornal do Blogueiro
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12:41 PM
Segunda-feira, Dezembro 26, 2005
Ufa, acabou o Natal...
E eu achando que o pior de dezembro era ter que escutar Simone cantando músicas natalinas em quase todas as rádios, em quase todas as festas e em nove entre dez eventos que fui convidado quando, neste ano, me aparece coisa mais incômoda para os ouvidos: Banda Calypso mandando, em pleno Fantástico, "bate o sino pequenino, sino de Belém...".
Ai, que medonho! Mas não foi só no Fantástico que rolou as músicas esfuziantes daquele conjunto musical paraense, não! Rolou Calypso em tudo quanto é canto do Brasil este ano e, especialmente, neste mês: liguei a televisão e eles estavam num programa musical; fui assar o pernil na casa da minha cunhada e a vizinha dela estava ouvindo, a toda altura e em tempo de estourar os tímpanos de quase todos os habitantes num raio de um quilômetro, o pessoal tocando e cantando aquelas melodias maravilhosas; cheguei no botequim do Joaquim para, enfim, tomar aquela cerveja gelada e bater aquele papo saudável quando o dono do estabelecimento me tira da gaveta um DVD de quem e coloca para tocar? Banda Calypso!
Putamerda... até ontem, domingo de noite, eu lá, rolando em cima da cama, tentando acomodar todo o rango que havia comido no super-almoço de Natal quando aparece na telinha mais Banda Calypso, igualzinho quando surge o fantasma do filme Poltergeist para a menininha no televisor. Pelo amor de Cristo... quase impossível o corpo digerir a coxa de peru, os nacos de pernil e os pedaços de chester tendo que escutar aquele esquema que a vocalista - que levou o nome do edifício que pegou fogo em São Paulo - faz com a garganta, marca mais que registrada daquele conjunto musical que infelizmente eu, com meus parcos recursos, não conseguirei reproduzi-lo aqui, somente com minhas palavras! Mas que ela dá uma puxada desgramada numa determinada vogal de uma palavra qualquer que é o osso! Pois é... aí, quando você acha que tá acabando aquela tortura sonora, vem lá a dona, depois de chacoalhar a barriga de um lado para o outro e jogar a cabeça para frente e para trás inúmeras vezes, e chama o Ximboquinha, um que tem uma mecha de cabelo loiro, para solar...
Só fui conseguir dormir lá pelas três da madrugada, e mesmo assim porque tenho estômago forte...
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10:24 AM
Quinta-feira, Dezembro 22, 2005
Josefina: Ele tem uma amante, meu Deus... ele tem uma amante!
Os dois sofás se entreolharam, ambos de boca aberta, e pousaram os olhos na mulher que adentrava aquela ampla sala, desesperada, com olhos lacrimejados e rosto rubro de tanto chorar. Trazia nas mãos um embrulho envolto em papel presente, linda caixa com um cartão dependurado.
Josefina: Olha aqui, gente, olha aqui... "Tinho, te desejo um ótimo Natal e um próspero Ano Novo! Saiba que te adoro e que te admiro muito, muito, muito! Um enorme beijo, com muito amor e carinho! Assinado: Eu!"
José Uoshington: Peraí, patroa... a senhora não pode ir assim, acusando e condenando o patrão Adalberto...
Josefina: Mas como não? Olha só, Uoshington, olha só... ela chama o meu Adalberto de "Tinho", meu Deus! Que intimidade é esta? É a amante dele, eu tenho certeza...
Clementino: É... desta vez eu tenho que concordar com a senhora...
José Uoshington: Quê? Que mané que concordar coisa nenhuma, Clementino! Só porque a patroa achou... peraí minha gente, vamos por partes, vamos raciocinar direito! Onde a senhora, dona Josefina, encontrou este embrulho?
Josefina: No armário, no nosso armário, atrás das calças dele...
José Uoshington: Certo, certo... então ele, com toda a certeza, o colocou lá...
Josefina: Mas é lógico que sim!
José Uoshington: Então ele não o escondeu da senhora, certo? Se ele quisesse esconder este embrulho, colocaria em outro lugar, pois atrás de onde se coloca as calças num guarda-roupas, ao meu ver, não é um lugar apropriado para se camuflar um objeto da esposa.
Josefina: É... estou sempre mexendo nas roupas de Adalberto, vendo se falta algum botão nas calças, nas suas camisas...
José Uoshington: Então ele não queria, de forma alguma, esconder de ti este presente que, de antemão já digo, nem sabemos se realmente foi endereçado à ele...
Clementino: E o Tinho?
José Uoshington: O que tem o Tinho?
Clementino: Tinho, de Adalbertinho, sacou?
José Uoshington: Ou de Robertinho, aquele colega de serviço dele que adora planilhas de Excell... lembra? Ele veio aqui há dois anos...
Josefina: Peraí, peraí... o que você está querendo dizer, José Uoshington?
José Uoshington: Meu Deus do céu, patroa... não está claro ainda?
Josefina: Não, juro que não!
José Uoshington: Trata-se de um presente de amigo oculto que nosso estimado patrão Adalberto comprou para presentear o Robertinho, o colega dele de escritório!
Clementino: Ah, não! Eu me recuso a acreditar nisso...
Josefina: Eu também não acredito...
José Uoshington: Repare só, patroa Josefina, que o presente nem foi aberto ainda... quem receberia um presente e não abriria? Eu, pelo menos, não conheço ninguém que faria esta "desgentileza" para com a pessoa que o presenteou! Sendo assim, é lógico que ele, o nosso patrão Adalberto, comprou este presente aí, em suas mãos, para presentear outra pessoa! E o "Eu" porque se trata de um amigo oculto... oculto, entendeu?
Josefina: É... tem um pouco de sentido, sim!
José Uoshington: É lógico que tem sentido...
Josefina: Nossa... meu Deus, quase acabei com meu casamento por conta de um presente de amigo oculto... hahaha! Meu Deus, ainda bem que tenho vocês para me ajudar, ainda bem!
Deixou a caixa no sofá vermelho e saiu, enxugando os restos de lágrimas, em direção ao quarto. Clementino, com o queixo caído, não parava de encarar Uoshington.
José Uoshington: Que foi? Nunca me viu, não?
Clementino: Olha, Uoshington... eu nunca vi um sofá tão sem vergonha como você! Sério mesmo... como é que você consegue?
José Uoshington: Sei lá... vai ver que recebi um espírito de uma poltrona de juiz!
Clementino: Estou aqui reparando no cartão, Uoshington... esta letra de moça não é do patrão Adalberto, não...
José Uoshington: Ai ai... lá vou eu para a Segunda Instância...
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10:05 AM
Terça-feira, Dezembro 20, 2005

... mas haverá M&M's de chocolate sintético em 2.957!
Foda-se se gostava de músicas antigas. Problema dele se curtia assistir, nostálgico e incansável, os inúmeros fragmentos de rolos de filmes de corridas de automóveis do início do século XX ou dos de cinema-mudo de Chaplin que conseguira, caro, num dos raros antiquários daquela cidade. Que se dane este novo mundo com seus tecidos inteligentes e adaptáveis: curtia mesmo eram suas cinco camisas de algodão, curtia seu chapéu, sua gravata borboleta e seus sapatos de couro.
Todos sabiam que ele não se sentia feliz vivendo naquela época. Queria ter nascido em plena Segunda Grande Guerra - ele toda hora dizia - ou bem, mas bem antes dela. Tinha setenta e poucos anos de vida, nascera num distante subúrbio de uma megalópole suja, poluída e esquecida pelos deuses e se dizia um homem infeliz. Era um eterno saudosista e, por conta disso, vivia se afastando de tudo e de todos os corrompidos à sua volta. Em suas raras conversas desfiava comentários ásperos à forma de governo mundial, à exploração das castas menos favorecidas e, com todas as suas forças, abnegava aquele mundo que fora erigido por conta do suor e trabalho semi-escravo dos mais fracos, dos famintos e dos sem esperanças. Não acreditava mesmo naquele espelho de cabaré, naquele mundo de ilusão, naquela fantasia de puta maquiada, feliz e satisfeita que teimavam fazê-lo crer que era a sua vida e seu mundo.
Nada mudou durante o passar dos anos: séculos atrás as famílias mais ricas do ocidente e do oriente se reuniram em enormes corporações a fim de dominar, desta vez permanentemente, a economia global, ao mesmo tempo em que as favelas, os seqüestros insolucionados dos seus moradores e os crimes, de morte ou não, cresciam em números assustadores. Ao contrário do que as propagandas governamentais teimavam em dizer, verificava-se cada vez mais a desigualdade social e o descaso dos políticos escolhidos nas eleições dos habitantes do Condomínio Terra, Marte e território Lunar depois de instalado o voto obrigatório genético, forma encontrada pelos dirigentes do planeta sede de verificação da vontade popular no ano de 2.957 D.C., ao mesmo tempo que recolhiam informações para os bancos de compatibilidade genética das corporações médicas.
Mesmo depois de intenso desenvolvimento tecnológico, ainda se tentava controlar doenças que extirparam grande parte da população mundial - na sua grande maioria os miseráveis, os mortos de fome e os que viviam à margem da linha da pobreza. No campo das relações humanas, ainda se tentava modestamente a tão sonhada paz nos inúmeros conflitos bélicos de fundo religioso que eclodiam à cada minuto, à cada clamar de Deus, à cada lágrima derramada por uma vida perdida... pura ilusão, porque que era, é e sempre foi mais evidente a vontade das grandes corporações em lucrar com o prolongamento do conflito e do sofrimento daqueles milhares de cidadãos. Mesmo depois de séculos e séculos caminhando por estas terras, mesmo depois de tropeçar nos próprios erros, ver que caiu, se levantar e continuar a jornada, o homem peca ao tratar desigualmente seus irmãos, porque na sua mente deturpada o dinheiro ainda tem mais valor que a vida humana...
Olha em sua volta e não se conforma. Pega um cigarro e o acende; leva a mão em Louis Armstrong e o põe na velha vitrola:
- Yes, i think to myself... what a wonderful world!
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Texto produzido especialmente para o 10º Concurso Maldito dos:
Blogueiros Malditos
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12:47 PM
Segunda-feira, Dezembro 19, 2005
Fecha a boca, Sésamo!
Impressionante o tanto que se come nestes últimos dias do ano: é uma comemoração do escritório num certo dia, é um noivado no outro, é a famosa Ceia de Natal depois da missa do Galo, é a exuberante festa de boas vindas a 2006 regada de champanhe e muita fartura. E nesta onda de abraços afetuosos e parabenizações, quem acaba pagando o pato mesmo são os pobres coitados dos pequenos porquinhos e dos seus pais obesos, dos perus embriagados de cachaça, dos galetinhos e franguinhas comedores de milhos e minhocas e dos bois que nos cedem a vida - e principalmente o contrafilé e a picanha, diga-se de passagem - em prol do tradicional churrascão da empresa ou daquelas festas em que se reúnem todos os filhos, netos e bisnetos na casa do patriarca ou matriarca da família!
Mas coitado destes bichos! Se você pensar bem, dá uma dó danada deles, não é mesmo? Temos sim certo apreço à eles, mas, no íntimo, nós, humanos bom de garfo que somos, temos apreço maior ao saboreá-los numa mesa de jantar, momento em que nada mais incomoda nosso pensamento, momento em que comemos e comemos muito! Fechamos os olhos e fingimos não perceber o stress dos pobres animais quando chega, finalmente, os últimos dias de novembro! É geralmente em dezembro que se acaba aquele campeonato de futebol, momento este em que muitos fogos de artifício são soltos no ar. Aqueles clarões ofuscantes e barulhos ensurdecedores servem de aviso, como uma profecia, lá nos galinheiros, nos currais e nos mais longínquos chiqueiros brasileiros: o fim está próximo! O porquinho que estava lá, engordando e mamando nas tetas da mamãe-porcona-gordona, ouvindo ao longe a comemoração dos humanos, já intui que sua curta vida está por um fio. A galinha tenta de todas as formas fazer como sua heroína, uma que botava ovos de ouro numa história contada de galinha-mãe para galinha-filha de geração em geração: se conseguir, não vai para a panela! O projeto de galo que de manhã bem cedo treina seu cocoricó à toda altura, reza para que o despertador do dono da fazenda quebre enquanto o garrote coça o chifre na cerca de madeira, rezando ao deus dos bois para que o escolham para ser o próximo reprodutor da fazenda. Os perus correm de um lado para outro, desesperados, assustados ou procurando urgentemente se associar aos Alcóolicos Anônimos mais próximos do sítio do Tio Tatão... mas nada do que os pobres bichos farão nestes dias os salvarão de serem apreciados, temperados e assados ao final de dezembro.
Mas a vingança animal é um prato que se come frio! Eles nos dão suas vidas e suas saborosas carnes, mas deixam durante o processo o famoso do colesterol, delicioso aperitivo gorduroso que nosso corpo retém bem próximo ao peito. Ele, junto com a nossa incrível capacidade de acumular energia, nos fará penar pelos próximos meses, seja nas academias de ginástica lotadas de pessoas querendo perder aquele peso adquirido durante as festividades de fim de ano, seja fazendo extensas caminhadas ou simplesmente fechando propriamente a boca nos primeiros meses do ano, somente apreciando, no almoço e no jantar, as mais variadas formas de saladas conhecidas pelos humanos, saladas estas aprendidas com os nossos mais longínquos antepassados que tinham como dieta alguns tipos de grãos, folhas e brotos.
Pobres plantinhas! Esta é a hora em que as alfaces, brócolis e demais hortaliças pressentem que não viverão por muito tempo nesta terra...

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11:06 AM
Sexta-feira, Dezembro 16, 2005

Dize-me o que comes, dir-te-ei quem és ou êpa... o que é isso aqui?
Rei de Portugal acaba de entrar.
Caminha diz: Ó, meu Soberano, acabei de me conectar também...
Rei de Portugal diz: É mesmo, nobre Caminha? Que feliz coincidência, pois estava mesmo saber notícias tuas nesta terra tão bela...
Caminha diz: E tenho muitas notícias, meu Rei! Quer que comece por onde? Política? Economia? Diga que a ti relatarei...
Rei de Portugal diz: Vamos ver, Caminha... comecemos pela diversão desta vez, ora pois!
Caminha diz: Diversão? Seu pedido é uma ordem, Magnânimo! Bem... aqui nestas terras todos se divertem muito! Conheci alguns nativos...
Rei de Portugal diz: Daqueles de piercings espalhados pelo corpo?
Caminha diz: Outros, meu Rei! Estes trabalham arduamente na construção civil desta terra...
Rei de Portugal diz: Sim, sim, Caminha... continue...
Caminha diz: Pois bem, meu Senhor! Como falava antes, fiz amizades com estes que se autodenominam de peões de obra...
Rei de Portugal diz: Estes que ajudam os mais graduados à erigirem edifícios?
Caminha diz: Exatamente, meu Rei! Estes ajudantes de pedreiro aqui são deveras engraçados em se tratando de diversão. Dia desses eles receberam seus salários e, como não poderia de ser, saíram alguns para se divertir!
Rei de Portugal diz: E tu fez companhia à eles, decerto!
Caminha diz: Sim! Os esperei defronte à construção que laboravam, peguei o coletivo junto com eles e desembarcamos no centro da cidade...
Rei de Portugal diz: Que aventura magnífica!
Caminha diz: Dentro do ônibus apertado já temos uma leve noção do que haveríamos de passar...
Rei de Portugal diz: Como assim? Não entendi, Caminha...
Caminha diz: Ah, meu Rei... bem, eles são deveras engraçados! Por exemplo, cada um se senta em um determinado local, local este nas janelas do coletivo. Aí, depois de todos devidamente assentados, começam a conversar entre si! Um lá próximo ao motorista indaga ao outro, quase ao final do veículo, se a mãe daquele está gozando de plena saúde! O outro, ao retrucar, confirma a pergunta e, num gesto nobre delicadeza e de boa conduta, lhe devolve a pergunta e, ainda por cima, diz ele que naquele mesmo dia iria visitá-la assim que se acendesse a luz vermelha de onde habitualmente a genitora do amigo pousa a noite!
Rei de Portugal diz: Mas que troca de gentileza destes rapazes... estou bobo!
Caminha diz: Fiquei impressionado com a amabilidade que trocam!
Rei de Portugal diz: E aí, conte-me mais! O que fizeram depois do coletivo?
Caminha diz: Entramos em um bar próximo à rodoviária, apertado recinto cheio de insetos e baratas na zona boêmia daqui, e pusemos a apreciar a bebida típica desta terra...
Rei de Portugal diz: A famosa cachaça, acertei?
Caminha diz: Sim, intercalada com uma outra bebida muito consumida por eles, uma de nome bem próxima à língua alemã...
Rei de Portugal diz: Lembra-te do nome?
Caminha diz: Mais ou menos, meu Rei... Sxin, Ischim, Isquim... alguma coisa assim com o final cariol!
Rei de Portugal diz: Vou pedir ao setor de importação real várias caixas desta bebida...
Caminha diz: Peça sim, meu Rei, pois se é o que desejas, tu há de ter...
Rei de Portugal diz: E depois de se fartarem, o que fizestes?
Caminha diz: Fomos atrás das famosas mulatas brasileiras!
Rei de Portugal diz: Ah, Caminha... tu és dos meus...
Caminha diz: Decerto, meu Rei! Estava com a visão um pouco turvada pela bebida, mas sim encontrei uma linda dama, ó coitada, no banheiro masculino do botequim em questão.
Rei de Portugal diz: Ora pois, pois! Aí as damas tem o hábito de usarem os lavabos dos homens?
Caminha diz: Não, meu Rei, mas esta dama, por sinal, devia estar muito necessitada! Conforme meus amigos serventes que estavam também lá dentro do mictório, ela e outras amigas lá entraram, se aliviaram e saíram do banheiro rapidinho!
Rei de Portugal diz: Mas uma tu pegastes uma, certo?
Caminha diz: Sim, é lógico!
Rei de Portugal diz: E seus amigos, o que falaram?
Caminha diz: Eles puseram-se a rir em demasia, meu Rei! Disseram, assim que saíram do mictório, que haviam avistado lá dentro do banheiro aves, meu Senhor! Hahaha... com certeza, efeito da bebida consumida, pois vários diziam que viram rolas, mas eu não as vi!
Rei de Portugal diz: Caminha, Caminha, ó Caminha... acho que eles estavam caçoando de você por algum motivo!
Caminha diz: O Senhor acha?
Rei de Portugal diz: Tenho praticamente certeza, mas me faltam provas maiores e mais concretas...
Caminha pode não responder porque o status de Caminha é "vou sair com minha mulatinha mais tarde."
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2:11 PM
Quinta-feira, Dezembro 15, 2005
Rodízio de pizza.

Comecei, desde terça-feira, um regime ao contrário, tudo isso por conta do evento de logo mais às 19:00 horas, quando grande parte da turma da faculdade se encontrará (eu espero pelo menos umas 15 pessoas), em grandioso estilo, numa famosa pizzaria aqui em Belo Horizonte. Sim, vamos todos saborear um maravilhoso rodízio que tanto gostamos e, de quebra, comemorar mais um suado e sofrido final de semestre.
E que fome que estou nela! Na terça-feira, quando pintou a magnífica idéia, já comecei a fechar um pouco a boca: um almoço simples e um jantar mais light ainda, mas mesmo assim fiquei com enorme peso de consciência, pois pretendia mesmo era reduzir em 50% o volume do prato (poderia comer num pires, né?). Ontem, um almoço mais simples ainda, coisinha pouca, tipo só para sujar o prato com um feijão, um arroz e um bife bem passado, e nada mais. Nem preciso dizer que estava até começando a alucinar (juro que meu estômago falou comigo umas cinco vezes!). Fim da jornada de trabalho, passei o cartão de ponto e me pus na rua: peguei o primeiro ônibus que passava e fui para casa, mordendo minha própria língua no trajeto. Ao descer no ponto, resolvi parar num bar e comprar alguns chicletes para tentar enganar a mente (na vitrine o ovo cozido acenou para mim), mas não adiantou muita coisa, não: a mente pode ser passada para trás, mas o estômago repleto de ácido gástrico, quase me fez engolir o chicles! Tentei dormir, mas como estava rolando de um lado para o outro na cama e pensando nas pizzas de hoje, fui obrigado a levantar e comer uns 10 biscoitos água e sal junto com um belo dum copo cheio de Tang de morango. Dormi um pouco mais sossegado...
Hoje levantei gritando à moda não, quero portuguesa!! Ai, que fome! Resolvi não almoçar, porque quero estar preparado para o combate de logo mais - estou me sentindo um verdadeiro atleta olímpico. No serviço, vez ou outra, me levanto e tomo um copo d'água (já perdi a conta de quantas vezes fui mijar hoje) e volto a pensar nas deliciosas pizzas de quatro queijos, chocolate, banana com canela, lombinho canadense e calabresa que estão a me esperar. Agora estou aqui, meio-dia, de bobeira, folheando algumas revistas de culinária (tem uma receita de pernil aqui que é de outro mundo... ops, babei na página!) tipo para atiçar mais a fome e reforçar a competitividade entre mim e o dono do estabelecimento comercial! É tipo uma concentração, sabe? Lembra os jogadores de futebol que ficam isolados algumas horas antes do jogo? Estou assim: não vou passar perto da lanchonete, não quero nem ver cara de restaurante... tudo isso por uma boa causa: rodízio logo mais, às 19:00 horas.
Te confesso uma coisa: com a fome que eu estou, comeria até isopor com sal...
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12:30 PM
Quarta-feira, Dezembro 14, 2005

Vaca, Baleia...
Um dia ficaram as duas amigas impressionadas com a maneira que seus respectivos namorados, também amigos de décadas, se comunicavam e, principalmente, se cumprimentavam. Os palavrões mais pesados dirigidos à pessoa do outro, incerteza quanto à paternidade, a honra da genitora e à sexualidade, uma verdadeira lição palavras chulas proferidas em meio à risos e abraços afetuosos. As meninas, boquiabertas, puseram à perguntar o porquê daquelas frases e das palavras ofensivas, ainda incrédulas de como eles expunham o sorriso de canto à canto nos seus rostos: "é porquê somos amigos".
Resolveram, então, ultrapassar aquela linha também. Resolveram trazer para o universo feminino aquela maneira peculiar (deles) de tratamento quando se encontrassem novamente. Tudo acertado, beijos de despedida, um casal para a direita, outro casal pela escada rolante.
Dias passaram quando as amigas se avistam.
- E aí, sua vaca!
- Que isso, Cláudia? Vaca, eu?
- É... te cumprimentei: e aí, sua vaca? Entendeu?
- Ah, sim... aquele nosso esquema de se cumprimentar, né?
- Isso... e aí, sua vaca, tudo bem?
- Tudo bem, baleia assassina...
- Não, peraí... baleia assassina?
- É... você me chamou de vaca, eu te chamei de baleia! Baleia... é uma forma de xingar, mas que para a gente aqui serve como cumprimento!
- Mas logo baleia? Você sabe que estou tentando emagrecer...
- Mas que bobagem, amiga! Eu não estou falando que você é gorda...
- Mas me chamou de baleia!
- Ora... você me chamou de vaca!
- Mas uma coisa não tem nada à ver com a outra!
- Mas como não? Você me chama de um bicho, eu te chamo de outro...
- Nossa, mas que cretina! Eu acho que você me chamou de baleia porque no fundo tem despeito de mim...
- Despeito? Você está brincando, não é?
- Eu percebo, percebo quando olha para mim procurando uma falha...
- Você está louca...
- Louca? Posso até estar louca, mas louca de raiva! Onde se viu, me chamar de baleia em frente de estranhos, em pleno shopping.
- Mas você me chamou de vaca, sua vaca!
- Mas é isso mesmo que você é: uma vaca!
- E você, minha filha, é uma baleia, uma baleia bem gorda e chifruda!
- Chifruda? Ah, sua galinha...
Nunca mais foram amigas.
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9:59 AM
Terça-feira, Dezembro 13, 2005
Batida de automóvel.
Batidas de automóveis, quando não envolvem vítimas graves e fatais, é sempre engraçado de se presenciar. Com relação ao dinheiro que se gasta no conserto, consegue-se no futuro, com mais e mais trabalho, aquela quantia de novo. Com relação às horas e horas esperando o guincho chegar, aprende-se a não correr igual besta pelas ruas estreitas. Com relação ao celular e volante, aprende-se que assobiar e chupar cana...
Mas o pessoal não aprende! É ou não é verdade que a qualquer hora do dia ou da noite você vê toda sorte de pessoas dirigindo e atendendo ao celular pelas ruas e pelas perigosas estradas que ligam as cidades? O garotão no seu carro tunnado atendendo a ligação da namoradinha e marcando a hora de encontrar na porta da escola; o vendedor que entre uma passada de marcha aqui, um alô e um arranhar na embreagem ali vai conseguindo, às duríssimas penas, seu sustento; a velhinha septuagenária que acabou de deixar seus netinhos na creche e, afoitíssima, liga para seu namorado alguns anos mais novo afim de marcar aquela presença no motel que foi inaugurado próximo ao Clube da Terceira Idade. Ninguém, infelizmente, não está nem aí se é proibido ou não o uso do aparelho celular ao dirigir um automóvel e, para se dizer a verdade, parecem nem querer saber... estão todos com os pescoços dobrados para a direita (porquê para a esquerda o bichinho pode escapulir pelo vidro e aí você já viu, né?), uma mão no volante outro no câmbio, e dizendo "alô, estou no trânsito mas pode falar..." à vontade.
Pois é... agora mesmo acabamos de presenciar mais uma dessas cenas urbanas, destas mais batidas do que ver nas nossas altas madrugada no centro da cidade, aquelas ratazanas de 5 quilos saindo dos bueiros para tomar um ar fresco ou, no horário escolar, filas-duplas em frente às escolas: uma dona, muito bonita por sinal, vem descendo a rua no seu automóvel vermelhinho-vermelhinho reluzindo de novo com o celular à orelha quando, sei lá porquê cargas d'águas não vê que o carro da frente parou (ele estava se preparando para entrar à direita na avenida) e... adivinhou, né? Estão lá os dois pombinhos, a dona bonitona, no seu vestido combinando com a cor do automóvel, e um velhinho todo elétrico por conta da colisão (ou porquê a dona era muito, mas muito bonita mesmo...), os dois carros atarraxados um no outro por conta de uma falta de atenção e de um reles, um simples, um inútil e extremamente idiota engate de reboque!
Em tempo: é impressionante a quantidade de automóveis que possuem engates de reboque aqui em Belo Horizonte! Acho que uns 95% deles nunca viu nem uma charretinha da Barbie nesta vida (são os chamados engates de reboques virgens, ou simplesmente ERV: pelo reflexo do cromado se dá até para pentear o cabelo).
Se ele, o engate do tio trêmulo, era virgem, deixou de ser por conta da desatenção da motorista que atendia ao celular. Olha, eu não sei como que ele se enfiou perfeitamente entre o pára-choque e a grade da frente do carro da dona bonitona do vestido vermelho que, mesmo depois da colisão, não desgrudava do celular nem à porrete (aquele negócio da prova do crime...). O tiozinho parou de andar de um lado para o outro e então, num lampejo de lucidez e querendo se ver livre da dona que falava com alguém lá na China (ou numa seguradora sempre perto de você), solicita que ela dê uma rézinha de leve para ver se rola deles deixarem a gente ir embora:
- Pára, dona... pára que já soltou!
Ê, que beleza! O trânsito todo engarrafado faz mais de dez minutos e agora somos obrigados a presenciar a dona bonitona vendo se vai ter ou não que retocar a pintura e o velhinho agachado no meio da rua conferindo se seu ferro inútil não entortou!
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2:52 PM
Sexta-feira, Dezembro 09, 2005
Quem paga o pato?

É sempre assim: se uma certa pessoa não faz o que teria que ter feito no momento certo, no momento mais que oportuno, com toda certeza, o destino roda a roda da vida e indubitavelmente alguém paga ou vai pagar o pato!
Estava na hora de fechar o restaurante, o novato ficou fazendo hora, coçando o saco, dando uma de zé-mané do messenger em frente ao computador... entram fregueses/ladrões que aproveitam que estava moleza e assaltam o caixa: o cara que deveria ter fechado a birosca paga, mas paga direitinho o pato! Chegou no seu velho automóvel, abriu a porta do motorista e entrou; observou à sua frente aquela imensidão de automóveis parados no sinal, meteu a chave na ignição, ligou o potente motor V-8, baixou o freio de mão e acelerou com toda força: esqueceu de tirar a trave de volante, a que trava lá embaixo no pedal do meio: como é que pára? Não pára... mas isso vai ser trabalho para o Tio Patinhas! A moça esperou impacientemente o retorno da sua fiel amiga que foi convencer aquele colega gatinho da sala a sair com a tímida estudante, quem sabe no show do Pearl Jam e depois uma esticada num bar qualquer! Ela ficou reclusa na sua casa esperando o telefonema com os dizeres sim ou não, mas nada do aparelho tocar durante o dia, a tarde e até de noite. No outro dia, o menino estava namorando a melhor amiga da moça tímida: pagou um ornintorrinco, que é quase como pagar um pato, mas com orelhas de burro!
Quantas e quantas vezes você já teve a chance de fazer a coisa certa, a coisa correta no momento certo, com tempo até de sobra... mas nada, deixa passar, esquece, dá um biziu no cérebro, deixa para depois, amanhã dá tempo, calma... eu tenho ainda uma hora, putamerda, lá vem o Martinho: agora fudeu tudo!
Pois é... a gente vai nesta até a perceber que o dinheiro do pato já tilinta no nosso bolso...
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2:23 PM
Terça-feira, Dezembro 06, 2005
Quem é o Bloggerman?
Como estão todos praticamente escrevendo sobre isso, eu também quero deixar minha humilde impressão sobre o tema. Olha... eu bem que gostaria de saber quem é o cara, este ser misterioso que, podemos dizer, se encontra num tipo de submundo secreto dentro dos diários eletrônicos brasileiros e que avalia sistematicamente a todos nós, blogueiros, hospedados na Blogger Brasil e esporadicamente um ou outro da Blogger Internacional.
Deve ser um serviço altamente prazeroso o do cara: clica aqui, lê um post, clica lá, mais um, levanta, toma um café, bate-papo com a secretária do andar e com a estagiária novata do RH e assim vai passando o dia, dia este que termina com uma atualização legal na página inicial da Blogger. Ele deve ser formado em Comunicação Social ou Letras (aquela da Última Flor do Lácio foi do caramba: eu corri no Gogle para poder sacar) ou até mesmo Jornalismo. Isso... o Bloggerman deve ser formado em jornalismo.
Mas quem é ele? Uma pessoa normal, como eu e você, mas imbuída de um poder inerente ao cargo desejado por 9 em 10 blogueiros brasileiros? Uma pessoa normal, que passa seu cartão de ponto eletrônico na catraca da portaria da Rua Lopes Quintas e corre para o barzinho da esquina onde outros funcionários o esperam para um inocente chopp? Será que seus amigos e colegas de trabalho sabem que ele tem esta função na Globo.com?
Vem cá... mas será que perderia a graça se a gente soubesse quem é, na verdade, o tal do Bloggerman? Às vezes acho que sim, às vezes acho que não! Eu conheço um cara que trabalha lá naquela empresa e ele sempre se esquiva das minhas perguntas com a mesma resposta: nunca ouvi falar neste cara!
Inacessível! A gente sabe que ele existe mas não conseguimos chegar até ele, como se os demais funcionários da empresa tivessem assinado um termo de sigilo profissional, coisa tipo da CIA, FBI ou o nosso SNI, e deste jeito não soltam a informação de jeito maneira. Peraí... e se a gente arrumasse um hacker, um cara gente boa que sacasse demais de invasão e pedisse educadamente para nos enviar a lista dos funcionários da Globo? A gente poderia, por eliminação, tentar descobrir a identidade secreta do cara! Não, não... bobagem! É muito serviço, coisa para uma firma profissional de investigação fazer e não por nós, meia dúzia de blogueiros, ávidos pela secreta informação.
Quer saber de uma coisa... acho melhor deixar como está! Já imaginou se a gente descobre que o Bloggerman é na verdade o Cid Moreira? A nossa leitura diária do What's Up! nunca mais seria a mesma...
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11:42 AM
Segunda-feira, Dezembro 05, 2005
SuperBonder é Cascolar!
Lembra quando eu disse que nunca havia tirado total numa prova? Pois é... acabou, na terça-feira passada, esta invencibilidade intelectual e acadêmica. Sim, senhoras e senhores... depois de muito e muito tempo (lembro que tirava constantemente total nas avaliações da matéria de Desenho e Pintura da Tia Dorinha lá no pré-primário, mas como já disse, isso foi há muuuuito tempo atrás) eu consegui 100% de aproveitamento numa prova dificílima, prova esta que nos esgotou a todos da sala, nos cansou ao extremo pelas complicadas cinco enormes perguntas e consequentemente pelas cinco enormes respostas...
... mas porquê me sinto tão mal? Poxa, podia ter errado pelo menos uma, uminha só...
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9:48 AM
Sexta-feira, Dezembro 02, 2005
Preguiça.
Olho as coisas inacabadas e as que estão por se fazer e me bate um desânimo que não tem fim. Preguiça, preguiça e mais um tiquinho de preguiça. Vontade de mudar a rotina para ver se melhora, se passa, sei lá, vontade de fazer alguma coisa diferente, segurar o ponteiro do relógio para ver se o tempo pára, mudar as coisas que estão inexoravelmente quietas e constantes, fazer tudo isso e mais um pouco, mas logicamente sem ter muita obrigação de fazê-la, assim, de pronto... porquê mudar estas coisas já tão fixas no espaço, no tempo e no escritório dá um trabalho fudido, para se começar e principalmente para se terminar. Dormir, recostar a cabeça no travesseiro, fechar os olhos em frente à televisão... não, de jeito nenhum não queria ir para casa dormir, mas só ir embora, aproveitar este resto de sexta-feira, dia de feijoada, e cair no mundo! Mas também não queria só ir embora, passar o cartão de ponto e ganhar as ruas: queria ter alguma coisa legal para fazer, ir ali, radiante de vontade só de estar lá naquele lugar que nem sei se existe, logicamente desde que este tal lugar não seja muito longe daqui (porquê demorar para chegar em algum lugar é foda!).
Sabe do que mais? Está me doendo a cabeça e o cotovelo direito só de pensar em fazer alguma coisa! Digito e limpo o que há pouco escrevi! Esta parte, por exemplo, foi e voltou algumas vezes... mas agora está aí, no texto, para sempre! Não, não vou deletar porque vai me bater uma preguiça do inferno de pensar no que escrever no lugar da frase limpa. Fica do jeito que está...
Ô preguiça da porra!
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2:05 PM
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