Quarta-feira, Novembro 30, 2005
Alguma coisa está melhorando... [parte dois]
E lá foi o ganhador, sorridente e contente, trocar o seu bilhetinho da Federal numa casa lotérica próxima à faculdade. No meio do caminho, pensamentos felizes com os vintinhos ganhos honestamente num jogo totalmente honesto:
- R$ 3,00 para o jogo da Mega-Sena para quarta;
- R$ 1,00 para o jogo da Quina que corre hoje à noite;
- R$ 2,00 para comprar um novo bilhete da Federal (em time que está ganhando...);
- R$ 5,00 para tomar aquela cerveja depois da prova de Direito do Consumidor...
... e eu ainda iria ficar com dezinho na carteira. Peraí... dezinho com mais dezinho que já havia lá, os mesmos vintinhos! Que beleza!!
- Aqui, faz estes jogos aqui e me dá um bilhete da Federal.
- São R$ 5,00 ...
- Não... me faz mais alguns jogos na Surpresinha...
- Quantos jogos?
- Ah, mais dois da Mega e três da Quina... quanto deu?
- R$ 12,00...
- Desconta aí deste bilhete...
- [passa o bilhete na máquina] Faltam R$ 10,00 ...
- Cuma?
- O bilhete sorteado vale R$ 2,00 ... faltam os seus dezinhos que estão aí, na sua carteira...
Ou o cara lá de cima é muito gozador e adora uma brincadeira ou eu fui muito apressado ao ler meu "prêmio".

Você também acha que a segunda opção é a melhor, né? Eu também...
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2:24 PM
Terça-feira, Novembro 29, 2005
Alguma coisa está melhorando...
Passei numa casa lotérica no sábado da semana retrasada e lá fiz alguns jogos. Lembro que estava molhado de chuva, saindo do ensaio e depois do barbeiro (onde fui aparar minhas jubas), chateado por estar sem grana e, sei lá porquê cargas d'água, resolvi comprar também um bilhete da Federal, um bilhete que justamente me chamou a atenção porque a Caixa Econômica Federal estava, naquela extração, homenageando o Dia Nacional da Consciência Negra.
Passaram-se muitos e muitos dias depois dos resultados e eu não os conferi, nem Mega, nem Quina, nem nada. Eis que agora, agorinha mesmo, fui lá no site da Caixa e... não é que meu bilhete foi premiado?
Peraí, meu caro acionista! Não precisa ficar pulando de alegria como também não precisa começar a escrever aquele e-mail pedindo um emprestado, não! Não fiquei milionário coisa nenhuma e muito menos ganhei um carro zerinho... ganhei foi R$ 20,00 no bilhete da Consciência Negra!
Bom né? Deus, além de meu brother, deve ser neguinho também...
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3:32 PM
Segunda-feira, Novembro 28, 2005

Contos natalinos.
Era uma vez um Papai Noel. Vivia sozinho o bom velhinho, e quase sempre se via alegre com aquela sua solidão auto-imposta. Não muito longe havia um condado, condado este repleto de pessoas legais, divertidas, trabalhadoras e estudiosas. Pensou Noel que, poxa, ele também deveria parar de ser tão recluso e começar a interagir com aquela sociedade. Foi lá, deu as caras nas ruas repleta de gente, começou fazendo amizades com um aqui, outro ali, começara enfim a se enturmar.
Namorar. Papai Noel, que sempre foi de ficar quietinho no seu canto, resolveu um belo dia namorar. Conheceu e se encantou com uma dona muito bonita e com ela começou a sair quase todos os dias da semana. Comprou, com suas parcas economias, uma motoca velha e aposentou de vez o trenó puxado pelas renas; no DETRAN tirou sua carteira de motorista de primeira; voltou a fazer pré-vestibular e passou na faculdade de Turismo; ressuscitou a sua banda de rock'n'roll, a outrora muito famosa "Barbadão e seus Duendes Necrosados" mas o empresário que eles arrumaram, que por sinal não sabia empresariar bandas porcaria nenhum, meteu os pés pelas mãos numas de arrumar para eles abrirem shows sertanejos e desse jeito sacaneou com tudo. Trabalhava o bom velhinho com afinco todos os dias da semana na fábrica de brinquedos, sonhava com um futuro cheio de paz, amor e esperança, vivia uma vida bem legal, tinha conta no banco do condado, talões de cheques e fiado no botequim.
Um belo dia Papai Noel se casou e tudo o mais virou de pernas para o ar! Deste dia em diante percebeu que seu saco mágico vermelho, o mesmo que cabiam todos os brinquedos das crianças do mundo inteiro, não era assim tão espaçoso quanto ele imaginava...
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5:07 PM
Sexta-feira, Novembro 25, 2005

Cá e lá más fadas há ou Em caminho de paca, tatu caminha dentro.
Rei de Portugal acaba de entrar.
Caminha diz: Bom dia, meu Soberano!
Rei de Portugal diz: Aqui começa a tarde, Caminha...
Caminha diz: Que sejas, meu Rei...
Rei de Portugal diz: Bem... que contas de novo desta terra? Onde se metestes nestes últimos dias que não reportou nada a mim, que sou seu Rei?
Caminha diz: Ah, meu Rei, a história é deveramente longa...
Rei de Portugal diz: Pois comece a contar, Caminha...
Caminha diz: Bem... era terça-feira da semana passada, tarde na noite quando encontrei nativos e com eles tentei uma aproximação! Eram muitos, de quinze para mais, que se vestiam de forma deveras estranha se comparada aos moldes lusitanos. Tinham cabelos de cores variadas, uns vermelhos como fogo, outros verdes como a mais tenra grama de Vosso reino, alguns amarelos como o sol que brilha em Portugal, outros azuis como o mar que banha nossa costa e de outras cores que achava jamais existir.
Rei de Portugal diz: Interessante... continue, continue...
Caminha diz: Sim, meu Rei. Usavam um tipo de parafina que deixavam rijos seus cabelos coloridos, fazendo as mais incríveis formas eles, como espetados para cima, alguns de tosquia alta de boa grandeza, rapados todavia por cima das orelhas, deixando na parte superior da cabeça um topete moicano.
Rei de Portugal diz: Seres deveras interessantes...
Caminha diz: E não é só, Majestade! Ambos traziam em seus corpos toda sorte de objetos metálicos dependurados, como roupas em varais. Observei atentamente e percebi que todos, sim, possuíam tais adornos espalhados pelas orelhas, ao alto das sobrancelhas e narizes. Impressionei-me com uma que mostrou-me na língua um piercing - é o nome dado aos objetos - agudo na ponta, como um furador. Vi, horrorizado, uns que tinham os beiços de baixo furados e alargados, e dentro dos vazios, metem-nos um troço arredondado, como se fosse descansos de copos feitos de madeira leve, pela parte de dentro do beiço e trazem-no ali encaixado de sorte que não os magoa, nem lhes põe estorvo no falar, nem no comer e beber.
Rei de Portugal diz: Santo Cristo! São selvagens?
Caminha diz: Não tanto, ó Majestade...
Rei de Portugal diz: Conte-me como foi tua aproximação...
Caminha diz: Bem... primeiramente, ao apresentar-me, fui tratado de forma jocosa pelos mesmos. Tentei agradá-los mostrando a foto de Vosso papagaio real...
Rei de Portugal diz: Mostrou a fotografia de Currupaco a eles?
Caminha diz: Sim!
Rei de Portugal diz: E?
Caminha diz: Riram dela. Acho que nunca haviam visto a fotografia que tu tirastes com Currupaco ao Vosso ombro! Depois mostrarei-lhes a fotografia da galinha de Vossa mãe; a princípio quase tiveram medo dela, e não lhe queriam pôr a mão. Depois lhe pegaram, mas como espantados.
Rei de Portugal diz: Estes brasileiros nunca viram uma autêntica galinha portuguesa, não? A foto que tens, Caminha, é aquela que ela está praticamente depenada?
Caminha diz: Sim! Logo que pegou a tal da gripe do frango! Foi naquela triste fase quando a galinha da sua mãe quedou-se em febre e quase foi desta para a melhor, meu Rei!
Rei de Portugal: Mamãe ficou muito horrível por conta de tanta tristeza! Mas termina, Caminha...
Caminha: Depois de mostrar as fotos reais, mostrei-lhes o xerox de um bilhete de jogo de bicho premiado...
Rei de Portugal diz: Ganhastes em algum jogo aí nesta terra?
Caminha diz: Sim, Majestade! Deu carneiro na cabeça naquela terça-feira...
Rei de Portugal diz: E o que fizeram?
Caminha diz: Me levaram à uma padaria de um patrício nosso, o Joaquim, e lá me fizeram adquirir litros e litros de vinho...
Rei de Portugal diz: Olha, mas que interessante forma de aproximação social...
Caminha diz: ... e passamos a beber, na rua, e fumar um cigarro de gosto muito agradável, fumo este que me deixou deveras contente...
Rei de Portugal diz: Caminha... tu bens sabes o mal que faz o tabagismo...
Caminha diz: Sim, meu Rei, sei! Posso terminar de relatar o que me aconteceu nesta terra onde o que se planta, tudo dá...?
Rei de Portugal diz: Sim, Caminha... continue, continue a relatar tua aventura...
Caminha diz: Pois bem... eis que, de repente, nos cercam vários policiais...
Rei de Portugal diz: Aqueles que deveriam prender os bárbaros dos arrastões?
Caminha diz: Sim, eles. Nos colocaram contra o muro e passaram a nos dar uma... como se diz...
Rei de Portugal diz: Diga, diga...
Caminha diz: ... uma geral! Revista!
Rei de Portugal diz: E tu, o que fizestes?
Caminha diz: Reclamei meus direitos, logicamente! Gritei à eles que era cidadão português e que aquele era um tratamento deveras inapropriado! Imagine, meu Senhor, como estás minha canela depois de levar inúmeros chutes... que dor!
Rei de Portugal diz: E que mais eles fizeram a ti?
Caminha diz: Ora pois, pois... como nada tinha, plantaram em mim uma generosa quantidade daquela erva do cigarro que estava a pouco a fumar com meus novos amigos...
Rei de Portugal diz: E o que deu?
Caminha diz: Deu cana!
Rei de Portugal diz: Cana? Caminha, deixe de ser burro, ó Caminha! Você, obviamente, não prestou atenção na semente que o policial plantou! Para dar cana, ele teria que plantar a muda da cana-de-açúcar, ó Caminha! Tudo bem que a terra é fértil e cousa e tal, mas plantar uma coisa e dar outra já é bem diferente, ó Caminha! Estou deveras descontente contigo!! Será que ainda dá tempo de chamar o Roberto Leal?
Caminha pode não responder porque o status de Caminha é "não entendi o que vem a ser larica!".
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12:23 PM
Quinta-feira, Novembro 24, 2005

De panela que ferve se arredam as moscas ou Se vira, Caminha!
Rei de Portugal acaba de entrar.
Rei de Portugal diz: Chegastes bem?
Caminha diz: Senhor, posto que o Capitão-mor desta Vossa frota, e assim os outros capitães escrevam a Vossa Alteza a notícia...
Rei de Portugal diz: Pára, ó Caminha, desta frescuragem! Perguntei a ti se chegastes bem em terras brasileiras!
Caminha diz: Oh sim, meu rei! Cheguei praticamente a pouco!
Rei de Portugal diz: Viagem tranqüila então?
Caminha diz: Tirando que alguns tripulantes estavam olhando-me meio ressabiado, acredito sim que fiz ótima viagem.
Rei de Portugal diz: Muito gosto tenho por ti, Caminha, mas sabes como andam as finanças do reino...
Caminha diz: Não precisais escusar-se, ó Majestade... o porão do navio peixeiro não era de tudo tão fedido...
Rei de Portugal diz: Então sem mais delongas, diga-me onde se encontras...
Caminha diz: Majestade... encontro-me neste instante a conversar contigo usando um computador de uma loja de jogos eletrônicos, por aqui chamada de lan-house!
Rei de Portugal diz: Porquê, Caminha, não usas o nosso Lap-Top?
Caminha diz: Bárbaros, ó meu Rei! Bárbaros...
Rei de Portugal diz: Não... não me diga!
Caminha diz: Sim, Majestade... praticamente ao pôr meus pés lusitanos na areia da praia, bárbaros vieram de todos os lados e tomaram todos os meus pertences...
Rei de Portugal diz: Ó, meu Jesus! Levaram o computador do reino?
Caminha diz: Sim, Majestade!
Rei de Portugal diz: Humm... com tantos problemas, mais este... vamos ter de fazer a baixa no ativo imobilizado do Reino.
Caminha diz: Sim, meu Rei.
Rei de Portugal diz: Debitarei a quantia no seu salário!
Caminha diz: Se és o seu desejo, que assim seja...
Rei de Portugal diz: Conte-me mais sobre este caso...
Caminha diz: Bem... aparentemente, dei azar ao desembarcar em meio de um arrastão...
Rei de Portugal diz: Ora pois, pois! Que tem tal cousa à ver com os bárbaros? Eles puxavam as redes cheias de peixe do mar?
Caminha diz: Não, ó Inenarrável... aqui se dá também o nome de arrastão quando bárbaros praticamente desnudos atacam banhistas ou transeuntes.
Rei de Portugal diz: Meu Deus!
Caminha diz: Saem de todos os cantos, por detrás de árvores, telefones públicos e ônibus superlotados, gritando palavras obscenas com suas armas em punho ou não, fazendo gestos assustadores e intimidadores. Daí, quando nos demos conta, estamos sem nossos pertences...
Rei de Portugal diz: E nessa, fizeram-te!
Caminha diz: Infelizmente, Majestade!
Rei de Portugal diz: E fostes à policia pelo menos, denunciar o bando?
Caminha diz: Três horas depois do ocorrido, ó meu Rei!
Rei de Portugal diz: Mas tu demorastes este tempo todo?
Caminha diz: Não, Magnânimo... este foi o tempo que me foi tomado até conseguir ser ouvido pelos homens da lei deste país...
Rei de Portugal diz: Mas pelo menos prenderam os bárbaros!
Caminha diz: Que nada, Milorde! Os bárbaros continuavam na praia, tomando sol e outros pertences de incautas vítimas...
Rei de Portugal diz: E ninguém faz nada?
Caminha diz: Eu, pelo menos, não presenciei nenhum contra ataque dos que detêm o poder de polícia...
Rei de Portugal diz: Isso é muito triste, Caminha...
Caminha diz: Senhor...
Rei de Portugal diz: Sim, Caminha...
Caminha diz: Preciso que me envie pelo menos um Real...
Rei de Portugal diz: Caminha: já não lhe disse para não pronunciar o nome deste maldito time de futebol espanhol?
Caminha diz: Minha Majestade, perdão... não queria de modo algum, ofender-te! Só que nesta terra, o dinheiro é intitulado de Real...
Rei de Portugal diz: Ah... pensei que estava a se referir ao time do técnico Luxemburgo!
Caminha diz: Não Alteza... digo-te que necessito desesperadamente de recursos financeiros para aqui me instalar e me alimentar! No tal arrastão, levaram-me até as cuecas...
Rei de Portugal diz: Caminha, ó meu ilustre Caminha... nunca ouvistes o ditado que em Roma, faça como os romanos?
Caminha diz: Majestade... estais insinuando que eu me junte à turba que assaltou-me?
Rei de Portugal diz: Ai, meu Jesus... como tu és burro, Caminha! Estou dizendo-te que deves se virar, assim como este povo se vira no dia-a-dia...
Caminha diz: Se é o que desejas...
Rei de Portugal diz: Tsc! Pelo Brasão da minha família, porque não ouvi meus conselheiros reais? Olha que eles cansaram de falar que o Roberto Leal daria um melhor correspondente internacional do que ti, ó Caminha!
Caminha pode não responder porque o status de Caminha é "tentando virar mágico".
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2:48 PM
Quarta-feira, Novembro 23, 2005
Se eu fosse Deus...

Se eu fosse Deus por um dia, a primeira coisa que faria era tentar mudar a Constituição do Céu! Sim... a meta iria ser conseguir, a todo custo, a minha reeleição. Permanecer no cargo por mais um período de tempo é uma manobra política importantíssima no meu plano de governo, porque como todo mundo sabe, para fazer todo o trabalho de Deus num só mandato, venhamos e convenhamos, é muito pouco por conta das inúmeras atribuições que o cargo exige.
Quê? O Senado barraria meu projeto de lei? Não... não acredito: você também acha que o Supremo Tribunal Celeste me travaria, que teria a petulância de se opôr a mim? Tão de gozação comigo? Cara... eu seria Deus, e não um reles peão-de-obra, um funcionário público mal remunerado, um torneiro mecânico do ABC paulista! Seria D-E-U-S com "D" maiúsculo, aquele quem dita as ordens, aquele quem arruma a bagunça feita, aquele a quem todos elevam o pensamento quando alguma coisa está indo para o saco! E se o Céu está zoneado, o negócio é "deszonear" o barato! No Senado, só neguinho fiel e temente à Deus; o Supremo eu mandaria para o inferno, que é lugar dos opositores do meu regime! Viveríamos uma linda e maravilhosa ditadura, regeria com mão de ferro todas as alminhas que por lá se aventurasse ou que lá morasse! Para quê liberdades individuais se ninguém lá sabe como usar plenamente suas asas? Eu, por outro lado, saberia o que todos querem, o que todos almejam! Eu entro nos seus pensamentos, sei de tudo que se passa com todo mundo, pois afinal, sou Deus, correto?
As relações diplomáticas com Belzebu, aquele ingrato que foi expulso há milhões e milhões de anos do Paraíso pelo Outro, ficaria como está... ou seja, não aceitaria de jeito maneira aquela reaproximação que ele, com certeza, proporia! Imagine só se cairia naquela lenga-lenga de "regimes iguais", vê se pode? Eu seria Deus, e não seria, de jeito maneira, cupincha de um ex-funcionário demitido por justíssima causa e que, por ironia do destino, se virou como pôde e hoje é dono de um império que se rivaliza ao meu!
Taí... eu queria dominar também o inferno! Faria uma guerra com o inferno e, se Eu quiser, a ganharíamos! Anexaria aquele território, faria daquele lugar de clima quente uma atração turística sem igual, com direito à piscinas de águas sulfurosas, jogos de golfe e biriba, aquelas quadras de futebol society cinco estrelas... um verdadeiro paraíso para as famílias celestes passarem suas férias. Com relação à população local, converteríamos as muitas almas penadas e as infinitas peladas para o nosso lado e eliminaríamos a oposição (trabalhos forçados em campos de concentrações é uma boa idéia).
O problema agora seria com a Corte Interdimensional de Justiça que poderia não ver meus feitos com bons olhos. Foda isso, né? Quando a gente acha que tá com tudo resolvido, que está por cima da carne seca, vem estes olhos onipresentes e oniscientes e começam a inquirir sobre como e de que maneira Eu, que sou o deus justo deste plano e com quase 99,9% de aprovação popular nas últimas pesquisas do IBOPE, estou lidando com problemas relacionados à Revolta das Almas Divinas, oposição clandestina ao meu regime ditatorial, que largaram os panfletos e cartazes de lado e agora estão com esta mania besta de detonar bombas de amor incondicional em frente aos meus prédios públicos ou metralhar com balas de compaixão e caridade os meus fiéis súditos!
Foda! Isso parece que está saindo de controle! Jesus Cristo, como é que o Fidel, o Slobodan e o Hussein conseguiram sem a ajuda do meu antecessor...
- Sei lá, Pai!
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Texto produzido especialmente para o 7º Concurso Maldito dos:
Blogueiros Malditos
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11:01 AM
Segunda-feira, Novembro 21, 2005

Chuva!
- Deixa eu segurar...
- De jeito nenhum, não quero ficar molhado...
- Então espreme um pouco mais...
- Chega aqui, sô...
- Aí... meus ombros estão molhados, meus ombros estão todos...
- Eu ouvi, não sou surdo!
- Que idéia de jerico esta sua, hein?
- Minha? A idéia foi sua!
- Minha? Ah, agora eu que sou a culpada...
- E não é? Quem que me tirou da frente do futebol para ir à casa de sua mãe?
- Insensível!
- Eu? Insensível? Ah... você está brincando comigo...
- Insensível sim! Você não percebeu que estou com saudades de casa? Que queria um pouco de compreensão?
- Peraí: eu te compreendo!
- Compreende nada, senão não estava aqui, me xingando!
- Mas quem está te xingando?
- Você!
- Eu?
- É!
- Então está bom, admito que estou um pouco chateado por estar aqui, debaixo deste guarda-chuva, todo ensopado...
- Eu também queria me desculpar por ralhar com você! Acho que fui um pouco egoísta em, sei lá, egoísta com o que eu queria naquele momento e não considerei sua vontade...
- Desculpe, querida.. você queria visitar sua mãe, não? Eu entendo... se ainda tivesse a minha...
- Não fique triste, por favor...
- É que lembrei dela...
- Eu sei...
- Dá um vazio no peito, uma coisa tão estranha... acho que nunca vou me acostumar!
- Imagino como deve doer...
- Dói muito! Arreda para cá...
- Meus ombros estão todos molhados...
- Meus sapatos também, e nem por isso estou reclamando...
- Hahaha! E pensar que nos conhecemos num dia parecido com este, não é?
- É mesmo... como choveu naquele dia, hein?
- Lembra que quase peguei uma pneumonia e morri?
- E sua mãe me culpou!
- Não, não te culpou não!
- Está de brincadeira, né? Sua mãe me odeia desde este dia...
- Não, não estou acreditando no que estou ouvindo!
- No quê? Que sua mãe me odeia?
- É... ela não te odeia!
- Nem me ama!
- Quem te ama sou eu, seu idiota!
- ... tá bom, mas sua mãe não gosta de mim de jeito nenhum!
- Gosta sim!
- Não gosta!
- Gosta...
- Você está me deixando na chuva...
- E você está com os ombros molhados...
- Vamos voltar para casa?
- Vamos... mas depois de jogar fora este trambolho que não está servindo para nada...
- Se você ficar resfriada, eu mesmo te mato, ok?
- Ok! Agora cala a boca e venha me pegar...
Sairam os dois pelas ruas, como dois adolescentes apaixonados, rodeando árvores, pisando em poças d'água com força, parando automóveis, beijando-se alegremente! O caminho de volta nunca foi tão feliz...
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Prestigie também o:
JORNAL DO BLOGUEIRO
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3:43 PM
Sexta-feira, Novembro 18, 2005
Opa... você também?
Como todo bom brasileiro, eu devo... devo e pago "quando tiver"! Eu, você, o seu pai que está pagando a lavadora de roupas que deu de presente para sua mãe em 24 prestações fixas e sem juros (hã?) das Casas Bahia, aquela sua tia aposentada e viciada em bingos que pegou dinheiro emprestado na financeira e agora não sabe como quitar a dívida, o Zé Bedeu, que tomou fiado uma dose de cachaça com carqueja na venda do Tio Tatão e agora dá a volta no quarteirão para chegar em casa, o Bililiu, primo da Durce (é... erro de cartório mesmo) que deve o primo Astrogildo um vale transporte (pegou emprestado em 1996, quando estava numa pior e até hoje não pagou... mas continua na pior do mesmo jeito) e que finge de égua até hoje.
Todo mundo deve, minha gente: deve uma graninha a Prefeitura Municipal ao Governo Estadual, que em contrapartida também deve ao Governo Federal e que, além de nos dever muitas explicações (tipo onde está enfiando toda esta grana) deve horrores ao FMI e a outros grupos mercenários que emprestam dinheiro a juros módicos, mas que cobram certos favores... vamos parar por aqui? Putamerda, tivemos uma aula de Direito Internacional um dia destes e o professor nos relatou, sorridente, que os Estados Unidos, que não é brasileiro coisa nenhuma (graças à Deus), deve uma grana preta à ONU... e que não paga nem fudendo! Não é uma coisa maravilhosa? No fritar dos ovos, no rachar dos cocos e nas separações das jacas, todo mundo deve, seja aqui no Brasil, seja no exterior, seja nos confins congelantes do espaço ou nos quintos escaldantes dos infernos. E agora percebemos que, como não poderia deixar de ser, o Bloggerman também "deve" dever alguma coisa...

Ps.: fala a verdade, meu amigo... você também tem pesadelos com suas contas, né? O dia do pagamento longe, aquela fatura do celular esquecida sorrateiramente dentro do criado mudo, a continha começando a gritar no meio da noite...
Ps2.: e eu, falando por esta empresa, te digo que estamos te devemos mais esta! Obrigado!!
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5:04 PM
O Tutu Marambá vai te pegar!

Saudades de quando tinha medo só do Bicho Papão e do Boi da Cara Preta. Felizes recordações de quando sonhava só com lobisomens raivosos, vampiros dentuços e extraterrestres babentos, monstros que me perseguiam por tudo quanto era lado enquanto eu repousava, desfalecido, por sobre meu pequenino colchão e meu Cuncum (inocente nome que dei, quando infante, ao meu cobertor). Agora o que me tira o sono, o que me produz os mais terríveis pesadelos noturnos e que me faz acordar suado e tremendo de pavor são as perversas contas que tenho que pagar. Elas sim estão realmente a atormentar, toda noite, o meu precioso sono.
Nada mais de ouvir, durante o sonhar, aquela voz fantasmagórica, que arrepiava até o último fio de cabelo de uma inocente criança. Aquela risada, aquela mesmo que aparecia ao final do clip Thriller do Michael Jackson, é fichinha perto da sensual e pausada voz com um leve sotaque paulistano das moças dos escritórios de cobrança:.
- Por favor, eu falo com o senhor Denilson?
A mocinha má pronuncia esta terrível frase justamente quando cai um raio numa árvore seca com os galhos parecendo braços abertos, e o fulgor da energia desprendida ilumina todo o éter! Tento falar que eu não sou eu, tento desligar de todo jeito o danado do telefone, mas não consigo de jeito maneira colocá-lo de volta ao gancho. De repente surge por debaixo da porta, pelas frestas da janela e pela torneira da pia, inúmeras contas, de telefone, de energia elétrica, do cartão de crédito e do supermercado, todas correndo atrás de mim com bocas enormes e dentes pontiagudos à mostra. Não... não há escapatória delas, não há para onde fugir. Que faço? Ora... já que não tem jeito, o jeito é fazer como todo ator de filmes de terror: correr até não poder mais.
Não duvido nada de uma noite destas acordar, de pijamas, no meio da rua, gritando "eu vou pagar amanhã, juro!"
Preciso ganhar na Mega-Sena o mais rápido possivel...
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2:13 PM
Quinta-feira, Novembro 17, 2005
Festas para lá de proibidas divertidas.

Vem chegando, de mansinho, as festas de dezembro. Não... não são as festas em que se reúnem toda a família, as tias e tios engraçadinhos que vemos uma vez por ano, sobrinhos e sobrinhas ávidas pelos doces mais diversos, pelos panetones e pelas Cidras Cereser quase sem álcool que estou falando. Estou aqui pensando alto é que estão chegando as festas, as danadas das festas de fim de ano dos funcionários das mais diversas empresas deste enorme e próspero país, reuniões que acontecerão nas boates, restaurantes e sítios de norte à sul do Brasil e que são o maior estouro em gostosas gargalhadas e comentários indiscretos, acontecimento este que é mais aguardado do que o 13º salário e a participação nos lucros juntos, engordando na sua conta corrente.
E é um barato estes encontros. Todo mundo, praticamente, conhece todo mundo ou pelo menos já viu de relance. Todo mundo cabreiro no começo, neguinho entra no recinto morrendo de medo de dar um fora. Há um policiamento constante nos seus gestos e na altura da sua voz, no que você está fazendo de errado ou no que deixou de fazer de forma correta. E a festa vai começando, devagar devagarinho, quando de repente se torna um sucesso sem igual: todos comentando o que se passou naqueles felizes onze meses, quem falou o quê de quem, quem fez beiço para a chefia, a ferrada que os gerentes e os diretores deram no funcionário que vacilou no projeto para alavancar a venda de um produto da firma, quem está pulando a cerca com quem, quem entrou no Botox e se ferrou e, principalmente, quem entrou na naba. Estas festas estão para as Retrospectivas 2005 que a Globo irá transmitir nos últimos dias deste ano assim como a corrupção está para Brasília: a notícia é velha, por todos conhecidas faz tempo, mas não deixa de ser um espetáculo noticiário sem igual.
Da metade do evento até o final dele podemos presenciar pérolas dignas de se gravar e enviar para alguns dos muitos apresentadores de televisão que amam, de paixão, quem paga mico em público! Quem gosta de um whisky ou de uma vodkazinha pura e inocente, acaba mostrando (mostrando não, apresentando) seu outro lado, o lado não-jedi de quem já está meio fora de si, aquele lado tosco que tropeça nas próprias pernas, nas cadeiras e joga tudo quanto é talheres e copos ao chão. Aquele cara que sempre esteve à fim da moça finalmente aproveita o momento, digamos, propício para uma conversa melosa e leva uma tremenda de uma tesourada bem na frente do pessoal do Marketing, que, como todo mundo sabe, adora comentar e pontuar estas coisas. Já no finalzinho da festança, começam as contagens das doses cavalares de whiskys que um ou outro deliciou, quem bebeu mais, quem está mais sóbrio e, principalmente, quem vai pagar o táxi. A música it's raining man faz todo mundo dançar na pista, uns por pura curtição, outras por total desespero de causa! Padim Padinciço e o outro que é casamenteiro são poucos para as encalhadas das mais diversas seções que ali se encontram, senhoras que abdicaram de uma noite tranqüila regada de chá de camomila em suas residências ou torrando suas aposentadorias nos inúmeros e ilegais bingos espalhados pela cidade para ter a chance de catar um oficie boy desgarrado ou auxiliar de escritório recém contratado que exagerou um pouco na bebida, farta bebida alcoólica servida a todo instante por garçons que não pararam de andar por um segundo sequer.
Mas espere: confraternização entre funcionários não é uma confraternização entre funcionários se não tiver o tal do Amigo Oculto. Todo mundo cheio da cachaça trocando presentes e elogios que nunca se diriam sóbrios. É a gravata baratinha da C&A branca com pintas pretas, igual a couro de vaca holandesa para lá, é chinelo Rayder do Guga para cá, é aquela blusinha social recheada de lantejoulas douradas compradas numa loja suspeitíssima no centrão da cidade, é aquele sorriso de quem, naquele momento, está dando uma de Mamãe Noel ao contrário quando entrega um estojo de maquiagem Made in Paraguay para sua arqui-rival colega de trabalho.
Tudo tende à dar certo, não é? É... tudo leva ao Apocalipse, diriam os mais animados (para eles, tudo é festa) e os funcionários fanáticos religiosos que resolveram não deram as caras! E este ano, como não pode deixar de ser, vai tem festa de confraternização, festa brega! O evento irá começar às 23:00 duma segunda feira bravíssima e terminar só quando raiar a terça - olhe o calendário: não há nenhum feriado na terça! Se eu vou? Não... não vou porquê não podemos levar nenhum acompanhante! É... a festa é exclusiva dos funcionários e ninguém, mas ninguém mais, pode presenciar, fotografar ou gravar a alegria, a jovialidade, a manguaça e os comentários que ali se farão.
Mas mesmo assim vou perguntar para minha esposa se eu posso dar, pelo menos, uma passadinha lá. É porquê eu ganhei de presente uma camisa verde fosforescente no último "muy amigo oculto" que é o ó do borogodó... e eu nunca a usei, é lógico! Hummm... será que com este argumento eu a convenço?
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6:26 PM
Quarta-feira, Novembro 16, 2005

Crash!
Riscava no ar a bola de capotão, acompanhada pelo movimento dos olhos esbugalhados dos meninos. Lá, entre um gol e outro feitos de toloscos de pedras e pedaços de tijolos, parou o mundo e o tempo, inclusive os pardais, bichos barulhentos que só fazem bagunça, e os carros que passavam na rua ao lado, pois até os motoristas mais velozes queriam ver aonde cairia o presente, presente novo novinho em folha que Joãozinho, que o menino da casa que parecia um castelo ganhou de Natal.
E a bola preta e branca seguia firme sua trajetória. Voava, voava, voava sem nada nem ninguém para detê-la. Naquele momento não mais importava quem havia chutado a pelota, com força excessiva e sem necessidade, em direção à vidraça da vizinha. Naquele momento o que mais importava eram as mãos nas cabeças, puxando, imperceptivelmente, pequenos tufos de cabelos, e a fé dos doze meninos. Nas pontas dos pés oravam ao seu protetor celeste para que o que era provável de acontecer, não acontecesse. E a bola seguia...
Vai bater na parede! - pensava um. Outros, agora mais pessimistas, já pensavam para onde fugir quando ouvissem o barulho de vidro estilhaçando. Joãozinho arrepiava, sentia calafrios, cerrava suas pequenas mãos fazendo, sem querer, uma figa. Todos de olho na bola, a bola em direção ao vidro, o vidro se fazendo em mil pedaços transparentes e cortantes na sala da vizinha que, nervosa, gritou alto de susto.
Uns correram sem direção, indo lá e voltando cá para, finalmente, ganhar a rua em disparada. Outros, a passos largos, rumaram rapidamente para suas respectivas casas. Joãozinho, paralisado e tremendo as pernas, veio a recepcionar a senhora que saía do portão, furiosa, senhora agora dona da bola preta e branca que o menino ganhara do pai no dia anterior.
- Me devolve?
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O nosso outro blog ainda resiste bravamente:
ELUCUBRAÇÕES CEREBRINAS
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6:59 PM
Segunda-feira, Novembro 14, 2005
Vamos fazer compras!
Nós, homens, quando estamos à fazer compras de gêneros alimentícios, somos simples e diretos. Sério mesmo... não temos muita paciência de ficar observando detalhes de embalagens, de marcas, de descontos.
- Tem bacon?
Erro grave? Pode ser... mas eu chamo mesmo é de falta de paciência. Tentamos cumprir rapidamente a missão e voltar ao conforto da nossa base, de nossa televisão, da nossa latinha de cerveja e nosso futebol sagrado.
- Tem costela de porco?
E quando não achamos de primeira o que estamos procurando, não pensamos duas vezes em pedir ajuda aos funcionários do estabelecimento comercial uma ajuda. É mesmo, gente: eu, por exemplo, não sei distinguir uma peça de chã-de-dentro de uma fraldinha. Sábado de tarde eu estava lá, no meio de uma pequena multidão de consumidores, todos nós, simplesmente, adquirindo produtos para consumir no outro dia.
- Tem contra-filé?
O prato que iríamos fazer no domingo era um delicioso peixe assado recheado de camarão. Fino, hein? Pois é... a receita estava lá em casa, mas eu havia esquecido de anotar o nome do bendito do peixe. O camarão congelado eu já tinha visto na gôndola, congelado e num preço, por sinal, bem salgado. Peguei a embalagem, coloquei-a no carrinho e esperei pacientemente o negão de quase dois metros de altura que trabalhava da peixaria vir me atender. Neste meio tempo liguei para minha esposa para que ela, de posse da receita, me clareasse as idéias (na realidade, para me falar o nome do bendito do peixe que eu havia esquecido: namorado).
- Próximo...
- Você tem um peixe bom para se rechear aí, meu amigo?
- Ora... temos aqui o namorado! Pode ser?
- Pode sim... mais ou menos dois quilos, ok?
Todo homem é maldoso por natureza e adora pegar no pé do outro, principalmente quando se dá uma manota. Pode parecer bobagem, eu sei, mas outra coisa que não fazemos nunca em supermercados é dar vacilo... é ruim, hein!
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4:41 PM
Sexta-feira, Novembro 11, 2005
Tenho um grande, um grande problema...
No sábado passado teríamos uma prova, uma prova muito, mas muito difícil. Nós, alunos, já tremíamos na base só de ouvir falar na matéria e temíamos ir para o saco como muitos foram na primeira avaliação. Chegou sexta-feira e nos mobilizamos para convencer nosso ilustre professor, que parece muito, mas muito mesmo com um famoso cantor de samba, a adiar o exame: era lançada internamente entre os colegas, o movimento ADIA, MARTINHO!

Logramos êxito! A prova agora seria na outra semana, na primeira aula (ou seja, na próxima sexta-feira, hoje!). Todos nós ganhamos sete dias a mais para estudar a matéria, tirar nossas dúvidas, ler livros, enfim, nos preparar melhor para o embate.
Eu coloquei na cabeça que começaria a estudar na terça-feira, porquê estudar segunda-feira, logo depois do final de semana - geralmente passo estes dias descansando do stress da semana que passou - é foda! Chegou terça e, sei lá, me deu um desânimo danado, uma leseira que só vendo: na quarta-feira sim, pegaria firme na matéria. Quarta acabou do mesmo jeito que começou, ou seja, rapidamente rápida! Sabe que não deu tempo de fazer porcaria nenhuma na quarta-feira? Foi uma correria do começo ao fim! Estudar? Estudar nem pensar... o jeito foi deixar para ler o Código Civil na quinta! E ontem, de novo, não deu!
Não sei porquê eu só consigo estudar de véspera! Será encosto ou alguma outra coisa que não tem explicação? Tsc... será que lanço um ADIA (de novo), MARTINHO?
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9:44 AM
Terça-feira, Novembro 08, 2005
O desodorante [salvador] tá funcionando, viu? ou
Me empresta um lenço?

Ando me desfazendo em líquidos por qualquer bobagem. Subir uma quarteirão, alguns reles e miserentos metros em uma rua bem plana me faz suar para caramba. Uma subida mais íngreme então faz da minha fronte uma verdadeira cachoeira, suor que brota do couro cabeludo e vai escorrendo testa, orelha e nariz afora. Vou andando e vou expelindo líquidos sudoríparos... e o suor não pára de jeito nenhum: para falar a verdade, parece piorar quando encontro uma sombra, que pode ser de uma pequena árvore ou uma marquise que utilizo para aplacar um pouco do calor infernal que vêm do asfalto e debaixo do sovaco! Olha, realmente tem alguma coisa errada comigo!
Engraçado... quando eu era mais novo não tinha esta sudorese excessiva, não. Alguma coisa mudou no meu metabolismo de um tempo para cá, pois agora, depois de velho e mais cheínho, mino suor à toa. Ano passado entrei num futebol e quinze minutos (e olhe lá) parecia que estava saindo de uma piscina. Vou comprar uma revista na banca, uma que fica a poucos metros de distância do serviço, e volto parecendo que estava chovendo. Vou almoçar e, quando avisto o ônibus vindo e que tenho que dar aquela corridinha marota para o motorista ver que eu estou realmente interessado em pegar aquela condução, ao entrar no coletivo pareço que havia acabado de sair do banho. Gente, realmente tenho que ver o que está acontecendo!
Será que é alguma coisa relacionada com a sensibilidade que adquirimos com o passar dos anos? Um tempo atrás eu não chorava em filmes e finais de novelas...
PS.: eu admito: chorei quando a Baleia foi atropelada!
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6:02 PM
Segunda-feira, Novembro 07, 2005
Mas limpa aqui também, ó!
Tá certo que é falta de educação a gente ficar reclamando de barriga cheia, principalmente quando o assunto em questão é uma salvadora carona para o serviço que você pegou numa manhã chuvosa. Tem como reclamar? Não tem, eu sei... você no ponto de ônibus, a chuva descendo das nuvens escuras, inclemente, seus sapatos começando a molhar e, de repente, passa este santo colega e abre a porta do automóvel, sorridente, para te levar até, praticamente, dentro seu serviço. Isso acontece às vezes comigo, é sério... e aconteceu hoje! E quem sou eu de abrir minha boca para achovalhar este solícito amigo e seu fiel e limpinho da silva possante, quem sou eu.
Eu não reclamo, só observo as coisas e fico pensativo:
- Cara... antes de ontem fiquei até de tarde limpando o carro...
- É mesmo?
- Hum hum... mas também catei tudo quanto era sujeira! Sabe... estou até com os braços doendo de tanto encerar o carro. Que foda... e agora chove. Avacalha todo o serviço da gente, né?
- Com certeza!
Vinte e três quilômetros falando de carro, de produtos para limpar aqui, a cera que é a melhor para a pintura, o silicone no painel e tudo o mais. Aprendi toda a técnica do Daniel-san, é lógico, ainda mais que pegamos um congestionamento e ficamos parados por mais de dez minutos falando sobre como limpar o barro que se deposita por dentro do pára-choque! Osso duro, viu? Mas até aí tudo bem: ruim foi ao descer do carro e perceber que, naquele momento da minha vida, era/estava vascaíno. A minha camisa, branca, ostentava a marca indelével do cinto de segurança, certinho certinho, de fora à fora, do ombro à cintura.
Pois é... agora que Inês é morta, eu que te pergunto, mas bem baixinho [este colega não precisa saber, né?]:
- Já que vai limpar a merda do carro, limpa direito, porcaria!
Quê? A carona? Quem sou eu para reclamar - e nem estou reclamando - da carona... mas do cinto de segurança que estava mais sujo que pau de galinheiro e dos colegas do serviço que estão me confundindo com um certo baixinho que usa uma tal camisa 11, ah, estes já ficam complicados de não reclamar.
- Fala aí, peixe?
- Peixe é a digníssima...
Numa boa, só faltou só a cruz de malta...
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2:47 PM

Pula cordas.
Colocou as chaves na ignição, deu a partida e conferiu a maquiagem no espelho retrovisor. Mesmo atrasada para o trabalho, deu-se o tempo de retocar os lábios agora vermelho-sangue e aninhar uma mecha de cabelo para detrás da orelha direita. O pé na embreagem, a marcha ré, o acelerar do automóvel, a rua aumentando e ganhando o vidro traseiro. Parou para acionar o controle remoto do portão quando viu meninas, pequenas vizinhas suas, brincando em frente à sua casa... todas elas despreocupadas com o que viriam a se tornar num futuro próximo.
Lembrou que brincava assim defronte à casa dos seus pais. Lembrou de tempos em que era muito, mas muito feliz, a mãe observando ao portão, a grama rasteira no jardim, as bonecas espalhadas, a brincadeira de pula cordas, o elástico. Lembrou do diário que escrevia, dos primeiros olhares aos meninos da escola, o primeiro e precoce beijo!
Deixou o carro descer a rua numa velocidade acima do normal: estava atrasada, até para pensar que um dia já foi uma menina assim, feliz, despreocupada e que pulava cordas às nove horas da manhã de uma segunda-feira...
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12:03 PM
Quinta-feira, Novembro 03, 2005
Tudo acaba...
O amor acaba, o casamento e o blog acabam, se decompõem as hortaliças e frutas que compramos no sábado e que esquecemos na gaveta da geladeira, o leite, que se deixado esquecido por sobre a pia, perde ou vira coalhada, o sexo depois do gozo termina e se transforma em cansaço, o som acaba deixando um zumbido no ouvido, barulho que vai diminuindo, diminuindo... até restar o silêncio, que, se pensar bem, acaba com o som do sangue pulsando em nossas veias!
Tudo acaba nesta vida, tudo. A paciência, coisa que nunca deveria se extinguir, acaba; acaba o sono quando nos levantam no meio da noite para discutir o fim de uma relação, acaba-se aquela vontade de continuar andando quando se vê um objeto, muro pequeno ou grande, mas que é intransponível, acaba-se o olhar mágico como se acaba a água de um copo, principalmente quando estamos com muita, muita sede. Vemos o último pingo d'água escorrer por dentro do vidro e o aparamos com a língua, sorvendo aquele líquido final, como se servisse para aplacar a sede interminável dos que andam debaixo do sol ardente, sede que nunca, nunca vai acabar.
Um homem um dia falou que devemos dar a outra face. Um homem um dia falou sobre perdoar. Um homem um dia falou sobre respeito, amor, lealdade... mas poucos ouviram. É outra coisa que parece seguir para o limbo das coisas que um dia acabam e que se transformam em meras lembranças de sentimentos que um dia existiram e que hoje não passam de recordações, felizes ou não, de um amor que um dia tivemos na mão e que, por alguma razão, se decompôs.
Resta então a saudade de dias mais felizes, que também não acaba nunca... [eu acho!]
... e nunca mais volto a escrever sobre isso!
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10:24 AM
Terça-feira, Novembro 01, 2005
- Foi você!
Ser acusado injustamente de uma coisa que você não fez é, realmente, uma merda! Ter um dedo apontado então nem se fala: é, além de falta de educação apontar para os outros, uma grande duma sacanagem mesmo!
É incrível como nós, seres humanos, temos esta grande capacidade de incutir ao próximo culpa de um fato ou evento que aconteceu ou que virá à acontecer. A gente sabe que alguém pisou na bola, alguém escorregou no quiabo em algum ponto que nunca deveria ter errado e que por causa disso alguma coisa aconteceu! Pronto... basta isso e as pessoas se apressam em encontrar um culpado: era nessas e outras que o mordomo sempre se fodia! Ô classe judiada...
Mas é fácil falar que o outro fez a coisa. O difícil mesmo é o outro provar sua inocência. Muitas vezes torna-se uma dificílima tarefa...
Aluno 1: - Opa! Está sentindo um cheiro... alguém peidou!
Aluno 2: - Putamerda! Peidar na sala de aula é foda...
Aluno 1: - É... e o cheiro vem de lá!
Aluno 3: - Foi o Terculino! Ele falou que comeu ovo ontem de noite...
Geralmente o verdadeiro culpado é quem primeiramente incute a outro ato que o próprio peidorreiro jogou ao ar. E o Terculino? O Terculino se lascou de verde, amarelo e roxo. Como provar a tão sonhada inocência numa sala repleta de alunos loucos para se safar da má fama que o título de flatulento-mor da turma A produz junto às moças - mas se for então numa sala com predominância feminina, tipo pedagogia ou moda, se aplica para Terculino a inversão do ônus da prova (afinal, mulher também peida, certo?).
Outro caso chato de se lidar é com acusações injustas por parte de funcionários do setor público. Via de regra, eles tem sempre razão com relação aos inúmeros procedimentos adotados para fiscalizar e punir prováveis fora da lei, além tem ao seu lado a imperrável máquina burocrática e suas normas quase sempre precisas e que estão sempre os acompanhando...
Guarda Rodoviário: - Encosta, vai encostando aí...
Motorista: [depois de parar o carro] Pois não, Seu Guarda...
Guarda Rodoviário: - Muito bem, muito bem... por favor, queira me apresentar a carteira de motorista junto com os documentos do veículo...
Motorista: - Pois não...
Guarda Rodoviário: - Apressadinho, hein?
Motorista: - Eu?
Guarda Rodoviário: - Hum hum... o radar te pegou subindo a estrada a mais de 200 quilômetros por hora...
Motorista: - Eu o quê? Subindo a estrada a mais de duzentos por hora? Você está ficando louco?
Guarda Rodoviário: - Opa... cuidado aí com o desacato à autoridade...
Motorista: - Desculpe, Seu Guarda... mas é que o senhor deve ter cometido um engano! Meu carro não subiu a estrada à esta velocidade nem aqui nem na China...
Guarda Rodoviário: - Carro vermelho, quatro pessoas, rebaixado... tudo confere com que o Guarda Abelardo informou... e fora que o velho Abelardo e o radar não erram jamais!
Motorista: - Seu Guarda... olhe direito, Seu Guarda! O carro está um pouco rebaixado porque o porta-malas está cheio de bolsas de viagem... e este carro, Seu Guarda, é um Fiat 147 modelo 1979...
Guarda Rodoviário: - É, estou vendo! E muito mal conservado, por sinal: motor serrando, muita fumaça por conta da queima de óleo...
Motorista: - Peraí... alguém aqui está errado! Das duas, uma: ou o senhor ou o outro guarda rodoviário deve ter se equivocado...
Guarda Rodoviário: - Impossível! Ele acabou de falar novamente aqui no rádio carro vermelho-ferrari e, pelo que vi, o único carro vermelho que passou aqui foi o seu...
Motorista: - Eu não acredito!
Guarda Rodoviário: - Pois é... e olha que nem eu acreditei! Aqui... já pensou em colocar seu fitinho na Stock Car? Está andando demais, viu! Toma a multa...
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2:28 PM
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