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Jornal do Blogueiro

Diretorio 100% brasileiro










Sexta-feira, Abril 29, 2005

Pisei na merda! E agora?

Pior que ver uma moeda perdida cintilando entre o asfalto e a calçada, correr até ela e descobrir que é de um centavo, é pisar em merda de cachorro na rua. Triste ver tanta bosta canina espalhada pela cidade, viu!?

Hoje eu taquei o pé, literalmente, na merda! E que merda de cachorro fedida, Senhor! Este vivente que fez a obra lá não se alimentava de ração bosta nenhuma, mas sim de angu com pelanca! Com ração a merda do bicho que late fica consistente, fácil de pegar com uma pá, colocar numa sacolinha plástica de supermercado e jogá-la no lixo. Peraí... o quê estou falando: eu só vi a bosta do cachorro quando senti o solado escorregar um pouco para a esquerda e escutar o característico "plearch" por entre os sons dos automóveis. Pisei na merda!! Pisei e fiquei lá, despistando que não pisei (ninguém gosta de admitir), praguejando impropérios, raspando o solado do sapato nas quinas das calçadas, nas quinas dos frondosos canteiros públicos e, para ter certeza absoluta de que estava tudo "oquei", esfregando o pé numa pobre e sofrida graminha para dar aquela geral no restinho do cocô do cachorro que ainda teimava em não se despregar do "pisante" (vida de grama não é fácil, não... como sofre a coitadinha!).

Limpou mais ou menos, como era de se esperar, mas a minha raiva de ter socado o pé na bosta não passou. Ao esquivar das defecadas caninas estrategicamente espalhadas pelo meu caminho, fiquei a pensar merda (também). Cheguei à uma triste conclusão: há uma conspiração, minha gente, dos cães junto com seus donos (ou vice-versa) para acabar com o bom humor de pessoas comuns, batalhadoras, corretas e inteligentes, como eu e você... e atrasá-las para bater ponto também!

Quem tem cachorro não tem que levar, ao sair com seu animal de estimação, uma sacola para que ali se deposite as fezes dos mesmos (dos Canis familiaris)? Quantas vezes você presenciou uma situação em que um dono nojentão ou uma dona nojentinha, parou de sua salutar caminhada com seu "au au" para ali, no meio da avenida, pegar a merda do seu cachorro (estou falando do cocô) e colocá-la no lixo? Eu nunca vi, mas dizem por aí que existem estas raras pessoas!

Mas voltando ao assunto da conspiração fecal canina, eu continuo achando que estas pessoas que deixam a "caca" dos seus cães na rua querem mesmo é nos aborrecer, querem que a gente fique de mau humor, querem é que a gente passe vergonha quando seu chefe diz, no meio de uma reunião, que alguém pisou em alguma merda e está fedendo o ambiente, querem é a gente se exploda no meio da calçada, com bosta de cachorro e tudo mais! Mas há, sim, pessoas que tem cães cagadores mas que não deixam para nossos pés a função de limpar as ruas (eu não conheço nenhuma, já disse). Mas o que sei é o que vejo, e vejo é cada vez mais merda nos passeios da cidade, obrigando a nós, pessoas direitas, a prestar muita atenção nos montinhos marrons, além da necessária e costumeira atenção nos muitos buracos espalhados nas calçadas, nas caçambas, nos postes que não seguem a regulamentação da Prefeitura, nos desníveis, nos carros estacionados irregularmente em cima do passeio, naqueles canos pintados de amarelo e preto chumbados no chão, nos caixotes dos vendedores ambulantes... itens que também não deixam de ser uma grande duma merda!

E eles, estes conspiradores, quase conseguiram me deixar prá baixo nesta sexta, viu? Quase! Resumindo então a minha experiência do dia: pisei hoje num montinho de consciência de um dono de um animal de estimação. Olha... e não é que dá no mesmo?

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4:52 PM


Quinta-feira, Abril 28, 2005


Josefina: Mas que abusado!!

Entrou em casa a dona do apartamento, sacolas de compras na mão, pisando alto e resmungando sem parar.

José Uoshington: Eu?
Josefina: Não, você não, Uoshington... abusado é este novo morador do 512... muito abusado!
José Uoshington: Ahh!
Clementino: Nossa mãe, Josefina... senta aqui, relaxa e conta pra gente o que aconteceu!!

Largou as compras no meio do caminho, jogou no canto da sala a sandália sem nelas encostar as mãos e se esparramou no sofá vermelho.

Josefina: [tomando fôlego] Vocês não vão acreditar que me aconteceu agorinha...
José Uoshington: Se você não contar, a gente não vai ficar sabendo nunca mesmo...
Clementino: É, Josefina... pára com este suspense: o que aconteceu?
Josefina: O cara do 512 me passou uma cantada...
José Uoshington: O quê?
Josefina: É isso mesmo, Uoshington... me passou uma cantada, você acredita?
Clementino: Ah, Josefina... você está fazendo tempestade num copo d'água...
José Uoshington: Ah não, Clementino, faça-me o favor... como tempestade num copo d'água? Ele faltou com o respeito, ora bolas. Será que ele não viu o tamanho da aliança na mão esquerda dela, não?
Clementino: Uoshington, presta atenção de uma vez por todas: Josefina é uma linda mulher, muito atraente...
Josefina: Obrigada, Clementino...
Clementino: ... esperta e inteligente...
José Uoshington: [falando baixinho] Aí você já está abusando...
Clementino: ... e hoje em dia levar uma cantada não é assim o fim do mundo!
Josefina: [pensativa] É... você tem até um pouco de raz...
José Uoshington: ... de nada, patroa!! O patrão Adalberto tem que tomar ciência disto... o "côro" vai comer, presta a senhora bastante atenção!! Este vizinho folgado vai apanhar demais, vai cuspir sangue e dentes...
Clementino: O quê? Tá ficando doido, Uoshington? Prá quê envolver o patrão Adalberto nesta história?
Josefina: Ah, mas ele vai ter que ficar sabendo do descaramento daquele professor de ginástica...
José Uoshington: Ihhh! Professor de ginástica?
Josefina: É... e professor de Tae Kwon Do também!
José Uoshington: Ave Maria... patrão Adalberto tá fudido!
Clementino: Engraçado, Josefina... você tá sabendo muito sobre este moço ou é impressão minha?
Josefina: Peraê, Clementino... você tá supondo que eu...
José Uoshington: Peraê, patroa Josefina... eu estou achando sim que a se...
Clementino: Cala a boca, Uoshington!
Josefina: É... cala a boca! E eu não, quer dizer, eu fiquei sabendo dele... ora, eu não tenho que dar satisfação nenhuma para vocês dois, seus fuxiqueiros!

Levantou e foi arrumar as coisas na cozinha, mas deixando duas pulgas atrás da orelha dos que ficaram lá na sala:

José Uoshington: Clementino: você tá pensando a mesma coisa que eu?
Clementino: Sei lá... mas este povo de carne é tão esquisito! Uma hora gosta, outra hora não gosta...
José Uoshington: ... e pra ganhar chifre, pouco falta.
Clementino: Será?
José Uoshington: Puts... e acabou que ela não contou como foi a cantada... eu gosto de saber destas coisas...

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4:36 PM


Quarta-feira, Abril 27, 2005


Regisnaldo foi criado no seio de uma família muito humilde, porém muito amorosa e honesta. Não tinham luxo, mas sobrava atenção e afeto dos pais. Não possuiam brinquedos caros ele e os outros sete irmãos, mas se viravam como podiam com os rolimãs que faziam com sobras de construção, com cavalinhos feitos de batata e palitos de fósforos (nos dias que a compreensiva mãe deixava), com qualquer tipo de roda e um cabo de vassoura ou arame (ficavam eles horas e horas fazendo rodar um pequeno pneu pelas ruas do bairro).

Um dia Regisnaldo chegou ao seu pai, um modesto e honrado trabalhador, e pediu um Mini-Game de presente. O pai, sem entender o que era aquilo que o filho caçula solicitava com olhos brilhantes, pediu que fosse mais claro: "é um joguinho pai, que a gente aperta um botão com esta mão e com a outra também... e fica jogando". O pai ficou de pensar se compraria ou não o brinquedo (afinal, como comprar um mimo para um filho e não para os outros?) devido também à apertada situação financeira da família.

Passaram-se alguns dias. Durante a aula de Literatura Brasileira, foi chamado Regisnaldo a comparecer à sala da diretora. Chegou com os olhos esbugalhados, receoso de que tinha sido descoberto pela traquinagem que fizera no banheiro dos meninos dias atrás. Bateu na porta, ouviu o pedido de que entrasse, abriu-a e deu de cara com seu pai: foi a primeira vez naquele dia que suas pernas bambearam. As mãos dele para trás, o olhar, o sorriso de canto à canto na cara da diretora, tudo estava estranhamente anormal naquele recinto. Subitamente, seu pai lhe entrega um embrulho: era um presente! Abriu-o rapidamente sem respirar, o levado menino: dentro da caixa havia um joguinho, jogo exatamente como ele, Regisnaldo, falara ao seu pai dias passados: "um joguinho que a gente aperta um botão com esta mão e com a outra também... e fica jogando."

- Pai!! Que isso?? Aquaplay?

O pobre Regisnaldo foi motivo de chacota na sua sala naquele dia. Tentou esconder o presente que havia ganho dos colegas, mas não teve jeito. Todos caçoaram dele, todos, e principalmente o Tiburcinho, menino que Regisnaldo não topava de jeito maneira, quase choraram de rir do arcaico brinquedo que ganhara.

Na hora de ir embora, mais gozações. O Tiburcinho que mais pegava no pé: ria, contava aos outros, retirava da sua mochila um Mini-Game que ganhara da mãe dias atrás e comparava com o que Regisnaldo levava na mão! A ira crescia no peito do pobre menino de forma incontrolável.

No ponto de ônibus as brincadeiras não cessaram. Ao contrário, parecia estar numa escala geométrica. Chegou a lotação de Tiburcinho, o menino que mais ria da cara de Regisnaldo. Entrou no ônibus rindo ainda, apontando com o dedo para o dono do Aquaplay. Foi subindo uma incontrolável raiva daquele colega... uma raiva inominável. Regisnaldo pensou em se vingar naquele momento: buscou, no fundo do pulmão, uma boa porção de catarro para jogá-lo na cara daquele moleque. O vidro dele estava aberto, que beleza! Deu um passo à frente e, quando ia despejar a gosma no seu desafeto, o ônibus em que estava Tiburcinho arrancou.

O catarro e Regisnaldo, coitados, erraram o alvo. Passou aquele monte de meleca pelo vidro de trás, bem atrás de onde se encontrava Tiburcinho, atingindo, em cheio, a farda de um enorme guarda militar.

Regisnaldo pensou em correr mais não obteve respostas de suas pernas finas: foi a segunda vez que elas bambearam naquele dia. Ouviu o grito do guarda para que o motorista parasse aquele coletivo e viu, com as butucas de olhos lacrimejados que pareciam saltar para fora da órbita ocular, o militar chegando em sua direção.

Nunca na vida tomou tanto cocão na cabeça o pobre do menino. Depois disto, nunca mais quis saber de jogos eletrônicos... e muito menos de cuspir no chão!

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2:02 PM


Terça-feira, Abril 26, 2005

09:30 AM - Eu trabalhando.
10:30 AM - Eu trabalhando, escrevendo e com um pouco de fome.
12:13 AM - Eu, com o estômago nas costas, dentro do ônibus, na hora do almoço.
12:47 AM - Eu em casa, almoçando tranquilamente.
13:06 AM - Eu preso por causa da repentina chuva.
13:07 AM - Eu lembrando do guarda-chuva na gaveta da mesa do escritório.


Não tem jeito, já relatei aqui diversas vezes: é sempre nestas horas, quando menos esperamos, que pinta a brincadeira sacana do "santo lá de cima". Cheguei a ligar para o trabalho avisando que estava preso por conta da chuva e que iria demorar, juro! Cheguei a observar atentamente o comportamento dela, se parava ou não, se estiava um pouco ou se aumentava... e houve uma hora que sim, ela deu uma trégua: saí da proteção do meu lar para me molhar na rua! O pior nisto é a tecla que sempre teimamos em bater e sempre dá errado, aquela em que a gente sempre "acha" que a chuva está passando e, num dado momento, a danada retorna com a força total, pegando o caboclo com a calça na mão. O resultado é mais do que óbvio:

14:26 AM - Eu mais molhado do que seco! Ô raiva!

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3:00 PM


Segunda-feira, Abril 25, 2005

Adeus, Agádê!

Se tem alguma coisa que eu não acredito nunca mais é no danado do computador. É... nele e nos seus magníficos programas que tem por finalidade principal nos auxiliar em nosso já muito complicado dia-a-dia.

Como ter certeza absoluta de o que você está fazendo nele é o correto? Ler com clareza as instruções em inglês já é um bom começo, mas como saber a linguagem utilizada pelo sistema é mais ou menos compatível com o que você acha que é o correto? Como confiar piamente naquele monte de plástico, silício e micro-circuitos?

Sim... já deu para perceber que minha máquina bichou! Porquê? Sei lá... até hoje não entendi direito o que aconteceu na realidade. Quem sabe eu tentando recapitular os últimos momentos dela ainda viva eu consiga, sei lá...

"... e tudo estava em paz naquele domingo: os pássaros voavam naquele entardecer, procurando seguramente um abrigo para a noite que estava à caminho. Ventava, não muito forte, mas o suficiente para que a janela batesse uma, duas vezes... produzindo um enorme barulho na sala de estar. Um cheiro de café penetrou o recinto, me forçando a experimentar uma xícara daquele delicioso líquido negro. Estava sem açúcar. Cuspir na pia, nem pensar! Praguejando, peguei o adoçante e, quando iria colocar duas ou três gotas, num momento de descuido e de uma força exacerbada na mão esquerda, esguichei o líquido incolor na xícara! Será que foi demais? Será que não está muito doce não? Bebi... e até as orelhas repuxaram: estava horrível, eca! Porquê adoçante tem este gosto terrível? Joguei fora o café na pia e voltei ao computador. Já estava ligado, o bosta! Demorou para rodar o XP, demorou para os ícones aparecerem... e irá demorar para conectar à internet. Apareceu, finalmente, o atalho para a conexão: tiiiiuíiii...tiiiiuíiii.. o som da placa de fax-modem avisando-me que estava tudo 50% certo! Alegrei-me quando apareceu no canto inferior direito a mensagem "você está conectado ao provedor Cataplum! Velocidade: 56 Kb!" Uau... 56 kb!! Que milagre... ontem estava à 28!! É uma maravilha!!! Comecei a navegar, navegar... quando me surge na tela uma mensagem: "há uma atualização para seu programa. É altamente recomendável a instalação blá blá blá...". Poxa... "existe" uma atualização para meu programa. Mas não, agora não... Lembrei que não havia feito o upload do anti-vírus e rapidamente o fiz. Demorou um minutinho (uns quinze deles) e eu surfando nas ondas virtuais. Novamente o pequeno ícone, aquele mesmo que aparece no canto direito inferior da tela, me avisa que há uma nova atualização e que eu posso trabalhar normalmente enquanto o computador faz o serviço. Ora... atualizo meu computador e de "quebra" fico on-line com meus amigos no bate-papo... que beleza! Ah... a modernidade!!! Cliquei em aceitar fazer as atualizações "necessárias" ao mesmo tempo que o vento urrava lá fora. Pude perceber, de relance, um vulto de um morcego a voar naquela noite fria. O vento aumentava de acordo que o programa de atualização ganhava meu computador, ponto à ponto. "Atualização a 45%... atualização a 47%..." parava um pouco e voltava, vagarosamente, a crescer aquele medidor azul da tela do Windows: 49%, 52%... um estrondo de trovão ao longe: vai chover! Alguns pingos d'água começaram a cair do céu, cada vez mais fortes. Corri para fechar a janela da cozinha quando um vento forte bateu a porta do banheiro. Os raios começaram a cruzar a noite, os barulhos dos trovões, antes distantes, agora estavam por cima de nossas cabeças. Fechei, com muito custo, todas as janelas da casa, averiguando se as outras estavam devidamente lacradas. Voltei ao computador e constatei que o programa de atualização havia conseguido baixar o programa necessário. Na tela um outro aviso: "Feche todos os dispositivos e clique em atualizar o programa". Pedi um tempo aos amigos do MSN, dizendo que logo voltaria, saí da internet, saí de todos os programas e cliquei em atualizar. "Tem certeza de que quer atualizar o programa do seu computador e blá blá blá..." ora, é lógico que sim: a atualização não era necessária? Então, que seja feita a vontade daquele monte de silício e plástico! Rodei a atualização preocupado mesmo é que se algum raio, por uma obra do acaso, caísse na rede de energia elétrica e danificasse permanentemente o computador. A chuva aumentava assustadoramente; lá fora, as árvores envergavam por conta da ação dos fortes ventos, ventos estes que produziam um som parecido com um grito de socorro ouvido ao longe; a enxurrada ameaçava levar os carros estacionados no passeio; luzes azuis dos relâmpagos invadiam o escuro do quarto do computador. "Seu computador foi atualizado com êxito e piriri-pororó... Reinicie-o e abobrinha com angu futebol clube...". Desliguei-o. Pensei em não mais liga-lo naquela noite, mas um pensamento me invadiu a mente: sim... devo voltar à rede! Liguei o estabilizador, cliquei no botão do CPU, acionei o liga/desliga do monitor e... nada... nada.... não havia mais vida naquela máquina. Ela não responde aos meus comandos, ela nem mesmo respirava... não havia mais nenhuma centelha de vida em seus circuitos. No momento que bastante praguejava contra a porcaria da atualização "necessária" que baixei da internet, acredito que ouvi um gargalhar assustador com sotaque americano vindo lá de fora, no momento exato que o portão de casa bateu violentamente. Seria o Bill rindo da minha cara de tristeza ou da minha inocente burrice?"

Sacou a jogada? Portão batendo, o Bill rindo... meu computador parado... só outro HD mesmo!!

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Em tempo: hoje tem post também no:



ELUCUBRAÇÕES CEREBRINAS

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11:03 AM


Sexta-feira, Abril 22, 2005

Ó! Hoje não é domingo, não?

Pra mim ontem foi sábado. Típico sabadão bravo, daqueles de levantar tarde e ver o dia passar, logicamente, sem ter muita pressa de nada. Foi um autêntico sábado de comprar aquela cerveja gelada e saboreá-la junto com um bom e animado papo; sábado de almoçar bem tarde, dormir um sono depois do almoço, ver um pouco de televisão e, novamente cair desfalecido na cama.

Sério... ontem para mim foi sábado, quarta foi sexta e hoje, numa boa, era domingo. Abri os olhos pela manhã e vi aquela névoa fria pela janela do quarto, coisa que ajuda a gente a dormir um pouco mais. Olhei o relógio, vi as horas e resmunguei um palavrão meio inocente, preguejando por ter acordado àquela hora. Aninhei no travesseiro e dormi mais um pouco: afinal, hoje era domingo!

Dormi e sonhei que estava trabalhando, mexendo numa papelada infernal, tomando café, andando de um lado para outro resolvendo problemas. Abri novamente os olhos e comecei a fazer, na cabeça, a matemática dos dias.

- Caramba, ontem foi quinta! Mas que c@%@&#$... eu trabalho hoje!

Ninguém no ponto de ônibus, quase ninguém nas ruas, pouquíssimos carros transitando com seus motoristas com cara de bunda (acho que eles também iriam trabalhar, coitados!), ninguém nos elevadores, nenhum e-mail com a data de hoje, dia totalmente atípico. Poxa... será que só eu e alguns outros gatos pingados azarados fomos os sortudos a trabalhar neste dia?

Acredito que muitos emendaram o feriado, sim senhor. Estão curtindo uma sexta-feira bem diferente, no interior ou no litoral. A cidade, vazia, dá até medo! Medo não... uma inveja saudável.

E eu acreditando que hoje era domingo! Tsc... nunca imaginei que um dia iria achar uma sexta-feira triste...

posted by : o Administrador desta empresa, uai!!!
12:14 PM

É campeão! É campeão!!

Caros acionistas: e não é que nossa empresa faturou mais um prêmio? Desta vez foi o do concurso "seu blog é ótimo, tem qualidade, mas ainda não é um sucesso", onde os blogs inscritos passaram primeiramente pelo crivo popular e depois, já na finalização do concurso, tiveram as pontuações registradas pelos jurados. Eis a seguir as notas e as considerações finais àcerca da nossa empresa:

João Prata: Bem original, os posts podiam ser mais curtos. (nota 9,0)
Mônica: Um blog que já encontrou o caminho do sucesso (mais de 17 mil visitantes), possui algumas participações em sites que premiam e sabe como divulgar seu trabalho. Embora um pouco fora do perfil dos candidatos deste concurso, vale a pena destacar a importância que dá ao contéudo, aos textos bem escritos. É divertido, descontraído sem deixar de ser crítico. Num post, afirmou que gostaria de ter o dom da oratória para prender a atenção do público. Não se preocupe, pelo menos no que se refere à escrita, parece ter o dom magnético de nos prender à leitura! (nota:9,0)
Cilene Bonfim: Tem muito talento, escreve de maneira simples. Ou seja, todos são capazes de entender seus textos. Muito bom. (nota 9,2)

Acho que falo em nome de todos: muito obrigado!

posted by : o Administrador desta empresa, uai!!!
12:03 PM


Quarta-feira, Abril 20, 2005

Como assim quatro?

Esta semana eu comemoro cinco anos de uma intervenção cirúrgica... e até parece que foi ontem.

Porquê? É que tive que retirar um rim que, na base da total malandragem biológica, parou de trabalhar! Parou e foi de uma hora para outra. Ah... e se você acha que deu para tacar um aviso prévio no safado, ledo engano: não tive chance nenhuma. Parou mesmo o pilantra, igual àqueles funcionários que, querendo ser demitido do emprego, começam a morcegar incessantemente; tipo aqueles empregados que sentam na frente do computador para desenvolver um certo trabalho e na hora "H", nada. Chega um momento que é inevitável o pé na bunda do sujeito.

Mas comigo - e com o safado deste meu rim - foi uma experiência trabalhista muito rápida, pois não percebi nenhuma alteração dele até começar a ter uma puta duma febre e uma indisposição sem tamanho. Fui ao médico achando estar com dengue (ou outra simplória moléstia qualquer, tipo uma leve pneumonia...) e descobri que tinha uma rara duplicação do sistema coletor renal, com ureter duplo e tudo mais. Não entendeu, né? Eu também fiquei meio passado na hora, mas deixa eu tentar te explicar melhor: meus rins são duplicados.

Mais fácil assim, não é?



Na hora que a médica virou para mim e disse que do hospital eu não sairia nem fudendo, tremi na base:

- Peraí, peraí... não é dengue não?
- Não... você tem uma rara duplicação nos rins e um deles parou de funcionar.
- Parou? Mas como assim parou? E que negócio é este de três rins?
- Três não, quatro!
- Ah, bagunçou geral. Quatro? E um parou?
- Isto... o superior esquerdo. Vamos ter que operar...
- Mas como operar? Operar de operar mesmo?
- Sim. Você tem alguém para liga? Sua mãe, pai, irmão?
- Vem cá, doutora... não é gripe que eu tenho não? Uma variante rara da influenza, quem sabe...


E foi assim, deste jeitinho mesmo, que aconteceu. Numa hora, eu com o corpo todo dançado. No outro, uma hidronefrose violenta no rim (rim que virou uma bolsa de carne a apodrecer no corpo sem nenhuma função, armazenando líquidos, não expelindo-os e formando um ambiente propício para as bactérias de plantão atuarem como advogados trabalhistas do tal órgão preguiçoso: olha, meu cliente tá parado mas ele tá aqui, viu?), uma febre que vira e mexe retornava com maior intensidade, a preocupação de uma infecção generalizada... e eu internado.

Cinco anos se passaram. A minha vida? Normal... mas levo a recomendação médica bastante à sério: me falaram para beber muito líquido. Mas o que estou pensando neste momento é outra coisa: qual o fim daquele rim, aquele judiado rim superior esquerdo?

Qual destino aquele meu pedaço de carne teve, eu não sei. Depois que ele se desligou do meu corpo, soube que seguiu direto para o setor de patologia. Passaram alguns dias e tive a informação do porquê da sua malandragem: ele simplesmente aproveitou que havia quatro (inclusive ele, o coçador) para fazer a função de dois (que era a normalidade, diga-se de passagem) e começou a vadiar. Mas estava bom, quer dizer, ele simplesmente ficou muito parado e não conseguiu voltar ao batente: demitido!

O corpo humano é implacável, tipo uma empresa fundada nos moldes capitalista mesmo: vacilou, dançou! Ou melhor, perdeu a função, saiu do corpo! É assim com o dente ciso, com aquela gordura retirada numa lipoaspiração, uma unha, um punhado de cabelo. Engraçado... me veio a cabeça uma coisa: qual o destino destes pedaços que são retirados do corpo da gente? Aquele meu rim eu sei que não arrumou outro emprego, aquele bicho preguiçoso... mas qual foi o destino dele? Incinerado? Colocado em parafina e analisado por estudantes de medicina? Virou almoço de urubu num lixão qualquer? Onde estarão agora minhas amígdalas que extrai em 1998?

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8:32 AM


Terça-feira, Abril 19, 2005

Vaticano urgente: o novo Papa está à caminho.

Direto da Redação.

Em meio ao alvoroço mundial sobre quem será o próximo Papa e das especulações de como seria a votação secreta para escolher o sucessor de Jõao Paulo II, nossos incríveis repórteres conseguiram a façanha de burlar a rígida segurança da Capela Sistina e, em primeira mão, revelam um dos segredos mais bem guardados da Igreja Católica, só perdendo, em termos de mistério religioso, para a Aparição de Fátima: trata-se do real significado da fumaça que emerge da chaminé da dita capela do Estado do Vaticano, na ocasião do Conclave.

Ao contrário que se revelou, a fumaça não tem nada à ver com a escolha do novo Papa, mas sim um normal subproduto de uma das mais tradicionais formas de se fazer uma refeição já conhecida pelo homem: a do fogão à lenha.

"Vocês tem que ver o tanto que estes cardeais comem: é uma barbaridade, minha gente... e uma comida feita no fogão de lenha é uma boa pedida de almoço e tem o seu lugar! E outra coisa: os cardeais a-do-ram!!" relatou Adalgiza Monteiro, cozinheira aposentada do Vaticano que serviu à Santa Igreja na década de setenta, com exclusividade para nossos repórteres. "Já fiz muita comida no fogão à lenha daquela Capela, sim senhor. Quando o outro Papa bateu as cachuletas, eu era a primeira ajudante de cozinha do lugar. Aquela fumaça que vocês vêem lá nada mais é do que a lenha que queima quando estávamos a fazer aquela comidaiada praqueles esfomeados de batina" - completou.

Do lado de fora, inúmeros peregrinos que aguardam ansiosamente a notícia da escolha do novo líder católico, sofre horrores com o delicioso aroma de comida vindo junto com a fumaça negra. "Hoje tá com cara de comida típica mineira... sente só o cheirinho de costela de porco frita no bacon... hummm!" comentou a beata iuguslava Katrina Ivanhovikch, de 85 anos, que se encontra em frente à Capela Sistina há cinco dias. "Ontem parece que o pessoal lá dentro fez pé-de-porco... e pelo jeito estava uma delícia" - relatou o turista japonês Sijiho Takashi, de 75 anos, que aproveitando a passagem pela Praça de São Pedro, comprou um dos inúmeros livros de receitas culinárias do Vaticano, vendidos nas barracas montadas ao redor dos pontos turísticos da cidade.

Perguntamos à um expert da política do Vaticano, senhor Esídio do Sacramento Eterno, sobre nossas descobertas, mas o que obtivemos foram somentes respostas evasivas ou as mesmas que habitualmente ouvimos: "a fumaça preta indica que há um impasse na escolha do novo líder da Igreja Católica; já a fumaça branca, que um novo Papa foi escolhido". Mas esta história a gente já conseguiu desvendar com a ajuda da ex-cozinheira do Vaticano: "a fumaça branca só brota da chaminé quando eles terminam mesmo a tal da votação. Aí, quando os cardeais resolvem sair, tem que jogar fora todos os cigarros mata-rato que levaram escondidos para o Conclave. Resultado: jogam tudo no fogão à lenha lá da capela, um pouquinho depois da gente preparar um cafezinho para fazer uma boca de pito. Aí é aquele Deus nos acuda na cozinha: empesteia o lugar todo com aquele cheiro de cigarro com o filtro dele queimado e ali vira, com o perdão da palavra, um inferno!"

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10:38 AM


Segunda-feira, Abril 18, 2005



Andamos sempre apressados, não importa aonde vamos: para casa, para o trabalho, para curtir um cinema, para encontrar quem a gente gosta. E andamos sempre sem olhar à nossa volta.

Não percebemos as coisas simplórias da vida, não observamos, por exemplo, aquele prédio que vai ser demolido, construção que teve seu apogeu há tempos atrás, hoje carcomido pelo tempo, pelos cocôs de pombos e pelo ar empestiado da cidade. Quem lá viveu? Quem ali amou, quem ali morreu, que fizeram daquele lugar, meu Deus! Sempre passamos por aqui, mas agora... um sentimento de vazio me tomou conta do peito, como se um pedaço história, da nossa história, estivesse sendo apagada indiscriminadamente dos livros. Não... nada de reforma, mas sim um outro prédio, moderno, edificação de vidro escuro, lugar de aluguel, sala de dentista ou representação comercial.

Hoje percebi um prédio, este prédio, prestes à ir ao chão. Olhei atentamente por entre o tablado vermelho e pus-me a admirar aquela velha construção, como se soubesse eu discernir entre o barroco e o clássico. Mesmo assim parei e fiquei observando aquele mundaréu de tijolos de barro feito à moda antiga, artesanalmente, paredes de reboco grosso, arcos nas janelas e portas, prestes a desabar. Olhando para cima perdi novamente o sinal verde do pedestre.

De repente, um estalo: olhei os carros, quase todos novos, à minha volta; olhei as pessoas que me encaravam, olhei para aquele tapume vermelho que separava o novo mundo do velho e aguardei, um pouco triste, o sinal fechar para os automóveis.

A faixa de pedestre pareceu ter quilômetros... e corri, pois estava com pressa de chegar à não sei aonde! Estava com pressa...

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3:25 PM


Sexta-feira, Abril 15, 2005

I'm so happy...

Hoje levantei inspirado. Levantei depois de ficar rolando uma hora na cama, querendo que os minutos voltassem, que se tornasse novamente meia-noite ou quem sabe uma da madrugada, hora que realmente dormi.

Hoje levantei inspirado mesmo: um café quentinho, alguns biscoitos e um pedaço de ovo da páscoa adoçando o dia; o sol abrindo os braços para me acariciar... nada pode atrapalhar este dia.

Tudo estava belo, tudo parecia em perfeita harmonia... tudo! Faz tempo que não vejo a vida por ângulos tão... interessantes.

Percebi que muita coisa não tenho, mas de quê adianta ser o dono de tudo? A gente vive o momento, o minuto, vive a cada batida do coração: ele é o metrônomo da vida. Respirar o ar puro da manhã faz bem, observar as plantas úmidas de orvalho, passar a mão na cabeça de quem você gosta e sorrir... coisa que dinheiro nenhum no mundo pode comprar.

Hoje levantei inspirado, levantei primeiro com o coração. Hoje estou feliz e ao que parece nada vai atrapalhar este meu jeito de ver o dia, este dia. Razão para isto? Nenhuma... acredito que dormi bem, que levantei bem, que as inúmeras preocupações cotidianas um dia terão solução, que a vida da gente segue um compasso, compasso este marcado pelas batidas do coração.

E o meu hoje bate feliz... até chegar a hora de apresentar o trabalho de Direito Econômico, é lógico!
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Ah... hoje tem post também no:



ELUCUBRAÇÕES CEREBRINAS

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9:41 AM


Quinta-feira, Abril 14, 2005



José Uoshington: Ah, minha barriga tá doendo...
Clementino: Pára, pelo amor de Deus...
José Uoshington: Estou até chorando...
Clementino: Kakaka! Pára, Uoshington... vamos rir baixinho para não dar na cara, sô! Vai que ela escuta... kakaka!
José Uoshington: ... e quando [limpando as lágrimas dos olhos] e quando ela viu a camisa do patrão com uma marca de batom?
Clementino: Nãããoo... aconteceu isto mesmo?
José Uoshington: Juro por tudo que é mais sagrado...
Clementino: Faz muito tempo isto?
José Uoshington: Ah... uns quatro ou cinco meses antes de você chegar...
Clementino: Mas que sacana...
José Uoshington: Sacana não, rapaz... descuidado!
Clementino: Mas conta, me conta...
José Uoshington: A diarista...
Clementino: A tal da Adalgiza que a patroa falou?
José Uoshington: Ela mesmo... a Adalgiza chegou aqui na sala e ficou rodeando a patroa Josefina com uma camisa na mão, como não quer nada, e lascou um "olha isto aqui", bem despretensiosamente...
Clementino: Mostrou a camisa?
José Uoshington: Lógico!
Clementino: Poxa... não sabia desta história, Uoshington...
José Uoshington: Você precisa de ver o rebuliço que deu...
Clementino: A patroa ficou uma arara?
José Uoshington: Patroa? Que nada... a patroa Josefina falou, na maior classe, que houve um acidente...
Clementino: Acidente?
José Uoshington: É... tipo estes que acontecem quando se vai abraçar para cumprimentar uma mulher...
Clementino: [de boca aberta]
José Uoshington: ... e se encosta, sem querer, a boca de batom na camisa!
Clementino: Sério mesmo, Uoshington... ela falou isto?
José Uoshington: Juro por estes enchimentos sintéticos que a terra há de ruminar por mil anos!
Clementino: Gente... mas não estou entendendo... se ela não achou ruim, então que rebuliço é este que você falou?
José Uoshington: Ah... da Adalgiza! Menino... você precisa de ver a cara que ela fez! Abriu a boca e ficou espantada com aquela reação!
Clementino: Sério?
José Uoshington: Seríssimo... daí as duas sentaram em mim e a diarista começou a falar do ex-marido dela, que não prestava, que era um pilantra de carteirinha e coisa e tal..
Clementino: Hum...
José Uoshington: ... e a patroa ouvindo e consolando a pobre da Adalgiza!
Clementino: Tá brincando...
José Uoshington: Tô não... con-so-lan-do! Com C maiúsculo!
Clementino: E a Adalgiza!
José Uoshington: Começou a baixar o nível. O nível baixando e eu quietinho no meu canto...
Clementino: Duvido... aposto que você estava botando pilha...
José Uoshington: Nada! Estava quieto mesmo, calado... e a Adalgiza só faltando gritar no ouvido da patroa...
Clementino: ... que ela estava...
José Uoshington: ... cega!
Clementino: Faz o típico da Josefina: não consegue enxergar nada na frente do nariz!
José Uoshington: Depois disto, diante da atitude da patroa, a Adalgiza desistiu de vir trabalhar aqui!
Clementino: Ah... que pena!
José Uoshington: Foi embora nos cascos, mas não antes de fundir a cabeça da patroa com uma pergunta.
Clementino: É? Qual?
José Uoshington: Perguntou o que faria ela se encontrasse uma marca de batom, em vez na camisa do patrão Adalberto, na cueca dele!
Clementino: Não, não, não... ela não fez isto!
José Uoshington: Feeez! Fez e falou...
Clementino: E Josefina... que disse!
José Uoshington: Começou a se desentender com a Adalgiza.
Clementino: Será que esta menina não aprende?
José Uoshington: Se um dia vai tomar alguma atitude, eu não sei... mas acho que não vai mudar nunquinha!

Nisto entra em casa Adalberto, pingando de suor por conta do intenso calor lá fora e cansado do trabalho. Josefina escuta o barulho da porta se abrindo e corre para abraçar seu marido. Beija-o.

Josefina: Hummm... tá usando manteiga de cacau, amor? Neste calor?

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2:58 PM


Quarta-feira, Abril 13, 2005

Eleito, eu? Pra quê?

Eleição sem que o indivíduo saiba sequer que está sendo cogitado para um cargo qualquer. Coisa que geralmente não acontece nunca, não é? Eu, por acaso, nunca tinha ouvido falar!! Como uma pessoa pode ser eleita para uma função, uma delegação qualquer, sem a ciência ou o consentimento desta?

- Aqui, meu senhor! Nós nos reunimos extraordinariamente e, numa espetacular e inédita votação, elegemos você, por unanimidade, para ser o Presidente da Associação Internacional Rockstone de Proteção às Pedras Lunares. Tá aqui sua faixa, assine aqui este livro e...
- Associação de quê?
- Associação Internacional Rockstone de Proteção às Pedras Lunares!
- Mas que merda é esta? E o que eu tenho que fazer?
- Ihhhh... nem queira saber!!!


Ledo engano se você acha que isto é impossível. Pessoas podem se reunir na surdina e eleger uma outra para pular num abismo, nadar num mar repleto de tubarões, trocar o Band-Aid num rio repleto de piranhas ou, quiçá, outra função de essencial cunho qualquer.

Sim... fui eleito! Pior do que nadar num mar de "tutubarões" é ter que, em pouquíssimos dias, me preparar para dar uma grandiosa e eloqüente aula sobre a origem do planejamento econômico brasileiro na frente de todo mundo (minha oratória, como já relatei, me dá medo!), uma matéria um pouco para lá de complicada (política, infelizmente, não é meu forte!).

Como aconteceu? Ora... na segunda, depois de uma sofrível prova da qual saí da sala com duas certezas (que sabia que não sabia muito da matéria da prova e que necessitava urgentemente de um "oxigênio" no meu decrépito e bastante cansado cérebro), ao retornar à classe tive a inesperada e alegre notícia (comunicado soaria melhor) que, em minhas mãos, se encontrava uma bomba atômica de não sei quantos bilhões de megatons com previsão para explodir na próxima sexta-feira, segundo horário.

Acredite se quiser, mas tive até momentos de insônia nestas últimas noites! Fora eu sonhando com a matéria dois dias direto...

Eu não mereço tanta alegria!!

Em tempo: tá afim de votar em mim para alguma coisa? Clique aqui, selecione a nossa empresa e confirme!!!

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11:56 AM


Segunda-feira, Abril 11, 2005

Diversão na cidade!

Sinal do progresso: meteram um motel na cidade!

Pois que eu saiba, uma verdadeira cidade que se preze tem que ter igreja, praça, prefeitura, câmara de vereadores e zona (não necessariamente esta tripartição de poderes... às vezes o "serviço mais antigo do mundo" se confunde com dos nossos eleitos e chega na frente da política) e, com o advento da sempre tão bem falada liberdade pregada neste e no século passado, um local propício para a prática, cada vez mais usual entre jovens, velhos, fiéis e infiéis habitantes do município, dos prazeres da carne. Sim... temos também uma churrascaria, mas o que estou querendo falar mesmo é do outro prazer carnal...

Meteram um motel na cidade, cidade interiorana, onde quase todo mundo conhece quase todo mundo, onde as janelas ainda são utilizadas por muitas senhoras à tardinha, naquela conversinha "boca mole" no pé do ouvido da vizinha, uma tomação de conta da vida alheia maravilhosa, donas-de-casa e senhores feudais modernosos resolvendo o problema de todo mundo, sem olhar para o próprio umbigo.

E este estabelecimento ainda vai dar muito o que falar, ô se vai. O local, nem tão central mas de fácil acesso, tem, para facilitar as idas e vindas dos seus assíduos freqüentadores, um ponto de ônibus praticamente na porta. Quem passa dentro do coletivo estica o pescoção para flagrar, quem sabe e se der sorte, um conhecido descendo do carro lá dentro do motel, ou outro se esquirvando da pouca luminosidade na hora de efetuar o pagamento.

Não tem coisa mais atual na cidade do que comentar sobre quem está trocando o óleo na mais "nova novidade" da cidade. E, para quem gosta de assuntar a vida dos outros, aquele ponto de ônibus, estrategicamente posto defronte ao motel, é um bunker para as fofoqueiras de plantão...

- Vêm cá, Martinilda... senta aqui...
- Dá licença, Creuzete... e aí, novidades?
- Ah... você não sabe quem entrou naquele antro agorinha mesmo...
- Quem? Eu conheço?
- Ah, deve de conhecer! Sabe a filha do Norberto Calçabrava?
- Uma morena?
- Ela mesmo... entrou no moter faz vinte minutos...
- Menina do céu... eu achando que ela era virgem...
- Quê? Virgem a filha do Calçabrava? Tá delirando, mulher?
- Uai...
- Não lembra que o Varter da Totonha pegou ela na rua de madrugada, numa sem-vergonhice com o filho do Tião Bezerra?
- Ah, é... o Varter achou que o muro tava caindo em cima deles e já ia ajudar, né?
- Era poste de energia elétrica, não?
- Não... era muro mesmo!!
- Que descompromisso com os bons costumes, hein?
- Não sei onde este mundo vai parar, Dona Creuzete...
- Olha o ônibus... vai pegar ele, não?
- Não, não... agora não! Vou ficar proseando um "cadinho" com a senhora...
- Espia, espia... aquele casal alí que desceu da lotação...
- Ah... eu aposto que vão entrar no motel...
- Não tá parecendo a ex-mulher do Carlos Mexidão, aquela espevitada da Socorro?
- "Num querdito". E não é que é ela mesmo... e com o Seu Ambrosino da Quitanda!! Mas ele não era broxa?
- Seu Ambrosino? Broxa? Humpf... você tá meio lerda hoje, Martinilda... o Seu Ambrosino já se engraçou até com sua enteada, a Tina!
- Não, não... a senhora está enganada... a Tina não relaria um dedo no Seu Ambrosino, não...
- O dedo não, mas outras coisas sim...
- Mas a senhora é muito petulante, viu? Na minha família não demos este desfrute...
- Peraí, peraí... aquele carro alí, vindo como não quer nada, não é do Nerson da Dona Fátima?
- O carro é dele... ah, meu Jesus! É o Nerson...
- Vem, vamos ver se dá para ver qual a mulher que tá com ele...
- Vai ver que tá levando a esposa...
- Ô, mulher lesada! Cê não tá vendo que é a amasia dele, não?
- Minha Nossa Senhora do Perpétuo! O Seu Nerson tem um caso fora do casamento? E a Dona Fátima... sabe?
- Se sabe eu não sei, mas que ontem eu ouvi ela sondando como se faz para entrar no moter com o amigo do seu fio, isso eu vi...
- Amigo do meu filho Narciso?
- É... ela tá doidinha com o filho da Sebastiana, um bonitão e quase vinte e tantos anos mais novo que ela! Eu acho que ela tá rodeando o menino...
- Mas agora estas mulheres que não se dão o respeito não estão dando folga nem para os nossos meninos! Ave Maria...
- Nossa mãe, estamos aqui proseando e nem vi o tempo passar!
- Que horas são?
- Quase meia noite!
- Menina do céu... tenho que correr!
- Eu também... amanhã a senhora vai passar por cá?
- Eu acho que não...
- Então boa noite para você, Dona Creuzete!
- Boa noite, Dona Martinilda. Por qualquer coisa a gente se vê na missa, tá?

Quê? Está rindo? Ah... então você não sabe nadica de nada de como funciona as velhas e carcomidas engrenagens sociais duma cidade do interior! Ô, língua marvada, sô...

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1:15 PM


Sexta-feira, Abril 08, 2005

Ah... não brinca!

Tem gente que tem uma certa facilidade em acreditar piamente nas coisas que estão aí, à nossa volta. Ou são inocentes, ou são bobos, ou são influenciáveis ao extremo. Tem gente que acredita em gnomos, aqueles bichinhos mágicos, narigudos, do tamanho duma lata de refrigerante (relatam até o tamanho da porqueira do ser místico), uns falam que são verdes (eu já acho que são azuis, parentes dos Smurfs) e que vivem nas florestas.

Tem gente que tá aí, fudendo com as florestas na base das moto-serras, e nunca viu um gnomo! Então... gnomo existe ou não?

Tem gente que acredita que existe vida fora da terra. Eu acredito que exista, sim, mas nunca vi um ET. Só o do Spielberg, voando de Caloi Cross (ou era Monark?) em 1982. Passaram-se 23 anos, mas naquele extra-terrestre bonzinho eu (ainda) acredito. Mas também acredito nos maus, nos predadores e aliens "sangra ácido" que povoam a imaginação fértil dos humanos fazedores de história de mula sem cabeça moderna, prosa Hi-Tech. Sim... porque se existe vida fora deste planeta azul smurf, deve existir então seres tão ruins quanto o ser humano! Ou a ruindade, assim como a bondade, é característica exclusiva do homo sapiens?

Mas uma coisa eu custo a acreditar: que eu tenho um amigo que acredita até em conto da carrochinha:

- Aê, mermão... tá afins de pegá um som zeradaço!
- Como?
- Som para seu carango... saca só...
- Poxa... nunca vi um som destes... até CD-Rom...
- Pois é, mermão... tô passando ele nos cobre!
- Ah... mas eu não tenho dinheiro...
- Mixaria, mermão... cem real, cem real...
- Mas um som deste só por cem reais?
- É que eu tenho que fazê uma grana, sacumé...
- E a nota fiscal para garantia?
- Sangue, tu num vai acreditá, mas rolou que uns dias prátrás deixei a nota no bolso da calça e minha muié colocou prá lavá...
- Ih... isto acontece direto! Você garantindo a procedência, que ele não é roubado, eu posso até...
- Patrãozinho... tô aqui na moral contigo... eu que comprei a parada aê....
- Então tá bom! Aceita cheque?


Coelhinho da páscoa, Papai Noel e que este país tem solução! Ele também deve acreditar nisso...

Pensando bem, os dois primeiros pode até ser que....

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5:53 PM

Oratória.

Eu queria, juro, ter o dom da oratória. Sabe aquele lance de prender toda uma platéia com as palavras? Sabe aquele lance de expor fatos, mesclando com pitadas de humor, intercalando notícias recentes, indo à Grécia antiga invocando um célebre pensador, voltando ao que começou... com uma tranqüilidade digna de um bom pescador? Pois é: isto é a tal da oratória.

Não tenho esta tranqüilidade quando fito os olhos da platéia. Esqueço tudo, perco o fio da meada, me atrapalho. Em 2001, durante uma aula de Penal, fiquei todo sem rosca tentando apresentar um trabalho de Beccaria: eu, que havia feito todo o trabalho no papel, não deveria apresentá-lo na frente dos colegas! Mas as regras, de uma hora para outra, mudaram e tive que (tentar) fazê-lo! O resultado foi catastrófico por sinal.

Oratória. Ontem, coincidentemente numa aula de Penal, fiquei mais uma vez embabascado com a arte! Com a ausência da professora titular, apareceu um outro substituto. Sala cheia, quinta-feira, primeiro horário, professor substituto, sem chamada: um convite à tomar um "oxigênio" lá fora! Mas que ar que nada. É impossível, quando se tem o dom da oratória, ficar falando somente para as paredes.

O que vi foi uma aula expositiva sobre quase tudo certo e o quase tudo errado, se é que me entende! Passeou o professor pela concepção desta nossa justiça injusta (justiça para pobres # justiça para ricos) onde um é condenado à um ano de prisão, regime fechado, por roubar uma barra de chocolate, enquanto o outro, que "leva emprestado" milhões dos cofres públicos, passeia inocentemente pelos corredores da nossa capital federal; passeou pela formação do nosso caráter, povo pacifista (até quando?) e dos lixos que (os países desenvolvidos e suas mega-corporações) nos obrigam a engolir dia após dia; passeou por Kafka, passeou pela filosofia, passeou, passeou... enquanto nós, alunos, assistíamos a uma aula que tinha tudo para nascer morta, mas, por obra de uma perfeita oratória, ganhava minutos após minutos da mais plena atenção dos presentes até chegar o fim do primeiro horário.

Eu gostaria de falar direito... será que para isto tem aula?

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2:07 PM


Quinta-feira, Abril 07, 2005

Cismei: ainda estou pensando no quê escrever, mas já adianto que hoje o post vai ser no:



ELUCUBRAÇÕES CEREBRINAS

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10:28 AM


Terça-feira, Abril 05, 2005

AA de Santa Catarina já se mobiliza: barbeiros bebedores de cana deverão contar com o apoio da associação.

Direto da Redação.

Quando parece que já vimos de tudo neste país, surge mais um caso cabuloso, chegando ao cúmulo do escândalo, envolvendo desta vez a classe dos barbeiros de Santa Catarina.

Diversos Panstrongylus, Triatoma e Rhodnius, esquecidos pelo Governo, pela sociedade em geral e praticamente vivendo de restos e esmolas, acuados e infelizes, passaram a ingerir cana regularmente em vez do sangue humano. É um sinal claríssimo que esta parcela esquecida da nossa sociedade se encontra totalmente à mercê dos ventos do destino e requerem, urgentemente, de uma intervenção mais rígida por parte do Estado ou ONG's que militam por estas causas.

Procurado por nossos repórteres, encontramos, na sarjeta, um outrora feliz e rico chupança que chegou, inclusive, a ter até uma certa intimidade com Carlos Chagas, a quem ele se refere carinhosamente de "grande irmão". Despejado de sua residência, passou a depender cada vez mais do Governo Federal, mas a ajuda de custo começou a ralear e hoje o senhor João Barbeiro é mais um dos inúmeros órfãos deste sistema.

"Realmente não está mais dando para morar aqui neste país. O Governo, que antes convivíamos bem, hoje não nos dá a mínima. Somos esquecidos, somos o resto" - bradava aos nossos microfones. Não demorou muito tempo para outros viciados em cana juntarem à sua volta, gritando palavras de ordem e exigindo uma postura mais atuante do Estado.

"Com esta pesada carga tributária imposta por este dito Governo neo-liberal de esquerda, não está sobrando muita coisa para a gente não! O Estado anda chupando quase todo o sangue do povo brasileiro, nos deixando assim à ver navios, deixando nossa classe na maior pindaíba! O negócio é entrar na cana mesmo!!" gritava, bastante nervoso, um barbeiro que não quis ser identificado. "Mudou do sangue para vinho esta economia, minha gente! Assim a gente não agüenta!" - continuou a protestar.

Indagamos se, com a situação tão deprimente e caótica aqui no país, não seria uma solução uma imigração em massa para países vizinhos, como a Argentina ou o Paraguai. A resposta negativa e em uníssono foi o bastante para percebemos um enorme sentimento de revolta prestes à explodir. Perpétua Casinha de Pau-a-Pique Barbeira, representante sindical do Movimento dos Barbeiros Brasileiros - MBBr, disse-nos que a situação dos barbeiros brasileiros nos países vizinhos é ainda pior, sendo que muitos dos irmãos dela se encontram vivendo em situação sub-insecta, chegando ao cúmulo de trabalharem como bóia-frias para as ricas e abastadas famílias dos piolhos de bois dos Pampas. "Meu primo tá conseguindo se virar na Ponte da Amizade, mas a Polícia Federal já tá começando a desconfiar que ele não é besouro rola-bosta!", continuou a representante sindical.

Por conta disto o consumo de cana entre os barbeiros brasileiros aumenta exponencialmente. O Alcoólicos Anônimos de Santa Catarina já se encontra de prontidão para receber em torno de mil barbeiros viciados em cana por mês. "Trabalhos de conscientização, jogos e palestras deverão colocar este pessoal no seu devido lugar", afirmou o representante do AA naquele estado, senhor Teobagulhindo Pitombeira.

Nossos repórteres indagaram ainda à respeito de fezes encontradas na cana ingerida por eles e por alguns incautos humanos. "Isto é obra do filho da Crotilde Barbeira, aquele moleque dos infernos... mas a mãe dele já o colocou o peste de castigo! Onde se viu cagar onde a gente come o pão... menino sem educação!!"

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9:23 AM


Segunda-feira, Abril 04, 2005

É... o Papa foi desta para uma melhor!

Agora é esperar os cardeais lá daquele minúsculo e riquíssimo Estado escolherem o sucessor do falecido João Paulo II. Vai ter eleição no Vaticano, mas não vão usar a Urna Eletrônica brasileira, não! O negócio lá é artesanal mesmo, folhinha escrita, produtos químicos, fogo na lareira e silêncio na geraldina: tudo no maior segredo, boca miúda, coisa digna daqueles filmes medievais que a gente assistia na Sessão da Tarde, comendo pipoca doce com Ki-Suco! Se eles usassem a nossa máquinha, no mais tardar na quarta-feira a gente já saberia quem seria o sucessor do Carol Wojtyla. Poxa... será que eles não acreditam no nosso infalível sistema eleitoral? O nosso sistema é dez, à prova de erros: quer dizer, o povo é quem erra, a máquina nunca!

E como será o processo lá, hein? Será que rola, entre eles, a famosa boca de urna? Panfletagem? Será que já tá rolando, desde antes do primeiro "cof cof", o "eu voto na sua chapa se você..." ou "eu te apoio, mas você tem que colocar meu sobrinho na jogada...". Deve ser tipo um julgamento às avessas!

- Negada: quem aqui de vocês vai segurar esta ponta - deve perguntar o cardeal camerlengo (que nome feio, hein?) aos outros bons e quase santos velhinhos!

E, como não poderia faltar, tem brasileiro na jogada! E, tendo brasileiro na parada, todos nós, não sei quantos milhões de fanáticos verde e amarelo tupiniquins, temos para quem torcer novamente!

Brasileiro: eita povinho que gosta de estar em todas, né? Está na nata do futebol mundial, no tênis (hum... se bem que o Guga está tão assim "mais o menos"... tem que benzer!), na F-1 (hum... Barrichello é nata? Tem que tomar um litro de água benta este ano...), e está também na disputa do papado! Ginga de cintura, vontade de vencer, malandragem... tomara que o Cláudio Hummes traga o caneco para a gente!

Já imaginou o tio lá, o tal do camerlengo, gritando para aquela multidão de católicos: Habemus papam! Dio è brasiliano ed il papa anche!

Agüeeenta, coração! Em vez da voz do Bonner ou do Bial, quem narraria a final da partida? Lógico... Galvão Bueno! E que final emocionante...

Caramba... Deus é brasileiro e o Papa também! É para encher de orgulho até quem não pisa faz tempo no gramado da igreja do seu bairro, não é não? Se este esquema do Vaticano der certo, só vai faltar para a gente, brasileiros de carteirinha, colocar um dos nossos filhos no espaço!!

É rindo (e desta vez rezando fervorosamente) que a gente consegue seguir sempre em frente...

- Amém!

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3:09 PM


Sexta-feira, Abril 01, 2005


Resolveu que nunca mais ninguém iria usar seu automóvel. Ninguém mais encostaria as mãos naquele volante e dirigiria seu bólido pelas ruas daquela perigosa São Paulo. Cunhado, esposa, filhos... não! Não mais pegariam seu carro na garagem e sairia de casa "para dar um rolé" enquanto estivesse fora, trabalhando.

Era muito apegado com suas coisas o tal do Percivaldo. Chegava ao cúmulo do ciúme, doença: o que era seu, ninguém tascava a mão. Computador, tanto da sua casa quanto o do escritório, era só seu! O violão, amigo de tantas horas, não deixava ninguém tocar, nem seu companheiro de boemia de décadas, o Carlos Teodorico, que o ensinou na arte das seis cordas há mais de décadas. E seu carro, seu adorado BMW zerado, último modelo, coisa fina, luxo total, estava no rol dos objetos venerados por ele.

Chegou em casa e viu seu negro automóvel todo sujo, poeira, fuligem e dedos da cidade marcando a lataria. No outro dia enfurnou na garagem e começou a bolar um dispositivo, uma trava revolucionária que negasse acesso ao BMW por outra pessoa que não fosse o dono.

O inventor e sua criação: depois de muitos meses, foi pai de um sistema complexo de travamento e destravamento das portas assim como também a ignição do carro, todas elas acionadas pela sua impressão digital.

Ninguém daquela casa nunca mais usou o carro de Percivaldo, ninguém mesmo, só ele! Orgulhoso e com o espírito de dever cumprido, conseguia agora se concentrar no trabalho.

Um dia foi surpreendido por alguns meliantes na Rebouças. Encostaram o frio cano do revólver em sua cabeça e gritaram a chave do carro! Calmamente, Percivaldo explicou aos jovens e drogados infratores que aquele automóvel só por ele poderia ser ligado, uma vez que seu polegar era o passaporte para a engenhosa mistura gasolina, oxigênio e fagulha elétrica do poderoso veículo.

Levaram os bandidos o BMW com a chave e tudo, deixando para trás um inconsolável e ciumento Percivaldo com a mão a sangrar.

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9:13 AM

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