Segunda-feira, Maio 30, 2005
Chuveiro
Você, quase meia noite e chegando em casa cansado do batente diário, entra no banheiro. De repente, tomando aquele relaxante banho quente que tanto gosta, ouve um estalo acima da sua cabeça. Tem espuma de sabão nos seus olhos e você, num dado momento de extrema coragem (lembra de quando era criança e sabão entrou no seus olhos? Ruim né... aposto que tem ojeriza até hoje!!), enxerga o chuveiro fumegando por uma pequena fresta, com um cantinho aberto sem sabão do olho, aquela fumaça preta subindo, fazendo uma marca negra na cerâmica. O cheiro de plástico queimado toma conta do banheiro coberto de vapor d'água e a única coisa que passa pela sua cabeça é que aquele meio líquido e gasoso que está, naquele momento, enfurnado, é um ótimo condutor elétrico: contando com um pouco menos de sorte, certamente você vai tomar um choque e morrer eletrocutado.
- Merda... mas justo agora?
O chuveiro lá de casa queimou deste jeito no ano passado. Era um chuveiro bonito que só vendo, um Maxi-ducha prateado, destes mesmos que são fixados na parede e que jogam um jato d'água longe que só vendo. E a pressão? Ah... me deu um pouco de saudades lá da cidade de Araxá, de um hotel que possuía chuveiros magníficos (chegava até a doer o corpo de tanta força que saía aquela água quente). Mas voltando à "vaca fria", o meu chuveiro queimou quase no final de setembro do ano passado e eu, para não desembolsar uma grana preta (este chuveiro é caro mesmo: está valendo hoje "duas onças, uma arara e uma garça" e mais algumas moedas), consertei o danado. O grande problema é que ele ficou eternamente no verão, por conta de uma danada de uma peça de plástico que derreteu com o calor do pequeno curto-circuito. Pronto: por causa da necessária economia, tomaríamos banho, a partir daquele dia, com aquela água morna, morninha... nada à ver com aquela ducha "pelando fogo" que estávamos acostumados.
Passou, finalmente, aquele finalzinho de inverno, veio a primavera, o verão... e o chuveiro lá, firme e forte! Neste outono o bicho pegou: tivemos, de vez, que nos desfazer do velho presente de casamento (foi o primeiro nosso o chuveiro prata). Não estava dando mais para levantar nestes dias frios (e olha que está começando ainda o frio) e olhar, a gente aqui em baixo, ele lá pregado na parede, o já cambaleante Lorenzetti jogar aquela água meia-boca no corpo quem acabou de sair debaixo das cobertas.
Ah... como é bom um chuveiro novo. Que saudades daquele banho de água quente, quentona, quente para chuchu e escalda a pele (o melhor disto tudo é a opção de escolha que temos: uma maravilha) nas frias manhãs deste outono; que saudades de embaçar o espelho e o box de vapor d"água. Sabe que a gente levanta até mais bem disposto?
É... agora estou com medo mesmo é da conta de energia elétrica: esta sim, e não a água quente do novo chuveiro, que vai arrancar o meu couro neste inverno.
posted by : o Administrador desta empresa, uai!
3:30 PM
Sexta-feira, Maio 27, 2005

Planeta Terra, ano 2.089 d.C.
Um dia se encontraram por obra do destino, o astronauta audaz e a cientista ciumenta. Ele, tímido ao extremo, quase sem amigos, o espaço sideral como objetivo. Ela, como toda moça ciumenta, era por demais possessiva, incrédula, impassível e tinha o casamento com o astronauta como meta.
Já noivos, recebeu o rapaz uma solitária missão de singrar o cosmos por um determinado período de tempo. Ela, um pouco triste com o acontecido, inventou e deu de presente à ele uma andróide em que tomou como modelo si mesma, a noiva, inclusive com padrões cerebrais idênticos à criadora: corpo, olhos, cabelos, gênio... todos iguais. Não ficará só durante a viagem - falou ao entregar o invento à ele.
Nos dois primeiros meses de missão, a bela andróide teve um acesso de ciúmes do aventureiro espacial, alegando que passava mais tempo observando as estrelas do que dava atenção à ela. Mais dois meses se passaram e já implicava por conta do videocomunicador, do tempo gasto com a manutenção dos aparelhos da nave, achava que gostava mais da Constelação de Capricórnio do que dela.
O astronauta, que entendia um pouco de quase tudo, resolveu modificar o presente. De uma hora para outra, tornou a andróide, corpo e gênio igual à cientista que ficara na Terra, mais compreensiva, mais amiga, mais companheira... menos possessiva. Não mais implicava com as estrelas, nem com as constelações, nem com o tempo que gastavam na manutenção dos aparelhos daquela nave. Trabalhavam juntos, conversavam mais, não havia lugar para o ciúmes.
Nunca mais voltaram à Terra...
posted by : o Administrador desta empresa, uai!
9:56 AM
Terça-feira, Maio 24, 2005
É aniversário de quem mesmo?
Há exatos dois anos postei aqui, nesta "empresa", um powerpoint. Uma singela obra, uma pequena materialização de um pensamento, um restinho de um riso dado numa noite fria de outono, uma idéia.
Ficou interessante, eu confesso, o catalisador do que viria a ser a nossa empresa: Gerolino Incorporation - vamos dar um basta na violência. E pronto, sem nenhuma pretensão, fora lançada a pedra fundamental deste blog, lugar de chegar, clicar, ler, sair rindo e ficar com vontade de voltar no outro dia (assim me falaram uma vez). E deste mesmo jeito, neste mesmo batido da lata, passamos dois anos, eu e você, caríssimo acionista, trocando informações, um levando ao outro um pouco de alegria, alto astral, vendo se aí na sua terra está chovendo ou não (aqui tá frio pacas... mas logo vai esquentar, eu sei: trouxe uma blusa de lã comigo), às vezes um caso que requer uma atenção especial, coisas do cotidiano, coisa de estarmos simplesmente nos comunicando.
Acredite: dois anos se passaram, dois anos de blog... e hoje a festa é nossa! Obrigado por vir... ah, e pode deixar o presente logo aí embaixo: depois a gente abre juntos, ok?
PS.: se quiser que eu te mande o "vamos dar um basta na violência", deixe seu e-mail...

posted by : o Administrador desta empresa, uai!
10:16 AM
Segunda-feira, Maio 23, 2005
Querido diário:
Aqui em São Paulo meu Adalberto é muito diferente, como já disse: muito preocupado com tudo, sempre olhando para os lados, quase como se estivesse pressentindo alguma coisa de ruim prestes a acontecer à qualquer instante. Deve ser por conta das notícias da televisão, dos rádios e jornais, estes que relatam os assaltos, os seqüestros... credo! Acho que por causa disto ele queria me colocar dentro do ônibus de volta para casa, só pode! Mas eu ia deixá-lo naquela loucura toda? Na-na-ni-na-não... aonde ele fosse, eu queria estar atrás. Comigo não tem desta, não... porquê se Adalberto pode, eu não posso? Se ele pode, por exemplo, correr perigo de vida ou de ser subtraído enquanto anda pela Paulista, eu também posso! Estamos nesta juntos ou não?
Como mulher esperta que sou, percebi que Adalberto não queria me deixar sozinha, percebi que queria me mostrar aquela cidade toda, fazer um tour comigo. Tentou, antes da gente chegar, ligar desmarcando o encontro... mas parece que não deu tempo. Chegamos onde ele teria uma reunião de negócios com seus sócios, um lugar bonito que só vendo, um prédio enorme, vidros escuros.... lindão o lugar! Bem... foi nesta hora que me aconteceu uma coisa estranha demais. Meu marido me perguntou se eu estava afim de usar o toalete (e estava mesmo) e me mostrou onde era. Depois do terceiro corredor, virar à direita e no final dele uma porta à esquerda. Cheguei lá e vi que se tratava de um armário utilizado para guardar os produtos de limpeza daquele andar, muitas vassouras, rodos e panos. Logicamente, entrei no lugar errado, devo ter pego à direita em vez da esquerda. Foi nesta hora que a porta se fechou atrás de mim. Gritei igual uma doida por muitas horas, umas cinco para ser mais precisa. Ô lugar... fiquei lá, lendo umas revistas de fofocas para matar o tempo. Saí de lá adivinha como? Adalberto ligou no meu celular e eu falei que estava num quartinho de despensa, presa. Menos de meio segundo depois de desligar, ele me abre a porta, todo sorridente: meu herói! Que vergonha... saímos de lá correndo, e eu morta de vergonha (porquê fiz meu xixizinho lá no balde mesmo - estava apertada!). Adalberto deve ter percebido, é lógico. Viu... eu e ele somos assim, como unha e carne, bem sintonizados um no outro.
Roa de inveja, Daniella...
posted by : o Administrador desta empresa, uai!
11:28 AM
Domingo, Maio 22, 2005
Onde há fumaça...
Me diga, caro acionista e amigo blogueiro de plantão, quem você conhece que trabalha na Globo, escreveu um livro recentemente sobre uma fantástica viagem pelo mundo que fez em 126 dias, conferiu de perto inúmeros países, culturas, gastronomias, templos religiosos e achou o antigo Ceilão (hoje Sri Lanka) como o país mais misterioso que já viu?
Dou-lhe uma, dou-lhe duas...
É Zeca... acho que você é o Bloggerman e a Glória Maria a Bloggergirl - mas isso é se ela voltar atrás e resolver encarar de vez a parada que você armou!
Valeu novamente, ok?

PS.: é o povo que tá falando que você é ele (e eu acho, sinceramente, que você escreveu sobre Papua Nova Guiné e Molvânia só para despistar...)
posted by : o Administrador desta empresa, uai!
2:41 PM
Sexta-feira, Maio 20, 2005
Viajar... que viagem!
Estou com vontade de tirar meu passaporte!
Sim... sonho em um dia conhecer o mundo. Ver, com meus olhos que a terra há de comer, se a Torre de Pisa é torta mesmo, cuspir lá de cima da Torre Eiffel, rangar um sanduba de ovo com bacon no Hard Rock Café de Orlando, sentir, quem sabe, um tremor de poucos graus na escala Richter em Hokaido, rolar nas savanas africanas enquanto o seu leão não vem, visitar os templos astecas, incas e muçulmanos... brincar nas ruas repletas de neve num destes países da parte "nobre e abastada" do planeta ou comer um pouco de poeira nos inóspitos desertos da África.
É... mas pra isto acontecer, muita água ainda há de rolar por debaixo da minha ponte: estudar mais, trabalhar demais, abraçar as possibilidades... coisas que, em parte depende somente da gente, outras em que contamos mais com a sorte propriamente dita. Mas o certo é que ando sonhando em conhecer outras paragens, outras culturas, conhecer gente nova...
Acho que há mensagens subliminares nesta novela das oito!
posted by : o Administrador desta empresa, uai!
10:44 AM
Quinta-feira, Maio 19, 2005
Leite.
Hoje, momentos antes de sair de casa, abri a geladeira, peguei um pacote de leite bem gelado, me servi num generoso copo, olhei o relógio (eu já estava atrasado para pegar o ônibus e desisti de colocar o chocolate em pó), comi uns dois ou três biscoitos e fui embora... pensando e rindo sozinho de uma besteira que fiz há uns doze anos atrás.
Eu era magro que doía. Tinha por volta de uns setenta quilos, fumava meu maço e meio por dia, exercícios físicos nenhum, vivia na noitada... uma graça que só vendo. Eis que, num domingo de sol, resolvemos sair para, se não me falha a memória, uma feira de artesanato. Tomei uma gozeira das cunhadas, da namorada, de todo mundo que me viu chegando de bermuda:
- Parece um sino!
- Olha os cambitinhos de perna...
- Olha... você precisa engordar um pouco mais...
- Nossa, amor... como você é magro!
Eu? Engordar? De repente, me via magro demais (mas eu era mesmo...) e resolvi ganhar alguns quilinhos. Necessitava de encher um pouco mais a roupa.
O que é bom para engordar? Gordura? Sim... gordura! Teria que consumir mais gorduras! Mas como? Ah, já sei: leite! Pronto, está resolvido: beberia mais leite!

O inteligente aqui passou no supermercado e comprou caixas de leite, se não me engano, umas dez (para a semana toda!). No outro dia, dei partida na dieta ao contrário: abri uma caixinha e tomei um copo. Mas só um? Um é pouco... mandei mais outro goela abaixo! Hummm... a caixa ficou pela metade: mais outro copo e chega! Ah... deixa eu matar isto aqui...
Tomei um litro de leite naquela manhã. Pronto... agora é só ir trabalhar! Era bem cedo quando parti para a caminhada de seis quilômetros do meu bairro ao outro (em 93, não havia uma linha de ônibus direta que ligava um bairro à outro, e o tempo de pegar um ônibus, ir ao centro e pegar o outro... eu andando chegava primeiro), um trajeto legal, plano, aquele ar matutino, aquele roncar de barriga...
Roncar de barriga? Foi praticamente no meio da caminhada que percebi a burrada: o leite! Descobri que o leite, em quantidade exagerada, provocara no meu organismo uma sensação por demais desconfortante. Sim... estava, literalmente, em vias de "encher um pouco mais a roupa" no sentido estrito da frase... e constatei, para minha infelicidade, que estava longe demais do banheiro mais próximo! Sabe aquela modalidade esportiva, a marcha olímpica, em que se tenta andar o mais depressa possível sem correr? Pois estava naquela situação, suando frio, olhos esbugalhados, contando na mente os minutos e os passos para chegar à salvação da lavoura.
Foi bom para aprender. Para ganhar alguns quilinos, passei a comer mais feijoada, churrasco, parei de fumar, voltei à jogar bola... mas leite pela manhã, "já mé"!
- Pôxa... o Mauricinho não sai do banheiro... será que morreu lá dentro?
posted by : o Administrador desta empresa, uai!
10:49 AM
Terça-feira, Maio 17, 2005
Nota 10!
Acho que nunca fechei uma prova, nem na época dos ditados, dos "Copérnico e a teoria heliocentrista que a Terra é que gira em torno do Sol", nem das fantásticas fórmulas matemáticas da terceira ou quarta séries. Nunca li nas minhas avaliações aquele "dezão" no canto superior da folha...
Não que eu não me esforçasse para ter, ao final do ano, uma nota digna da minha capacidade intelectual, entende? Para falar a verdade, sempre fui, durante toda minha vida escolar, um aluno esperto: para quê ser o "CDF" da turma, ter os professores te perguntando as coisas sem parar (só porquê um fulano qualquer tirou total na prova de Geografia tem que saber qual a população economicamente ativa do Uzbequistão?), ter os demais alunos te elegendo para dirimir dúvidas das aulas (coisa que, em tese, o professor é pago para fazer), ser o centro da atenção quando se trata de um trabalho em grupo, um alvo para as questões, infinitas questões que pairam numa sala de aula? Não... preferia meus 60, 70, 80, quiçá 90 porcento das provas, me mantendo sempre numa posição segura do primeiro lugar.
Quê? Desculpa esfarrapada? Pode ser... vai ver que tenho um bloqueio psíquico! Ontem, por exemplo, eu errei uma questão... de propósito!
posted by : o Administrador desta empresa, uai!
9:41 AM
Segunda-feira, Maio 16, 2005
"Estarei presente no final dos dias
Estarei presente estarei
Cantando quem sabe novas melodias
Que dos seus lábios ressuscitarei"
Quando se é baterista, sofre-se para que a banda toque uma música que ele queira. Comigo foi assim durante muito tempo, não por culpa exclusiva de um ou de outro, mas porquê simplesmente fazia parte do próprio "estilo" dos demais integrantes seguir o que ditava o guitarrista... fora que também era um tanto quanto complicado fazer a cabeça do vocalista para que passasse a gostar da música... peraí: você está me entendendo?
- Aí... vamos levar uma música?
- Qual?
- É de uma banda que estou ouvindo... a música começa assim, com a bateria [tum pá, tum pá, tum pá pá pá] e entra a guitarra [paráááá... pará... parááá... parááá parárá] junto com o contrabaixo [tum, tumtumtum tum tumtum tumtumtumtumtuuuum]...
- Que música é esta?
- Sangue, do Picassos Falsos...
- Nunca ouvi...
- Mas é boa! Vamos tentar?
- Que posição que é?
- Sei lá... eu toco bateria, não toco guitarra!
- Pô, mas sem saber a posição fica difícil... você tem ela gravada?
- Tenho os dois Lp's da banda...
- Vamos fazer o seguinte: você me empresta, eu tiro as posições e passo para o contrabaixista! Pode ser?
- Uai... pode! Pega aí... mas me devolve, viu?
- Tá limpo...
Nunca toquei esta música. Quê? Os Lp's? Ah... depois de mais de meio ano do acontecido, passei na casa do meu amigo e os vi encostados num canto. Logicamente, levei-os para casa, lugar de onde eles nunca deveriam ter saído!
Baterista sofre. E para levar o instrumento para o show? Putaqueopariu... dá um trabalho do cão! Acho que vou aprender a tocar gaita: cabe no bolso, toco sozinho...
posted by : o Administrador desta empresa, uai!
9:17 AM
Sexta-feira, Maio 13, 2005
Somos fortes!
As grossas correntes ainda estão nos calcanhares e nos pulsos. Ao olharmos as janelas do passado próximo, em verdade, todavia, permanecem vivas as mesmas marcas nos corações e mentes presentes.
As correntes vermelhas de sangue, sangue escravo e suor ainda gritam aos séculos, em meio a lágrimas e lamentos ecoados nas poesias e no "blues"; o grito ainda é forte pois os tambores se encarregaram de nunca se calarem, retumbando para todo o sempre as mazelas das senzalas.
Muita coisa mudou desde 1888, mas pouca coisa se modificou. Apenas na forma em 1988, muito pouco para 100 anos: ensaiamos um arremedo de liberdade, sonhamos com uma sociedade realmente, ou melhor, efetivamente livre e igualitária, um sonho sonhado que embalou grandes mudanças ao largo da história, nas revoluções desencadeadas aqui e acolá. Entretanto, frustramos ao ver que foi brinquedo de papel, pois na forma avançamos, mas na praxis somos os mesmos: o negro, infelizmente, ainda é discriminado.
Tem as menores chances em tudo, desde a educação à obtenção de um emprego justo e bem remunerado.
Ainda é visto com outros olhos, olhos que procuram coisas erradas, que o preconceito, inimigo do bem, imprimiu de novo nos corações e mentes, vícios de uma patologia social, detector de resquícios de um tempo passado, tempo de vergonha para todos, tempo de escravidão. Não há e não haverá crueldade maior na face da terra, excreção hedionda, da negação da humanidade de todos, de qualquer um.
As correntes hoje tem outros nomes: favelas, falta de oportunidade, racismo ora velado, ora totalmente exposto, como uma chaga incurável, vermelha-sangue, criminalidade de lesa humanidade.
As correntes hoje tem nomes variados; intolerância, xenofobia, segregação racial, dominação política, às vezes chegadas aos extremos da religiosidade, às vezes a hipocrisia chega ao limite gritante de fechar os olhos para uma situação revoltante.
Escravos deste sistema degradador, negros, todos... salve Zumbi dos Palmares, viva a resistência negra, salve vinte de novembro! Viva o negro!
Somos fortes!
Estas palavras foram publicadas em primeira mão no ELUCUBRAÇÕES CEREBRINAS em 12/07/2004. Deste dia para cá, infelizmente, pouca coisa também mudou...
13 de maio de 2005: 117 anos da Abolição da Escravatura.
posted by : o Administrador desta empresa, uai!
4:18 PM
Quinta-feira, Maio 12, 2005

Todo santo dia, por volta das cinco da madrugada, Jão Dinízo se punha em pé para ordenhar as quatro vacas do sua pequena e modesta fazenda. Toda manhã, tempo ruim ou não, Giselda, Maricotinha, Das Dores e Perpétua, já acostumadas com a rotina, instintivamente se aproximavam do estábulo para que a ordenha começasse.
Todo santo dia, por volta das seis e quarenta da manhã, Jão Dinízo aguardava o velho caminhão que recolhia o leite daquela região, com pensamento na senhorita Rosinha, morena de cabelos encaracolados, muito prendada, "estudadeira" como só vendo, que de segunda à sexta passava por aquele caminho para chegar na escola em que trabalhava.
Era só passar a moça que os olhos do peão se arregalavam; era só o corpo esguio dela brotar no horizonte que o coração de Jão Dinízo pululava mais de boi bravo em rodeio; era só um "dia, Jão" saído daqueles lábios carnudos que o dia do mancebo já estava ganho.
Um belo dia ela passou dentro de um carro, carro que reluzia de novo. Passou Rosinha e não reparou ela que passava por Jão Dinízo. "Estaria minha Rosinha de namoro com o filho do Coroné?" - indagava-se desesperado. Desesperador era não mais vê-la todas as manhãs, desesperador era o pensamento que poderia seu amor casar-se com outro. Convenceu-se que deveria ficar rico também: fez um empréstimo bancário e comprou uma máquina para ordenhar suas vacas.
O tempo foi passando, Jão Dinízo prosperando. Giselda, Maricotinha, Das Dores e Perpétua não mais existiam, haviam ficado num passado longínquo; no lugar delas, centenas de cabeças de gado, bichos que agora tinham números, sensores e códigos em lugar de nomes. Expandiu sua propriedade, comprou terras dos vizinhos. Apostava também no gado de corte além da produção leiteira. Virou empresário, viajava constantemente para a capital, exportava produtos, importava tecnologia, tinha tudo que almejou... menos o coração daquela donzela de cabelos encaracolados, pele morena cor-de-jambo, lábios vermelhos, que assustada com o que Jão Dinízo havia se tornado, preferiu acolher seu pequeno coração na simplicidade do amor do dono do caminhão que todo dia recolhia o leite dos pequenos proprietários daquela redondeza.
posted by : o Administrador desta empresa, uai!
4:39 PM
Terça-feira, Maio 10, 2005
Querido diário:
Cheguei em São Paulo agorinha mesmo, e já com uma triste constatação: aquele clima de sempre estar tentando ganhar mais e mais dinheiro muda bastante as pessoas. Meu Adalberto, coitado, infelizmente entrou nesta também. Sim... ele em casa é calmo, atencioso, companheiro, educado ao extremo... agora lá na tal da Terra da Garoa, peloamordedeus, vocês precisam de ver como ele fica por conta daquele stress paulista que empesteia cada canto da cidade: ele fica todo nervoso e suado com qualquer coisa.
Como disse, cheguei de surpresa no hotel e pedi para subir ao quarto dele. Me apresentei ao funcionário do hotel, como manda o figurino, e percebi o quanto é inexplicável a ineficiência do setor hoteleiro daquela cidade. O menino ficou lá, me olhando com cara de boi sonso um tempão que só vendo. É... fiquei esperando quase meia hora até subir para encontrar meu marido.
Aí que vi, sinceramente, como o clima paulistano, ou o stress do dia-a-dia, afeta meu querido maridinho: ele estava branco quando me viu chegando! Branco e já dentro do terno, acredita? Seis e meia da manhã, nem estava pronto o café, e Adalberto já estava pronto para trabalhar!
Com um sorriso de canto à canto na cara, falei que estava fazendo uma surpresa, que estava ali não para atrapalhar, mas somente como uma esposa saudosa pelo marido. Não adiantou... ele, suando igual louco, já perguntou se eu iria embora ainda naquele dia (percebi que ele queria mesmo era que eu ficasse mais uns dois ou três dias com ele... para matar a saudade) e respondi que tudo dependia dele, é lógico!
Foi quando pegou o telefone e ligou para a Companhia Aérea. Estranhei a prontidão dele em reservar minhas passagens de volta para sábado (ou domingo, sei lá) e imaginei-me, de relance, participando de uma reunião na empresa onde trabalha: ele me apresentando à todos, andar de elevador segurando as mãos do meu marido, almoço de negócios...
Mas São Paulo é nefasta! E meu Adalberto, pobrezinho, está sendo diariamente dominado pelo monstro capitalista que sobrevoa por entre aqueles enormes arranha-céus da Avenida Paulista. Chorou igual criança quando a moça da Companhia Aérea não trocou as passagens (ah, meu emotivo Adalberto!) e ligou para a recepção para arrumar um lugarzinho para mim no hotel.
Foi nesta hora que percebi o quanto meu Adalbertozinho já estava tomado pela sandice! Com muita calma falei que dormiria com ele, é lógico, ainda mais que no quarto onde estava havia uma cama de casal. Nada mais natural para a gente, não é mesmo? Afinal, somos casados...
Adalberto arregalou os olhos e percebeu a burrada! Viu... ele nem reparou onde dormia! E que bagunça de quarto de hotel... um monte de roupas espalhadas, escovas de dentes fora do lugar, uma cartela de Atroveran fora da caixinha de remédios (outra surpresa que tive com a rede hoteleira paulista: até absorvente íntimo havia nos quartos) e muitas, muitas toalhas molhadas jogadas pelos cantos. Cruzes, que serviço de quarto péssimo!! Ali precisava mesmo de um toque feminino e ainda bem que eu estava lá para ajudar um pouco meu querido Adalberto.
Depois te conto, querido diário, como foi o meu primeiro dia com meu maridinho em sampa!
posted by : o Administrador desta empresa, uai!
4:59 PM
Segunda-feira, Maio 09, 2005
Sábado de paz, tranquilidade, buzina...
É até pecado dizer isto, mas no sábado eu não estava nem um pouquinho afim de ir à missa.
Normalmente não vou... não sou daqueles católicos fervorosos e nunca passou pela minha cabeça sempre "domingar bem cedo" para este fim, muito menos sábado à noite: mas fui... ou melhor, fomos.
Resolvi sentar próximo à entrada, nem muito perto do gargarejo, nem muito no meio daquele mundaréu de gente; ficamos num lugar estratégico, bem ventilado, poucas pessoas ao nosso redor, perto da porta... até a hora que o padre começou a missa. Nesta hora, sei lá porquê cargas d'água, a pequena igreja lotou. Espreme daqui, espreme de lá... todo mundo se aconchegando, cada um querendo espiar seus pecados.
E no meio de tudo aquilo, eu. Eu, por sinal já sem muita paciência, e um carro com o alarme disparado lá fora. O padre abriu a boca para saudar a comunidade e ouvimos o "bep bep bep, tuí, tuí, tuí, tam, tam, tam, piiuu, piiuu, piiuu..." invadindo a paz da igreja.
Parou! O padre começa a falar e novamente o alarme volta à vida: "bep bep bep, tuí, tuí, tuí, tam, tam, tam, piiuu, piiuu, piiuu...". O dono devia estar lá dentro, só pode... oito e tantas da noite de sábado, uma porrada de carros estacionados lá na porta da igreja... logicamente, o dono do automóvel estava lá dentro, rezando. Pensei com meus botões que logo logo, o proprietário do carro iria se manifestar e desligar a merda do alarme.
"Bep bep bep, tuí, tuí, tuí, tam, tam, tam, piiuu, piiuu, piiuu..." novamente. O padre já estava no Evangelho e nada do dono se manifestar. Devem estar roubando a porcaria do carro, só pode. O alarme tocava incessantemente por cinco ou seis minutos, parava um para tomar fôlego e disparava de novo: "bep bep bep, tuí, tuí, tuí, tam, tam, tam, piiuu, piiuu, piiuu..."
Aquilo foi me dando uma raiva (sei que é pecado, mas fazer o quê: eu também sou filho de Deus) sem tamanho. De repente, não mais prestava atenção em que o padre falava: queria que queria advinhar quem era o dono daquele carro lá fora.
"Bep bep bep, tuí, tuí, tuí, tam, tam, tam, piiuu, piiuu, piiuu..." e eu ajoelhado. Eu não, todo mundo que estava naquele igreja, até o dono daquele carro pervertido. Foi nesta hora que percebi que cresci muito desde que tinha meus 10 anos, época que ia obrigado à missa todo santo domingo. Aqueles bancos não foram feitos para quem tem um metro e oitenta de altura, de jeito nenhum: como doíam meus joelhos! O peso do corpo estava todo em cima deles, que me deixava bastante desconfortável. E eu tentando achar uma posição melhor (doía o joelho esquerdo), escorava com o braço no banco da frente (e doía o direito), e tenta acertar o peso do corpo (doíam os dois)... isto sem contar com a buzina do alarme "filha-da-mãe" que tocava lá fora. Ah, que ódio daquela buzina!
De repente, um silêncio sepulcral: o padre começa a eucaristia! O carro parou com o alarme sozinho ou o dono, dando uma de ninja, saiu sorrateiramente da igreja e desligou o "bep bep bep, tuí, tuí, tuí, tam, tam, tam, piiuu, piiuu, piiuu..." desgramado? Mistério! Mas que se dane como foi o acontecido: estava tudo uma beleza, um silêncio bom... enfim, um momento de paz naquele recinto!
Foi o padre levantar a hóstia, o coroinha balangar o sino três vezes e o alarme de novo, como se fosse ensaiado, fazendo arte de novo: "bep bep bep, tuí, tuí, tuí, tam, tam, tam, piiuu, piiuu, piiuu...". Algumas pessoas se entreolhavam, mas ninguém falava nada. Lá no altar, o padre e a hóstia. Lá fora, a descomungada da buzina.
Agora eu te pergunto: se o cara queria chamar a atenção de toda aquela gente para o fabuloso alarme do seu carro (a buzina era de Fusca, para começo de história), ele conseguiu! Mas conseguiu também a fama de surdo! Ou idiota! Ou os três juntos...
Não é praga não, mas tomara que um dia ele realmente precise desta buzina e...
-----------------------------------------------------------------------------------------------------
É... acabou o post! Estou neste momento avisando vocês que hoje também tem negócio novo lá no:
ELUCUBRAÇÕES CEREBRINAS
posted by : o Administrador desta empresa, uai!
2:28 PM
Sexta-feira, Maio 06, 2005
Microconto.
Estava eu passeando pelos blogs amigos e li, no Aleatorizando, sobre o que vem a ser microconto: "uma história contada com cerca de 50 letras apenas. Um leitor atento, no entanto, é capaz de entender toda a situação, de modo que, mesmo sendo tão curta, ela tem começo, meio e fim".
Novidade para mim, que utilizo constantemente de muitas palavras para dar vida ao texto. Novidade para mim que tanto tento colocar no post cor, cheiro, barulho, movimento, expressões... e que às vezes (leia-se "quase sempre") o texto fica quilométrico.
Bem... o que eu quero dizer é que, além de escrever, adoro desafios! Vamos ver se consigo fazer um microconto?
-----------------------------------------------------------------------------------------------------
Recebeu seu salário na sexta e no sábado já estava duro. Ô vida!
-----------------------------------------------------------------------------------------------------
Beleza... 50 letras no prego!! E você? Recebeu seu pagamento hoje também? Sei como... está cada vez mais difícil, não é mesmo? Mas e sobre o microconto? Quer tentar fazer um também?
posted by : o Administrador desta empresa, uai!
4:34 PM
Quinta-feira, Maio 05, 2005
Querido diário:
Tanto que já freqüentei, tantas que já me produzi, tantas vezes que arrumei meus cabelos lá nestes estabelecimentos... e só hoje eu fui perceber o quanto as mulheres falam mal uma das outras nos salões de beleza! Tomam conta direitinho do que uma faz ou deixou de fazer, quem está com quem, se a mulher trái ou é traída, se a família está com dificuldades financeiras... um horror! Ainda bem que de mim aquelas fofoqueiras não tem nem um tiquinho, nem uma isquinha de que falar, ainda bem! A manicure novata então não calava a boca um instante sequer. E metia a língua numa freguesa que estava sendo traída pelo marido, lixava minha unha e deitava a lenha na mulher de novo... e foi assim, os dez dedos! Aí começou a tirar as cutículas... e não parava nem por um momento de fofocar!! O que é aquilo, meu Deus... como a mulher falava mau da coitada desta infeliz chifruda! Mas teve uma hora - que pecado - que eu achei até graça, juro! Como pode haver neste mundo mulher tão tapada? Ah... mas Deus não deu asa à cobra por alguma razão óbvia, isto eu creio: se eu tivesse um marido que... não, não vou nem pensar no que faria se fosse comigo. Sou muito feliz com o marido que Deus me deu, sou muito grata à Ele por ter colocado Adalberto no meu caminho! E foi por ele que suportei aquelas conversas fiadas por horas à fio, suportei a cabelereira contando mais casos desta pobre infeliz, ri meio sem graça das piadinhas feitas à pessoa dela! Tudo porquê vou até São Paulo amanhã de manhã, de surpresa, visitar meu Adalberto. Ah, quero até ver a carinha dele de alegria ao me ver, bem cedinho, chegando no hotel onde está hospedado! Nossa... estou ansiosa! Os meninos ficaram de boca aberta quando contei o que pretendia fazer: Clementino apoiou na hora, Uoshington, como sempre do contra, deu seu pitaco errado... mas já estava decidida, tanto que até a passagem de avião já havia comprado. Vou sair daqui bem cedo, pegar um táxi para a cidade vizinha, tomar o avião e daí tudo vai ser muito rápido: chego no hotel, subo até o apartamento e... ai, já não estou mais agüentando!! Meu desejo é encontrar logo o Adalberto e... nossa, nunca escrevi isto aqui, mas estou numa seca danada: tem mais de uma semana que Adalberto está à trabalho em São Paulo e eu aqui, sonhando com o profes meu marido... estou me virando como posso! Querido diário, depois eu te conto como foi meu passeio até São Paulo, tá? Vou relatar toda a minha viagem para encontrar meu maridinho querido! Aposto que ele vai ficar de boca aberta quando me ver...
posted by : o Administrador desta empresa, uai!
3:17 PM
Terça-feira, Maio 03, 2005
Que inveja!!
Invejo estas pessoas que tem tempo para fazer uma academia, um esporte, uma corrida ou uma caminhada matinal durante a semana. Mas tem que ser durante a semana mesmo, de segunda à sexta... porquê sábado e domingo não conta: afinal, neste dia eu também posso fazer exercícios físicos... (isto falando em via de regra!)
Vou te confessar uma coisa: eu tenho uma vontade imensa de entrar numa destas academias de ginásticas e ficar lá, igual bobo olhando para o espelho, correndo e pingando naquela esteira que nem sei como funciona. Quer dizer, como funciona a máquina eu sei, liga e corre... mas nunca nesta minha vida, nunca mesmo, em nenhuma destas esteiras coloquei meus já calejados pés. Estranho isso, não é? Nestes tempos em que vida esportiva está tão em voga, a mídia em geral entupindo nossos sentidos a todo momento com o famigerado, às vezes chegando ao cúmulo, do culto ao corpo, as inúmeras propagandas de academias de ginásticas espalhadas pelos outdoors da cidade... e nunca ter pisado numa esteira de ginástica é como passar por esta vida sem aprender a andar de bicicleta: quase todo mundo sabe, aqui e principalmente na China!! (vou passar numa destas lojas que vendem materiais de ginástica hoje mesmo e pisar numa esteira, juro que vou!!!)
Poxa... só de pensar em andar de bicicleta e correr, seja numa esteira ou não, já fiquei um pouco cansado, acredita? O exercício físico propriamente dito que faço durante os dias da semana se resume numa pequena caminhada (pequeníssima, como diria minha proba consciência) do trabalho à faculdade, algo em torno de uns dez minutos quando tenho uma prova no primeiro horário, quinze à vinte nos dias normais. Caminhada legal usando um sapato social, andando desconfortavelmente bem devagar, uma subida levemente íngreme, aquele começo de suor brotando da pele... e na metade exata da dita avenida, eis que existe, estrategicamente colocada como ponto de apoio ao atleta (que vos escreve), uma padaria: sempre páro lá para comprar uma latinha... de cerveja! É... ajuda a refrescar o corpo, sério mesmo!! Mas deixando as brincadeiras com fundo de verdade de lado, tenho vontade sim de me associar à uma academia e ficar correndo, olhando pela janela a cidade em movimento... ou senão levantar uns pesinhos básicos, forçando o trícepes, o bícepes ou o dedinho mindinho do pé! (não há aquela máxima que fala alimentação saudável, corpo saudável, mente saudável?)
E que seja deste jeito: trabalhando a musculatura, nada daquelas bombas, somente exercícios físicos! Vontade eu tenho de sobra, mas cadê o tal do famigerado tempo? De madrugada? No horário do almoço? Meia hora antes de pegar serviço? Complicado...
A minha vida já é uma correria só - e sem precisar de nenhuma esteira! A gente acha que não se exercita, mas levantar às seis e tiquinho e dormir uma da madrugada já é um severo exercício de perseverança: mas minha unha cai de inveja quando observo quem sai do trabalho, por exemplo, e vai para uma aula de capoeira, um judô ou outra modalidade marcial qualquer! Lutar: taí exercício para o corpo e modalidade esportiva mais velha que tia da minha bisavó. Minha briga diária é com a vontade de matar aula, chegar em casa cedo, tirar os sapatos apertados, tomar um bom banho quente, jantar, ligar a tevê e ficar esperando o sono chegar! Acho que nesta hora o exercício físico tem extrema importância para a gente, pois acredito que exercitando freqüentemente, ganhamos mais disposição para o dia-a-dia... (e pensar que ultimamente eu não estou jogando nem purrinha e que minhas últimas brigas foram com as contas diversas que pintam lá em casa!)
Ir para casa e dormir; descansar algum dia durante a semana: triste isto não acontecer com tanta freqüência, eu sei... a gente vai ficando um pouco quanto estressado, mau-humorado, chato no sentido estrito da palavra. E porquê? Por conta do cansativo e diário batido da lata, batido este que começa a desafinar ao se aproximar do final de semana, já começa a avacalhar com o samba-enredo, começa a atravessar o compasso e o ritimo musical, quando você menos espera, já não é mais o mesmo...
... e finalmente chega o tão esperado final de semana! Ah... acordar tarde, tipo quase meio-dia para compensar as horas perdidas de sono, aquela alimentação balanceada (feijoada light, pé-de-porco light, lasanha ligth, churrasco de toucinho de barriga extra-light, tudo light... até a balança é sorrateiramente light), a tão aguardada e inebriante cerveja gelada, aquela vontade de não fazer mais nada da vida... e conseqüentemente não sobra espaço nenhum para exercícios físicos.
Sim... porquê ninguém agüenta esta correria da vida sete dias por semana! (e não sou eu quem vou contrariar a maioria...)
posted by : o Administrador desta empresa, uai!
2:42 PM
Segunda-feira, Maio 02, 2005
- Olha a freeente!!!
- Ei! Cuidado...
Passou correndo como se eu não existisse, mas trombou em mim. E que trombada, daquelas que quase te jogam ao chão!! Não olhou para trás o sem-educação, não ousou sequer pensar em pedir desculpas, não parou um minuto a sua corrida contra o relógio, o seu relógio, pois só olhava para frente o desgramado.
Se estivéssemos em tempos remotos, esta pessoa deveria estar para tirar alguém que muito gostava, quem sabe se o filho-duma-égua tivesse uma mãe, da forca. Mas hoje não, não há em dias atuais tal possibilidade de punição... e eu te pergunto: tudo bem ter pressa, mas é válido nos dias de hoje a falta de sociabilidade? Um pedido, rápido, de desculpas, já valia a pena...
Aquela trombada que te dói o ombro, aquela porrada só! Pensei em xingar, mas o cara já está ao longe... correndo no meio da multidão.
A raiva subindo à cabeça, aquela vontade de ir atrás pedir uma retratação, a porta do metrô se fechando.
- Droga! Agora vou ter que esperar o próximo!
posted by : o Administrador desta empresa, uai!
5:15 PM
|