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Jornal do Blogueiro

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Quarta-feira, Agosto 31, 2005

Ô ódio!


Lá estão eles, crianças cheias de espinha nos rostos, conversando com a boca aberta e fazendo sinais com os braços, como se estivessem querendo alçar vôo por entre os prédios e sinais de trânsito. Cinco deles estão lá, aguardando alguma coisa: não atravessam a rua e parecem não se importar com o tempo, somente estão lá, debaixo de um sol escaldante.

De repente um ou dois param de falar e começam a enrolar, com a língua, a goma de mascar que dançou durante um bom tempo entre os caninos e os cisos, de um lado para o outro, ora sendo apertados no céu da boca, ora formando bolas no mundo exterior.

- Ptu!

Lá no meio da rua fumegante agora jaz a bolinha de chiclete, bolinha agora sem nem um pingo de açúcar, bolinha que rola alguns centímetros e pára, justamente, em cima da faixa de pedestre.

- Alá, véi...
- Nó... beleza!


O resto da história é mais do que previsível. Numa grande cidade, as pessoas tendem à prestar atenção nos carros que passam à toda velocidade pelas ruas quando estas estão sendo atravessadas. Numa grande cidade as pessoas tendem à prestar atenção naquele sujeito suspeito que não tira o olho de você. Numa grande cidade, quase ninguém presta muita atenção onde está colocando o pé, principalmente se está justamente atravessando para o outro lado de uma avenida muito movimentada.

Acho que deveria haver uma lei mais rígida para quem joga chicletes no asfalto, principalmente em dias como estes, os mais quentes do mês.

posted by : o Administrador desta empresa, uai!!!
10:18 AM


Segunda-feira, Agosto 29, 2005

No olho do furacão.



Já se pegou no meio de uma situação em que havia pouquíssimas saídas? Já se viu desesperado, já viu tudo ao redor conspirar contra seus desejos, contra seus anseios, todos lhe apontando defeitos, todos lhe apontando uma saída, saída esta que nem sempre é o melhor para você naquele momento?

Já? Então você já conhece o olho do furacão. Tudo ao seu redor gira de forma perigosa e incessante, todas as possibilidades de sucesso parecem estar fadada ao fracasso, ninguém é mais confiável, ninguém nem nada mais parecem concordar contigo, com seu projeto de vida, com sua visão para o seu futuro. Um passo errado, uma jogada, um ato seu pode colocar tudo à perder. Fazer o quê nesta hora?

Quando se encontrar em alguma destas delicadas situações em que a vida te apresentar, lembre-se que sempre há três saídas:

1 - aceitar o jogo,
2 - abandonar o jogo ou
3 - mudar o jogo.


Basta depois tomar uma generosa porção de coragem e enfrentar novamente a sua vida, seguir o caminho por você apontado, pois esta escolha de portas é única e não admite volta. Um conselho? Ora... tomar a saída correta, é lógico!

Calmaria? Só depois da tempestade...

posted by : o Administrador desta empresa, uai!!!
2:17 PM


Sexta-feira, Agosto 26, 2005



Rapaz, tu que não sabe a confusão em que meu patrão se meteu alguns dias atrás. Tudo começou numa manhã de sábado, bem cedo mesmo, no momento que a nossa patroa, a Dona Josefina, atendeu uma ligação de uma mulher chorando igual doida e falando que um tal de Teotônio havia morrido. Nós (eu, o Clementino e pela cara, a Josefina), que não sabíamos quem era este tal de Teotônio, ficamos sem entender merda nenhuma, lógico! Bem... daí a tal da dona, num momento de lucidez, chamou pelo nosso patrão Adalberto. Pronto... começava a fazer algum sentido aquela ligação.

Chegou, quer dizer, veio arrastando o Adalberto até o telefone para atender a tal chorona e vimos a boca do patrão se abrindo, como que não tivesse acreditando no que ouvia. Desligou o aparelho e falou com a sua esposa que seu amigo, Totó, havia ido para a terra dos pés juntos. Aí você já sabe, né, como estes humanos se comportam quando um deles bate as botas: põem as mãos no rosto, choram igual criança e neste ritual vão se vestindo de preto para ir ao velório. Arrumaram os dois, Josefina e patrão Adalberto, e racharam o fora.

Quê? Confusão? Não viu nenhuma confusão? Ah, não... espera que a história ainda nem começou a esquentar. Bem... então ficamos eu e Clementino lá em casa, aguardando notícias do velório do tal do Totó (Totó para mim é nome de cachorro!) durante o dia inteirinho. Deu lá para as cinco da tarde e chegaram os dois, cansados de tanto tomar café com biscoito, mas a dona Josefina estava até espumando pela boca de tanto que perguntava alguma coisa para o Adalberto.

- De onde, Adalberto, de onde você conhece aquela mulher... aquela amante deste seu amigo?
- Amor... eu conheço de vista...
- De vista? A mulher... Adalberto do céu: se eu descobrir alguma coisa...
- Descobrir o quê, Josefina! Descobrir o quê?
- Adalberto... eu nunca pensei que iria presenciar uma cena como esta que vimos à pouco: a esposa e a amante do seu amigo no velório! Adalberto... estou até com medo de pergutar...


O caldo estava entornando, a batata estava assando, o Adalberto estava num mato sem cachorro, e o Clementino, aquele sofá safado vermelho, botando pilha para que a Josefina chutasse a panela que estava cozinhando o caldo e a batata do nosso estimado patrão, inclusive querendo soltar um mini pincher junto com uma matilha de dobermann's e rottweiller's sedentos de sangue atrás do patrãozinho. Rapaz, que sufoco... num velório e de repente a amante do defunto aparece para chorar em cima do caixão! Puta merda! E para piorar, depois de lacrimejar e ficar falando aquelas frases feitas, tipo "e agora, Totonhão, o que vai ser de mim sem você!" ou a clássica "voooooooooolta, meu amor, voooooooooolta!" (nossa, até arrupiei... sai, vudu!), a amante do tal do Totó (agora sabemos porquê o defuntão tinha este apelido) vai desabar logo nos ombros de quem? Dou-lhe uma...

- Adalberto, aquela cachorra da amante do seu amigo te conhecia, Adalberto! Te conhecia, seu cachorro!
- Mas amor...
- Mas amor uma vírgula! Eu quero saber, tintim por tintim, é como você a conhece!
- Mas amor...
- Sim... porquê se aquela, com o perdão da má palavra, se aquela galinha da amante do seu amigo te conhecia é porquê você também, no mínimo, andava fazendo poucas vergonhas por aí, nas minhas costas...


Complicou geral. Como eu, um pobre sofá, poderia salvar a pele do meu patrão nesta hora? É... não conseguia pensar em nada (e para piorar o praga do Clementino querendo arregaçar a bicicleta toda), não conseguia encontrar uma saída...

- Amor... eu já fui cliente daquela moça...
- Mas eu sabia que tinha sacanagem! Cliente... até sei que tipo de serviço que ela se prestava...
- Não... ela trabalhava num escritório de contabilidade, querida!
- Contabilidade, né... sei!
- E vou te contar uma coisa: os dois se conheceram por minha causa. O Teotônio estava procurando por um escritório de contabilidade e eu os apresentei. Depois de um tempo eles começaram a namorar, mas isso não é da minha conta. Afinal, o Totó era maior e vacinado!
- Você jura que é verdade esta história, amor?


Ah... eu adoro este meu patrão Adalberto! Ele seria capaz de me convencer que eu sou um armário de cozinha, aquele safado!

posted by : o Administrador desta empresa, uai!!!
3:25 PM


Quinta-feira, Agosto 25, 2005

- Acelera aí, meu filho... aceleeera!

- Atrasado, hein?
- Pois é, chefe... o ônibus quebrou!
- Mas de novo?


Quem mora em Nova Lima e necessita do transporte coletivo para vir trabalhar na capital sabe bem do que estou falando: a constante quebra de ônibus - por falta de manutenção, só pode! - nas estradas que ligam nossas cidades.

E o pior de tudo é que ninguém faz nada, a prefeitura não faz nada, a empresa de ônibus não faz nada, os passageiros não fazem nada, o D.E.R. não faz nada... e continuamos todos plantados no meio do caminho, no aguardo de outra lotação (que esteja andando, pelo menos) para seguirmos, assim, a nossa sofrida viagem, como bons cordeiros que somos. Sabe... eu já perdi a conta de todas as vezes que fiquei no meio do caminho, tanto na ida quanto na volta (que é bem pior, acredite!). Levantamos todos pela manhã com um objetivo, que é chegar no horário para nossos compromissos de trabalho, mas vez ou outra atrasamos para caramba por conta destes imprevistos prá lá de previsíveis.

Hoje aconteceu de novo, mas um quebrar, posso dizer, com final feliz! Para começar o martírio, pegamos um ônibus que já estava começando a bichar, uma engasgação terrível no motor, uma fraqueza para subir a avenida... era mais que previsível que iríamos ficar no meio do caminho. Dito e feito: o motorista, pelo espelho retrovisor, abria as canjicas enquanto tentava acelerar aquela carroça velha, sem resultado. E os passageiros? Ora... nós todos já começávamos a praguejar contra todos os órgãos que deveriam fiscalizar aquela pouca vergonha, praguejar contra o alto preço da passagem, praguejar por praguejar.

Pronto... morreu! Todos os passageiros, menos um tio já bem velho, em uníssono, expressaram sua revolta em murmúrios ditos pelos cantos da boca. O tio da cabeça branca então explicou para um outro passageiro (e eu, muito curioso que sou, ouvi) qual era o problema do ônibus: um tal de freio de motor que estava travando o acelerador! Sem mais prestar atenção ao que falava aquele senhor, desci do coletivo e fiquei aguardando outra condução para o trabalho junto com os outros revoltados passageiros. Quinze minutos depois, olha o ônibus funcionando de novo!

- Pois é, chefe... e olha desta vez demos uma sorte danada, porque dentro do ônibus estava um senhor de idade - que eu acho que já foi um grande mecânico de automóveis pesados no passado - que se enfiou debaixo do motor do bicho e com um cortador de unha e um grampo de cabelo consertou o freio que estava emperrando nossa viagem. Não faça esta cara de deboche... é a mais pura verdade, sô!
- Tá.. e você quer que eu acredite nisso...


Está ficando cada vez mais difícil, sabe? Melhor seria dizer que dormi mais que a cama... aí ele não iria duvidar!

posted by : o Administrador desta empresa, uai!!!
11:42 AM


Quarta-feira, Agosto 24, 2005

Tá osso!

Acho que fui cachorro na encarnação passada, só pode! Ou é isso ou nasci mesmo para gostar de angu!

E esta minha história com este fabuloso e nutritivo prato feito de fubá de milho (em alguns lugares conhecido por polenta), me acompanha desde quando era criança. Naquela época vivia à infernizar a vida da minha avó, rodeando o fogão para ficar com a colher que foi feita o angu. Mania boba de menino, eu sei, mas ia colocar isso na minha cabeça-dura! E fazia questão absoluta (aí da minha avó se não lembrasse de mim, ai dela!) de rapar até a velha panela de ferro que era levada ao fogão! Sim... depois da colher, comia também aquele angu que ficava na panela com um pouco de açúcar! Sério mesmo!

Como bem já sabem, eu adoro uma comida mineira... adoro aquela carne moída com bacon ou costela de porco feita no fogão à lenha, aquela couve bem fininha, arroz bem temperado, feijão novo e, logicamente, o angu. E se for de milho verde então, sai de baixo! Não... realmente, não há comida melhor, ao meu ver, do que esta aí que acabei de escrever.

Nossa... já está me dando fome, sabe? Aqui, vou te contar uma história: alguns dias atrás, lá em casa, arrumamos uma receita de angu à baiana que é fenomenal. Sabe como é feito? Você vai precisar de fazer um molho bem gostoso de carne moída, bem suculento mesmo. Quando o angu estiver pronto, coloque a metade dele num refratário e depois cubra com este molho de carne moída. Feito isso, venha com a outra metade da porção do angu e, por cima, uma generosa porção de mussarela fatiada e um restinho do molho, acrescido de muita salsinha e cebolinha picada.

Ah... quando minha esposa faz esse prato é muito difícil sobrar alguma coisa para o outro dia (se é que se sobra alguma coisa). O bom mesmo é comer enquanto está quente, comida que chega à queimar língua de tão gostosa. O bom mesmo é ver o queijo derretido no meio daquele tanto de angu, aquela carne moída bem temperada com pedaços de bacon cortadinhos em cubos... não, não pode sobrar nada mesmo.

Olha... ontem, quando cheguei da faculdade, adivinha o que estava de braços abertos em cima do fogão me esperando? Ele mesmo, o tal do angu à baiana. Tsc... e eu não podia, em hipótese alguma, deixar aquela delícia de comida desperdiçar, né?

Matemática da noite toda? Vamos à ela:

cansaço + sono + [FOME x (angu à baiana)²] = - horas dormidas.


O resultado desta equação é mais do que lógica, ou seja, rolei a noite toda na cama, empanzinado, e não tinha Eno no mundo que me fazia melhorar daquele do mal estar estomacal! Eu sei que tenho que mudar meus hábitos alimentares, principalmente ao que se refere chegar em casa tarde da noite, jantar aquele prato exagerado (e exagerado de gostoso) e querer dormir, mas o problema é do danado do angu, seja ele à baiana ou tradicional, que me tira do sério!

É... estou vendo que meu "boa noite, estômago" vai acabar sendo, num futuro bem próximo, um saboroso biscoito Cream Cracker seco! Tá... com um golinho d'água para ajudar à descer...

posted by : o Administrador desta empresa, uai!!!
6:22 PM


Terça-feira, Agosto 23, 2005

- É promoção! É promoção!



- Tá baratinho, freguesa... tá baratinho, freguês!

Aqui nesta empresa vendemos e estamos tentamos vender idéias interessantes do meu cotidiano para o seu. Aqui, neste lugar de encontros, risos e sorrisos, não há muito espaço para o mau humor, ainda mais porque aqui, nesta sociedade exclusivamente feita para amigos, os acionistas retiram o pró-labore de muito alto astral é no ato da leitura de um post. Olha... fico muito orgulhoso de ter o trabalho reconhecido novamente, assim como fico muito orgulhoso de ter você como leitor.

Espero que todos vocês sejam bem atendidos e que voltem mais vezes para fazer a feira, aqui mesmo no Gerolino Incorporation, no Elucubrações Cerebrinas e agora também no Jornal do Blogueiro.

- É dois "real", mas se levar três deste aí é "cinquinho"... vai querer?

posted by : o Administrador desta empresa, uai!!!
8:40 AM


Segunda-feira, Agosto 22, 2005

- ... que voz!

Já conversou ao telefone com uma pessoa que nunca viu na vida e ao final de um rápido diálogo esta mesma termina com a célebre frase:

- Nossa! Mas que voz maravilhosa que você tem, hein? Nunca quis trabalhar com rádio, não?

Se sim é porque tem a sorte de possuir uma voz, por assim dizer, um tanto quanto diferente dos demais terráqueos, uma voz quem sabe num tom mais grave, uma boa entonação, uma bela dicção... enfim, é porque você tem uma autêntica voz de radialista, voz que desperta, principalmente junto ao extenso público feminino, o aguçamento da imaginação, capacidade que somente elas tem de "ver com a própria mente" a pessoa que está lá do outro lado da linha telefônica.

Vez ou outra isso acontece comigo: atendo uma ligação, me apresento, resolvo um determinado problema ou anoto algum recado e... lá vem de novo a mesma frase! Para falar a verdade, já me acostumei, por exemplo, de ao final de um extenso diálogo ouvir elogios à minha voz (mesmo elogios terceirizados), assim como também congratulações à minha formalidade, educação e presteza. Mas o que eu queria dizer aqui, o que é interessante mesmo de se comentar é justamente a imagem que nós, que possuímos uma bela voz, imprimimos na mente destes nossos conhecidos, estes que nunca vimos pessoalmente. Mas vem cá... às vezes as pessoas exageram muito idealizando esta determinada pessoa...

Certa vez uma amiga me contou uma história em que a sua vizinha se apaixonou perdidamente por um famoso radialista - ou pela voz dele. Ligava sempre para a rádio, conversava com ele, pedia músicas... mas nunca o viu pessoalmente, nem por foto, nem em revistas: era um autêntico e verdadeiro Lombardi. Um belo dia a moça tomou coragem e, ao telefone, convidou-o para o seu aniversário - e ele, cordialmente, aceitou o convite.

Chegado o dia, a aniversariante e todas as demais senhoras e senhoritas do bairro se encontravam em polvorosa, pois, afinal, iriam todas elas, sem exceção, conhecer o dono daquela voz grave que tanto despertavam naquelas mulheres as mais variadas fantasias durante muito tempo. Ninguém mexia no bolo e nos quitutes enquanto o radialista não chegasse, ninguém parava quieto e era um anda para cá e um anda para lá pela pequena casa, vários sapatos de salto-alto riscando a encerada tábua corrida, cabeças para fora da janela aguardando o tal homem da voz bonita e todas se digladiando em frente do espelho da cômoda conferindo o penteado ou se o vestido estava bem ajustado.

De repente chegou um carro e de dentro dele saiu um homem baixinho, barrigudo, careca e de bigode. As mulheres, que aguardavam impacientemente um másculo e jovial exemplar da raça humana ficaram estupefatas, de boca caída mesmo quando aquele tiquinho de gente perguntou, com a sua voz de radialista que só ele possuía e que todas ali sabiam de quem era, se era ali que morava a sua fã. Entrou o homem casa adentro e a cada vez que soltava palavras ao ar com sua possante voz, as convidadas, com suas pretensões amorosas juntamente com as falsas impressões que tinham daquele homem, caíam, uma à uma, por terra... e a fã, que antes idealizava uma coisa só por ela imaginada, se "desapaixonou" de imediato!

Viu? As aparências, juntamente com uma bela voz, às vezes enganam...

Observação: antes que alguém se manifeste, eu não sou baixinho, não sou barrigudo, não uso bigode... mas meus cabelos não são mais os mesmos... fazer o quê, né? Culpa do tempo de vida e da genética...

posted by : o Administrador desta empresa, uai!!!
11:57 AM


Sexta-feira, Agosto 19, 2005

Bateria.


Voltei à tocar bateria com um grupo de amigos sábado passado.

Foi uma decisão, por assim dizer, tomada somente por mim com base no que dizia o meu coração. A razão, esta sempre tão sabedora de mim e dos meus próprios e inúmeros defeitos, me mandava ficar longe, muito longe dos ensaios, dos encontros para decidir as músicas à serem tocadas, das futuras noites levando o instrumento de um lado para o outro e principalmente ficar longe dos solos de guitarra e do som grave do contrabaixo pulsando em meus ouvidos. Mas como obedecer a razão se é o coração que te impulsiona, se é justamente ele quem bombeia ótimas vibrações através do sangue, dos movimentos meus e seus, do ritmo compassado e da falta dele que ouço nas coisas ao nosso redor?

Fazer sons, diversos sons em tons azuis, tocar bateria... a gente, quer dizer, eu pelo menos, não consigo fazê-los sozinho. Tenho sim o instrumento lá na minha casa, estático faz tempo por cima do tapete, imitação persa barata de tapete comprado especialmente para a bateria - mas tapete útil como ele só, porque somente aquele emaranhado de fios vermelhos e pretos conseguem segurá-la no liso chão do quarto construído, até agora, para ela. E da bateria, qüieta, não mais saía som algum...

E tudo o mais fica parado, como se aguardasse de alguma forma um momento de quebrar o marasmo de decibéis num futuro: as baquetas foram guardadas num canto quase esquecido entre o bumbo e a caixa; dos pratos tiro o pó que se acumula quase que diariamente e limpo, mês sim mês não, o negro do vinil que junta, imperceptivelmente, várias partículas, minúsculas partículas de pequenas sujeiras diversas que poderiam nem ali estar caso o instrumento soasse forte pelo menos alguns dias da semana. Mas havia sempre um dia do ano que eu a limpava completamente, mas sempre em silêncio, um silêncio ainda movido pela razão e pela saudade.

Com toda a certeza do mundo, acho que sou viciado em fazer música. Tomara que a razão um dia me perdoe...

posted by : o Administrador desta empresa, uai!!!
3:13 PM


Quarta-feira, Agosto 17, 2005

Ó... eu não sou pobre?

Incrível... descobri hoje que não sou pobre! E sabe quem me falou isso? Foi um amigo corretor de imóveis que procurei por volta do meio-dia, solicitando à ele um pequeno auxílio para me ajudar a comprar uma outra moradia gastando o meu fundo de garantia. Sim... este mesmo, o meu FGTS, quantia razoavelmente boa que neste exato momento está a fazer borbulhas d'água numa conta mensalão, quer dizer, de gestão aí qualquer do nosso estimado Governo Federal. Pois é... eu queria pegar esta onda de financiamento de imóveis pela Caixa Econômica e, sei lá, comprar um modesto apartamento aqui mesmo na cidade para, quem sabe, ganhar algum alugando-o (iria quebrar um galho danado com as mensalidades da faculdade!).

Pois é... mas só pobre, nem tão de marré assim, que pode desta vez. E eu descobri, abestalhado, que não sou pobre (não é caso para rir, viu?), sou um "não pobre", e tudo isso porque o meu contracheque mentiroso junto com o da minha "nêga" não nos deixam mentir (sozinhos). Somos mais ou menos pobres, medianos, nem classe rica (aí seria demais!), nem classe pobre, estamos num tipo de limbo, num meio termo desta sociedade consumista brasileira, classe sofrida, indicada por alguém deste sistema aí para pagar praticamente todas as taxas que se criam neste Estado e deste jeito vivemos (até quando ninguém se sabe) conforme a dança dos juros, os rebolados dos aumentos de preços, os passinhos das oportunidades profissionais e dos shows artísticos e de teatro que quase nunca vamos por falta de verba orçamentária. Impressionante... e o cara - que não tem nada à ver com isso - me falou que eu não sou pobre! Olha... por conta desta informação governamental, de um valor previamente estipulado por pessoas que, sei lá, olham para baixo e pensam "até este valor, pobre; deste para cima, classe média" não pude comprar o bendito do apartamento com o meu dinheiro, dinheiro meu, suado, depositado mês após mês, quantia esta que vou ver somente se e quando sair deste emprego atual, totalmente corrigido "sempre por baixo", porquê quem não é pobre no Brasil não tá precisando de grana.

E a oportunidade que me apareceu vai passar... quer dizer, neste momento já passou! Poxa... eu ia pagar o resto do financiamento direitinho, seu moço, e nunca dei tombo em ninguém!

Tô bobo... eu não sou pobre e precisei de um corretor de imóveis para me dizer isso, na lata (palavras deste meu amigo: não vai poder pois, pelo Estado, vocês não são pobres! Hahaha!)! Estou tão passado comigo mesmo e com minha atual posição nesta pirâmide social que acho que vou pegar uma caroninha no próximo avião que for levar o elenco de América para Miami... mas pelo que está me dizendo minha carteira, o máximo que deve rolar é assistir a Tati Quebra-Barraco num daqueles bailes funks da periferia carioca (se for mais de R$ 10,00 fico lá fora mesmo tomando umas latinhas!).

Ô vida dura é esta nossa de "não pobres quase sem nenhuma grana"! E viva as estatísticas...

posted by : o Administrador desta empresa, uai!!!
6:04 PM


Terça-feira, Agosto 16, 2005

Acabou mesmo?

Tudo nesta vida se perde ou se acaba, desde o presunto e a mussarela que compramos no supermercado e que deixamos guardados na gaveta da geladeira, esquecidos naquele compartimento feito exclusivamente para pessoas como eu e você se esquecer de coisas lá colocadas, até o pequeno aparelho de celular viajando num bolso de uma calça folgada, telefone este que você perde uma única vez e nunca mais encontra na vida. Mas uma coisa que a gente não deveria perder nunca é a tal da paciência.

Taí coisinha fácil de se perder. No trânsito se perde, nas filas intermináveis para o caixa do banco se perde, assistindo, no conforto de seu lar, um jogo de futebol com seu time perdendo de um outro horrível se perde também, com a conexão discada para acessar a internet... resumindo bem a questão, perdemos a paciência por qualquer coisa à toa, à toa.

E basta uma pequena fagulha, um click ou uma atitude que a gente não concorde, qualquer coisa serve de estopim para a paciência entrar em combustão e queimar, desaparecendo misteriosamente de dentro da gente (como se morasse conosco a bendita), deixando no seu lugar algum outro sentimento, como a raiva, como o desprezo, como a simples falta de paciência.

Alianças são desfeitas e jogadas no lixo, amigos são postos de lado, aquela visão otimista de que tudo vai dar certo desce pelo ralo, você acelera e bate no carro da frente, tudo, tudo acontece ou pode vir a acontecer quando perdemos esta coisa, este treco, esta tal da paciência.

Paciência. Já perdeu a paciência por alguma coisa qualquer? Já... eu aposto que você já! A gente toma certas atitudes assim, no calor da raiva, das fortes emoções... e, quando percebemos, já foi! É ou não é?

Mas o ruim de quando a gente perde a paciência é que também ficamos com o humor prá lá em Bagdá, no meio do tiroteio das onze e dos carros-bomba das quinze para as cinco... e achando ruim por causa do calor e da areia dentro do sapato.

Sabe... queria até escrever alguma coisa engraçada, mas estou sem um pingo de paciência hoje...

posted by : o Administrador desta empresa, uai!!!
2:00 PM


Sexta-feira, Agosto 12, 2005

E quem disse que homem não chora?

Todo mundo sabe que homem não gosta de se mostrar frágil perante os outros da sua espécie, expor suas lágrimas em público ou, como diriam nos recônditos vilarejos mineiros, abrir o berreiro. Eu, em certo ponto, até concordo com isso... pois chorar em público é um tanto quanto embaraçoso.

Ver um homenzarrão debulhando-se em lágrimas em plena avenida é um fato digno de uma bela fotografia - além de ser memorável e quase raro de ser ver - e que poderia, quem sabe, render ao perspicaz manuseador da máquina um provável prêmio numa destas revistas especializadas.

Já passou andando pelos grandes centros urbanos e viu, por exemplo, um homem chorando num cantinho qualquer entre uma rua e outra? Eu já vi, isso sim, algumas mulheres se esvaindo em lágrimas, chorando copiosamente enquanto aguardam o ônibus e, neste meio tempo, vão enxugando seus olhos vermelhos incessantemente, mas sempre tentando preservar a maquiagem - aliás, esta é uma atitude que muitas delas fazem quase que instintivamente: choram, mas tentam permanecer o maior tempo possível com o rímel e o lápis creon em torno dos olhos. E o que outras pessoas que não tem nada à ver com aquilo, que não sabem o porquê daquele chororô, ficam pensando? Ora... muitas coisas passam por nossas cabeças, como que se ela acabara de brigar com o namorado, foi assaltada por um trombadão, que perdeu alguém muito importante num acidente ou que outra pessoa muito querida por ela está convalescendo num leito de hospital... ou seja, são muitas as possibilidades que culminam no surgimento de várias lágrimas nos seus rostos, qualquer emoção forte que a faça estar naquele estado.

Mas homem, não... homem dificilmente chora em público. Ele fica é remoendo aquela angústia toda no peito, mas não derrama uma lagriminha sequer. O que aquele motorista vai pensar quando parar o ônibus no ponto e perceber as lágrimas desaguando dos olhos do fiscal de trânsito? Ou o que vão achar que está acontecendo com aquele frentista mau encarado, encostado na bomba de gasolina e chorando sem parar? Não... homem não chora em público.

Este foi meu pensamento logo depois de distraidamente sentar a canela naqueles canos pintados de amarelo e preto, estes mesmos feitos de ferro fundido e que ficam à meia altura, chumbados no passeio e que servem, além de quase aleijar o transeunte distraído, para evitar que automóveis não invadam o espaço reservado para entrar e sair de uma determinada garagem.

Homem não chora... mas que fala palavrão à toda altura na rua, isso fala...

posted by : o Administrador desta empresa, uai!!!
2:16 PM


Quarta-feira, Agosto 10, 2005



Josefina: Adalberto, amor... peraí... deixa eu explicar...

O marido estava soltando fogo pelas ventas, berrava e gesticulava sem parar. Josefina tentava, em vão, se explicar, dizer alguma coisa que a ajudasse no meio daquele emaranhado de resmungos e "quem é este cara", frase que volta e meia saía rispidamente dos lábios de Adalberto.

A mulher já não agüentava mais e voltou para o quarto, sendo seguida pelo nervoso marido. Na sala, os sofás se entreolhavam, abismados com a cena que acabaram de presenciar.

José Uoshington: Entendeu alguma coisa?
Clementino: Nada... quer dizer, mais ou menos...
José Uoshington: Olha... nunca vi o patrão tão nervoso... alguma coisa grave aconteceu!
Clementino: Mas isso é lógico! Mas o quê?

A porta fechada abafava o som das vozes de Adalberto e Josefina. Novamente ouviram-no perguntar sobre uma certa pessoa... e a discussão começava novamente.

Clementino: Ouviu?
José Uoshington: Ouvi!
Clementino: Estão brigando por uma pessoa!
José Uoshington: Porquê que eu não nasci criado mudo, meu Deus... dava tudo para estar naquele quarto...
Clementino: Bate na madeira! Criado mudo? Já se imaginou criado mudo, Uoshington? Deus me livre...
José Uoshington: Ah... mas só para poder saber o que é que tá rolando naquele quarto...
Clementino: Grande coisa... o que adiantaria ficar sabendo se não poderia contar para o resto do pessoal?
José Uoshington: Olha, Clementino... você me entendeu muito bem, não entendeu?
Clementino: Entendi... mas para quê ficar chamando mau agouro? Vai que na próxima encarnação você não vem como [batendo três vezes na madeira] - Deus me perdoe - criado mudo? Vai, besta...
José Uoshington: Tá bom, Clementino... mas o que eu não daria para poder saber o que eles estão falando...
Clementino: Falando não, berrando! Se esta porta estivesse um pouquinho só aberta...
José Uoshington: Pois é...
Clementino: Escuta, escuta...
José Uoshington: ...
Clementino: ...
José Uoshington: Não estou ouvindo nada!
Clementino: Pois é... pararam!
José Uoshington: Pô... sacanagem...


A porta se abre e do quarto do casal sai uma Josefina, toda chorosa, em direção à cozinha! Trouxe de lá um copo d'água com açúcar e passou a misturá-lo, rodando o líquido com a colher por diversas vezes. Parada em frente à sala, a mulher desaba à chorar, sendo imediatamente acalentada por seu sofá mais velho.

Clementino: Fica assim não, querida... independente do quê está te fazendo mau, fique sabendo que nós, eu e o Uoshington, estamos com você, para o que der e vier!
José Uoshington: Isso mesmo, patroa! Ele não te merece!
Clementino: Quê?
José Uoshington: Ele é um grosso, não sabe como se trata uma mulher!
Clementino: Hã? Peraí, Uoshington...
José Uoshington: Peraí não! A senhora não tem que admitir que ele levante a voz, jamais! Onde se viu? Não há mais respeito nesta casa...
Clementino: Uoshington, Uoshington... você por acaso não está...
José Uoshington: Exagerando? Você viu como ele falou... falou não, gritou?
Clementino: Ouvi...
José Uoshington: Porquê que vocês discutiram, patroa! Porquê??

A mulher, soluçando, começa a formar algumas pequenas frases inaudíveis!

José Uoshington: Fala, pelo amor de Deus, mulher...
Josefina: É... é... é que eu troquei o nome do Adalberto!
Clementino: Como?
Josefina: Troquei o nome... troquei, chamei meu marido por outro nome!
José Uoshington: Tipo... outro nome? Que outro nome? Peraí... não estou entendendo mais nada...
Josefina: Chamei-o por outro nome, só...
Clementino: Ave Maria... e vocês estavam só conversando ou estavam fazendo...
José Uoshington: A esta hora da noite? O que você acha, Clementino?
Josefina: É... o que você acha, Clementino?
Clementino: Que sim, oras!
José Uoshington: Para o homem estar bufando deste jeito, só naquela hora mesmo...
Clementino: Que balde de água gelada!
José Uoshington: Que broxada! Tem razão dele estar espumando pela boca...
Clementino: Uoshington!
José Uoshington: Mas é verdade! Os dois lá, no rala-e-rola, e a senhora troca o nome do seu marido por outro... ah, me desculpe, mas isso não é coisa que se faça! Nem por querer... imagine sem então!
Clementino: Uoshington!
José Uoshington: Uoshington, Uoshington... estou falando na boa, mesmo! E se fosse com você, Clementino... de repente a sua almofadinha de longa data te grite por "ai, Teotônio, meu amor!"... francamente, não há tesão que resista...
Clementino: Uoshington...
José Uoshington: E tem mais... dependo do nome, piora a situação! Quem a senhora...
Clementino: Aí é demais! Não vê que pobre da Josefina está se esvaindo em lágrimas. Ela, com certeza, não merece este sermão seu...
José Uoshington: Mas eu só estou tentando ajudar!
Josefina: Chamei-o pelo nome do professor de Tae Kwon Do do 512...

Se sofás tivessem boca, elas estariam abertas neste momento...

continua...

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3:58 PM


Segunda-feira, Agosto 08, 2005

Sua ajuda é sempre bem-vinda!

A bicicleta vermelha chegou embalada como presente. Aproveitando da noite, horário que todos já se encontravam dormindo, o pai cuidadosamente a posicionou bem embaixo da árvore enfeitada com adornos natalinos e lâmpadas pisca-pisca, bem junto de outros presentes endereçados à pequena Thaynara.

Tornou-se dia e a menina se apaixonara de imediato por aquele brinquedo, a tão sonhada "bike" que tanto falava e almejava um dia ganhar. Andava para todos os lados a Thaynara, sua bicicleta e as rodinha laterais, este último seu primeiro apoio desta jornada que ainda estava por vir. Foi tomando gosto em pedalar, passava horas e horas, se deixassem, na varanda de sua casa ou na rua quase sem movimento no tranqüilo bairro em que cresceu. Começava a conquistar a bicicleta.

Corajosa, em pouco tempo livrou-se do seu primeiro apoio. Teve, inegavelmente, a ajuda de seu pai que sempre a incentivava, estando sempre ao lado da filha, auxiliando-a quando mais precisava. Foi ganhando mais e mais coragem a cada pedalada, a cada aumento de velocidade que imprimia na bicicleta vermelha ao descer a rua. Juntou à uns amigos, todos praticamente da sua idade, e agora punha-se a percorrer pequenos trajetos acidentados, brincadeira que enchia de temor o coração de sua mãe e que enchiam de orgulho o peito de seu pai. Tomou gosto por enfrentar desafios, estes, cada vez maiores: tomou gosto pelo bicicross.

Não sei de quem foi a idéia, juro, mas a inscrição em pequenos torneios fizeram brilhar os olhos da menina de sete anos. Largava, corria, pedalava muito, sobrepujava obstáculos com certa facilidade, ganhava... sim, começava a ganhar! O primeiro lugar numa disputa fez, desta vez, os olhos de seu pai se encher de orgulho e lágrimas. Ela ganhou, ela estava ganhando... não só uma, mas duas, três, quatro vezes no lugar mais alto do pódio. A paixão pelo bicicross e a vontade sempre crescente fê-la uma pequena vencedora. Em 2004 sagrou-se campeã metropolitana e campeã mineira na sua categoria. Neste mesmo ano obteve a quinta colocação no campeonato brasileiro, quando disputou somente uma das cinco etapas - a que foi realizada em Betim/MG - não comparecendo às outras por falta de patrocínio. Neste ano de 2005 já acumula primeiros lugares em todas as provas que participou, como o Campeonato da cidade de Betim, Campeontato Metropolitano de Belo Horizonte, Campeontato Mineiro e Campeontato Brasileiro de Bicicross, todos estes ainda em andamento.

Mas até quando vai durar o sonho desta criança? Por enquanto, a família e amigos da menina da bicicleta cross amarela - sim... ela ganhou uma nova bicicleta, própria para saltos, de uma pessoa que a viu ganhar uma competição - vão, à duras penas, conseguindo com que ela participe de campeonatos regionais e nacionais, fazendo com que seus esforços, seus únicos e valorosos esforços, junto com a inegável vontade de vencer e o talento nato desta atleta mirim, conste o nome da pequena Thaynara Morosini Chaves, de apenas 10 anos, como a melhor colocada em sua categoria no Brasil. Mas, infelizmente, somente contando com o apoio financeiro e emocional da família e amigos, que é e sempre será de grande valia, o sonho e a vontade sempre crescente de Thaynara em conquistar mais e mais títulos poderão vir por terra, como se a pequena vencedora um dia fizesse uma manobra rápida numa curva acentuada e não conseguisse mais controlar o guidom de sua bicicleta. Thaynara precisa urgentemente de patrocinadores, pessoas e empresas que como ela acreditem no sonho de uma criança, um sonho bonito de corridas vencidas com esforço, dedicação, alegrias e poeira: ser campeã nacional e internacional feminino de bicicross.


Agora você, amigo leitor, blogueiro ou não, aposto que deve estar se perguntando: como poderei ajudar a pequena Thaynara? Eu pensei que você poderia vir a ajudar enviando esta mensagem para alguém que, assim como você, acredite no potencial desta jovem atleta e que possa vir à patrocinar a nossa pequena competidora. Com a sua ajuda, esta mensagem chegará inevitavelmente às empresas que acreditam no potencial dos jovens atletas brasileiros e quem sabe possam vir a contribuir para o sonho de conquista e realização da Thaynara, contatando seus pais através do telefone (031) 3535-7380 / (031) 3052-0922 ou pelo endereço eletrônico alvessieliza@ig.com.br .

O primeiro passo já foi dado... o que você acha de ajudar também?

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5:34 PM


Sexta-feira, Agosto 05, 2005

O dia em que todo mundo saiu de casa.


Poderia ter levado seu vestido para trocar amanhã ou outro dia qualquer, mas como sempre foi bastante ansiosa (e isso veio de família), aprontou rapidamente e foi à loja. O outro levantou, olhou para o céu e resolveu tirar seu carro da garagem: não estava com a mínima vontade de ir trabalhar usando o serviço do metrô. A outra moça, que inicialmente iria arrumar seu quarto naquele dia (o guarda-roupa dela estava daquele jeito), mudou repentinamente de idéia e foi passear, quem sabe atrás de uma oferta-relâmpago num destes grandes supermercados do centro da cidade. O aposentado também estava lá, parado na rua em frente à uma cafeteria, conversando com outro cidadão que teve também o mesmo ímpeto que todos tiveram naquele dia: sair de casa.

A babá foi trabalhar, chegou na casa da patroa, colocou o pequeno num carrinho de bebê e foi tomar um sol na praça. O estudante e a sua namorada mataram aula e ficaram perambulando pelos corredores do shopping. Sempre de mãos dadas, os jovens enamorados não encontraram uma mesa sequer para se sentar e tomar um refrigerante, não foram de primeira bem atendidos no flipperama, não havia um lugarzinho tranqüilo para se abraçarem... mas se bem que, no fundo, eles acharam aquilo tudo muito divertido. O motorista de ônibus já não agüentava mais tanta confusão no trânsito (e isso dá para ver na cara dele, olha lá!), mas ele não sabia e nem teria como saber que mundo "resolveu resolver" qualquer coisa na rua, ínfima que seja, neste bendito dia.

As ruas pararam. O Moacir, que sempre detestou a agitação do trânsito (gostava de dirigir somente no domingo, da casa para a missa, da missa para a casa), hoje se encontrava preso nele. Não sabia porquê cargas d'água levantou de sua cama, tomou o café que sua esposa amavelmente preparou e resolveu levá-la ao serviço, lá do outro lado da cidade. Seria pela noite agradável que teve? Seria porquê estava de férias, ocioso ou receoso de não desgrudar da frente da televisão? Não sabia ao certo o porquê, mas tinha plena consciência que não chegaria antes das onze horas: ninguém andava, os cruzamentos estavam completamente fechados, buzinas aqui, acolá, apitos insistentes dos guardas de trânsito que nada resolviam, sinais abertos e fechados, e Moacir e sua esposa, parados, aguardando todos aqueles carros à sua frente desaparecerem para que enfim pudessem seguir sua longa jornada.

Ninguém atendia a campainha, porque hoje foi o dia em que todos resolveram sair de casa. Os carteiros, velhos conhecidos dos cães e dos números afixados nos muros e grades, faziam suas tarefas com precisão de um relógio, mas em contrapartida, o rapaz da Companhia Energética ficava perambulando de um lado para o outro, apertava a campainha daqui, batia palmas de lá... e ficava sempre à ver navios. Ele e o moço da Companhia de Água. Olhavam um para a cara do outro, sem entender direito, e punham-se à percorrer as ruas lotadas de automóveis, ônibus, caminhões e motos velozes, com suas pranchetas em punho, campainha apertada daqui, palmas e "ô de casa" de lá, mas ninguém os atendiam.

Isso tudo porque hoje foi o dia em que todos saíram de suas casas. Todo mundo nas ruas, mas não se tratava de revolução nem de passeata: simplesmente, todos resolveram, ao mesmo tempo, ir ali.

E eu também.

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2:54 PM


Quarta-feira, Agosto 03, 2005

O céu é verde!



Será que tudo o que enxergamos é como nos disseram que é na verdade? Já parou para pensar que possivelmente você foi condicionado a ver as coisas de um certo modo que outras pessoas ou grupo de pessoas queriam que você assim as visse? Será que o céu não é azul, é de outra cor qualquer?

- Olha, minha filha... aquele carro ali parado é azul da cor do céu!

O pai enxerga o céu azul, pois também foi condicionado pela sociedade de que aquilo lá em cima da sua cabeça é azul. Mas e se ele enxergasse uma outra cor no céu? E se ele enxergasse, por exemplo, verde? Pronto... o céu é azul, mas para ele, o verde é azul. Aquele carro parado, azul, para ele seria azul também, mas ele enxerga o verde como azul.

Complicaria se não houvesse uma certa ordem em exemplificar e catalogar cores, indicando objetos relacionados com elas: planta verde; fogo vermelho; sol amarelo. Agora sim, tudo ao redor estaria na maior paz possível, porque se por um acaso uma outra pessoa fosse apresentada ao céu e o enxergasse vermelho, tudo faria sentido, a ordem global das cores não se abalaria e o ciclo não se romperia.

- A cor do céu é azul!

Mais uma pessoa condicionada, desde pequena, a enxergar uma cor como outra, o vermelho como azul. O vermelho, assim como o verde, agora é azul. O carro azul não deixaria de ser azul, mas para o primeiro, o verde é azul, e para o segundo, o vermelho é azul.

E o céu? Ah... o céu continua lindo, em qualquer espectro de luz! Mas que para mim a cor é azul, isso é!

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12:30 PM


Segunda-feira, Agosto 01, 2005



Tarde da noite. Josefina, com os olhos quase fechando por conta do sono, atravessa a sala em direção à cozinha. José Uoshington e Clementino percebem a movimentação e ficam de olhos abertos. A mulher demora um pouco; ouve-se o barulho de água caindo dentro de um copo; ouve-se o silêncio; ouve-se os passos arrastados da sonolenta esposa seguindo em direção ao quarto. A porta é fechada.

O relógio marca o passar do tempo com seus tic-tac's. Eis que surge novamente Josefina, mas desta vez com um livro em suas mãos...

José Uoshington: Sem sono?
Josefina: Uáááááh... mais ou menos, Uoshington...
Clementino: Vimos que passou agorinha mesmo para a cozinha...
Josefina: ... tentando ver se achava um pouco de sono, mas Adalberto...
José Uoshington: O que tem o patrão?
Josefina: Ah... ele tá com um sono muito estranho...
Clementino: Estranho como?
Josefina: Estranho estranho, está se remexendo todo, sei lá...
Clementino: Tsc! Sono muito pesado, aposto! Deve ter comido algo de difícil digestão antes de ir para a cama!
Josefina: Hummm.... até que não! Para falar a verdade, ele chegou e nem quis jantar...
José Uoshington: Gente... deixa o patrão dormir! Coitado...
Josefina: É... por isso que eu vim para cá ler um pouco! Quem sabe se daqui a meia hora Adalberto não páre de falar dormindo?
Clementino: Como? Patrão Adalberto conversa quando está dormindo?
Josefina: E como!
José Uoshington: Meu Deus do Céu! Que perigo!
Josefina: Não tem perigo nenhum não, Uoshington! Ele sonha e fica falando umas coisas bestas... mas que me incomoda muito!
Clementino: Nossa! E você, que tem um sono leve...
Josefina: Pois é! Qualquer coisinha eu desperto!
José Uoshington: E o que o patrão fala? Tipo assim... ele sonha, quer dizer, será que ele também sonha, assim dizendo, ele trabalha muito, será que ele...
Josefina: Sonha com o trabalho?
José Uoshington: Sim... será que ele sonha que está mexendo com seu computador, ou atendendo um fornecedor, ou quem sabe até em reunião...
Josefina: Hummm... mais ou menos! Quer dizer, eu acho que sim...
Clementino: E hoje, Josefina, o que você acha que ele está sonhando?
Josefina: Hoje? Com cerveja, acredita?
José Uoshington: Cerveja?
Clementino: Sério mesmo? Cerveja?
Josefina: É sim... agora mesmo ele me acordou com o seu "conversar dormindo" e virando de um lado para o outro da cama, falando "devassa, devassa gostosa"...
Clementino: Mas Josefina... aí tem alguma coisa de muito errada...
José Uoshington: Com certeza, Clementino! A senhora tem que levar o patrão Adalberto urgentemente à uma destas reuniões dos Alcóolicos Anônimos, porquê quando se começa a sonhar com birita assim, sei lá... pode ser um sinal, um alerta!
Josefina: Será?

posted by : o Administrador desta empresa, uai!!!
2:03 PM


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