Segunda-feira, Janeiro 31, 2005
Não tenho nada contra o sexo na madrugada. Para falar a verdade, acho este horário propício para a coisa... na calada da noite, ouvindo o que falam as estrelas, banhados pelas gotas do luar.
É... de madrugada é legal.
Alguns podem dizer que não há horário para a dita conjunção carnal, que pode ser a qualquer momento. Concordo também... pintou o desejo, foi...
Mas alguns felinos não tem este feeling: ou é de madrugada ou não se fazem mas gatinhos neste mundo.
Ô merda é ter que ficar ouvindo gatos transarem no telhado da casa da gente!
Esta madrugada alguns destes bichanos fizeram do telhado da minha casa de motel. Combinaram direitinho durante o dia, trocaram olhares, ferônimos, jantaram um delicioso Friskas de peixe com pimenta malagueta (para aumentar a libido), se encontraram no muro da moda (um recém pintado por conta das últimas propagandas políticas) e pirulitaram para a cama confortável de telhas coloniais da minha humilde residência. E transaram muito. Quer ver? Eram três e meia quando acordei com o grito da gata, em êxtase. Três e meia da madrugada e rolando a sacanagem: os gatos naquela festa toda e eu tentando dormir. Acho que o gato tomou uns Viagras da vida, só pode! Sim... porque lá pelas cinco e meia ainda rolava uns gritos estéricos da fêmea felina querendo mais... e um ronronar do gato, tipo tentando dizer: "não tô te güentando, nêga!"
Ah... e que sono que estou hoje!
É... sexo na madrugada é bom... ter que ouvir gatos transarem a noite toda que é osso!
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8:49 AM
Sexta-feira, Janeiro 28, 2005
Chegou o carnaval.
Hoje, extra e quase que oficialmente, a folia em Nova Lima começa! É, meus caros... hoje sai o Bloco da Taioba.
Sim... teremos nesta sexta-feira o início das bebedeiras carnavalescas, dos homens fantasiados de mulher (eu e meus cunhados vamos de Senhora do Destino: Nazaré Tedesco, Maria do Carmo e Lindalva) e do impressionante "boom" nas vendas de Engov e similares nas farmácias da cidade!
Bloco da Taioba. Sabe como surgiu? Em 1996, exatamente há nove carnavais passados, um grupo de amigos comemoravam o ócio num divertido churrasco familiar, numa plena terça-feira. Eis que, de repente (devia ter acabado a cerveja), deu na telha deles de ir à um show no centro da cidade.
É... mas estava chovendo para caralho naquela terça. E nada da chuva dar uma trégua, nada de estiagem e o show comendo solto. Resolveram ir assim mesmo. Quando os intrépidos foliões estavam se preparando para enfrentar a tempestade, eis que um avista uma enorme taioba (Xanthosoma sagittifolium Schott) e, num plim! dos seus neurônios castigados pelo álcool, resolveu se proteger com aquela saborosa hortaliça.
Pronto... decidiram cortar o talo da planta e todos, assim munidos do inesperado "ser clorofilado" e semi-protegidos da água que descia dos céus, se aventuraram pelas ruas da cidade de Nova Lima.
Acabou aí? Nada... quando o grupo chegou ao local do show ainda chovia horrores. Caía era muita água mesmo! Vem cá... mas agora é que vem a perte boa: para ajudar algumas senhoras que estavam sem sombrinhas a atravessar a rua, os nossos heróis, prontamente, ajudaram-nas na travessia protegendo-as com quê? Com as taiobas.
Não contentes, subiram e desceram diversas vezes a Rua Santa Cruz, local tradicional do Carnaval de Nova Lima, com as taiobas por sobre a cabeça: estava concretizado o Bloco da Taioba.
Em 1997, estes mesmos amigos, junto com amigos dos amigos dos amigos e diversos conhecidos, resolveram organizar o Bloco da Taioba: sairiam uma sexta-feira anterior à sexta da folia de Momo, todos com uma taioba na mão, faça chuva... ou não!
Ôba... o Bloco da Taioba sai hoje!!!
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9:54 AM
Quarta-feira, Janeiro 26, 2005
Guarda-chuvas menores a cada dia.
Direto da redação.
Para fugir da crise que assola o setor, fábricas de guarda-chuvas brasileiras diminuem o tamanho dos seus produtos.
Milhares de guarda-chuvas que circulam diariamente nas mãos de transeuntes nas nossas cidades ficam menores a cada dia, e não por causas naturais ou estéticas: o que acontece é que fabricantes de guarda-chuvas de diversos estados brasileiros estão diminuindo o diâmetro dos seus produtos para fugir da pior crise que a indústria deste artefato já enfrentou nestas últimas décadas.
Conversamos com o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Guarda-Chuvas do Brasil, ANFGCBr, senhor Teotônio Molhado, que afirmou contundentemente que tal procedimento fora adotado porque o preço da matéria prima dos guarda-chuvas se encontrava - e ainda se encontra - nas nuvens e que a diminuição do diâmetro era única alternativa para o setor: "ou diminui o tamanho ou teremos que fechar muitas fábricas". Disse ainda que o Brasil não pode perder a guerra contra os produtos chineses "vejo nuvens negras para os guarda-chuvas nacionais se não adotarmos tais medidas, já que o produto asiático tem os melhores preços aqui no nosso país".
Sandra Sfregahemolha, gerente de uma famosa cadeia de lojas especializadas em sombrinhas e guarda-chuvas, afirma que a tendência é sazonal: "nos países desenvolvidos, o tamanho do guarda-chuva não diminui por conta da economia. Mas a sociedade brasileira não percebeu ainda que os produtos estão diminuindo a cada estação chuvosa do ano."
O Sindicado dos Funcionários das Empresas Fabricantes de Guarda-Chuvas e congêneres se pronunciou em nota explicativa apoiando toda e qualquer diminuição do formato dos guarda-chuvas em detrimento da diminuição do quadro de funcionários. Leôncio Bocudo, 3º porta-voz do sindicato, foi procurado incessantemente por nossos repórteres e não foi encontrado para dirimir outras dúvidas.
O guarda-chuva surgiu no Antigo Egito e era utilizado tanto pela família real quanto pelos nobres como símbolo da posição que ocupavam na hierarquia teocrática. Hoje todo mundo usa, do cidadão mais abastado ao paupérrimo. "Mas quem usa mais é o pobre, que não tem um meio de transporte próprio para fugiu das intempéries do tempo", acrescentou o historiador Élcio Valentin, do Museu Histórico Nacional do Guarda-Chuva.
Projetado originariamente para cobrir um homem de porte médio das chuvas, ele nunca esteve tão pequeno. Antigamente tinha de dois metros à dois metros e vinte de diâmetro e era feito com material resistente. "Hoje esta merda tem menos de um metro, e olhe lá", alega o diretor do Pro-Con, senhor Eutonio Hannimu D. Anado.
O Pro-con ainda estuda meios para obrigar que os fabricantes aumentem o diâmetro dos guarda-chuvas, mas encontram forte oposição, tanto nas empresas do setor quanto no meio político. O deputado federal Silvaninho Silçil, do partido Pobre Quer Poder - PQP, defende que o que tem de mudar não é o tamanho do guarda-chuva em si, mas o salário médio do brasileiro. "Com um substancial aumento do salário global, teremos, deste modo, maiores possibilidades da população adquirir um automóvel próprio para escapar das chuvas, seja as de verão, seja as que assolam nosso Brasil, principalmente no sul do país, durante o inverno. Assim que deve funcionar o mercado e o Governo Federal tem o dever, a obrigação constituional de proporcionar melhorias, tanto no lado social quanto no econômico".
Algumas empresas fabricantes brasileiras, de olho no mercado externo e sonhando fugir da crise que se abate no mercado interno, começaram a produzir novos tipos de guarda-chuvas. "Primeiro, tem o teste aqui no nosso país. Depois, dependendo do resultado, a gente vai exportar", afirmou o estilista lusitano radicalizado brasileiro Manuel Lizboah. "Vamos colocar no mercado o guarda-chuva biodegradável, feito de papelão e madeira. Vai ser o fim do guarda-chuva tradicional, este feito de material sintético e altamente nocivo ao nosso meio ambiente."
A população aprova. Dona Dolores foi uma das primeiras brasileiras que experimentaram este novo modelo e deu o seu parecer: "é, seu moço...este guarda-chuva parece um pouco melhor que aqueles outros que deixam as costas da gente toda molhada! Este aqui de papel, para esconder do sol, é uma belezura. E se, por obra do Nosso Senhor, chover e começar a molhar muito o papelão, filho, a gente corre pra debaixo da marquise, né?"
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3:25 PM
Terça-feira, Janeiro 25, 2005
Hoje recebi uma proposta bem interessante da Micha: escrever um post sobre a cidade da gente no nosso próprio blog. É o como é aí na cidade onde você mora?
No blog dela há, por exemplo, um relato muito legal de Niterói: é a cidade aos olhos do blogueiro.
Gostou? E eu, então! Outra coisa: há também vários links de muito dos seus conhecidos no blog... e eu, logicamente, não iria ficar de fora!
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Belo Horizonte.
Morar aqui é estar perto do céu: próximo das nuvens, longe do mar.
Mas a gente se acostumou. Paradoxalmente ao nosso enorme gostar daqui e chegando também ao cúmulo do engraçado é quando pinta um feriado prolongado: a cidade se esvazia de um modo assustador. Nesta hora, a boa e velha amizade com os vizinhos é de importância fundamental para que, ao voltarmos da viagem, encontremos nossa casa do jeito que estava.
Temos assaltos, temos violência, temos favelas, temos problemas de trânsito, acidentes, atropelamento, congestionamento, temos pivetes, temos problemas com a saúde pública, temos tudo que uma grande metrópole possui, do bom e do pior. Mas estamos, todos nós, políticos e cidadãos belohorizontinos, comprometidos a mudar para melhor este cenário. Um dia tudo será como o paraíso... temos fé e esperança!
Nossa vizinha geográfica é a Serra do Curral, um dos cartões postais da cidade. Vem cá... falando em serra, a gente lembra de grutas, lembra de cachoeiras, matas, não é? Pois bem: Belo Horizonte é cercada por tudo isto e muito mais! Tanto é que o ecoturismo está em voga... vem gente de toda a parte do Brasil e do mundo para apreciar nossas belezas naturais e praticar aqueles esportes radicais, tipo descer de uma cachoeira dependurado numa corda! Para quem gosta, um prato cheio de descargas de adrenalina no corpo e bons momentos na memória.
Estou falando... aqui é muito bom de se viver.
Praças... temos muitas. A mais comentada, a mais famosa e a mais fotografada é a da Liberdade, praça que foi construída junto com as primeiras obras da cidade, em 1897, para abrigar o centro do poder mineiro. Uma curiosidade: esta praça teve projeto francês (ulálá) e seus jardins foram preparados, em 1920, para a visita do Reis da Bélgica. Chique, hein? Na década de 70 e 80 (que saudades!), aos domingos, tínhamos na dita praça a Feira de Artesanato (a famosa Feira Hippie), que depois foi transferida para a Avenida Afonso Pena (uma das vias mais importantes da cidade... onde se chega ao Parque Municipal - quando era pequeno, brincava muito neste parque). E voltando ao assunto de praças, temos também a do Papa (quando ele pintou por estas bandas em 1981) e a da Estação.
Construções temos inúmeras: o complexo arquitetônico da Pampulha, a Basílica de Lourdes, o Mineirão, o Edifício Acaiaca... é, acho que se começar a escrever quanta coisa bonita temos em nossa cidade, ficaria o post inteiro só nesta lenga-lenga.
Mas o melhor de Beagá, o melhor mesmo, o fino do fino é o Bar do Caixote.

Vir conhecer nossa cidade e não tomar uma cerveja gelada acompanhado de um saboroso tira-gosto (alcatra no espeto) é inadmissível. É a mesma coisa de conhecer o Rio de Janeiro sem visitar o Cristo Redentor. É como passear em São Paulo e não colocar os pés na Avenida Paulista. É como chegar em Fernando de Noronha e não se banhar naquelas águas cristalinas.
Bar do Caixote.. sabe a história? O dono do boteco era um vendedor ambulante de churrasquinho na mesma região onde fica hoje o bar (Rua Nogueira da Gama, 189 - bairro João Pinheiro). Batalhando sempre de sol à sol, um dia o cara conseguiu um pequeno cômodo para servir seus fregueses. Como estava sem grana para comprar cadeiras e mesas, inovou colocando caixotes espalhados pela calçada e dentro do pequeno recinto. Seus clientes aprovaram a idéia e até hoje o Bar do Caixote é deste jeito...
Brincadeiras à parte, Belo Horizonte detém a marca da cidade brasileira com o maior número de bares por habitante. Viu que legal? A gente não precisa de andar muito para tomar uma cerveja gelada! Em toda a esquina tem um botequim, cada qual com sua especialidade, cada qual com sua originalidade e peculiaridade.
Não há quem não visite Belo Horizonte e não comente: haja bar em Beagá!
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11:57 AM
Segunda-feira, Janeiro 24, 2005
Josefina: Bom dia!
José Uoshington: "... naquele transatlântico em chamas, um romance com uma sereia..."
Josefina: Uoshington... eu disse bom dia...
José Uoshington: Opa! Patroa, bom dia... lembra desta música?
Josefina: Lembro...
José Uoshington: Esta rádio só toca as antigonas... "na água, quase que não dava para acreditar..."
Josefina: Estou vendo...
Foi caminhando até a área de serviço. Voltou de lá com um balde, um pano, vassoura e uma cara de muita disposição.
José Uoshington: Eu hein? A senhora vai dar faxina hoje?
Josefina: Vou...
José Uoshington: E a Adalgiza? Ela vai vir amanhã...
Josefina: Ah... estou querendo arrumar esta sala hoje. Mudar algumas coisas...
José Uoshington: Mudar?
Josefina: É... mudar...
Pegou a mesa de centro e puxou para o canto. O porta-retrato ameaçou cair, balançou de um lado para outro até que Josefina o segurou. Olhou a foto por um instante...
José Uoshington: A senhora e o patrão Adalberto são muito fotogênicos...
Josefina: É. Esta foto foi tirada quando ainda namorávamos...
José Uoshington: Linda fotografia...
Josefina: É... quisera eu que tudo fosse como uma foto...
José Uoshington: Seria legal, não é?
Josefina: Seria mesmo?
José Uoshington: Acho que seria...
Josefina: É... neste dia estávamos indo comemorar a promoção dele na firma...
José Uoshington: Bem merecido...
Josefina: Estava feliz, muito...
José Uoshington: ...
Josefina: Deixa para lá...
Puxa para o lado a estante, arreda um pouco o aparelho de som, vai modificando a cara daquela sala.
José Uoshington: A senhora vai me tirar daqui?
Josefina: Não... vou só arredar um pouco para cá...
José Uoshington: Isto... aqui bate um pouco de sol. Aqui tá bom...
Josefina: Está bom aí mesmo?
José Uoshington: Está ótimo... e este espaço?
Josefina: ...
Termina de arrumar a sala. As horas passam, chega a tarde, toca o interfone.
Josefina: Sim, Seu Jaime... pode mandar subir.
José Uoshington: Quem era?
Josefina: O porteiro.
José Uoshington: Não... quem tá subindo...
Josefina: Uma surpresa, Uoshington... você vai adorar...
José Uoshington: Surpresa? Sei não... a patroa está muito misteriosa hoje...
Josefina: Eu? Misteriosa? Imagine...
Uma pulga atrás do enchimento fez José Uoshington expressar um cara de desconfiança.
José Uoshington: [sussurando] Não estou tendo um bom pressentimento...
"Encomenda para Dona Josefina. É aqui mesmo?"
De onde estava na sala, Uoshington não tinha visão da porta de entrada. Ouviu somente o que um homem falou e alguns barulhos. Alguém estava carregando....
Josefina: Pode colocar na sala, por favor...
José Uoshington: Patroa... o que significa isto!
Josefina: Aí mesmo... muito obrigado, senhores...
José Uoshington: Patroa...
Josefina: José Uoshington... quero te apresentar o Clementino. Clementino... este é o...
Clementino: Josefina, minha criança... quanta saudades!

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10:26 AM
Sexta-feira, Janeiro 21, 2005
Você conhece o dono do blog pela sua escrita, pelo que ele relata no seu diário. Às vezes rola de conversarem pelo messenger, por telefone, um e-mail despistado... mas quase sempre fica uma pergunta para fazer a este amigo, correto?
Se você respondeu afirmativamente, tem que conferir o Blog Papo que está rolando no Jornal do Blogueiro.
- Blog Papo? Mas afinal o que é isto?
Simples: o pessoal do jornal está começando a entrevistar blogueiros como eu e você!
- Ôba! E como funciona?
Na Comunidade do JB no Orkut ou no próprio jornal, você pode dar uma deixa (indicar um blog conhecido). A partir daí eles vão avaliar os pedidos e aí... pode rolar uma entrevista.
É interessante, simples, legal e indolor: leia e associe-se ao Jornal do Blogueiro.
EM TEMPO: a entrevista que rolou comigo já está no ar...
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9:08 AM
Quinta-feira, Janeiro 20, 2005
Verão.
Nesta estação do ano é que São Pedro se diverte com a gente.
Ao sair de casa, nós, homens, olhamos para cima, avaliamos as nuvens e decidimos se levamos o guarda-chuva ou não! Sim... porque as mulheres levam as sombrinhas em suas bolsas ao menor sinal de perigo. Nós não... para quê levar aquele trambolho para lá e para cá?
É aí que o santo se diverte. De manhã cedo abre um pouco a torneira do céu, fazendo a gente pegar o guarda-chuva. Alguns passos, alguns quarteirões, ela cessa. Você não vai voltar, vai? Insiste com o guarda-chuva aberto (já que tá aqui, que nem uma gotícula caia em mim) e segue seu caminho.
Chegando no local do trabalho, um sol teimando em aparecer. E de tanto teimar, olha ele lá, meio-dia, todo bonitão, esquentando as ruas um pouco molhadas, fazendo evaporar o pouquinho de água empossada nos passeios, ruas, nos vasos de plantas, no teto dos edifícios... vapor este que produz aquele abafado que todo mundo conhece. Chuva? Nada de chuva... chuva é coisa do passado. E você trouxe o guarda-chuva para se proteger. Idiota!
Nas nuvens, São Pedro rola de rir da sua cara. Vai almoçar, logicamente, sem o guarda-chuva. Sai do serviço, tá lá o sol, imponente e quente. Pega o ônibus, chega onde vai bater o rango, descansa um pouco e, quando se prepara para voltar ao segundo tempo, olha lá a nuvem escura em cima de você! Pensa na merda do guarda-chuva, treco chato de carregar, encostado embaixo da mesa do escritório. Roga uma praga silenciosa e corre para o serviço.
As primeiras gotas que caem na sua camisa são das lágrimas do santo velhinho. É... dele mesmo, o que fica com a chave do Paraíso! Chuva de verão... você acha que sabe quando vai cair, só acha... é ela quem manda (eu não aprendo mesmo!).
Chega esbaforido e um pouco molhado. Lá fora, a chuva parece dar uma trégua. Vai parando, parando... e acaba! No escritório, só você se molhou. Molhou pouco, mas molhou. Se bem que molhado é molhado, não tem meio termo. Molhou e pronto! Tá bom... volta a rotina, enfia a cabeça no monitor e as horas passam...
Acabou? Nada... na hora de ir embora, cadê chuva? E você com o trambolho na mão, inútil.
É sempre assim. Se você leva o guarda-chuva, não chove. Se você não leva...
... acontece incrivelmente o contrário. Por isto que eu falo que o velhinho lá em cima gosta demais desta estação do ano... ou não gosta de mim!
Hoje eu não trouxe o guarda-chuva, achei desaforo por ontem. Quer apostar que vai cair um toró quando der dezoito horas?
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4:14 PM
Quarta-feira, Janeiro 19, 2005
Música.
A gente está sempre ouvindo música. Posso estar abusando da imaginação com que vou escrever, mas mesmo sem perceber, em quase em todos os momentos estamos cantarolando uma melodia, um lálaiá escondidinho no fundo da mente. A música está sempre ao nosso redor, isto é fato.
A música está lá num jingle da C&A, no fundo de um documentário de tevê, no próprio rádio... a música, em todas as suas formas, está aí, permeando, moldando e fazendo parte do nosso dia a dia, como um pano de fundo sonoro na nossa existência, proporcionando que nosso cotidiano seja bem mais agradável.
Quer ver uma coisa? Que música te veio a cabeça agora? Qual a última música que escutou?
Vem cá... deixe de vergonha e cante uma música aí...
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2:37 PM
Terça-feira, Janeiro 18, 2005
Esta é a história de Josefina e seu complicado caso de amor com Adalberto. Complicado não, conturbado soaria melhor. E no meio desta confusão toda, seu sofá, José Uoshington (antes do casamento havia o Clementino, se lembra?). Neste exato momento, nossa eficiente força policial localizou e entregou o carro do casal, automóvel este que havia sido roubado quando Josefina saía de um animado pagode no centro da cidade - enquanto seu marido estava à trabalho em São Paulo. É... mas esta história ainda vai dar muito pano para a manga...
Josefina: Acharam o bendito carro! Acharam...
Queria dizer a José Uoshington que haviam achado seu automóvel. Queria confidenciar que havia tipo retirado um peso enorme de suas costas. Queria somente conversar sobre isto com o seu sofá quando girou a chave da porta e entrou no apartamento.
"Quê? Roubaram o carro?" foi o que ela ouviu enquanto trancava a porta. Os passos de Adalberto... ouvia os passos de seu marido chegando à sala. Tum-tum-tum e a mesma frase, novamente dita com a voz grave dele, que a fez gelar! Não sabia que voltaria tão cedo, não sabia. Quando conversaram da última vez, falou que o trabalho na capital paulista iria demorar... mas ele já estava em casa! Ele voltou no domingo...
José Uoshington: Ixi... agora danou-se!
Josefina: Ooi, amor... voltou cedo!
O homem e seu automóvel. Um caso de paixão à parte. Uma ligação simbiótica, amor irresistível, incontrolável e incompreendido. Esbaforido, pergunta sobre o carro novamente. Josefina tremeu... pensou em contar a história toda, de que a roubara quando saiu do pagode por um rapaz que a fez companhia por boa parte da noite. Ouviu Uoshington sussurrar da sala...
José Uoshington: Não conta a verdade, patroa... não conta...
"Como aconteceu? Que dia roubaram? Como encontraram? Como o carro está?" foi o que ouvia incessantemente. Por um momento, um pensamento nasceu: ele não perguntou se estou bem! Não perguntou se estou bem, ele não perguntou como eu estou!
Josefina: Levaram o carro, Adalberto. Foi na sexta-feira... eu não quis te falar para não te atrapalhar no seu trabalho, meu amor!
José Uoshington: ...
Josefina: É... deixei o carro na rua. É, amor... em frente, quase em frente ao shopping...
José Uoshington: ...
Josefina: Ora... fui comprar umas Aspirinas na farmácia. Quando voltei, o carro não estava mais lá...
Desceu para ver o automóvel. Pegou as chaves, olhou-a nos olhos e reclamou da falta de sorte da mulher. Balançou a cabeça e foi à garagem.
José Uoshington: A senhora fez o certo, patroa Josefina...
Josefina: Será mesmo, Uoshington? Eu nunca menti para Adalberto em toda minha vida...
José Uoshington: E contar a verdade sobre o tal pagode de sexta com a Adalgiza? Será que patrão Adalberto compreenderia?
Josefina: Não sei mais o que pensar, José Uoshington... não sei...
José Uoshington: A senhora fez o mais sensato. Não havia motivo para correr risco de ter uma discussão com o patrão.
Josefina: Continuo incerta, Uoshington... não se constrói uma relação com mentiras. Hoje é esta pequena mentira... e amanhã?
José Uoshington: Amanhã é outro dia...
Josefina: Não... amanhã olharei para meu marido e verei que comecei a mentir para ele.
José Uoshington: Ah... todo mundo mente, patroa... todo mundo!
Josefina: Não. Nem todo mundo mente...
José Uoshington: E a senhora acha que o patrão Adalberto não mente para a senhora?
Josefina: E porquê deveria?
José Uoshington: Sei lá... eu acho que todos mentem. Mentiras são palavras... palavras saem da boca, entram nos ouvidos...
Josefina: ... e ferem o coração.
José Uoshington: Sim... e mesmo assim, todo mundo, ou quase todo mundo mente. A senhora já pensou nisto?
Josefina: Sim... e não. Eu menti hoje e me sinto... ruim comigo mesmo.
José Uoshington: Passa logo... isso passa logo...
Josefina: Uoshington... você mente também?
José Uoshington: Não. Eu não minto!
Josefina: E meu marido, Adalberto... você acha que ele mente? Que ele me esconde algo? Você...
José Uoshington: Acredito que patrão Adalberto também não mente. É... ele não tem jeito de mentir, não...
Ficou pensativa.
Josefina: [sussurrando] Será que somente poucas são as pessoas falam a verdade nestes dias?
Antes de ir para o quarto, pensou novamente que seu marido não se preocupou, nem um pouco, com ela...
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2:46 PM
Segunda-feira, Janeiro 17, 2005
Você já viu uma criança nascer? Já viu alguma saindo do ventre materno, toda sujinha? Já presenciou a correria dos médicos em limpar seus pulmões? Já ouviu o primeiro choro?
É gratificante, te digo. É uma cena que não sai da cabeça, nunca mais. É para a vida toda...
Em janeiro de 1997, no dia 14, nasceu meu afilhado. Lembro, como se fosse ontem, da médica que ia assistir minha cunhada perguntando:
- Alguém quer presenciar o nascimento do Pedro?
Todos se entreolharam naquele quarto de hospital. Um passando a bola para o outro, e para o outro... até que, numa sensacional jogada de linha de fundo, finalizei o lance.
Todo preparado com aquela vestimenta (macacão, uma touca, uma máscara e uma "meia para sapatos"), peguei a máquina fotográfica e entrei naquela sala fria. Um gelo do caramba, um vento frio soprava em cada canto daquela sala de cirurgia. Comecei a ficar meio nervoso e impressionado com a calma dos médicos e enfermeiros: na maior tranqüilidade, a médica me pediu que só fotografasse quando o neném estivesse nascido (realmente, não tinha nada a ver mesmo fotografar o procedimento da cesariana!). E eu batendo o queixo... de frio? Admito... de nervoso. Assim encostei num canto da sala (se não me engano, perto de uma janela que se encontrava lacrada), imperceptível e quase invisível, e aguardei o momento, o tal momento.
Nasceu.
As fotos, que a princípio achei que ficariam todas fora de foco, tremidas, horríveis, foram as melhores que já tirei em toda a minha vida. Tremido? Nenhum! Me disseram há um tempo atrás que para conseguir uma boa fotografia, deve-se prender a respiração e clicar. Acredito que naquele dia eu nem respirava, só podia.
Pois é... nesta última sexta-feira meu afilhado completou oito anos de vida. Oito primeiros anos de muita, muita vida pela frente. Fizemos uma comemoração diferente das outras sete que ele já teve: fomos à uma pizzaria, mais precisamente a um rodízio de pizza. Seus cinco primos, sua mãe, alguns tios e nós, padrinho e madrinha. Foi uma festa...
É... foram 21 fatias desta vez... e um Sonrisol.
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9:22 AM
Sexta-feira, Janeiro 14, 2005
Hã? Como? Uátis o quê?
Caramba!! É What's Up!
Valeu, BloggerMan!!
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4:28 PM
Encosto? Será?
Coisa mais difícil é eu ficar sem assunto.
Estou meio sem saber o que pensar e o que fazer nestes últimos dias. E sem tempo, que é pior! Sério mesmo! A gente volta de férias... e parece que o pensamento ficou no litoral junto com os siris, enterrados, bem enterrados na areia da praia.
Ah... fecho os olhos e me vejo naquele ócio bom, biritando uma gelada às nove, dez da manhã... petisco de camarão empanado... quem será que inventou o trabalho, hein?
E nestes dias, tristes dias que sucedem o merecido gozo das férias, resta somente a certeza que muito serviço ainda terei que destrinchar. Sim... porque quando a gente sai de férias, muita coisa, mas muita coisa fica por se fazer.
- Quem vai fazer o serviço? Quem? Ora... quando ele voltar, ele faz... vai estar descansado e com tempo.
Sem o que pensar, sem saber o que escrever. Nem hoje, bastante entristecido, quando estava esperando um ônibus para ir à casa dos meus pais e vi um ônibus engarranchado num Ford Ka muito mau estacionado, me deu aquele estalo característico, sabe? O burro do motorista do Ka estaciona quase no meio da avenida; a anta do motorista que ralou de azul todo aquele carro feio. De repente ficou sem graça, sem sal... mas me deu uma vontade danada de escrever num papel a placa daquele ônibus e deixar no pára-brisa do Ka - acredite: o ônibus rachou fora!
É... mas o meu ônibus chegou.
Tsc! Que coisa. O ônibus chegou e não pude dedar o motorista do outro ônibus. Viu? Nem para ser X-9 (dedo de seta) eu estou tendo tempo!
Parece até brincadeira... mas nem a certeza que irei bater meu recorde de 16 fatias de pizza hoje me anima. Sim... hoje voltarei àquela pizzaria. Aquela mesmo. Aniversário do meu afilhado... sobrinhos... refrigerante... pizza. Tenho a opção do chopp, mas hoje, sei lá, estou meio "prá baixo" para o bom e velho golo de sexta. Se insistir, pode fazer mau, descer errado... prefiro seguir meus instintos.
Pois fica assim.
... acho que estou com febre!
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2:10 PM
Quarta-feira, Janeiro 12, 2005
Ontem comecei a ensinar ao meu afilhado a incrível arte de como escrever melhor. Eu falo em termos de ter uma bela caligrafia [caligrafia: arte ou técnica de escrever à mão, formando letras e outros sinais gráficos elegantes e harmônicos, segundo certos padrões e modelos estilísticos ou de beleza e excelência artística], letra bonita, redonda, certa... em vez daquele garranchinho excomungado que ele faz.
A mãe dele apoiou na hora: comprou um caderno de caligrafia e me deu a permissão para ensiná-lo. Nem... letra feia, quase como se fosse uma estranha forma de se comunicar, desmazelado ao escrever, coisa ilegível, letra de médico... não dá para agüentar. E o menino vai conseguir, eu sei... taí cara mais esforçado em ser o melhor do que este meu querido afilhado (vai fazer oito anos no próximo dia 14).
Me lembro quando eu tinha a sua mesma idade e possuía uma letra bem, mas bem pior do que a dele hoje. Minúscula, espremida, pobre. Hoje não... e eu devo graças à minha tia Marli, que, às duras penas, me colocou no caminho do bem (minhas orelhas doem até hoje por conta dos inúmeros puxões).
Ter letra bonita. Eu tenho! Quem me conhece, pode comprovar na hora.
Eu, por ter esta caligrafia invejável, trabalhei muito emitindo notas fiscais. A cada primeira, segunda e demais vias do bloco, uma nota de fácil leitura, sem (quase) nenhum erro, uma ortografia correta... um primor fiscal (assim diziam meus superiores hierárquicos).
Para a gente que mexe muito com notas fiscais, é um assombro quando pegamos, vez ou outra, uma nota com a caligrafia legal. Eu, por exemplo, até páro um pouco para admirar as letras. Tá certo, tá certo... não tanto assim, mas é cada vez mais raro quando chega em nossas mãos um documento fiscal, escrito à mão, com letras bonitas. Hoje é tudo por computador, e letra arial é sempre arial, aqui e em qualquer lugar.
Uma vez... uma não, inúmeras vezes, notas que eu emitia iam parar lá no porto de Santos. É... e o pessoal que lá trabalhava ficava babando. Que letra bonita, que nota "bem tirada". Eis que um encarregado, num belo dia, comentando ao telefone com minha chefia, fala:
- Meu amigo... esta mulher que emite estas suas notas fiscais deve ser uma graça!
- Quê?
- É... esta moça, por ter uma letra tão bonita, deve ser um espetáculo.
- Cara... você precisa de ver o tamanho do negão que emite estas notas...
Estranho como tem gente associa uma letra bem bonita com a graça, a delicadeza e a beleza feminina, né? Gente, gente... homem também pode ter (e tem: sou prova viva disto) letra bonita!
Chega... hoje eu já me auto-bajulei demais.
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1:53 PM
Terça-feira, Janeiro 11, 2005
Não sou muito supersticioso... e nem sempre levo minha vida de olho no peixe, outro no gato. Faço, simplesmente faço meu caminho, sem olhar horóscopos, sem olhar previsão do tempo (se bem que previsão do tempo é bem útil), sem me importar (tanto) com que os outros falam ou acham!
Mas porquê estou escrevendo isto? Para falar de premonição, aquela estranha sensação de aviso que (quase) sempre antecede a acontecimentos, que dança na nossa frente... e a gente ignora. Estranho é apelido, pois (quase) sempre depois do acontecido é que a gente pára e fica pensando: será que aquilo foi premonição? Ou uma mera coincidência? Alguns acham bobagem, outros não... cada caso é um caso, né? Mas que esta tal de premonição existe, isto sim existe. Quer um exemplo? Nesta minha viagem à Vila Velha, precisamente sábado de manhã.
Saímos da pousada lá pelas nove e meia e seguimos em direção à praia. Até aí nada demais... mas uma coisa me chamou a atenção: avistei um carro caindo aos pedaços, estacionado. Olhei novamente e, com muito custo, identifiquei o automóvel: era um Ford Del Rey, todo comido pela maresia. Uma obra de arte em forma de ferrugem, podemos dizer. Não existia ponto algum que não estivesse corroído, sambado, dançado, fudido mesmo. A traseira estava dependurada com não sei o quê (pelo espírito de Henry Ford, só pode). Ameacei de pegar a máquina fotográfica e clicar... quando percebi os donos daquela belíssima condução a me observar. Os donos daquele carro trabalhavam na praia e estavam montando uma barraca, uma barraca azul, onde venderiam seus produtos. Foi a hora que brinquei e falei baixo com a esposa:
- Nunca vi carro tão comido de maresia como este. Se a gente segurar lá na traseira do carro e mandar o cara acelerar, o pedaço do automóvel sai na nossa mão sem a gente fazer força nenhuma!
E para completar:
- Vamos passar por aqui (saímos do caminho do carro) porque se a gente encostar, é tétano na hora!
Fomos embora. Encontramos uns amigos e passamos a beber umas cervejas. Foi quando um garoto, que servia a gente no quiosque, falou:
- Vocês tem que utilizar somente um jogo de cadeira com somente um guarda-sol aqui. Ordem da chefia...
Eu então me veio a brilhante idéia:
- Marca separado para a gente. Uma comanda na mesa tal e o que eu pedir nesta mesa (e deste jeito, utilizamos as duas - principalmente por conta da proteção do excesso de sol na moleira).
Afixei o guarda-sol na areia, fiz um montinho (como manda o figurino) e pronto! Já havia visto muito deles voando pela praia afora naqueles últimos dias. Depois disto, lógico, cerveja. Bem... depois de muito gastar no quiosque, depois de muito entrar no mar, depois de rir bastante, uma danada de uma corrente de vento veio, forte, e ameaçou levantar o guarda-sol da mesa dos nossos vizinhos de mesa. Num átimo, levantei a mão para evitar que o mesmo fosse levado pelo vento quando o meu próprio guarda-sol se desprendeu e cataplam! na minha cabeça!
Desceu o melado. Coloquei a mão na cabeça e vi o sangue. Hospital.
Viu só? Carro cheio de maresia; se encostar: tétano; o garoto que não queria ceder a outra mesa; os inúmeros guardas-sol que vi sendo levado pelo vento naqueles dias de férias (inclusive naquele mesmo dia)... eventos intimamente ligados uns aos outros... premonição?
Quê? O corte? Ah... apesar de ter uns 5 centímetros, não precisei levar ponto nenhum, ainda bem! Mas ontem, segunda, tive que correr atrás de uma vacina anti-tetânica (que só é aplicada em postos de saúde)... mas esta é uma outra longa história.
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1:14 PM
Segunda-feira, Janeiro 10, 2005
Uma das coisas que mais me impressionou nesta minha viagem à Vila Velha, ótima cidade do Espírito Santo, foi descobrir, atônito, a verdadeira utilidade daqueles carros com quilos e quilos de equipamentos sonoros.
Fiquei bobo mesmo, impressionado o bastante para pegar meu telefone e ligar para o 190. Liguei e eles me deram um outro número, um tal de Disk Silêncio, que, infelizmente, ninguém lá quis atender minha chamada. Acho que eles estavam dormindo...
Eu bem que queria também estar acompanhando o pessoal do Disk Silêncio naquele seu salutar soninho da madrugada...
Na sexta-feira para sábado, 4:30 da manhã, acordo com um som. Não era som de pássaros (eles, a esta hora, dormem), nem do padeiro abrindo a padaria (este faz silêncio), mas sim de um poderoso, um estrondoso barulho intitulado por alguns de funk vindo diretamente da rua.
Que tristeza. Alguns felizes proprietários de poderosos bólidos equipados com o que há de mais interessante e novo em termo de equipamentos sonoros, sem o que fazer naquela madrugada, resolveram nos presentear com altíssimos decibéis de funk carioca naquele tranquilo final de noite.
A pousada estremecia. As janelas chacoalhavam. O ventilador de teto parecia querer virar um helicóptero. E nós, acordados.
Os amantes daquele som alto estavam num posto de gasolina, estrategicamente colocado atrás da pousada. E bebem cerveja, e agacham até o chão, e aumentam mais o som, e trocam de cd (mas sempre o bom e velho funk carioca), e mais cerveja e mais agachada e mais dedo no volume! Incrível... incrível e às quatro e quarenta e cinco da madrugada.
E a festa rolou até eles cansarem. Ninguém tomou providência nenhuma, nenhuma viatura policial passou, nada aconteceu! Eles se cansaram das próprias músicas em elevados volumes e se mandaram às 5:00 da matina.
Ah... que alívio. Que alívio e que maravilha ficar tentando dormir depois de escutar as mais lindas canções, as mais emocionantes molodias sonoras à toda altura naquela madrugada.
Imaginei alguns deles tendo uma conversa perto dos seus automóveis:
- Orra, meu... minha cabeça tá doendo prácas!
- Issaí, brother... issaí é merda, muita merda que cê tá juntando aí, meu!
- Ih... cara! Será que eu vô ter que parar de escutar funk?
- Nada, mermão... é só baixar um pouco o volume!
- Carái, brow... prá mim este botão só aumentava o som...
- Viaja não, cara... proveita e põe mais uma vez a Daniele aí, véi...
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9:26 AM
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