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Jornal do Blogueiro

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Quinta-feira, Março 31, 2005

Abstinência.

Cinco dias de abstinência para poder fazer um espermograma.

É um tempo relativamente curto cinco dias: nada de sexo, nada de bebidas alcoólicas, nada de absolutamente nada! Cinco dias, eu acho, deve ser o suficiente para o corpo, neste caso o meu aqui, produzir milhares de milhões de espermatozóides espertos, bichinhos ligeiros... e sóbrios! Cinco dias... mas (porque sempre existe um "mas") como reza o capetinha (aquele mesmo que diz no pé da nossa orelha que tudo que é proibido é melhor), porque quando a gente não pode fazer uma determinada coisa, a toda hora aparece uma oportunidade para quebrar o jejum?

Êpa... estou falando é do jejum etílico!!

A merda da abstinência cervejal é foda... tomar um golinho depois do serviço ou nos intervalos entres as aulas tem a ver com convívio, sociabilidade, comunicação! Três dias se passaram e por enquanto vou conseguindo manter uma certa distância entre minhas mãos e um copo de cerveja gelada! Mas vou te falar uma coisa, numa boa: ficar sem tomar uma nestes dias de temperaturas elevadas é uma tortura equiparável às das câmaras de gás nazistas ou qualquer um daqueles mecanismo de purificação da alma sacramentalmente inventados durante a Santa Inquisição Católica.

É difícil, viu! Quase que chutei o balde já no primeiro dia, segunda-feira brava, quando no trajeto para casa (não fui à aula: tinha aquela prova na terça, lembra?) passei pelos inúmeros três botequins que se encontram no caminho e por lá quase parei para tomar aquela "uminha" gelada que serve para tirar o pó da garganta. Nem preciso dizer que, bravamente, resisti à tentação. Nem preciso dizer que heroicamente acenei um "não" para colegas de bar que ao me ver passar, levantavam, instigantemente, o lagoinha pela metade enquanto eu me punha, literalmente, da rua para dentro do portão.

Terça-feira, naquele desespero todo por conta da dita prova, se ia ter a danada ou não ia ter (acabou que ela foi adiada para a próxima semana... mais sete dias de agonia!), quando tivemos a tão esperada resposta de que ganhamos mais tempo de respirar, bateu em todos nós aquela vontade coletiva de beber no boteco em frente da faculdade! Alguns companheiros, exaustos de tanto se debruçar em livros, apostilas e códigos, seguiram, felizes, para uma rodada de Skol, geladinha... enquanto eu fui à biblioteca folhear livros, procurando um para ler no final de semana. Sim... poderia acompanhá-los, porquê não, numa animada conversa... mas preferi seguir caminho contrário aos amigos! O segundo dia acabou e eu consegui me manter distante da tentação!

Ontem também foi barra, mas principalmente por conta do jogo do Brasil contra o Uruguai. Parecia até final de Copa do Mundo: todo mundo resolveu, por conta e risco, assistir ao jogo, seja em casa, seja num botequim próximo. E eu, na sala de aula, numa ótima exposição do que é o Direito Econômico no Brasil: uma punheta mal batida por conta do nosso governo! Ao final do último horário, a constatação de que o barzinho estava mais cheio do que a faculdade inteira... e eu, abstêmio!

Hoje eu sei que vai ser barra. Sei porque afinal de contas hoje é quinta-feira e é justamente neste dia da semana que o pessoal começa a se preparar para o sacro ritual do sábado e do domingo, isso para não entrar no mérito do "grito carnavalesco" da própria sexta-feira. Tem que haver um certo ritual etílico na quinta, um pré-pré-começo de final de semana! Cara... e para piorar as coisas, hoje é também o último dia de março, dia de fechamento, mais uma página virada nos 365 deste ano, aquela obrigatoriedade de dar boas vindas ao próximo mês! É ... estou vendo que hoje vou ter que segurar a onda!

Estou tentando me concentrar na missão, mas o pior é que já me ligaram aqui!

Amanhã, primeiro de abril, é o dia da mentira: se eu tomar uma cerva hoje e bater uma "punha" amanhã, será que vai acusar algum problema na porra do exame? Será que meus espermatozóides saberão mentir?

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6:20 PM


Terça-feira, Março 29, 2005



Josefina: Mas que engraçado... tá aqui um cupom fiscal referente à compra de um ovo de páscoa!
Clementino: Onde estava?
Josefina: No bolso da calça de Adalberto...
José Uoshington: É, patroa... ganhou ovo de páscoa e nem deu um teco para gente, né?
Josefina: Pois é... eu dei sim um ovo de páscoa para ele, mas não ganhei nenhum...
José Uoshington: Bem... er... vai ver ele esqueceu dentro do carro...
Josefina: Não, não... ele não falou nada mesmo... quando eu lhe dei o ovo de chocolate, ele lembraria do meu se tivesse deixado no carro ou coisa parecida.
Clementino: Então ele deu o ovo para outra pessoa, Josefina.
Josefina: Outra pessoa... não me deu um ovo de páscoa, mas daria para outra pessoa?
José Uoshington: Um primo, um sobrinho pequeno...
Josefina: Uoshington... estamos muitos quilômetros de qualquer parente de Adalberto! Faça-me o favor, né?
José Uoshington: Mas ele poderia ter mandado via Sedex, não poderia?
Clementino: Acho que você tem que averiguar esta história, Josefina... vai fundo, descobre porquê tem um cupom fiscal incriminando seu marido...
José Uoshington: Ah não... incriminando o patrão... pelo amor de Deus, Clementino... cê tá pegando pesado, meu irmão...
Clementino: Pegando pesado é o escambau! Para quem então ele daria um ovo de páscoa, hein? Para quem?
José Uoshington: Para a secretária... ops!
Josefina: Para a dona Florípedes?
Clementino: Para a dona Florípedes?
José Uoshington: Para quem??
Josefina: Você falou, em alto e bom tom, "para a secretária"... José Uoshington, vai soltando o que sabe...
José Uoshington: Não sei de nada... não sei de nada...
Josefina: Sabe, ah se sabe!
Clementino: [cantarolando baixinho] "lá lá iáá... a casa vai cair..."
José Uoshington: Ora... é de bom tom os humanos presentearem seus subordinados... e no caso do patrão Adalberto, nada mais justo que presentear aquela que é o seu braço direito no trabalho. A senhora mesmo que falou um tempo atrás que sem dona Florípedes, Adalberto estaria perdido...
Josefina: É... tem razão, José Uoshington... um mimo na páscoa ou em outra data festiva é sempre interessante: mantém os funcionários entretidos com algumas migalhas, coisa de quem é facilmente manipulado... mas será?
José Uoshington: Com toda a certeza deste mundo, patroa Josefina... porquê outra razão então patrão Adalberto compraria um ovo de páscoa para outra pessoa que não seja a senhora?
Clementino: Josefina... você não está engolindo esta, está?
Josefina: Mas que outro motivo Adalberto teria para não me presentear com um ovo da páscoa?
José Uoshington: Hummm... por acaso ele não está te achando um pouco gorda, não?

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8:21 AM


Segunda-feira, Março 28, 2005

A incrível arte de enrolar com os estudos.

Livros. Peguei dois de Direito Comercial na última terça-feira para me preparar para a prova (do dia 29). Pensei com meus botões que neste feriado sentaria e os leria na paz, sem pressa nenhuma (poxa... afinal, são quatro dias de descanso). Os livros sobre Títulos de Crédito coloquei bem do lado da cama, dum jeito que, ao acordar, seria obrigado a pegá-los.

Na quarta trabalhei normalmente, ou seja, sem chance nenhuma de estudar! Em casa, de noite, só queria saber de sombra e água fresca. Tinha comprado uma língua de boi para fazer um prato que vi no programa Terra de Minas: jantar na quarta ou almoço na quinta-feira? O cansaço falou por mim...

Na quinta acordei com os livros a me acenar insistentemente! Nem lhes dei atenção: fui para a cozinha trabalhar o prato, depois encher o pneu da bicicleta do meu afilhado, depois desistir de almoçar a língua de boi, depois um sono (nada melhor do que almoçar e depois puxar uma palha... sinto falta disto!) e depois, à noitinha, saímos para comer alguma coisa.. pois a quinta virou sexta. Cerveja, tira-gosto de "torremo", o afilhado quis que quis comer omelete (comeu somente a metade... eu a outra parte!), uma magnífica porção de contra-filé na chapa! Cheguei em casa já procurando um Estomazil...

Sexta de madrugada foi alternando horas de sono com horas no vaso sanitário: alguma coisa que comi não me fez bem! Seria o "torremo", o omelete recheado de presunto e mussarela ou os deliciosos pedaços do contra-filé? A única certeza é que dor de barriga (a famosa diarréia) não é mole não... quer dizer, é, mas é duro! Ah... você me entendeu! Os livros? Rindo da minha situação... e eu, para descontar, os coloquei perto do computador (que bichou no sábado!), afastando-os do meu campo de visão!

O sábado foi dia de arrumação: limpar a casa, arrumar as coisas aqui e ali, faxina geral. Depois de muito cansar, à tardinha saímos para tomar umas cervejas: jogo de futebol em todos os botecos. Meu time perdeu, infelizmente, e a graça se foi. Em casa, atualizando a porqueira do computador, o XP não mais respondeu: vou ter que reinstalar o programa! Os livros coloquei junto com minhas revistas, num outro quarto.

"De domingo não passa!" Com esta célebre frase, acordei disposto a estudar bastante! Resoluto, cheguei na cozinha e preparei um café bem forte. Deu fome: fiz um bolo de coco (aquele mesmo que se usa 4 ovos, 200 gramas de coco ralado, uma lata de leite condensado e uma pitada de fermento). Enquanto o bolo assava, resolvi preparar a tal da língua: parti-a e pedaços pequenos, óleo, bacon, linguiça defumada, tempero, cebola cortada... dois cubos de Maggi, molho soyo... coisa fina!

- Denilson: vamos fazer um churrasco?

Agora os livros, amigos de longa data, se encontram comigo, em cima da mesa: tenho hoje e amanhã para engolir tudo sobre letra de câmbio, nota promissória, cheques e duplicatas! E você... nem pense em me chamar para qualquer coisa que não vou...

Não vou mesmo porquê quando falo que vou fazer uma coisa, eu cumpro! Às vezes...

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11:35 AM


Quinta-feira, Março 24, 2005

Supermercado bom é supermercado vazio.

Fiz um teste ontem: resolvi fazer compras depois da minha aula, de noitão mesmo, quase de madrugada.

O que encontrei? Peraí... reformulando a pergunta: o que não encontrei?

Bem... a princípio não encontrei aquela confusão de carrinhos cheios, uns esbarrando nos outros, naquele terrível e conhecido congestionamento em frente aos caixas. Não encontrei dificuldade para estacionar o carro, nenhuma mesmo! Poderia colocar o automóvel onde quisesse (para quem tem uma Dakota ou uma F-250, este horário é uma bênção divina), sem me preocupar com o "achar uma vaga" que assola a gente nestes tristes momentos do comprar; vagas tão sortidas, taquei o carro praticamente na porta do supermercado, lá no gargarejo: passei do tapete, tá lá o carro. Não encontrei aquelas meninas que fazem café (poderia perder o sono: cafeína à noite não combina muito), não encontrei nenhuma criança com aqueles mini-carrinhos de compra correndo de um lado para outro, lotando-o de badulaques para, na hora de pagar a conta, o pai dispentar 99% do que o filho buscou na loja.

- Mamãe vai comprar só a bala, tá?

O filho abre o berreiro e a mãe põe o Chips na rodada...

Tá vendo... não vi nada disto. Não encontrei nenhum vazio nas prateleiras, todos os produtos bem acomodados, um após outro, certinhos na estante. Mas o melhor, o que realmente valeu a pena mesmo, foi que não encontrei a tradicional e famigerada fila para passar no caixa. Ah... que alívio. Nada pior do que andar para todos os lados de um supermercado, adquirindo muitos produtos, gastando o rodo de dinheiro, para depois, já cansado, ficar um tempão parado numa fila de caixa. Ontem, vocês estão vendo com os seus próprios olhos, não encontrei dificuldade nenhuma, nenhuma mesmo, de fazer minha compra tranqüilamente.

Os funcionários já estão acostumados, eu acho! Supermercado 24 horas tem destas coisas. Eu, se fosse para trabalhar de noite, desistiria: a noite para mim é para dormir, descansar do dia. Mas, olhando por outro prisma, vou arriscar falar uma coisa: que tranquilidade deve ser trabalhar neste horário. O chefe, se é que tem lá um chefe (chefe deve ficar dormindo ou assistindo a programação da madrugada na telinha da Globo), não deve pegar muito no pé dos funcionários. Aquele cliente chato, aquele que resmunga, que enche a paciência do pobre do repositor querendo um pacote de biscoito com a validade para 31/12/2007 está dormindo o milésimo e lá vai carqueirada sono. Não tem nenhum menino levado (para não dizer sem-educação) esbarrando nas prateleiras dos vinhos, fazendo-os irem ao chão (pense comigo: há algum trabalho para a faxineira noturna? Acredito piamente que, ao lado do chefe/gerente, ela se equipara no nível de coçeba mais mansa da vida: afinal, pouquíssimas são as pessoas transitam no seu chão no horário em que ela trabalha) ou furando os "danoninhos e yakults da vida" com seus dentinhos afiados. Vida, como te falei, tranquilaça!

Tá vendo? Eu iria fazer esta mesma compra hoje, logo após sair do serviço. Agora tenho minha noite livre, sem stress de fila do caixa, sem stress de estacionamento, sem me preocupar com nada, absolutamente nada.

Ah, que paz de espírito... acho que dá para encarar a merda do horário do rush bem mais zen, bem mais tranqüilo!

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8:56 AM


Quarta-feira, Março 23, 2005

Eu uso óculos.

Certo dia resolvi ir à um oftamologista. Mas não foi assim do nada não: sempre sentava nas últimas carteiras na sala de aula, já não prestava tanta atenção assim nas explicações dos professores e, paulatinamente, percebi que a vontade de escrivinhar nas folhas do caderno diminuiam de acordo com a dificuldade de enxergar os rabiscos de giz no quadro negro.

Constatação mais do que esperada: precisava usar óculos.

Pois é... depois de comprar o bendito percebi que enxergar direito é imprescindível para a vida de qualquer cidadão.

Aquela placa com dizeres estranhos (vista tristemente de um longe quase perto) agora me mandava comprar uma calça jeans tradicional; aquele ônibus que vinha voando pela avenida, ônibus este (leia qualquer um que apontasse ao longe) que eu sempre parava para conferir se era o que eu deveria pegar (e muitas vezes não era, que irritava profundamente o motorista), lá da quinta esquina já era nítido; as feições das pessoas vistas de uma distância maior... impressionante a revolução que o óculos fez. E faz!

Sabe menino quando aprende a ler? Eu estava quase igual. Deste dia em diante, só faltava eu dormir de óculos. Ver as coisas como ela são, na íntegra, na xinxa, é muito bom.

Mas ontem passei a maior parte do dia sem os danados. Quer dizer, até agora estou enxergando merda nenhuma. Porquê? Porque depois do episódio da lasanha (triste!), passei numa ótica para trocar aquela peça (nem sei o nome da merdinha do treco: é uma que fica encostada no nariz) e o moço-hulk, num acesso de fúria incontrolável, quebrou a porqueira do meu óculos.

- Olha... eu nem vou te cobrar!
- Não senhor, quero saber quanto vai ficar...

E o cara não quer receber, e eu quero meu óculos consertado... combinamos do cara mandar arrumar. Tá lá até agora!

E eu? Eu estou... sem enxergar direito. Pra falar a verdade, de uma certa distância, não consigo distinguir nem um pingüim com o rabo no gelo de uma galinha d'ângola ciscando no mato. Ceguinho da silva.

Que horrível... estou praticamente com o nariz encostado no monitor de vídeo...

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9:58 AM


Terça-feira, Março 22, 2005

Lasanha.

Hoje, depois de uma boa noite de sono, acordei pensando numa saborosa lasanha. Pode falar que é "sonho de gordo", não ligo. Acho que sonhei com massas esta noite, só pode. Devo ter sonhado!

Só sei que vim trabalhar sonhando acordado com a hora do almoço. Humm... hoje eu vou comer uma lasanha, uma saborosa e suculenta lasanha!

Meio dia no relógio e eu seguindo em direção do centro: vou almoçar lá no La Greppia. Mas antes, pagar uma conta. Uma não, duas.

Cheguei na minha primeira parada, fila do caixa, uma só pessoa atendendo, um monte de gente aguardando. E eu pensando na minha lasanha. A menina do caixa, tadinha, estava numa roubada: pára um, paga, pára outro, pergunta, questiona... chega uma senhora, decide pagar no cartão, senha... esqueceu a senha, lasanha...

No outro lugar foi bem pior: estava bem lotado. Lotadaço mesmo! É a sagrada hora do almoço: todo mundo, em vez de almoçar e dormir, resolveu pagar suas contas hoje! E minha lasanha esfriando...

Eu na fila, uma senhora me cutuca e me pergunta se eu gostei do sapato que ela, desajeitadamente, levava nas mãos. Sapatinho feio viu? Um tom claro, pequenas manchas, pigmentos escuros salpicados no couro sintético do desgramado do sapato... parecia um misto de queijo prato com orégano! Sei lá porquê lembrei, mas a coloração parecia isto: pizza de queijo prato com orégano.

- Você gostaria de ganhar um sapato destes? - perguntou.

Credo: fiquei sem jeito de dizer que o danado do sapato tinha a cor de queijo assado com orégano. E se eu falasse? Será que ela poderia interpretar mal? Tsc... como falar que a cor daquele sapato era horrível?

- Olha... eu preferiria um sapato com uma cor sólida. Tipo este meu (apontei para meu sapato preto). Cor única, entende?
- Como assim?

Pensei na minha lasanha, olhei a fila, olhei para o sapato (me deu vontade de falar a verdade, que aquele sapato parecia uma pizza de queijo com muito orégano e se alguém o manchasse com um tom avermelhado, esta mancha seria o tomate), olhei novamente para a cara da senhora e pensei em falar para ela procurar um cinto que combinasse também com o sapato...

- Olha... tudo tem à ver com o gosto (gosto de pizza?)
- Mas você não gostou?

Ah, minha lasanha. Sorri. Sorri pensando na minha lasanha, sorri pensando que ela entenderia meu sorriso. Sorri para não falar a verdade. Às vezes um sorriso vale mais do que mil palavras. Paguei a bendita conta e corri para o restaurante. Lasanha, lasanha...

[ Lá no La Greppia, à noite, tem um rodízio de massas. Quando estudava em Sete Lagoas e ainda morava em Belo Horizonte, sempre por lá parava e fazia uma boquinha antes de ir embora para casa. Às vezes juntavam seis, sete amigos da faculdade e fazíamos a festa. Vou te falar uma coisa: as massas são tão suculentas e gostosas que, uma vez comendo neste restaurante, provavelmente você voltará para repetir a dose... e tenho dito! ]

Cheguei lá e procurei a lasanha. Tinha acabado a bendita lasanha. Não tem mais, não? Sério que não? Acabou mesmo?

É. Deveria ter almoçado antes de pagar as contas. Hummm... e se eu fosse comer pizza quatro queijos? Bastante orégano... não! Vou ficar pensando naquele feio sapato! Será que aquela senhora o comprou? Péssimo presente, péssimo gosto...

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3:48 PM


Segunda-feira, Março 21, 2005

Insônia... de novo!

Duas da madrugada abro os olhos e não consigo mais fecha-los: primeiro e triste sinal de que a noite vai ser longa.

O sono não vinha... o corpo, muito cansado pelo dia de domingo, clamava por mais algumas horas em repouso, coisa de reabastecer as energias. E nada do sono vir.

Insônia. Pego o relógio e confiro as horas: duas e vinte e poucos da madrugada. Lá fora, uma escuridão "da porra". Poderia chover, ajudaria, com toda a certeza, no meu sono. Mas não choveu hoje... sábado para domingo sim, choveu muito durante a noite toda... é bom ouvir a chuva caindo. Mas hoje ela não veio.

E continuava rolando de um lado para outro do travesseiro. Batia nele, como se culpado fosse! Incomoda ficar acordado, incomoda muito. Leite. Lembrei que leite ajuda! Levantar, abrir a geladeira, esquentar o leite, chocolate em pó... não! Deu preguiça... desisti da idéia.

Lá fora tudo escuro. Eu querendo dormir. Levantei cedo ontem, fizemos um café, nos arrumamos para ir ao churrasco, coloquei a bateria no carro, fomos embora. Demoramos demais para chegar no sítio, pára aqui, pára acolá. E carrega instrumentos, e descarrega instrumentos, e monta, toca e desmonta a aparelhagem toda: cinco horas de som, quase seis. Estrada... corpo todo moído.

Queria dormir uma noite de sono confortável. Queria, mas estou acordado, não me deixo, por algum motivo idiota, dormir.

Abro os olhos e vejo entrando pela janela o sol. Os primeiros raios, eu vi! Travesseiro em cima da cara, cara de quem não está acreditando no que está acontecendo: daqui a pouco o despertador aciona. Corro para fechar a cortina, evitando de todo modo olhar para o dia lá fora.

Seis e quinze ele me chama. "Merda de relógio..." e decido tentar dormir alguns minutos, qualquer coisa ajudaria.

Nada!

O dia começou bem, eu já com um péssimo humor. Sete horas e alguns minutos... decidi, por conta própria, chegar atrasado. Tentei uma hora de sono, uma só!

Blam, blam, blam... o pedreiro, lá embaixo, começou a trabalhar. O relógio marca oito e meia. Oito e meia da manhã... eu acordado desde duas e pouco.

Insônia... insônia e segunda-feira. Tentei ser o mais interessante e breve possível, mas meu humor hoje está desproporcional ao meu sono! Coisa de quem não dormiu nada de noite...

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2:49 PM


Quinta-feira, Março 17, 2005

- Boa noite!

Olhei para o lado e reconheci uma vendedora de cartões de crédito. Boné com o logon do banco, blusa com a marca da instituição, uma caneta e uma prancheta, logicamente, com a marcona estampada.

- Boa noite!
- O senhor possui conta corrente?
- Sim, tenho...
- E gostaria de abrir uma conta e ganhar um cartão do banco Tailandês da Bósnia totalmente "de grátis"?
- Não, não estou interessado...
- É totalmente sem taxas no primeiro ano...
- Realmente, não estou interessado... nem um pouco interessado, se é que você me entende!
- Ah, vai... [fez cara que ia chorar a criança]

Banco, cartão de crédito, nota promissória... detesto isto tudo, do fundo do coração. Tenho sim minha conta corrente (que agora está mordendo minha já pouca grana por conta de qualquer extrato ou conversa informal com o caixa) e somente ela, nenhuma mais. Cartão de crédito já tive uma vez, já estourei e já paguei ele todo, sim senhor: jurei nunca mais colocar a mão num deles novamente.

Pois é... e eu que já havia falado duzentas e quatro vezes que não estava nem um pouco interessado no produto, fui vencido pelo cansaço! "Vamos fazer este treco aí!"

Tentei fugir ainda:

- Olha... não garanto nada se minha ficha vai passar: tenho o nome mais sujo que poleiro de galinheiro...
- Não tem problema não... vamos avaliar seus dados e, depois de tudo acertado, blá blá blá e abobrinha futebol clube... nome do senhor?

Caramba... nem falando que o camarada tá numa pior, vendendo o almoço para comprar a janta, a menina do banco não ia embora! É... acho que agora não tem mais jeito... e lá se foram alguns dos meus dados para o papel da moça.

- Banco que tem conta.
- Banco Central do Brasil [falei na brincadeira, mas quando ia revelar o nome do banco correto...]
- Nossa... este seu banco é muito ruim, hein? Olha para você ver: aqui em Belo Horizonte só tem uma agência dele.
- [boquiaberto] É mesmo... minha agência é aquela mesmo, perto da Assembléia Legislativa.
- Ah... mas então você vai gostar do meu banco. Temos agências espalhadas por toda a cidade...
- Ah... mas meu banco, o Banco Central, é mil vezes melhor.
- Sério mesmo? Não parece...
- Super sério. Você já ouviu falar em fila nos caixas do Banco Central do Brasil?
- Não... nunca ouvi... [fez cara de séria]
- A gente passando lá na rua nem percebe que ali tem um banco moderno, que respeita seus clientes com, utilizando as palavras que você disse a pouco, uma única agência na cidade. Mas vou te falar uma coisa: é um banco muito bem estruturado...
- E as taxas? Duvido que as taxas sejam...
- São as melhores possíveis. Porquê você não abre uma conta lá também...

Complicado, né?

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11:39 AM


Quarta-feira, Março 16, 2005

Papo direto com São Pedro, sem escalas.



Ok, ok, ok! É perseguição, não é, São Pedro? Eu, em encarnações passadas, deveria ter sido um dos seus desafetos, ou um discípulo brincalhão que sempre atrapalhava suas orações... ou simplesmente você cismou comigo assim do nada? Hein?

Porque não tem jeito! Eu tô achando que o senhor tá de birra comigo, só pode! Porra, cara... eu merecia tomar aquela chuva toda chegando em casa vindo da faculdade? Caramba... você sabe que eu desço no ponto de ônibus, tarde da noite, e ainda tenho que subir cinco longos e íngremes quarteirões até chegar em casa... e o senhor me manda aquele temporal assim do nada, chuva fudida sem pé nem cabeça? E justamente naquela hora?

É, com perdão da má palavra, uma puta duma sacanagem mesmo! E olha que eu ainda tentei te enganar, ficando por mais de meia hora, longos trinta minutos protegido daquele aguaçeiro todo no coreto da praça... é, aquele projeto de praça onde, vez ou outra, uns camaradas ficam puxando um fuminho!!

Pois é... e nada do senhor me dar uma trégua! Só via a merda da chuva aumentar, água descendo, tubulações já não suportando o volume d'água... parecia aquele dia que o senhor queria sacanear o Noé, lembra?

Peraí... será que eu tenho algum parentesco com Noé? É... porque o senhor arrebentou com ele uns dias atrás, tá lembrado? O cara, para fugir da sacanagem que o senhor o infligiu, construiu aquele barcão enorme, a tal da arca (olha o trabalho que você deu para o pobre coitado... e nem santo ele é!), colocou uma porrada de animais lá... tudo por conta do seu humor ferino e do seu desperdício: água tá cara, meu irmão... manera aí na torneira.

E não teve jeito mesmo. O senhor não arredava pé de me sacanear, eu já cansado, com fome, sono, a fim de chegar em casa... e seja o que o "Seu Superior" quiser: peguei a carteira, o celular e alguns papéis que estavam no bolso da calça e os coloquei na pasta (nem sei porquê estou te falando isto... você viu tudo, não foi?) e me joguei naquela chuva, que, ao meu ver, tinha dado uma pequena melhora.

Mas aí o senhor, no auge do seu bom humor, despingolou a chuvarada toda! Menino do céu... cheguei em casa até com a cueca molhada.

Aqui, tio... o senhor tem algum informante que trabalha perto de mim? Deve ter... o alcagüete deve ter te dado a boa que eu deixei a merda do guarda-chuva na gaveta, né? Este X-9 dos infernos deve ter batido a língua venenosa alertando que eu, ainda na portaria do prédio, pensei em voltar para buscá-lo mas reparei um pedaço do céu sem nuvens negras, típica de que "hoje não chove mais" e deixei pra lá, né? Este dedo-de-seta sacana deve ter buzinado no seu ouvido que isto tudo aconteceu, só pode.

É... um dia, pode escrever aí no seu caderninho, um dia a gente vai ter que sentar e resolver esta situação de uma vez por todas... mas enquanto ele não chega, tem como você pegar no pé do Mauricinho que trabalha comigo? Porra... eu nunca vi o cara reclamar que pegou chuva!!!

posted by : o Administrador desta empresa, uai!!!
9:23 AM


Segunda-feira, Março 14, 2005



"Você que é regido por este signo deve aproveitar a energia de Plutão envia ao seu regente para sair de situações de estagnação excessiva ou círculos viciosos. Chegou sua hora, acredite! Se sua participação neste plano de existência se tornou bastante estéril, inútil mesmo, este é o momento de deixar aquela vida para trás e tomar as rédeas do seu destino: não tenha medo do que vai perder, certamente ganhará mais depois".

Josefina a tempos acreditava piamente em horóscopo. A primeira coisa que faz, todo santo dia, é pegar o jornal e correr para o banheiro: gostava de ler enquanto cagava.

Lavou as mãos e escovou os dentes com o pensamento fixo: círculo vicioso. Seria este o amargor, este o vazio no peito, reflexo de uma possível estagnação na sua vida? E o que fazia dela, a não ser cuidar de seu marido Adalberto?

A página do horóscopo estava lá, aberta, por sobre o vaso. Ela perdeu-se em pensamentos olhando para o espelho. Escovou os dentes novamente, coisa que tinha feito a pouco tempo. De repente um dêja vú, achou que aquilo já havia acontecido com ela.

Não o ato de escovar as gengivas, não o ato de se lavar, mas sim o pensamento, a vontade gritante de dar um basta naquela incômoda sensação de impotência, de servidão, de prisioneira dentro do próprio lar.

Banhou-se, lavando também seus cabelos. Secou-se, perfumou-se, entrou num comportado vestido (tipo terninho), uma pasta na mão e, confiante, preparou para ganhar o mundo.

Clementino percebeu um ar de determinação assim que a viu sair do quarto. José Uoshington, que falava de futebol, também notou algo no ar: aquela não parecia a mesma Josefina que conheciam. Ela virou para os dois, cumprimentou-os secamente e foi à cozinha tomar um gole de café.

José Uoshington: Eu hein? Para comprar alface tem que se produzir tanto assim?
Clementino: Josefina... estou notando um ar de confiança tão legal em você!
Josefina: Sim, Clementino... chega desta pasmaceira toda que é minha vida! Vou mudar isto é hoje, é agora!
José Uoshington: Mudar? Peraê... que tá pegando?
Josefina: Ah... eu não agüento mais esta minha vidinha de dona de casa. Quero investir na minha própria vida, voltar a trabalhar no que eu gosto, acender a chama da minha vaidade...
José Uoshington: Opa, opa... vaidade? Peraê, patroa... que lance de vaidade é este?
Clementino: Cala a boca, Uoshington... não está vendo que a Josefina se cansou da monotonia deste casamento?
José Uoshington: Cale a boca você, meu querido! Má que idéia mais sem pé nem cabeça, coisa sem fundamento! E desde quando o casamento dela com o patrão Adalberto é monótono?
Josefina: Ah, gente, pelamordedeus! Eu só me cansei de ficar parada no tempo! Agora eu quero retomar minha vida de onde eu parei...
Clementino: Te dou a maior força, Josefina... tomara que você consiga tudo que almejar...
José Uoshington: Sei... hoje então ela vai andar igual uma doida para arrumar emprego! Vai ganhar mesmo é uma bela duma bolha d'água no pé... hehehe!
Josefina: Pode ser que sim, pode ser que não... mas o que eu não posso mais fazer é ficar parada, vendo o tempo passar, sem fazer nada.
José Uoshington: E vem cá, patroa... o que mesmo a senhora faz de bom (tirando a janta especial quando o patrão chega) na vida? Qual a sua profissão?
Josefina: Eu sou, quer dizer, eu era antes de casar, auxiliar de escritório.
José Uoshington: [de boca aberta]
Josefina: ... e depois, bem, eu formei na faculdade mas não...
Clementino: O que Josefina está querendo dizer é que ela não exerceu a profissão "ainda", Uoshington! Ela se formou, e muito bem formada, em... em quê mesmo, Jô?
Josefina: Bem... eu sou entomóloga.
Clementino e José Uoshington: Mas que merda é esta?
Josefina: Estudei entomologia, que é o estudo de insetos.
José Uoshington: Sei... sei!! Bom ramo você escolheu! Estudar mosquito!
Clementino: Liga para ele não, Josefina... sua profissão é muito importante, viu? Afinal, alguém tem que saber se, por exemplo, a barata que está alí, atrás da estante, é uma Periplaneta americana ou uma outra periplaneta qualquer coisa, né?
Clementino: Ou se o tal do Aedes é mesmo egípcio ou da Jihad! Mas vem cá: de onde você tirou esta de estudar inseto, Josefina... que idéia mais doida...
Josefina: Ah... um dia li na internet um artigo muito interessante sobre as formigas ninfomaníacas da África Central e me apaixonei pela ciência...
José Uoshington: Ah... tá!
Josefina: Bem... deixa eu ir porquê o horóscopo me mandou ser ágil.
Clementino: Horóscopo? Você, peraí, você tá assim toda decidida por conta de um horóscopo que leu hoje?
Josefina: Ora... é lógico que sim! Eu acredito piamente no meu signo...

Bateu a porta e seguiu seu caminho.

José Uoshington: Eu não quis falar na hora, mas agora que ela se foi, vou te perguntar uma coisa, na moral: existe o signo burro na nossa astrologia?
Clementino: No horóscopo chinês eu acho que tem...

(Este texto foi inspirado pelos Posts Comunitários da Micha que hoje versam sobre astrologia!)

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10:57 AM


Quinta-feira, Março 10, 2005

Passa Gelol que passa.

Hoje eu estou com vontade de falar sobre aquela vergonha, aquela enorme vergonha que vem logo depois de um nababesco vacilo - um tombo, um tropeção, um momento de azar qualquer!

É triste, não é mesmo? E quem nunca vacilou, caiu de cara no chão ou fez alguma coisa errada sem querer (lógico: por querer não é vacilo!) que espere a sua vez: o seu dia certamente irá chegar!

Tá bom... depois que você deu com os burros n'água, tenta (se) consertar! Uma desculpa aqui, põe a culpa no treco qualquer que estava no lugar errado na hora errada acolá... vou te falar uma coisa: é até provável que consiga convencer os outros (e a você mesmo), mas é uma possibilidade um tanto quanto remota, porque o que passou, passou, vacilou tá vacilado!

Ou como diria meu avô, "vacilou, o cachimbo cai!"

Lembro de uma vez que estava num auditório, lugar este lotado de estudantes, todos nós aguardando ser chamados lá no palco para uma entrevista de emprego.

Nisso chamaram pelo meu nome. Subi a escada lateral, sentei defronte a entrevistadora e pronto, começaram as perguntas. No final, uma das vagas era minha: iria trabalhar como estagiário no Hospital Sarah Kubitschek pelo CIEE (Centro de Integração Empresa Escola) aqui mesmo em Belo Horizonte.

Minha alegria na hora foi tamanha que dispensei a escada: de lá do palco pulei praticamente para o centro do auditório. Aproveitei o impulso e segui em frente. Todos me olhando correr, eu olhando para o papel que deveria apresentar ao hospital quando, de repente, surge uma porta de vidro blindex na minha frente.

Ah, que beleza!!! Sabe quando a gente joga alguma coisa qualquer num objeto fixo (tipo jogar uma calculadora de mesa numa parede)? O objeto bate, faz um barulho fiodamãe e cai ao chão. A porta de vidro fez um barulho, mas um barulho que nem te conto. Tremeu todinha, quase quebrou. Foi horrível: eu lá deitado no chão do auditório... nem tive a audácia de olhar para trás. Era vergonha demais...

Outra memorável aconteceu comigo, há muito tempo atrás, ao descer de um ônibus. Chovia naquele dia e meu sapato já estava um tanto quanto desgastado. Coletivo cheio, piso molhado... chegou no ponto onde desceria, dei o sinal ao motorista. A porta se abriu e eu, querendo ter o mínimo de contato com a água que teimava em desgarrar do céu, tomei um pequeno impulso para ganhar a marquise. Foi quando covardemente fui traído pela sola do sapato: olha eu no chão!

Quê? Olhar para trás? Tá louco?? Nem morto... levantei, sacodi as gotas d'água da roupa, dei a volta por cima... e segui em frente, morto de vergonha! Cara... lembro que o ônibus também foi na mesma direção. Nisso o motorista, do nada, buzinou e perguntou (leia-se gritou para todo mundo ouvir) se eu havia me machucado. Ô raiva... aposto que o cara estava explodindo de tanto rir da cena!!!

Mas história boa de tombo foi a que acabei de escutar. Foi um caso de um cara que relatou para uma colega de uma grande amiga da prima dela: na sala da presidência de uma certa multinacional, chega um funcionário (recém contratado) para conversar com o poderoso chefão da empresa. Nele adentrar o recinto, tropeça no tapete e vai de encontro com a mesa "do homi", jogando tudo que nela se encontrava no chão.

- Crash, pof, tec-tlec, plim-plim-plic, krack, pom, táh, tump... [momento sonoplastia]

Teclas do telefone espalhadas pelos quatro cantos da sala, o porta retrato em frangalhos, papéis (que ele havia trago e outros que já estavam lá) voando pelo ar, olhos arregalados, os seguranças pensando que se tratava de um atentado, uma bagunça fenomenal.

Mas o cara, além da aberrante vergonha do tropeço e da consequência nefasta do seu ato, manteve a calma:

- Senhor, perdôe-me pelo meu destrambelhamento (enquanto tentava arrumar tudo, inclusive a própria gravata que deu um 350º em volta do pescoço)... e eu volto daqui a pouco, pois bagunça também dá justa causa!

Que jogo de cintura, hein?

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4:55 PM


Terça-feira, Março 08, 2005

Joga fora no lixo...

Melhorou consideravelmente nos últimos anos, mas ainda presenciamos, atônitos, muitas pessoas jogando fora toda a sorte de coisas e objetos pelas janelas dos carros.

É só observar nossos vizinhos de engarrafamento. Uma colisão à frente, um sinal defeituoso... e começa o festival.

Uma das coisas mais atiradas pelas janelas, depois das bolinhas de papel, é a meleca. É impressionante a quantidade de motoristas que tiram meleca do nariz durante um congestionamento. Fazem meio que escondido a "arte que mamãe não costuma ensinar para neném" e depois, despistadamente, esfregam um dedo no outro do lado de fora do carro, fazendo que aquela substância orgânica por ele produzida se despreenda (ora facilmente, ora não) da mão e se precipite na rua. Outros fumam seus cigarrinhos tranqüilamente e dispensam, sem dó nem piedade, a bituca no asfalto. Quantos cigarros são vendidos durante um ano? Quantos destes foram fumados dentro de veículos automotores? Quem, neste mundo de Deus, utiliza o cinzeiro do automóvel? Eu não conheço ninguém que o faça.

E o que gosta de bala, chocolate e chiclete? O tio chupa uma bala e, em vez de depositar a embalagem do doce no compartimento adequado existente no seu carro, simplesmente prefere picar o pé na sua boa conduta de cidadão, jogando ao vento mais uma sujeira. No caso do chiclete é pior: acabou o gosto, tchau chicletes - da boca para a rua, da rua para o solado dos nossos sapatos, sem pestanejar!! E palito de dente? Depois do almoço, palitinhos voadores saltando para a rua...

É triste mas é verdade. Encontramos pelas ruas uma infinidade de objetos jogados fora por nós mesmos, cidadãos, que adoram depois cobrar da Prefeitura uma cidade limpa, bem conservada e etc...

Panfletos. Um certo dia, parado num engarrafamento, veio um cara me entregar algumas propagandas. O amigo lá, trabalhando debaixo de um sol escaldante... o mínimo que poderia fazer era livrá-lo de um pouco do seu serviço. Quando reparei, o dono do carro logo a minha frente despejou não só o que ele havia a pouco recebido, mas quase dois quilos de papéis na rua. Ia jogando, jogando... parecia que não ia acabar nunca! Nesta hora não passa nenhum policial ou fiscal da prefeitura para multar o infeliz do sujeito que faz isto.

Outra vez foi um cara que estava tomando um refrigerante. Bem tranqüilo, numa nice, terminou e tacou a latinha pela janela, na maior cara de pau! Mas se bem que eu já presenciei uma cena parecida com esta, mas desta vez não tinha nenhum engarrafamento, era numa estrada mesmo: ia um carro na minha frente quando, do nada, sai de lá de dentro um coco. O danado quicou uma, duas, e na terceira vez, quase acertou um carro que vinha em direção contrária, em tempo de, certamente, provocar um acidente.

Mas legal mesmo foi um cara que emparelhou comigo num engarrafamento. Trânsito parado... e nós lá, aguardando a liberação da pista. Eis que escuto aquele conhecido puxar de garganta característico (olha o catarrão!). Olho para o lado automaticamente e vejo o meu vizinho de engarrafamento preparado para soltar aquela melecada toda na rua...

- Tchupt!

O vidro do carro dele estava fechado. Bem feito... além de porco, é burro!

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12:15 PM


Segunda-feira, Março 07, 2005

Vou te contar uma coisa: trabalhei tanto hoje que estou até sem graça.

Nada nem ninguém vai conseguir me fazer sorrir, e isto é certo!

Uma piada nova, inédita? Não. Um convite para desanuviar a mente num boteco, reestabelecer o contato com a alegria? Nem... hoje não.

Perdi a graça do dia de hoje! Hoje não... nada vai me fazer sorrir!

E olha que eu vi um cara tomar um trupicão na rua, ralou o sapato todo (acho que até chegou a abrir a sola) e xingar toda a geração do prefeito, secretários, sub-secretários e seja lá quem trabalhasse com o moço-eleito. E olha que o motorista do coletivo, coitado, quase avançou um sinal vermelho (ficou meio ônibus para lá, meio ônibus para cá atrapalhando bastante o fluxo dos carros) e os que conseguiram desvencilhar do vacilão, olhava-o com uma cara que vou te falar uma coisa (dois ou três levantaram aquele dedo enquanto afastavam do cruzamento problemático)... e olha que eu estava até com umas idéias interessantes para o dia de hoje.

Mas não... passou a vontade! Passou, foi minada pelo cansaço, simplesmente porque eu ralei demais nesta segunda... acho, para falar a mais pura verdade, que trabalhei hoje para a semana toda!

Cara... como estou cansado!

- E aí... fim de expediente: vamos tomar uminha?

Não... hoje não!!!

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6:00 PM


Sexta-feira, Março 04, 2005

E não é que ontem um contínuo daqui do serviço chegou para um colega, meu vizinho de mesa, e soltou a do dia:

- Vim cá pegar um envelope redondo.

Eu estatelei um butuca de olho no cara e, quando já ameaçava gargalhar, este colega, na maior crocodilagem do mundo, me mandou ficar quieto (só de olhar para a cara do sujeito a gente já sabe que vinha coisa) e despacha o coitado do officie-boy para outro setor.

E o cara rodou, rodou e rodou seção por seção a procura do tal envelope.

Acabou aí? Nada! Eu, na minha, trabalhava e pensava (tá bom, mais pensava...) no tal do envelope redondo. Como é que alguém pode sair procurando envelope redondo... envelope redondo. Isto não existe...

Resolvi criar um envelope circular (de redondo). Tesoura, um envelope retangular de matéria prima, um pouco de cola na lateral e... voilá: sai do forno um envelope redondo novinho em folha.

Peguei a minha invenção e passei para este amigo, o vizinho de mesa. Duas horas depois, volta o contínuo, aquele mesmo.

- Pôxa vida... o envelope estava com você o tempo todo, hein?

Aí eu não agüentei...

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4:05 PM


Quinta-feira, Março 03, 2005

Tempo bom que não volta mais...

Quando eu era officie-boy há trocentos anos atrás, aproveitava as intermináveis filas dos itaús e bradescos da vida e rezava, mas rezava fervorosamente para que, num provável futuro profissional, trabalhasse eu sentado, numa confortável cadeira, ar condicionado, em frente a um computador (naquele tempo, só para mensurar o post e dar a devida dinâmica temporal, o disquete utilizado no PC 486 era o pré-histórico 5.1/4, de cartolina), água gelada, cafezinho!

Bater à pé distâncias inimagináveis para pagar uma fatura, protestar títulos, quitar a conta de água da chefe num banco específico (geralmente, um banco longe pra caramba do seu caminho), sacar ou depositar um cheque (dos outros), faça chuva ou faça sol, nunca mais.

Naquele tempo as filas para os caixas dos bancos faziam voltas e mais voltas. Se bem que hoje também. Mas há dezoito, dezessete anos atrás, a coisa era bem pior: não existia a opção de pagar a merda da conta de telefone via internet (é mesmo... não tinha internet!!!), de debitar a porqueira da conta de energia elétrica no automático, para sacar, depositar, sustar, desassustar cheques era no pá-pum, olhando téti-à-téti na fuça do futuro portador de lesão por esforço repetitivo, o digníssimo senhor bancário.

Taí! Outra coisa que rezava, na base até do desespero, é que eu não me transformasse num bancário. Tudo bem que eles ganhavam (eu disse ganhavam) bem, se vestiam impecavelmente, tinham aquela cara de "olha, eu sou a cara da instituição", mas cruz credo: tinha medo de virar robô! Eu, bancário? Nem pensar...

E a fila não andava nunca. Lembro uma vez que entrei num banco, num único e bendito banco, para pagar uma reles duplicata com mais de 25 dígitos (daquelas que até o diretor, depois do gerente, do fiscal, do chefe, do cara da tesouraria, da faxineira e da moça o cafezinho te falam: não volte sem pagar esta bosta!!) e fiquei a tarde inteirinha na fila. Na fila não, de fila em fila.

- Ah, não, meu filho... aqui é o guichê 25. Primeiro você vai ter que passar no guichê 05, carimbar, ver quais são os juros e depois voltar aqui para quitação.
- Ah não, meu rapaz... você não passou no guichê 240, onde se tem a confirmação que o título não foi protestado.
- Você passou no guichê 25? Mas é lá que se verifica quais são as taxas de juros e...


E meus pés doíam, minhas pernas doíam, a boca doía de tanto falar as mesmíssimas coisas para um atendente aqui, outro acolá. Naquele dia, como já falei, fiquei a tarde inteira zanzando de um lado para o outro, com um título na mão, olhando, como olha peixe morto, para o espaço infinito dentro daquele banco, me imaginando trabalhando sentado, ar condicionado, cafezinho, água gelada, um computador (é... já naquela época, me vislumbrava piolho de computador).

Pois é... hoje estou nostálgico.

Opa! Quase na hora do almoço. Ainda bem... não tô agüentando mais ficar o dia inteiro com a bunda pregada na cadeira e olhando para esta tela. Meus olhos já começam a doer. E este café sem açúcar? Pelo amor de Deus... só falta a água do bebedouro estar quente...

Puts... e por falar em quente, lá fora tá um inferno que só vendo... e aqui dentro um frio fudido...

Merda! Acho que vou gripar!!!

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11:21 AM


Terça-feira, Março 01, 2005



José Uoshington: Então fica combinado deste jeito: a gente não pode e não deve escancarar o jogo...
Clementino: Peraí... não é escancarar o jogo, é deixar que ela perceba por si só...
José Uoshington: Perceba por si só? Você tá é de brincadeira...
Clementino: Brincadeira porquê?
José Uoshington: Porque, em se tratando de percepção, nossa patroa não consegue distinguir uma foca dum elefante...
Clementino: É.. isto você tem um pouco de razão... mas não podemos, nós dois, influenciar seus pensamentos.
José Uoshington: Pelo estofamento do céu... que pensamento, meu caro? Às vezes acho que ali só tem vento...
Clementino: José Uoshington! Eu não admito que você fale impropérios assim de Josefina na minha frente!
José Uoshington: Tá bom, tá bom... mas estou te falando, Clementino, que ela pode achar uma calcinha vermelha de rendinha suada na pasta do patrão Adalberto que nossa patroa ainda vai imaginar, sei lá... que é da sogra dela, a mãe do patrão!
Clementino: Menos, José Uoshington...
José Uoshington: Menos nada! Olha... pelo meu forro sintético que a terra ainda há de comer pelos próximos mil e quinhentos anos, isto ainda pode sim acontecer...
Clementino: Hã?
José Uoshington: Nada não...
Clementino: Ah, não... começou a falar, desembucha!
José Uoshington: Caramba, meu irmão... já falei que não sei de nada...
Clementino: Sei...
José Uoshington: [olhando para o lustre]
Clementino: Eu conheço muito bem o patrão Adalberto... e se você sabe de alguma coisa, alguma coisa que possa vir a, sei lá, ajudar a nossa patroa, diga-me... por favor! Ele, você sabe se ele, há uma outra...
José Uoshington: Não sei de nada. Palavra de sofá...
Clementino: Jura?
José Uoshington: Juro!
Clementino: Você cruzou os dedos do pé?
José Uoshington: Ah.. pára, Clementino... vai encher a paciência de outro...
Clementino: Senhor José Uoshington... então estamos combinados e acertados: ela deve saber de todo (e se tiver alguma coisa muito cabulosa para saber) por ela mesmo!
José Uoshington: Ok!
Clementino: Ok!
José Uoshington: Beleza...
Clementino: Hum hum...
José Uoshington: Muito tempo que conhece Josefina da perna fina?
Clementino: Desde quando era pequena. Tive sorte de acompanhar seu crescimento... e olha que fui reformado 3 vezes!! Tive muita, mas muita sorte de não sair daquela casa...
José Uoshington: E ela sempre foi toupeira assim?
Clementino: Sempre.
José Uoshington: [olhando agora para o bar]
Clementino: Uma vez, há muito tempo atrás, ela se envolveu numa confusão dos diabos.
José Uoshington: É mesmo? Conta, conta...
Clementino: Tsc... não sei se te conto!
José Uoshington: Ah, conta aí, cara...
Clementino: Tá bom! Foi um lance engraçado que aconteceu. O agora patrão Adalberto, logo nos primeiros anos de namoro, deu um bruta bolo na Josefina num final de semana prolongado. Como era de se esperar, a menina ficou na cidade, curtindo mágoa.
José Uoshington: Sei, sei...
Clementino: Acontece que no outro final de semana, para descontar, ela resolveu viajar também. Pegou sua mala, arrumou umas mudinhas de roupas, pegou o ônibus na rodoviária e foi visitar uns parentes, ou coisa assim, no litoral.
José Uoshington: Patroa Josefina fez isto? E o patrão Adalberto... não achou ruim?
Clementino: Ô se achou! Fez um bico que vou te falar uma coisa...
José Uoshington: Interessante... mas o que de legal tem na história?
Clementino: Ah... legal foi a Josefina contando para Adalberto que a viagem foi boa, encontrou seus primos, fez novas amizades, curtiu bastante...
José Uoshington: E, e...
Clementino: ... sendo que ela não achou ninguém na cidade, que fizeram a carteira dela quando se distraiu numa lanchonete, que choveu os dois dias ininterruptamente e que seu pai teve que despingolar de carro não sei quantos quilômetros para buscar a menina longe de casa que àquelas alturas já estava mais desesperada que tudo nesta vida!
José Uoshington: Mentira... então a patroa já mentiu para patrão Adalberto?
Clementino: Mentiu!
José Uoshington: E o patrão? Acreditou?
Clementino: Acreditou... acreditou quando voltou, todo queimado de sol, do final de semana dele!
José Uoshington: Como assim?
Clementino: Ora... o Adalberto aproveitou que Josefina pirulitou para um canto e caiu no senguê!
José Uoshington: Que malandro!
Clementino: Malandro é o gato! Seu Adalberto é pilantra mesmo...
José Uoshington: E Josefina é uma autêntica mulé burra!
Clementino: Pára de gritar, Uoshington... vai que ela escuta!
José Uoshigton: Escuta nada... aposto que agora patroa Josefina está lá no quarto dela, conversando com o criado-mudo!!!
Clementino: Hehehe! Pelo menos ele não pode dar com a língua nos dentes...

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2:59 PM

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