Terça-feira, Novembro 30, 2004
Estava bem aqui tentando arquitetar e adiantar o Balanço Social da Gerolino Incorporation - como prometido no nosso Contrato Social em seu artigo 8º - assim como também trabalhando de fato na apuração de um balanço real quando...

Nossas ações estão em alta, caros acionistas... novamente!!
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7:18 PM
Segunda-feira, Novembro 29, 2004
16 fatias.
E lá estávamos, sábado, novamente naquela ânsia de comprar! Presentes, coisas para enfeitar a casa, parafernálias mil, shopping, supermercado. Eu não... queria ficar na minha! Mas estava lá, empanzinado, querendo simplesmente um lugar para encostar e tirar uma palha...
Sábado para mim é dia para descansar. Recuperar o corpo dos cinco dias de luta anteriores a este tão glorioso dia.
E dirigi muito naquele trânsito lento, peguei uns Cd's para gravar lá numa loja da Savassi (ocasião que ficamos, eu e meu afilhado, quase meia hora dentro do automóvel debaixo de um sol escaldante e falando: "daqui a dois minutos, sua madrinha e sua mãe voltam...") e depois caímos numa pizzaria para tomar um chopp gelado, comer alguma coisa para ter energia suficiente para, enfim, enfrentar uma tarde inteira num shopping. Haviam passados alguns minutos depois do meio-dia.
Três chopps, uma porção de pastéis de bacalhau (bons!), uma porção de contra-filé (delicioso!) e meu afilhado:
- Eu quero pizza!
Rodízio de pizza. Eu olhei, pensei, tomei um chopp, vi meu afilhado devorando uma fatia, tomei mais uma tulipa e decidi:
- Vou fazer uma coisa diferente hoje! Nada de mais chopp, nada de tira-gosto... hoje vou acompanhar o Pedro no rodízio e tomar Coca-Cola!
E vai descendo fatias de pizza... cada uma mais gostosa que a outra! Na décima sexta, sendo observado por olhos incrédulos, pergunto ao garçon:
- Cara... estou dando o maior prejuízo aqui, hein? Esta aí é a décima sexta fatia que peço!
- Não, senhor... até que não! O nosso recorde é de 39 fatias...
- Trinta e nove? Você só pode estar brincando...
- Trinta e nove! Um instrutor de uma academia, junto com outro amigo, sempre comem pizza aqui. Um dia desse ele comeu 39, e o outro na faixa de umas trinta e poucas!
E eu achando que estava matando à pau! Depois disso perdi o apetite.
Também pudera...
PS.: está explicado a leseira no sábado à tarde, empaturrado, e querendo um lugar para dormir? Hummm... mas as pizzas estavam deliciosas...
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9:14 AM
Sexta-feira, Novembro 26, 2004
"Amor... estou preso aqui na cidade de São Paulo! A tal reunião, que havia lhe falado, prolongou-se por demais e, para piorar as coisas, ainda não conseguimos acertar todos os detalhes do contrato com o novo cliente. Queria muito estar aí contigo, principalmente porque hoje é aniversário de um ano do nosso casamento! Mas domingo à tarde estarei de volta. Um grande beijo, Adalberto."
Um telegrama! Um telegrama num dia tão especial. Fizera planos, reservou uma mesa num bom restaurante, imaginou uma esticada, alguma coisa nova, para sair um pouco da monotonia do dia-a-dia! Um telegrama e todos os planos foram desfeitos.
Maldito emprego - pensou com seus botões. Viajava demais seu marido! Ficava muito tempo ausente, dias às vezes. A recompensa financeira estava vindo, concordava, mas será que estava valendo à pena?
Ligou triste para o restaurante, guardou o vestido preto no armário e ficou observando o mundo pela janela do seu quarto. Uma sensação de angústia tomou seu peito. Um misto de choro e desilusão ameaçava escorrer pelos seus olhos.
Resolveu tomar uma bebida. Cerveja ou whisky? Lembrou que Adalberto havia colocado uma garrafa de vodka russa Stolichnaya meio litro no congelador! Foi lá e a buscou!
Josefina: [sentando no sofá] Que grande dia! Que grande noite!
José Uoshington: E aí, patroa... que tá pegando?
Josefina: Ah, Uoshington... hoje é aniversário de casamento!
José Uoshington: Olha só... meus parabéns! Patrão Adalberto?
Josefina: Em São Paulo. Droga!
José Uoshington: Negócios, não?
Josefina: [abrindo a garrafa gelada e virando na boca] Hurgh! Isso... negócios...
José Uoshington: ...
Josefina: Sempre os negócios... negócios...
José Uoshington: Estou vendo que a senhora tá bem prá baixo...
Josefina: Ô se estou! Sei lá, Uoshington... [e mais uma beiçada na vodka] às vezes eu fico pensando se o Adalberto me ama assim como eu o amo, sabe!
José Uoshington: A senhora já perguntou ao espelho? "Espelho, espelho meu..."
Josefina: Ô, Uoshington... estou falando sério!
José Uoshington: Hehehe... porquê você não pergunta para a garrafa de vodka?
Josefina: [e mais uma talagada] Humpf! Garrafa: meu marido me ama?
Garrafa de vodka: нет Не любит барахло! [1]
Josefina: Quê? O quê a garrafa falou?
José Uoshington: Sei lá... eu não bebo?
Josefina: Mas ela falou alguma coisa...
Garrafa de vodka: ВЫ ИМЕЕТЕ РОЖКИ! [2]
José Uoshington: Pôxa... agora gritou!
Josefina: É... mas que coisa [e mais um gole] mais louca! Será que a garrafa está respondendo minhas perguntas?
José Uoshington: Sei lá, patroa... eu não bebo!
Garrafa de vodka: Мой Иисус Христос! Эта женщина не видит? [3]
Josefina: Poxa... Adalberto deve estar lá, naquela cidade tão imensa, solitário... assim como eu... [mais uma beiçada]
José Uoshington: Fico triste em vê-la sofrer, patroa Josefina!
Garrafa de vodka: Я прибыл из России для быть использованным этой женщиной без сведений(интеллекта)? [4]
Josefina: Êpa... parece que a garrafa tá querendo me dizer alguma coisa...
José Uoshington: Sei lá, patroa... pode até ser, mas eu não bebo e...
Garrafa de vodka: Пробуждается, Хосефина! Пробуждается для жизни, глупый! [5]
Josefina: [e mais vodka descendo goela abaixo] Ah, Adalberto... gostaria tanto de estar aí contigo... terra da garoa, eu e você...
José Uoshington: Ah, patroa... não daria certo! Ele está à negócios, e não teria tempo para a senhora...
Josefina: É mesmo, Uoshington...
Garrafa de vodka: И они говорят, что Бразильцы хитры! [6]
Josefina: Cale a boca, garrafa estúpida... deixe-me em paz com meus pensamentos solitários... [e dá-lhe mais uma dose]
Garrafa de vodka: Не идет в тишину меня рот! Лучше, тишина самостоятельно! Я хочу к остававшемуся тихий! [7]
Josefina: Ah, Adalberto... eu te amo tanto... porquê você não está aqui, meu bem...
José Uoshington: Dona Josefina... dá um tempo nesta birita... a senhora já não está boa, não...
Garrafa de vodka: Быстро, Хосефина, пейте меня скоро и помещайте конец это мое страдание! [8]
Josefina: [já toda escornada no sofá] Adalbeeeertoooo...
José Uoshington: Ah, meu Deus... cuidado para não vomitar em mim, patroa...
Josefina: [e mais uma golada na vodka] Adalbeeertooo, meu querido...
José Uoshington: Patroa... controle-se...
Josefina: [e dá-lhe talagada]
Garrafa de vodka: Изящество(Любезности) Богу это - последняя чашка меня! К никогда не снова! [9]
Assim termina noite de aniversário de casamento de Josefina: ela, bastante desiludida no coração, num sono profundo. Seu marido, longe, em São Paulo, reunião de negócios.
José Uoshington: Я иду, чтобы не говорить с боссом за, никогда снова покупают из этой водки! [10]
Traduções:
[1] - Ama merda nenhuma!
[2] - VOCÊ TEM CHIFRES!
[3] - Meu Jesus Cristo! Esta mulher não enxerga?
[4} - Eu vim da Rússia para ser consumido por esta mulher sem inteligência?
[5] - Acorda, Josefina! Acorda para a vida, burra!
[6] - E dizem que as brasileiras são espertas!
[7] - Não me mande calar a boca! Melhor, cale-se você! Eu quero ficar quieto!
[8] - Rápido, Josefina, me beba logo e acabe com este meu sofrimento!
[9] - Graças à Deus este é o último copo de mim! Até nunca mais!
[10] - Vou falar com o patrão para nunca mais comprar desta vodka!
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10:16 AM
Quinta-feira, Novembro 25, 2004
Prova... muitas questões para resolver em poucos minutos.
Se a gente estudou legal, foi bem dedicado à matéria durante um certo período, prova é uma coisa banal, coisa simples de resolver. Quando a gente sai na correria, passos tropegos atrás do tempo perdido, sempre deixa alguma coisa passar batido.
Que coisa é essa? Ora... a tranqüilidade.
A serenidade, a confiança em dar respostas à questão pedida. Na prova de ontem havia uma questão, fácil, simples, dois pontinhos ganhos na maciota: "contrato que só vincula as partes contratantes é..."
Lembrei do neminem laedere (não prejudicar), lembrei do pacta sunt servanda (contratos tem que ser cumpridos; obrigatoriedade), lembrei do rebus sic standibus que havia caído na última prova (manutenção das coisas inicialmente pactuadas), o tal do exceptio non adimplenti contractus (em que uma parte não pode exigir da outra enquanto não cumprir a sua obrigação), também me veio à cabeça o venire contra factum proprio (a impossibilidade de modificar, subitamente, o seu modo de agir sob pena de quebrar a legítima expectativa do outro contratante) e lembrei da última matéria dada pelo professor, o pro amico eligendo (contratante, in proprio, nomeia terceiro titular do contrato) que nem precisava ter estudado, pois nada foi cobrado nesta última prova.
Mas não me lembrava, de jeito nenhum, do nome dado ao princípio da relatividade dos contratos. Um branco total na mente. Sabia, porque havia estudado, que tal princípio reza que o contrato só vincula as partes contratantes. Sabia disto... mas a expressão, em latim, havia se perdido na minha mente.
Resultado? Previsível... tchau, dois pontos. Nunca mais me esquecerei do res inter alios acta, com toda a certeza.
Ah... prova serve também para isso: a gente nunca mais esquece a resposta de uma questão banal que errou! É ou não é?
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8:54 AM
Quarta-feira, Novembro 24, 2004
Eu não pego mais carona com o Belardino!
Cara todo estranho à direção: dirige com os braços quase dobrados junto ao peito. O volante parece um colar, um adorno qualquer, ora girado bruscamente para a direita, ora para a esquerda... parece tudo, menos um volante de automóvel.
E o pisar no freio então? Cada freada é um sofrimento para o carona... e para o cara do carro à frente. Ele? Nada... nem ligava, achava aquilo normal. Vez ou outra observava a pessoa do carro em que o Belardino quase "encostava" ajeitando o espelho retrovisor, balançando a cabeça negativamente. E eu lá, brincando de sofrer.
E como corre o carro do Belardino. Peraí... melhor dizer como o Bela - apelido carinhoso que demos à ele - acelera aquele carro. Corre mesmo, e corre com as marchas erradas. Ele demora demais para passar a segunda, gente! O carro urra numa primeira marcha interminável, por demais prolongada. Olho para os lados e vejo, novamente, um balançar de cabeça, num típico sinal de "credo: este aí não sabe dirigir" misturado com um seco "credo" dos outros motoristas que disputam a rua. Depois demora demais para passar a terceira, a quarta e... chega, pelo amor de Deus! Quando chega a hora de passar a quinta, sei lá... uma sensação estranha toma conta do corpo da gente, o sofrido carona!
- Ô, Belardino... cara... você passou no radar à 80 quilômetros por hora!
- Que radar?
- Uai... o radar de 40 quilômetros, ora!
- Tem radar alí? Então é novo!
- Novo nada... já tem mais de meses!
- Ihhh... então eu já tenho um tanto de multas... só passo aqui acelerando deste jeito.
E passa o dedo no último dente, faz aquele barulho característico de "tsc, tsc", mete o dedo novamente no dente e segue em frente. Credo!
E acelera... e acelera... o sinal lá na frente fecha e o Belardino tá acelerando... tá acelerando... para, na última hora, meter o pé, com força, no pedal do meio e arrastar o carro, pneu e meu estômago até junto ao carro da frente. Mais uma vez o sinal de negação do motorista do carro que, por um triz, não teve a traseira do seu automóvel afundada!
- Freio bom, né?
E passa novamente o dedo no último dente e o barulhinho característico. Eu, já quase sem palavras e já percebendo que aquilo não foi uma boa idéia, tento concordar. Confiro o cinto de segurança!
E corre novamente, desta vez por uma via de trânsito rápido. Caminhões à frente!
Belardino colado ao volante joga o carro para um lado para se desviar de um caminhão que andava sem pressa pela direita. Ouvimos o som de uma buzina bem alta atrás da gente juntamente com a palavra "barbeiro". Belardino olha para o espelho retrovisor e parece que percebeu que havia fechado o carro que vinha à toda velocidade pela faixa da esquerda. Coça o dente ciso com o dedo novamente, - credo! - faz o barulhinho com a boca, como quem está sugando a própria saliva e acelera!
- Cuidado, Belardino... o caminhão...
- Tô vendo, tô vendo...
E cola o pé no freio de novo! Screeeeeee... quase, de novo e, se não me engano, pela décima quinta vez.
Eu? Carona com o Belardino? Nem pensar... vou à pé!
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9:00 AM
Terça-feira, Novembro 23, 2004
Josefina: "... ou ela ou eu, quantas vezes pensei, ensaiei pra dizer, mas na hora H, não me atrevo a falar pra não te aborrecer..."
José Uoshington: Ah, patroa... esta da Alcione é chata!
Josefina: Chato é você, Uoshington...
José Uoshington: E esta aqui:
Tinha jurado que iria falar com Adalberto sobre a arrumação da casa! Mas não... foi deixando, deixando... e como toda mulher que se preze não agüenta ver uma bagunça, uma casa desarrumada e suja, está lá novamente Josefina, fazendo a faxina geral! Trabalhando e cantando. Dizem que quem canta seus males espanta...
José Uoshington: "não se vá... eu já não posso suportar essa minha vida de amargura... não se vá..." [ajuda aí, Dona Josefina... faz a segunda voz]
Josefina: "...estou partindo porque sei que você já não mais me ama..."
José Uoshington: [cantando alto] "... não se vá, não me abandones por favor daqui pra frente tudo vai mudar..."
Josefina: Nossa, Uoshington... Jane e Erondi é do fundo do baú! Brega até chegar no osso!!
José Uoshington: Realmente, patroa... canta outra aí então...
Deram boas gargalhadas. Josefina parou um pouco com o pano úmido que usava para retirar a poeira dos móveis e ficou olhando para o teto, como pessoa que tem está bastante pensativa.
Josefina: Tem esta aqui... mas não estou conseguindo achar o começo da letra...
José Uoshington: Ah... faz um lá lá iá que eu ajudo...
Josefina: Tsc! Tá na ponta da língua, Uoshington... gente...
José Uoshington: É foda, né, patroa? A gente sabe a letra...
Josefina: Peraí... é assim... "coisa, coisa cristalina..."
José Uoshington: Quê? Ah, não, patroa...
Josefina: Lembrei, lembrei... "lá vou eu de novo, coração nos olhos num final de tarde, me sentindo assim... cheio de vontade, de te ver de novo [agora é o refrão, Uoshington] coisa cristalina meu raio de luz meu amanhecer... coisa, coisa cristalina, mata meu desejo mata minha sede, deixa eu te querer..."
José Uoshington: Wando, patroa Josefina? Wando? A senhora gosta de Wando?
Josefina: Olha... eu não sou muito fã, não... mas uma amiga minha é! Já fez até loucuras num show dele lá no Canecão!
José Uoshington: Sei que loucura!
Josefina: Canta uma agora...
José Uoshington: Um sambinha?
Josefina: É... um sambinha!
José Uoshington: Faz um batuque aí: tum tun-tun quisiquim tum tun-tun... vai, patroa!
Josefina: [fazendo batucada no braço do sofá]
José Uoshington: Isso mesmo... mantenha a cadência...
Josefina: Você não vai querer que eu assobie ou imite uma cuíca também não, né?
José Uoshington: "O homem orgulhoso como quê
Não se sente feliz com a sua matriz (não, não, não)
Montou uma filial
Mostra os pecados capitais no carnaval (eu falei no carnaval)
A hora é essa e vamos admitir (admitir)
Uma só mulher é pouco
Deixa o homem no sufoco
Com tantas que andam por aí
O arroz com feijão
Lá de casa é bom
Mas o cozido da vizinha é melhor (é melhor)
Dizem que eu sou machista
Com pinta de egoísta
Polígamo conquistador
Mas isso vem do tempo do vovô
Lá vai o trouxa
Crente que está numa boa
Mas não sabe que a patroa
Está com o Ricardão
E sua filha tem fama de sapatão
Tem piranha no almoço
Tem virado no jantar
Pra quem tem fome
Qualquer prato é caviar
Vida, palco desses acontecimentos
Desfilando pelo tempo
Hoje eu quero me banhar
No prazer mais prolongado
Que o banho de gato dá
(Vem meu povo cantar)
Gingam cabrochas e ritmistas
Passistas e vigaristas
Artistas de revista e TV
Que não se importam
Com o que vocês vão dizer
Bota o prato na mesa
Tudo que vier eu traço
Prepare a cama
Que hoje tem banho de gato"
Josefina: Mas que samba é este, Uoshington?
José Uoshington: Ah... este é um sambão, Dona Josefina. É de uma escola de samba do Rio de Janeiro, a Unidos da Tijuca.
Josefina: Não me lembro! Chegou a tocar nas rádios ou coisa assim?
José Uoshington: Não, não... este enredo, "Cama, mesa e banho de gato" de 1986 não foi muito difundida pelas rádios, não... justamente por escancarar com a vida dos artistas, sabe?
Josefina: É... a letra já detona, Uoshington!
José Uoshington: Com certeza... uma curiosidade? A palavra "Ricardão", depois desta música, é que ficou sendo conhecida por quase toda a população...
Josefina: Gente... mas isso foi há muito tempo...
José Uoshington: Ah... mas eu lembro de tudo direitinho... a senhora precisava ver o desfile, Dona Josefina, que coisa mais linda! Teve um carro alegórico que deu problema e os destaques foram sambando no chão mesmo, chorando...
Josefina: Mas espera um pouco!
José Uoshington: Pois não?
Josefina: Uoshington... como é que você lembra do Carnaval no Rio de Janeiro de 1986?
José Uoshington: Ora... lembrando...
Josefina: Mas então você é um sofá bem velho...
José Uoshington: ...
Josefina: Uoshington... você é reformado?
José Uoshington: Eu? Reformado?
Josefina: Há há há... você é um sofá reformado!! Reformado...
Saiu da sala até chorando de tanto rir do seu sofá! Foi resolver outros problemas a Josefina, deixando para trás um sofá bastante cabisbaixo.
José Uoshington: [resmungando] E daí se eu passei por uma pequena reforma? Hoje em dia todo mundo não faz plástica para isso, plástica para aquilo? Ah... eu e minha grande boca...
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9:23 AM
Segunda-feira, Novembro 22, 2004
O fim de semana começou no sábado, quando fomos eu, cunhada e afilhado, levar a minha esposa para fazer um exame de ressonância magnética!
Ótimo... eu com minhas apostilas debaixo do braço. Li, sim, enquanto o exame se realizava. Demorou um pouco, a metade das folhas se foram.
Depois fomos às compras. Fomos, não... foram. Eu, dentro do carro, lendo, enquanto o consumismo aflorava pela pele das duas. Acabou? Que nada... era chegada a hora do shopping. Rumamos para lá e eu, com aquele pensamento que estava fazendo a coisa errada. Afinal, esta semana serão aplicadas as provas finais... e ainda tinha um trabalho para fazer!
Não teve jeito! Lanche e brincadeira. Eu e meu afilhado jogando, como duas crianças que somos, no Hot Zone, durante umas 3 horas. Fliperama... eu chamava assim. Hoje tá mais moderno: jogos eletrônicos. E brincamos.
Tinha um jogo lá que encarnávamos dois policiais. Usávamos revólveres para combater os bandidos, que usavam granadas, morteiros, helicópteros e toda a sorte de parafernália bélica para nos deter. Vou te contar uma coisa: juntou um tanto de gente para ver a gente jogando. Quando olhei para os lados tomei até um susto...
Depois cerveja, tira-gosto... casa, banho e estudar até as duas da manhã. O trabalho de Comercial começava a despontar no word.
Domingo cedo o terminar do trabalho. Liga para um, expus idéias, ouvi, guardei palavras, mencionei-as no texto. E bate papo com amigos no MSN...
Não... não é desculpa, mas esta semana vai ser longa... três provas finais... e se eu sumir, não se assustem: estarei na luta, estudando um semestre inteiro em poucos dias!
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8:46 AM
Sexta-feira, Novembro 19, 2004
Natal! Ôba!
Natal. Está chegando a hora da gente receber inúmeros cartões desejando boas festas e de quebra um feliz ano novo!
Vai estar lá, lotando sua caixa de correio! Por um lado, um hábito há muito tempo deixado de lado com o advento da internet e das mensagens eletrônicas... mas mesmo assim, ainda vamos receber cartões de natal nestes próximos dias.
Você não recebe? Ah... então deve ter alguma coisa errada contigo!
Aquele deputado estadual que, ora e outra, te encaminha panfletos, perderá esta chance única de te puxar o saco numa hora tão... como poderia dizer, natalina? Duvido. E o pobre do vereador, aquele que foi reeleito passando raspando, será que não moverá céus e terras para te enviar um feliz natal junto com um santinho (dizendo o que ele pretende fazer ainda) para seus fiéis eleitores? Ah...
E as lojas? Vamos ver ainda muitos "ho ho hos", fotos de papais noéis em seus trajes característicos e as ofertas, as super ofertas para os próximos dias! De quebra, logicamente, as magazines também desejarão a todos os prováveis compradores bons desembolsos financeiros (se possível, na loja) e um ótimo ano novo (com mais dinheiro no bolso, se possível).
E é cartão da chefia, e é cartão dos fornecedores daquelas empresas longínquas, de bobeira um whisky de qualidade duvidosa acompanhando o tal cartão (ou será o contrário?), é cartão dos parentes que a gente só tem conhecimento nas horas de doença e nestas épocas de festas... enfim, cartões vindos de diversos frontes.
Ei ei ei... eu também encaminho, às vezes, alguns cartões de natal, e principalmente por meio eletrônico (muito mais prático). Mas este ano estou querendo inovar, mudar um pouco!
Vou numa lotérica, farei alguns cartões da Mega Sena - cada cartão, um jogo com seis números - colocarei os mesmos num envelope e encaminharei ao amigo! Tá bom, tá bom... para não sepultar de vez o espírito natalino, poderei escrever algumas frases de impacto que irão despertar o lado capitalista no cérebro do felizardo colega, tipo "que você passe este natal em Aruba", ou "se tudo der certo, seu natal vai ser inesquecível" ou senão "boas festas, muita alegria e muita sorte (principalmente)."
Quer cartão de natal mais interessante do que este? Ah... é lógico também que ele não irá ganhar sozinho! Eu vou estar no meio desta brincadeira toda!
Como? Ora... você acha que eu não vou fazer os mesmos cartões para mim, não? É ruim, hein?
- Ho ho ho... e uma garrafa de run. Êpa... este é o Pirata da Perna de Pau...
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9:23 AM
Quinta-feira, Novembro 18, 2004
Sim... as máquinas de xerox também ficam estressadas.
Num dia, tudo bem... aceitam todos os comandos, não mastigam as folhas A4, não rasgam as originais. É um paraíso trabalhar com uma máquina de xerox de bem com a vida!
Mas, ainda não se sabe ao certo as causas, eis que nossas companheiras de trabalho resolvem, de uma hora para outra, dar piti: travam, principalmente com muitas folhas no rolo de borracha e nos obrigam a sujar as mãos com o tonner que não queimou! Resolve, por simples gosto seu, amassar as cópias e pior, amassam e as retêm bem na saída das folhas: a gente puxa, rasga a merda do papel - assim, temos que abrir a máquina, cuidadosamente, e retirar as sobras do cabo de guerra. E quando resolvem cuspir folhas em branco sem parar? É uma festa...
Máquinas de xerox estressadas às vezes implicam com o tamanho da folha. A gente coloca a original lá naquele vidro e, sem mais nem menos, temos a desagradável notícia no display:
- Coloque papel A5 na bandeja 3!
É como ser atendido por um funcionário público mau humorado numa segunda-feira depois de um feriado prolongado (quando ele foi escalado para dar plantão na sexta), funcionário este sem muita vontade de te ver feliz. "Que papel A5 é este, merda!!! O original não é o A4?"
Não dá para conversar com a máquina, tamanho stress dela. Resta um desligar, um puxar de tomada, tipo um puxão de orelha mecânico! Ela volta, ou deveria voltar, à normalidade...
Ledo engano... chega uma hora que a máquina humana fica contagiada pela má vontade da máquina copiadora! A gente não agüenta, haja tonner, haja folhas novas transformadas em lixo reciclável (na melhor das hipóteses, papel bilhete), haja lavar as mãos repletas daquele pó importado (é um pó mineral encontrado na Ásia mais uns polímeros para grudar no papel... assim me explicaram).
- Chama o técnico... eu não agüento mais...
É caso de amor, só pode! É saudade, imagino! É o técnico do xerox chegar e a máquina desestressa na hora! Cadê o defeito? Sumiu! Cadê a sujeira que fazia a máquina? Não tem!
Só pode ser conluio entre a máquina e o homem do conserto da xerox... passou um pano com álcool na moça nervosa, um aperto num parafuso qualquer (só para despistar ou fingir o serviço), paga-se a visita e o preço, máquina normal, técnico indo embora:
- Até o mês que vem, querida! Depois te compro um cilindro novo, daquele que você viu no shopping... logicamente melhor do que ganhou a do oitavo andar no Natal passado! Ah... quem vai pagar a conta do presente? Adivinha?
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2:12 PM
Quarta-feira, Novembro 17, 2004
Numa mistura de "será que tem jeito?" com "ah... o Gerolino ganhar este treco?", inscrevi nossa empresa no The Best of the Blogs.
Certo? Sim... fui lá, escrevi algumas coisas em várias modalidades, saí daquela página e voltei à programação rotineira.
Até aí tudo bem... passaram-se alguns dias e... voilá: fomos indicados para a MELHOR TEMÁTICA!
Caramba... e agora? Tem que votar? Tem que fazer algum comentário lá no "comentários" do The Bobs? Quem poderia me explicar como funciona este processo de votação?
Sinceramente, eu não sei... mas só de ter sido um dos escolhidos já é um motivo de comemoração.
Nossas ações estão em alta... mas eu já falei sobre isso!
ACHO QUE ACONTECEU ISTO...
[... já foram escolhidos os 10 finalistas para a Melhor Temática. Entre eles, dois brazucas: Sovaco de Cobra e Estraga Filmes... vamos votar num dos dois, pessoal!]
[... e o processo de votação já foi... e eu nem sei como aconteceu, se poderíamos ter feito alguma coisa, sei lá... que pena!]
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3:35 PM
Adeus, companheiro...
Um amigo meu pegou hepatite e está em tratamento. Já está bem melhor (leia-se menos amarelo), tomando a medicação recomendada e comendo bastante doce.
Doce... logo este amigo que não é chegado em nada doce, prefere mais um sal, um costelão bovino no bafo, de preferência com aquela gordurinha salutar, uma picanha maturada... é, meus caros acionistas, este amigo é daqueles últimos remanescentes da saudosa turma do funil.
Menos um. Disse ele que se aposentou, parou com a arte de sorver aquela cerveja gelada, aquele chopp cremoso nos dias mais quentes da vida!
É, fígado... realmente você quando demonstra existir, faz um estrago tremendo na vida das pessoas!
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10:50 AM
Terça-feira, Novembro 16, 2004
Eu não sei como uma pessoa pode torcer ao mesmo tempo para o glorioso Clube Atlético Mineiro e para o Flamengo: acredito eu ser tão complicado quanto encontrar um torcedor atleticano e também cruzeirense.
É muita rivalidade com o tal clube carioca! Muitas decisões, muitos jogos polêmicos, muita, mas muita água que já passou por aqueles clássicos! E domingo não teve outra: rivalidade, nervos à flor da pele, e uma incrível goleada por seis côcos à um! Um conseguiu se safar da famigerada zona de rebaixamento, o outro fincou o pé, tá na fila para a segundona...
Não gosto muito de falar de futebol, não sou daqueles torcedores fanáticos que vivem e respiram o esporte! Muito pelo contrário: gosto, mas sei muito bem diferenciar uma coisa da outra.
Mas não consigo entender como um torcedor do Galo pode torcer para o Flamengo! É como misturar água e óleo, fica complicado!
Hoje eu perguntei para este colega (este que torce para os dois times) como ele conseguiu assistir ao jogo:
- Cara... primeiramente, foi um jogo difícil de se ver! Dois times horríveis, uma expulsão besta no começo do jogo (tenho que concordar) e um placar elástico! Meu time não jogou nada!
Tá bom... e quando foi que neste ano ele jogou? Ei... estou falando do Flamengo, tá? Mas se bem que o meu time também não está grandes coisas, não... e em cinco partidas deve (o "deve" no sentido de "pelamordedeus, ele há de ganhar") vencer duas.
É... deve dar certo (o "deve", nesta vez, no sentido de "esperança, nem tão remota, mas ainda assim esperança").
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12:07 PM
Sexta-feira, Novembro 12, 2004
Segundo tempo de jogo.
Ah... enfim o segundo tempo desta sexta-feira!
Sabe... estou me sentindo até melhor. Nada como uma comida bem leve feita pela mãe, um cochilar de trinta minutos e um banho para levantar o astral (e mandar para as catacumbas a ressaca do primeiro tempo de hoje).
É hora de trabalhar mais, pensar na vida... e por falar em vida, lembrei de férias, e lembrando de férias me lembrei de viagem. Viagem... que beleza!!
Este ano eu conheci Maceió, cidade maravilhosa, praias magníficas, comida então nem se fala!
Ano que vêm eu estou pensando em conhecer o Pará, isto é se eu tiver um capilé, uma graninha boa para torrar com os Patos à tucupis & Tacacás Sociedade Comercial (mas se bem que minha esposa estava querendo conhecer o sul do país, tipo Blumenau, Florianópolis ou um lugar alí perto da Argentina da vida).
Então estamos num impasse danado: norte, sul ou "será que nós vamos ter grana?"
Ihhh... já estou escutando minha carteira rindo da minha cara...
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2:24 PM
Primeiro tempo de jogo.
Bronquite, rinite, hepatite, todos os ites são uma merda! Ite é sinônimo de doença, coisa ruim.
Labirintite, tendinite, conjuntivite, sinusite... que coisa mais desagradável! O corpo todo tem que suportar as arguras de uma inflamação, e vira e mexe dá uma lombeira danada na gente!
Hoje eu não estou bem, mas também não estou com nenhuma "ite" da vida! Hoje eu estou com a tal da ACA (é uma merda!), que tem um lado ruim e um bom: hoje eu estou é de ressaca!
Mas foi por uma boa causa!
Afinal, aniversário da gente é uma vez por ano! E aniversário dos amigos também... e a gente tem é juntar e comemorar!!
Ai, que dor de cabeça infernal... você tem Aspirina aí?
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9:45 AM
Quinta-feira, Novembro 11, 2004
Ficou com a pulga atrás da orelha a Josefina. Afinal, começava a estabelecer uma certa confiança em José Uoshington. E já não era somente pequenas conversas que tinha com ele, mas certas confidências, bastante íntimas às vezes. Este titubear e a forma que utilizou para extrair uma reles informação de Uoshington mexeram e balançaram esta certeza, esta fé que começava à depositar em seu sofá verde.
Enquanto aguardava Adalberto, pensava se, por acaso, José Uoshington saberia de mais coisas que deveria. E se soubesse, porquê não contaria à ela? Algum rabo preso? Mas com quem? Com Adalberto?
Não... seu marido, não... estava fora de cogitação! Mas porquê José Uoshington não foi sincero com ela? Porque usava de rodeios para responder até simples perguntas que ela fazia?
Relembrou certas passagens nestes quinze meses em que teve como companhia para conversas seu sofá e estava chegando à uma conclusão: Uoshington, na maioria das vezes, usava de muito sarcasmo em seus diálogos.
Ou será que aquele era o jeito dele de ser? Muito diferente de Clementino, que sempre foi centrado, amigo e companheiro de muitos anos. Olhando fixamente para um ponto no teto, lembrou daquele velho sofá vermelho que ficou na casa dos pais de Josefina. Um aperto no coração, um suspiro profundo daqueles que gelam o pulmão... porquê lembrou agora de Clementino?
As horas escorriam pelos ponteiros do relógio, pingando de segundos em segundos. A televisão passava programas, novelas, propagandas, jornais... e Adalberto não chegava. Por um instante fechou os olhos... somente por alguns segundos. Acordou sobressaltada, jogando o braço para onde deveria estar seu marido, o seu lugar na cama. Novamente e lentamente seus olhos se fecharam, por um instante... mas tempo suficiente para pegar, desta vez, num sono profundo.
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9:49 AM
Terça-feira, Novembro 09, 2004
Levantou bem devagar, meio sonolenta e foi ao banheiro. Voltou bem disposta e preparou o café, sempre forte.
Trouxe numa das mãos uma xícara de porcelana, na outra uma vasilha de plástico contendo alguns biscoitos e um generoso pedaço de uma bisnaga de sal com mortadela.
Josefina: Bom dia, Uoshington...
José Uoshington: Bom dia, patroa Josefina... tudo na santa paz?
Josefina: Tudo. Adalberto saiu cedo hoje, não?
José Uoshington: Sim, madame... saiu bem cedo. A senhora não ouviu ele se levantar?
Josefina: Nada. Dormi feito uma pedra hoje!
José Uoshington: Isto é bom, patroa! Renova a energia...
!Josefina: Ah, é... renova mesmo, e comigo está tudo numa boa. O que está me preocupando um pouco é o Adalberto, que anda um pouco chateado...
José Uoshington: Chateado? Com o quê?
Josefina: Acredito que deva ser algum problema no serviço. Ele está andando muito nervoso, às vezes meio triste, cabisbaixo, sei lá...
José Uoshington: Uma discussão com algum colega de trabalho?
Josefina: Ora, não sei, Uoshington... ele não se abre comigo...
José Uoshington: A senhora já tentou perguntar para ele? Sondar um pouco mais a vida do patrão Adalberto...
Josefina: A vida de Adalberto é um livro aberto para mim. Mas, em se tratanto do lado profissional, ele é muito recluso e quase não dá brechas para conversas, entende?
José Uoshington: Ô se entendo. O patrão tem jeito de fazer as coisas numa perfeição sem fim.
Josefina: É. Acredito que ele quer, na realidade, é me poupar de algum aborrecimento.
José Uoshington: Mas não está errado?
Josefina: Quê?
José Uoshington: Não seria legal se a senhora compartilhasse também as fases ruins? Tipo seria um grande apoio, se o patrão Adalberto está mesmo passando por uma fase conturbada no trabalho.
Josefina: É mesmo! Mas vem cá: você ouviu alguma coisa à respeito disto, Uoshington?
José Uoshington: Eeeeu? Eu não, patroa...
Josefina: Ora... você está falando como se soubesse de alguma coisa, falando com propriedade mesmo... desembucha logo!
José Uoshington: Me perdoe, patroa... mas eu sinceramente não posso, quer dizer, não sei de nada...
Josefina: ... você falou de problemas com colegas de trabalho! De onde você tirou isso? Você sabe de alguma coisa, José Uoshington... e vai ter que me falar o que está sabendo! E vai falar A-GO-RA!
José Uoshington: Mas patroa... eu não...
Josefina: Ah, é assim? Pois bem... lembra daquela amiga minha que cria na casa dela...
José Uoshington: Não... isso não, patroa...
Josefina: ... e que todos os sofás tem verdadeiro pavor...
José Uoshington: Não, dona Josefina... tenha piedade...
Josefina: Se você não abrir o bico agora, vou te dar para esta amiga que cria gatos, José Uoshington...
José Uoshington: Eu falo, eu falo...
Josefina: Estou esperando...
José Uoshington: Eu acho que o patrão Adalberto se desentendeu com algum funcionário na empresa, sim!
Josefina: Mas quem?
José Uoshington: Não sei, senhora... juro que não sei!
Josefina: Ora... será que aquele chato do gerente de marketing está pegando no pé do Adalberto? Ou a diretora financeira, uma senhora ranzinza que Adalberto me contou que ficou viúva faz uns 35 anos e está sozinha é hoje... nossa, tenho que conversar com Adalberto, José Uoshington...
José Uoshington: Isso, patroa... um bom diálogo, uma conversa, e a senhora vai ficar a par de tudo...
Josefina: Nestas horas que eu fico feliz por aquela sábia decisão do Adalberto de ter trago junto com ele a secretária...
José Uoshington: ...
Josefina: ... já ouviu falar na expressão "mar de tubarões?" Pois é... neste novo emprego, Adalberto deve estar, coitadinho, nadando num mar de tubarões...
José Uoshington: ... e a tábua de salvação é justamente...
Josefina: ... a confiança que Adalberto deposita nos seus funcionários mais fiéis!
José Uoshington: Tirou as palavras da minha boca, patroa!
O café esfriou. Tamanha compenetração no diálogo com José Uoshington que nem provou os biscoitos, nem o pão com mortadela. Resolveu encher a xícara novamente.
Josefina: Uoshington... você conhece a secretária do Adalberto?
José Uoshington: [engolindo seco] Dona Josefina... eu, quer dizer, bem... acho...
Josefina: Um amor de pessoa, Uoshington! Um amor de pessoa...
José Uoshington: [falando bem baixinho] Ah, patrão Adalberto... que enrascada que o senhor me meteu quando pediu para esta sua secretária mobiliar este apartamento! Tsc... mas quem mandou este sofá ser tão macio...
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11:29 AM
Sábado, Novembro 06, 2004
Semana atípica foi esta que passou: fiquei sem colocar nenhuma história no Gerolino, nada de José Uoshington, nada de Josefina e seu amado marido, nada, nenhum comentário sobre minhas provas (que foram, desculpe o termo, o ó do borogodó), nada sobre a abstinência auto-imposta com relação ao consumo indiscriminado de cerveja (só no final de semana agora), nada de novidades nenhuma.
E tudo por causa de uma praga, um olho gordo super malígno (como se existisse olho gordo do bem), um peso, um encosto, um mau olhado da dona que veio me pedir o pacote de biscoito Cream Cracker no domingo.
Eu devia ter desconfiado desde o início que aquela minha recusa não iria ficar barato! Nada de conseguir postar no blog. E este problema, que parecia simples e de rápida solução, se transformou num enorme temporal, num enorme problema para mim! Escrevia, escrevia... mas na hora de postar, lia um "ocorreu um erro de publicação" no canto da página!
- Ah... deve ser coisa besta, algum probleminha fajuto! Deixa eu tentar de novo!
E nada. Nada mesmo e mais um tiquinho daquela frase que me perseguiu durante a semana toda: ocorreu um erro de publicação!
Será que eu fiz alguma coisa errada? Conferi no template, conferi acentuação, conferi o texto, conferi... e estava tudo certo! Outros acionistas, usuários da ferramenta Blogger, estavam postando normalmente. Entendeu? Outros acionistas estavam numa boa, escrevendo, publicando seus posts... e eu não! Um detalhe muito importante: quem conseguiu publicar o texto de quarta foi a Day, lá no sul do país. Tudo porque eu fui tocado pelo mau olhado da dona que me pediu, muito desaforadamente, o pacote de biscoito Cream Cracker, e eles, alguns dos meus amigos e companheiros acionistas, não (se bem que o Do também teve problemas de postar nesta semana).
Prova de Direito Comercial: olhei minha nota pela internet e fiquei todo feliz. Era quinta-feira, dia da matéria! Beleza... com aquela pontuação, faltava pouca coisa para passar de semestre! Ledo engano! O professor adiantou 10 pontos por conta de um trabalho que ainda iremos fazer!
10 pontos que achei que tinha conseguido com meu suor cerebral, trabalho intelectual, me foram emprestados, empréstimo compulsório de pontos. Mais uma praga rogada pela mulher que secou meu biscoito Cream Cracker ainda no carrinho de compra (biscoitos que nem toquei nestes dias... comi os recheados): achei que tinha estourado, mas a realidade foi que fui mau na prova e perdi 10 pontos!
O chuveiro! O chuveiro que queimou na quarta-feira pela manhã pode ter sido provocado também...
A estranha tosse que me acometeu quando entrei no ônibus cheio também (a viagem toda tossindo sem parar)...
Aquele sol e calor infernal na quarta-feira, seis horas da noite, horário de verão, na entrada para a faculdade (jurei para mim mesmo que não ia parar no Verdinho para tomar cerveja durante a semana... e consegui!)
O trupicão na calçada que quase me levou ao chão e quase avacalhou com meu sapato...
O caroço da azeitona na coxinha...
Este ocorreu um erro de publicação de novo e estes montes de sinais de interrogação...
É... do jeito que está chovendo raios e trovões, só falta a energia elétrica aca...
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10:46 PM
Quarta-feira, Novembro 03, 2004
Ai, ai...
Quarta-feira com jeitão se depois de domingo. Princípio... ou meio de semana, como queiram.
Acordar cedo, mais cedo do que o costume, abrir os olhos e enxergar ainda o sono... na cortina, no travesseiro, no colchão, todos sonolentos. Ser desperto pelo barulho do relógio.. mas ainda não está na hora de levantar.
Por um lado é bom: o clima está bem ameno, frescor da manhã e um quase frio, o sol ainda com preguiça de despontar no céu sem nuvens! Mas está muito cedo ainda...
Horário de verão: aposto que muitos irão ainda escrever sobre ele. Quarta com gosto de segunda, corpo ainda habituado com o tempo do tempo do corpo e o chuveiro que me queima na hora do banho.
Ah... adoro estas quartas-feiras depois do feriado...
PS.: acho que acordei meio de mau humor hoje! Ou ainda estou dormindo...
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11:17 AM
Segunda-feira, Novembro 01, 2004
Compras no domingo.
Saindo do supermercado em Nova Lima, eu e esposa, com um carrinho cheio de compras, ontem, domingo bravo!
Eu colocando as sacolas no porta-malas, sol à pino, quando fomos abordados por uma senhora:
- Me dá este pacote de biscoitos...
Eu olhei para aquela "dona" de quarenta e poucos anos, quase maltrapilha, quase banguela e cheirando à cachaça, e pensei, numa boa, em dar o pacote de biscoitos Cream Cracker apontado por ela. Nisso, diante da minha demora (estava acondicionando as compras, caramba!), veio ela de novo:
- Então me dá um sabonete.
Aí não! Respondi que não daria, não. Disse um "mais tarde" seco, franzindo as sobrancelhas, já sem um pingo paciência.
- Me dá o biscoito - olhando fixamente o que havíamos comprado.
- Hoje não, mais tarde... [tentando ser educado]
- Mais tarde eu não quero, não... eu quero é agora!
Mas que petulância daquela senhora. Pedir ajuda para a alimentação é uma coisa... exigir que se dê já é outra totalmente diferente.
Resultado: a mulher ficou de mão abanando (mas depois reparei que ela estava era com uma sacola cheia de produtos, certamente contribuição de outras pessoas que por ali passaram).
Se pelo menos ela soubesse pedir e fosse mais humilde...
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11:20 AM
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