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Diretorio 100% brasileiro


Sexta-feira, Outubro 29, 2004



Um dia normal. Josefina, após dar aquela conferida em todos os itens da casa, pára um pouco e põe-se à descansar! Neste meio tempo, resolve ligar para algumas de suas amigas, lá na cidade em que nasceu!

Depois de conversar bastante com uma, ligar para outra, escutar as novidades e contar também as suas, volta à sala e...

Josefina: Estou boba, Uoshington!
José Uoshington: Como o quê, patroa Josefina?
Josefina: Tenho uma amiga, lá na cidade onde nasci... que terminou seu casamento!
José Uoshington: Coisa muito normal nos dias de hoje, se não me falha a memória...
Josefina: Sim, Uoshington, mas estou boba pelo que me relataram, entende?
José Uoshington: Não, não entendi! A senhora poderia ser mais objetiva?
Josefina: Uoshington... esta amiga minha se casou há cinco anos. Até eu e Adalberto fomos ao casamento deles....
José Uoshington: E...
Josefina: E eles pareciam tão felizes, Uoshington... e de repente, acabou o casamento!
José Uoshington: E acabou assim assim, do nada?
Josefina: Não... pelo que fiquei sabendo das minhas amigas, o casamento já estava bem desgastado... e terminou de vez quando esta amiga descobriu que estava sendo traída!
José Uoshington: Sério mesmo, patroa?
Josefina: Seríssimo.
José Uoshington: É... traição é mesmo imperdoável, não é mesmo?
Josefina: Ô se é!
José Uoshington: E é tão comum nestes dias...
Josefina: Ah, mas a mulher tem que se precaver, Uoshington! O homem da gente só a mulher conhece, entende?
José Uoshington: Novamente, patroa, peço encarecidamente que seja mais objetiva...
Josefina: Eu estou falando, José Uoshington, que, se o homem trai ou anda traindo constantemente a mulher, ela, se conhece mesmo seu marido, namorado ou noivo, vai sacar na hora! E vou te contar mais: ela pode perceber até antes mesmo de acontecer! É questão de sensibilidade feminina, coisa que você nunca vai entender...
José Uoshington: Não brinca... e a senhora tem também estes sentidos super aguçados?
Josefina: Toda mulher que se preze deve estar de olhos abertos neste lance, Uoshington! Eu, graças à Deus, tenho um marido exemplar, digno de toda a minha confiança. Mas mesmo assim fico de butuca, entende?
José Uoshington: Butuca?
Josefina: É... observando intensamente as atitudes de Adalberto; à espreita de quaisquer lances que o condene, entendeu agora?
José Uoshington: Agora sim... a senhora fica de butuca no patrão Adalberto.
Josefina: Exatamente! Comigo isto não aconteceria nunca.

Levantou-se e seguiu com seus afazeres.

Josefina: Sabe, Uoshington [falando alto, lá da cozinha]... acho que vou falar com o Adalberto para contratar uma empregada! Estou andando muito cansada...
José Uoshington: E de preferência [respondendo num tom não tão alto] uma bem bonita, vistosa e boa de trabalho, patroa Josefina.
Josefina: [chegando perto da sala] É... acho que vou fazer isso mesmo... uma boa de trabalho, como você mesmo disse.
José Uoshington: Concordo contigo, patroa Josefina... assim a senhora pode usar melhor seu tempo e ficar de "butuca" na vida, sim?
Josefina: Você gostou do butuca, né?
José Uoshington: Gostei de saber mesmo foi dos seus sentidos super aguçados para o chifre, patroa Josefina!
Josefina: Há há há... você é uma peça rara, José Uoshington... [seguindo rumo ao quarto, no fim do corredor]
José Uoshington: E a senhora é de morte, Dona Josefina... sentidos super aguçados... sei!

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10:27 AM


Quinta-feira, Outubro 28, 2004

Pressa.

Já dizia minha avó, a pressa é a inimiga da perfeição. Pressa, em todos os sentidos, é certeza de que alguma coisa pode dar errado, pode ocasionar (eu disse pode) imprevistos que culminarão numa não perfeição, coisa tosca!

Juntando a pressa com a (in)certeza de que sempre pode ocorrer eventos que irão (no sentido de sim ou não, ok?) te levar para o buraco (não tem rolando aí uma tal de Lei de Murphy?), temos a possível concretização e visualização mental de que correr demais com as coisas pode ser (e quase sempre é) um verdadeiro pé no saco (olhando pelo prisma da bendita da probabilidade): quem tem boca, vai à Roma... quem tem pressa, come crú e quente!

Chavão? Pode ser. Continuação do post inflamado de ontem? Ah, pode ser também.

Não falei nada com nada, né? É porque estou com pressa...

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2:08 PM


Quarta-feira, Outubro 27, 2004

- Tenho uma coisa para falar para você, mãe... estou grávida!
ou
- Vou ser pai, você acredita??

Freqüentemente ouvimos felizes pessoas que pronunciam estas frases, não é mesmo? Fico feliz por elas também...

Mas e quando tal frase sai da boca de um adolescente, recém posto neste nosso mundo, adolescente este ainda sem rumo certo na vida e a vida toda pela frente?

É complicado. Alguns dos nossos jovens simplesmente estão ignorando uma fase ótima das suas vidas, que é justamente a de poder escolher, calmamente, o caminho a tomar, sem pressões externas e muito menos as da própria consciência. De repente, vêem-se numa encruzilhada, encruzilhada que tem como um trecho a responsabilidade e outro a fuga, o abandono daquele ato seu, praticado sem os devidos cuidados.

Triste termos tantas informações à mão e ignorá-las. Preservativos, pílulas, anticoncepcionais de todos os tipos... tantas formas de evitar uma gravidez indesejada para aquele momento sendo postas num canto, escondidas na mente. Se bem que entendo também o lado do corpo: esta idade de descobrimento da sexualidade pode - e leva - o jovem a ignorar os riscos, nem cogitar, momentaneamente, que aquele ato seu irá gerar obrigações e deveres no futuro.

E isso falando somente de uma gravidez, que para mim é saúde. Pior seria se fosse doença, isso sim.

O que está errado então? Temos informações, vivemos num mundo onde a comunicação é tudo (ou quase tudo), uma relativa liberdade sexual, famílias que tendem (e devem) à alertar seus jovens sobre os perigos de DST, AIDS e outros males... e também informações mil acerca da procriação do ser humano. Mas mesmo assim, muitas jovens, de idades variadas, de repente vêem-se acordar de um sonho de contos de fadas e cair na dura realidade de ser mãe-menina.

É a geração dos pais-avós: acaba que quem realmente cria os filhos são os avós! A moça e o rapaz precisam sobreviver neste mar furioso que é nossa sociedade - mas ainda não estão preparados para enfrentar, sozinhos, a tempestade que está se formando no horizonte - e partem para enfrentar seu novo destino deixando, em alguns casos, a guarda (os cuidados com educação, alimentação diária e etc... ) da criança com os avós (que ficam hipnotizados com os netos). Antes, o dinheiro era para as festas, roupas para sair no sábado, o bar... agora fraldas, leite, conta do médico. E para isso, a pequena mãe e o jovem pai tem que trabalhar muito, suar a camisa, noites e noites mal dormidas... estudar muito se quiserem vencer na vida.

Antes, estudávamos, trabalhávamos, planejávamos o futuro para poder casar e constituir família, ter nossos filhos num ambiente o tanto mais seguro possível. Hoje os conceitos estão todos distorcidos, vêm em ordem aleatória. E eu pergunto novamente: o que está acontecendo?

Há falhas, lacunas não explicadas nos diálogos entre pais e filhos? Liberdade demais sem cultura, sem comunicação? O conceito de família está mudando tanto assim?

Com certeza o mundo mudou, muda constantemente... mas ainda há algo de errado nesta nossa nova "política familiar" que necessita e deve ser mais bem esclarecida, principalmente para nossos jovens.

Fica na mente, de ambos os lados, a frase: poderia ter sido um pouco diferente, não?

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1:21 PM


Terça-feira, Outubro 26, 2004



Josefina: Foda! É foda!!
José Uoshington: Patroa... nunca te vi praguejar tanto!
Josefina: Filho da mãe...
José Uoshington: Dona Josefina... acalme-se...
Josefina: Ah, se eu pegar este filho da...
José Uoshington: Minha Nossa Senhora... será que finalmente a senhora descobriu...
Josefina: Uoshington, você acredita que arrombaram nosso carro?
José Uoshington: Quê? Sério mesmo, patroa?
Josefina: É lógico que é sério!!
José Uoshington: E levaram muita coisa? Estragaram muito o automóvel?
Josefina: Não... não quebraram nenhum vidro, nem entortaram a porta... mas só sei que entraram no carro, Uoshington...
José Uoshington: Peraí... roubaram alguma coisa?
Josefina: Roubaram minha sandália de salto alto, vermelha, uma com duas tiras finas... lembra?
José Uoshington: Eu não... sou muito despercebido...
Josefina: Pois é... entraram na merda do carro e levaram a minha sandália de salto alto que tanto gostava. Saco!
José Uoshington: Mas como, Dona Josefina! O carro não tem alarme? Foi aqui no prédio ou...
Josefina: Como eu vou saber, Uoshington? Eu peguei o carro no sábado à tarde para ir ao shopping.
José Uoshington: Ah... me lembro que a senhora queria comprar umas coisas para a casa, né?
Josefina: Pois é... andei demais naquele dia, muito mesmo, entrei em muitas lojas. Comprei, você se lembra, muitas coisas...
José Uoshington: Poupe-me dos detalhes...
Josefina: Quê?
José Uoshington: Hã... lembro-me dos detalhes, madame...
Josefina: Tá bom... só sei que eu e meus pés estávamos muito cansados [sentou no sofá e resolveu ficar puxando os dedos do pé, fazendo-os estalarem]. Resolvi dirigir para casa com uma sandália baixa, muito mais confortável, uma que eu deixo lá no porta-luvas...
José Uoshington: Hum hum...
Josefina: Daí que deixei as minhas sandálias debaixo do banco do motorista... e hoje, logo depois que eu e Adalberto voltamos do clube, quando fui pegá-las debaixo do banco e as sandálias não estavam mais lá!
José Uoshington: O patrão Adalberto não pegou, não?
Josefina: Ele nem viu, Uoshington... e olha que eu perguntei para ele, viu?
José Uoshington: Pôxa... mas que ladrãozinho mais pé-de-chinelo, hein?
Josefina: É!
José Uoshington: Com o som lá no carro, sacolas, bolsas, com qualquer outra coisa de valor dando sopa lá no interior do veículo, levar uma sandália vermelhinha de tirinhas? Que pobreza...
Josefina: Para você ver o mundo que estamos vivendo, José Uoshington... para você ver...

Domingo, por volta das onze horas da noite. Josefina, como nadou bastante no clube, muita sauna e exercícios físicos, foi dormir mais cedo - estava exausta. Adalberto ainda rondava pelo apartamento, havia perdido o sono. Chegou na sala, se aconchegou em José Uoshington e pegou um livro para passar o tempo. Eis que o telefone toca e o marido de Josefina o atende, até meio ressabiado:

Adalberto: Alô... opa, tudo beleza, Rafael? Tudo... não, estou aqui esperando o sono chegar! Sei, sei... rapaz, nem te conto, cara... hoje, voltando do clube, um carro na minha frente me fez uma barbeiragem enorme... é, travei o pé no freio e por pouco não bato a traseira do carro da frente. Mas daí, cara, [sussurrando] que me surge assim do nada um par de sandálias debaixo do meu banco! É, cara... [levantou e certificou que estava realmente sozinho] sandálias vermelhas! Gelei na hora, meu irmão! O que eu fiz? Ora... apontei para a esquerda e falei com a Jô: "olha lá mais uma cagada!", ela olhou na direção que eu apontei e eu joguei a sandália fora! É... e eu lá teria como saber que aquela sandália era da minha esposa?

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9:45 AM


Segunda-feira, Outubro 25, 2004

Já ouviu a expressão cansado de ficar à toa? Eu, neste domingo e nesta madrugada de segunda, estava vestido desta expressão dos pés à cabeça.

Sério... as costas começaram até à doer de tanto ficar deitado e assistindo televisão, o dia inteiro. O dia inteiro não, boa parte do dia (triste dizer, mas o ócio começou mesmo depois do almoço).

Foi como uma longa e interminável corrente da preguiça: começou com a Fórmula 1, depois veio emendando o futebol, depois do futebol um fechar de olhos e um soninho leve, depois intercalando Pânico na TV com Faustão (blearg!), Fantástico e mais sono.

Credo! A tarde e a noite toda deitado, naquela pasmaceira total, curtindo o colchão e a cama... sem fazer nada mais da vida.

Volta e meia levantava, sim, para tomar um suco, comer um biscoito, um pedaço de bolo de cenoura, tirar a água do joelho... mas, se fosse contar... não, não dá para contar os poucos segundos que passei em pé neste final de domingo.

Resultado ótimo, descansado de tudo, mente aberta. Só o corpo que fica mau acostumado...

- Acho que estou com sono! Será que é quebranto?

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12:56 PM


Sexta-feira, Outubro 22, 2004

Rever amigos que há tempos não encontramos é uma terapia emocionante: mais que isto, é uma volta ao passado, um sentimento legal, lembranças de coisas que não voltam mais.

Ontem resolvi rever meus grandes companheiros da Faculdade de Direito de Sete Lagoas. E teve que ser ontem, pois era o único dia livre para mim aqui em Beagá (semana que vêm já começam mais provas e trabalhos...).

E que festa fizemos... a metade da sala (um pouco menos que a metade) comigo lá no Bar do Piaba, conversando besteiras, contando as novidades, tocando violão, uma cervejinha e alguns caldos de feijão... tudo na maior tranquilidade.

Bem... o que queria mesmo dizer é que matei um pouco a saudade, aliviou aquela sensação de "amigos longe da gente" que trazemos dentro do peito quando a distância fala mais que a vontade.

E é isso: apesar dos pesares, estou feliz.

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9:21 AM


Quinta-feira, Outubro 21, 2004

Fugia de pivetes nas ruas do meu bairro quando era bem pequeno.

A história começou quando minha irmã foi roubada por um pivetão (devia ter uns 2 anos à mais que ela, quase da minha idade) quando voltava do supermercado. Minha mãe olhou para a menina quando chegou em casa e ela desviava o olhar... ficava distante, pensando na morte da bezerra. Eis que não aguentou tantas perguntas e desabafou, chorando: "fui roubada na esquina por um pivete maior que eu e que tinha cabelos grandes".

Pronto: meu pai saiu à procura daquele moleque e não o encontrou.

Isso aconteceu, se não me engano, no ano de 1981 (tinha então 10 anos de idade). Passaram-se alguns dias quando eu e Gláucia tivemos a triste experiência de encontrar com o tal do pivete novamente, na rua, vindo em nossa direção. A minha irmã, coitada, gelou na hora. Percebi o que estava acontecendo e apertamos o passo rumo à nossa casa.

Deste dia em diante o tal do pequeno marginal, parece, jurou que iria me roubar. Jurou... e nunca conseguiu.

Sabe o que é dar nó? Enganar? Eu, muito esperto, sempre dava um jeito de me safar de ser roubado por ele.

E te conto em dois contos: o primeiro foi num dia que estava comprando alguma coisa no supermercado perto de casa. Quando estava pagando a mercadoria, olhei para fora e quem eu vejo me observando? O pivete que roubou a Gláucia.

Fudeu! Peguei o dinheiro da mão do caixa (não havia pago ainda) e voltei para dentro do supermercado. Fique lá no fundo da loja, matutando, imaginando um jeito de sair daquela enrascada. E passou dez, vinte minutos... e o pivete lá, na portaria.

Sabe o que fiz? Cheguei no último caixa, aquele escondido, paguei a mercadoria e fiquei lá, meio que camuflado entre o refrigerador e alguns móveis. E de observado passei a ser o observador... olhava o movimento do pivete por uma greta da porta do supermercado.

Teve uma hora que ele vacilou e entrou lá dentro da loja para me procurar de fato - eu havia desaparecido do seu campo de visão. Saí do supermercado devagar, bem calmamente... e por pura sorte, passava naquela hora, na rua, um ônibus. Ainda deu tempo de ver o cara me procurando igual besta.

Outra vez foi quando estava voltando de uma praça (comprava revistas numa banca lá) e, no meio do quarteirão, dei de cara com o pivetão.

Voltei correndo instantaneamente. A primeira coisa que me veio à cabeça foi contornar aquele quarteirão, lógico. Mas resolvi voltar pelo mesmo lugar, pela mesma rua.

- Ele vai pensar que eu contornei o quarteirão e vai me roubar no meio daquele caminho. Volto pelo mesmo lugar e tá tudo beleza.

Dito e feito. O babaca estava bem escondido atrás de um carro, de tocaia, lá na outra rua, me esperando. Passei com o coração na mão praticamente por trás dele... e, mais uma vez, cheguei em casa sem ser roubado.

Mas um dia é da caça, outro do caçador. Certa vez fui roubado por um grupo (de três) de meninos de rua em plena Savassi: sabe aquela faca de passar manteiga no pão, sem serra, sem ponta, sem nenhum risco de se machucar? Pois é... eu bem voltando da escola para casa, na boa, e fui abordado por aqueles pequenos (da mesma idade que eu: 11 ou 12 anos) ladrões. Mas se bem que naquele dia eu estava bem distraído... e fiquei sem nenhuma reação.

Ah... mas depois destas histórias já se passaram muitos carnavais... e a sorte ainda me acompanha! Ainda bem...

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5:48 PM


Quarta-feira, Outubro 20, 2004



Aquela vida era o que ela pediu à Deus? Não quisera Josefina morar com seu amado, longe de casa, longe dos poucos amigos, longe de tudo o mais? Não quisera casar? Todas as respostas vinham já com a resposta positiva em seu pensamento: sim, queria isto.

Seus últimos dias nestes últimos meses poderiam ser descritos como uma rotina interminável. De fato, José Uoshington estava sendo bastante companheiro, inconseqüente em algumas de suas falas, mas sempre uma voz no meio daquela solidão.

José Uoshington: Bom dia, patroa... como foi a feira hoje?
Josefina: Tudo caro como sempre, Uoshington, tudo caro como sempre...
José Uoshington: Êpa... estou sentindo um certo "quê" de desolação nesta sua voz, patroa... o que é que tá pegando?
Josefina: Ah... esta rotina! Ficar em casa, trabalhando, comprando coisas, ficar assistindo "Mais Você" todo dia... não estava assim tão preparada para levar esta vida, sabe?
José Uoshington: Como assim? A senhora é feliz nesta vida, não?
Josefina: Sou, Uoshington, mas sinto que estou perdendo alguma coisa, entende?
José Uoshington: Entender eu não entendo, não... mas a senhora pode me explicar, se quiser, é lógico!
Josefina: Não sei se consigo...
José Uoshington: Tenta...
Josefina: Ah... estou com saudades de casa, só isso!
José Uoshington: Só isso?
Josefina: É... minha mãe, pai, meu irmão... o cachorro! Saudades das minhas amigas, do Clementino...
José Uoshington: Clementino, Clementino... lá vem a senhora falar deste...
Josefina: Ah, Uoshington... Clementino sempre foi tão especial...
José Uoshington: [fazendo cara de desdém] Grande coisa este Clementino...
Josefina: Não fique assim, Uoshington... você também está sendo muito legal comigo...
José Uoshington: Tá legal, patroa... não vamos mais falar nisso...
Josefina: Tá bom... mas estou com saudades...
José Uoshington: Porquê a senhora não fala para o patrão te levar para visitar o pessoal neste final de semana?
Josefina: Ah, não vai dar... Adalberto irá viajar neste final de semana... trabalho, sabe como é, né?
José Uoshington: Sei... trabalho duro no final de semana...
Josefina: Coitadinho do meu marido.
José Uoshington: E falando no patrão, hoje ele saiu cantarolando, todo alegre...
Josefina: É mesmo? Nem percebi...
José Uoshington: Sabe a expressão "viu passarinho verde?"
Josefina: Hum hum...
José Uoshington: Pois é... parecia que ele viu passarinho verde de manhã...
Josefina: Ora... de manhã que ele estava era me falando deste trabalho chato que terá que fazer no final de semana... acho que Adalberto está mesmo é estressado!
José Uoshington: Ao meu ver, estressadíssimo...
Josefina: É!
José Uoshington: Mudando o assunto, e o lance dos telefonemas?
Josefina: Pois é, Uoshington... tem um desocupado que vira e mexe fica ligando para cá e não fala nada...
José Uoshington: Engraçado é que isso acontece somente com a senhora...
Josefina: Como assim?
José Uoshington: Não sei se a patroa vai se lembrar mas no sábado passado o telefone tocou umas cinco ou seis vezes, se lembra?
Josefina: Ah, lembro sim...
José Uoshington: Foi só a patroa entrar no banheiro que o telefone tocou novamente. Mas desta vez o patrão Adalberto conseguiu falar...
Josefina: É mesmo, Uoshignton?
José Uoshington: Hum hum...
Josefina: Coincidência... somente coincidência...
José Uoshington: Eu fico vendo o patrão Adalberto e me impressiono com a educação que ele tem...
Josefina: Como assim?
José Uoshington: Ele fala tão baixinho, quase sussurrando...
Josefina: Ah... isto vem de família, educação rígida...
José Uoshington: Dona Josefina, eu posso te fazer uma pergunta?
Josefina: Pode...
José Uoshington: A senhora, quando pequena, caiu e bateu a cabeça no chão?
Josefina: [passando a mão na cabeça] Acho que não! Está vendo algum galo?

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10:07 AM


Segunda-feira, Outubro 18, 2004

Coisa boa são estas reuniões de amigos: inventamos um pretexto qualquer e caímos na farra!

Ontem lá em casa não foi diferente: amigos da faculdade, outros amigos de fé, família e tá lá a festa! E eu vou te contar uma coisa... é muito difícil conseguir convencer o pessoal a participar destas reuniões. Sério mesmo...

Lá na outra faculdade, para sair um churrasco (o primeiro de dois em mais de 730 dias de convivência), tivemos que fazer das tripas coração para convencer o povo, primeiramente, de onde seria realizado o evento: Belo Horizonte ou lá mesmo em Sete Lagoas. Resolvemos, numa espetacular votação, que seria num sitio lá por perto mesmo (minha chapa perdeu... mais de 70 quilômetros de distância da minha casa... ). Depois o problema do quanto vai ficar a brincadeira, se tá caro demais, o que comprar e quanto... muita pressão.

Foi na semana retrasada que comecei a plantar a pequena semente do churrasco que rolou ontem: uma simples lista, um telefonema daqui, outro acolá... e, de repente, mais de 30 nomes confirmados. Um bom começo, 46% do total dos alunos. Na sexta passada, somente quinze colegas. Já ouviu aquela célebre frase "tá ruim mas tá bom?"

E rolou. Eu, Dartagnan e Wanderson revivemos aquelas músicas das antigas (é... não teve nada de Cd, não... o negócio era ao vivo mesmo), meu cunhado e o Gaúcho se revezado na churrasqueira, o toucinho de barriga e a ponta de costela no capricho, aquele feijão tropeiro que minha esposa fez com carinho, o freezer cheio de cerveja, um truco, conversa para lá, conversa para cá... e fomos nesta até bem tarde.

Valeu a pena a correria para comprar as coisas como também valeu a pena gastar saliva convencendo os colegas: estas reuniões são tão boas que já tem outra pré-progamada para o mês que vêm.

Haja fígado!

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6:54 PM


Sexta-feira, Outubro 15, 2004

Conto: 5 meninas.

Cinco meninas caminhavam por uma avenida, movimentada passarela de moda, desfile de pneus e apitos de guarda de trânsito.

A primeira parou em frente à uma loja. Olhou uma promoção, conferiu mentalmente a fatura do cartão de crédito, se imaginou naquele vestido vermelho e decotado: é primavera! A segunda resolveu comprar chicletes. Acabara de fumar seu terceiro cigarro (está querendo parar) e pretende, deste jeito, enganar seu organismo (falaram que mascar chicletes é bom... será?) com outro vício. A terceira apertou o passo (avistou um pivete), apertando a bolsa debaixo do braço, numa ânsia de fuga, num medo de ser assaltada novamente. A quarta atendeu ao celular. Era seu amante, seu amigo e eterno companheiro. O coração dela, bobamente, ainda dispara quando ouve sua voz, mesmo escutando-a à todo momento, à toda manhã, à cada noite que vão para cama dormir (uma autêntica apaixonada). A quinta passou e piscou para mim.

Fiquei sem saber o que pensar e segui por aquela avenida, sem nem olhar para trás.

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12:10 PM

Especialização.

Nestes dias, o que mais ouvimos é esta palavra: especialização. Chegamos num grau de conhecimento tamanho que é humanamente impossível um único profissional dominar diversas vertentes de um determinado ramo do saber, um ramo da ciência.

Deste modo trombamos nos fóruns da vida com advogados especializados no direito tributário, outros especializadíssimos no ramo constitucional, família e assim por diante. E vamos mais além: temos profissionais especializados nas áreas médicas, de engenharia (da civil à genética), áreas sociais e tantas e tantas especializações de até perder de vista.

Mas o que me impressionou foi durante uma comemoração de formatura que aconteceu no mês passado, onde avistarmos uma enfermeira, vestido à caráter, perto dos banheiros.

- Olha, que chique... uma enfermeira para atender as pessoas que passam mal nas festas...
- É... ela é especializada em !


Saudades do Mussum.

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12:04 PM


Quinta-feira, Outubro 14, 2004

Conto.

Hoje descobri uma comunidade no Orkut que me pareceu, à primeira vista, muito interessante: Te conto um conto!

Taí... interessante é apelido, gostei muito da idéia daquele pessoal: contar contos.

Escrever contos não é tão difícil como você imagina. Contos são narrativas breves e concisas, contendo um só conflito, uma única ação (com espaço geralmente limitado a um ambiente), unidade de tempo e número restrito de personagens. Pareceu agora melhor?

E você? Já escreveu seu conto hoje?

O Velho

Entrou para dentro daquele ônibus como se subisse numa árvore! Segurou a barra que tanto nos auxilia e puxou-a com toda força dos seus já cansados braços. Os lugares reservados aos amigos (ele nunca, se sentia jovial sempre) estavam ocupados, gente demais naquela lotação. Aguardou pacientemente alguns quilômetros, em pé. Joelhos doíam, mãos bastante calejadas pelo tempo escorriam pela cadeira por culpa do suor e do calor; empuraram-no, olharam-no meio de rabo-de-olho por um instante (paciência, paciência). Os quilômetros avançavam ao sabor da aceleração do motorista e, como sempre acontecia todos os dias às oito da manhã, desceu o velho senhor no ponto.

Arqueou as costas e desceu suas pernas, com muita dificuldade, como quem atravessa um riacho por uma pequena pedra, uma pequena pedra no meio de um pequeno riacho. Desceu e caminhou para a multidão. Sumiu naquele mundaréu de gente, naquela imensidão de pensamentos, naquele centro de cidade.

Nunca mais o vi!

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4:52 PM


Quarta-feira, Outubro 13, 2004

Serviço pesado.

Não é por nada não, mas temos que bater palmas para estas pessoas que ganham a vida com o serviço braçal. É... estou falando destes inúmeros peões de obra, de faxineiras, de ajudantes de casa de material de construção, garis e demais funções relacionadas: muita ralação, gente!

Neste final de semana estava pensando nisso: nós que trabalhamos nos escritórios da vida, ar condicionado e computador, não temos a verdadeira noção do que é colocar o corpo, músculos, suor & Cia Ltda, para conseguir o sustento para uma vida! Uma certa vez estava comprando material de construção e vi um camarada carregando um caminhão de brita na pá! Eu fiquei nesta casa de construção uns 40 minutos ou menos e, quando estava indo embora, o peão já havia terminado o serviço e já estava carregando sacos de cimento nos ombros! "O quê que é isso!!" - pensei - "... se fosse comigo eu nem..."

Eu nem o quê? Chama-se necessidade o trabalho dele! Necessidade dele e nossa!!! E se não existissem pessoas que trabalhassem como aquele camarada? Estaríamos todos perdidos...

É... parece que eu estou falando e não estou me explicando: neste sábado eu estava quieto lá em casa, tomando uma cervejinha, quando minha cunhada me pediu que buscasse umas lenhas na casa de uma amiga dela (vizinha de bairro). Como vocês sabem, lá em casa temos um fogão à lenha e sempre que pinta alguma árvore morta, alguma sobra de construção, estamos lá, fazendo a coleta. Bem... eu então segui, de carro, para a casa da tal moça. Chegando lá me deparei com uma árvore seca, mais ou menos uns 5 metros de cumprimento (ou mais), com muitas galhas de tamanhos variados. A primeira vontade que tive foi sair correndo e voltar à minha preguiça, mas sei lá por que cargas d'água resolvi buscar um machado emprestado com um outro vizinho. Voltei àquela árvore morta jogada na calçada: bati com o machado uma, duas, três vezes! O sol estava à pino, quase uma hora da tarde, o meu corpo esguichava suor ao longe. Deu vontade, aí sim, de parar com aquela sandice toda e voltar para casa, rápido. Nisso a dona da casa me chega e solta a frase que definiu o destino da minha já combalida tarde de sábado:

- Ihhh... neste jeito você vai terminar isso só daqui à dois dias.

Foi o combustível que me faltava. Em menos de uma hora cortei a árvore toda, em pedaços de mais ou menos um metro e que cabiam no porta malas do carro.

Resultado positivo da brincadeira: lenha para fazer aquela feijoada, aquele frango com quiabo, aquela comida mineira bem temperada que tanto gosto. Resultado negativo: o corpo que parecia ter saído de um moedor de carne, mãos com bolhas d'água, braços que não respondiam à estímulos básicos como "pegue aquela garrafa de Skol", pequenos ferimentos e uma dor muscular que perdurou uns dois dias direto.

Trabalho braçal não é brincadeira, não... e tem gente que não dá o devido valor!

posted by : o Administrador desta empresa, uai!!!
11:38 AM


Segunda-feira, Outubro 11, 2004

Feriado.

É ruim demais véspera de feriado depois de um final de semana, né?

Não... não estou aqui dizendo que o feriado em si é ruim e muito menos o final de semana é terrível, muito pelo contrário: estou falando que é triste uma véspera de feriado como hoje, dia 11, em plena segunda-feira brava!

Fica tudo picado: ontem, dia de descanso; hoje, ralação; amanhã, descanso novamente; e depois voltamos à programação normal, uma quarta-feira com jeito, cara e gosto de segunda!

E o pior que as horas hoje não passam nem por decreto!

Para você que emendou, felicidades; para outros infelizes como eu, trabalho! E pensar que alguns colegas estão, neste momento, se mobilizando num animado churrasco...

posted by : o Administrador desta empresa, uai!!!
3:24 PM


Sexta-feira, Outubro 08, 2004

Todo mundo tem um lado irônico, uma veia cômica que percorre o corpo por quase sua totalidade, mesmo que não saiba. E todo mundo tem também, escondido lá no fundo da mente, um lado corrosivo, ácido, lado que fala até demais...

Quando não estou tão alegre, tão divertido, estou ácido! Ah... às vezes faz parte da natureza humana!

Por isso e pela momentaneidade do meu pH mental, escrevo Elucubrações Cerebrinas.

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9:18 AM


Quinta-feira, Outubro 07, 2004

O mecânico negão eletricista sai na noite de São Paulo provocando poltergeist com micro-Atari, com micro-computer, com micro tv fora do ar...
(Santa Clara Poltergeist - Fausto Fawcett & Os Robôs Efêmeros)

Parece que foi ontem... mas já se passaram muitos anos! Muitas palavras soaram distorcidas em meio à gritantes solos de guitarra, frases desconexas embaladas em riffs cadenciados e em vocais loiros naquele Ginástico (hoje um supermercado) sábado à noite, final da década de 80.

Mas vazia não foi a mensagem. Grudou no pensamento, acompanhou-me por bastante tempo... posso ousar dizer até neste momento.

Visionário? Sei lá... pegava o encarte do Lp emprestado e tentava vislumbrar o cenário imaginado por ele, vislumbrar o ambiente "debaixo do bairro japonês, nos porões da liberdade, entre pântanos de esmalte, lixeiras (...) cosméticas... perto de um esgoto paralelo: líquida papel de detritos, comerciais. Um piloto de rally subterrâneo vai trepando, trepando, trepando, trepando com uma narcótica andróide nissei com a bateria no fim... a voz dela são pedaços de palavras japonesas, a voz dela é uma longínqua disco-music... Mitsubishi-Sony" ... sim, ambiente futurista poderia descrever melhor!

Mas não consigo escrever sobre o músico! O cenário rock'n'roll belorizontino naquele tempo não tinha nada parecido com Fawcett; não tínhamos notícias, nem em jornais, nem em revistas, sobre suas músicas, sobre o que rolava, sobre a banda... nada! Infelizmente aquele cenário underground que despontou naqueles dias ficara mesmo restrito à capital fluminense e paulista, ouso dizer, mesmo não sendo onisciente (não havia internet...). E naquele vago, fiquei por muito tempo somente curtindo o trabalho daquela turma em Lp, no velho e obsoleto aparelho de som que havia lá em casa!

Mas foi um ótimo show aquele...

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9:20 AM


Terça-feira, Outubro 05, 2004



Passou correndo pelo corredor, entrou em disparada pela sala de estar rumo à saída. Estava arrumando, meio que desajeitadamente, a gravata ocre no colarinho. O paletó, novo em folha, seguia carregado por sobre seu ombro esquerdo. Abriu a porta e se projetou rapidamente para fora do apartamento. Apertou o passo...

- Espera, amor... deixa eu te fazer um café...

Falou alguma coisa rápida, tipo "estou com pressa" ou "atrasado" e entrou no elevador rumo à garagem, deixando para trás a esposa, camisola um pouco transparente, cara de quem acabou de acordar...

José Uoshington: Ora, ora, ora... onde paramos ontem mesmo?
Josefina: Bom dia, Uoshington...
José Uoshington: Bom dia, dona... passou bem a noite?
Josefina: Ma-ra-vi-lho-sa-men-te bem! Nossa, já são dez horas?
José Uoshington: Sim... parece que a cama hoje estava mais confortável do que de costume, não?
Josefina: Muito... dormi como uma pedra esta noite...
José Uoshington: Engraçado... tive a impressão que esta noite o bicho ia pegar...
Josefina: Pegar? Como pegar?
José Uoshington: Ora... se eu disser rosbife, sua mente se refrescaria?
Josefina: Rosbife... ah, rosbife! Aquele que fiz ontem?
José Uoshington: Sim? A palavra atrasado com o substantivo muito também não te lembra nada, não?
Josefina: Do Adalberto? O atrasinho à toa do Adalberto ontem?
José Uoshington: Bem... depende do que você quer dizer com à toa! Ele atrasou "bem à toa" ontem, pelo que nós dois vimos...
Josefina: Ah... mas ele me explicou tudinho, Uoshington!
José Uoshington: Como assim?
Josefina: Olha... no começo fiquei até mal, sabe! Numa raiva louca dele...
José Uoshington: É... dava mesmo esta impressão...
Josefina: Daí que lá no quarto comecei a xingá-lo, exigindo uma explicação e coisa e tal...
José Uoshington: Eu comecei a ouvir, como quem não quer nada. Mas e ele? E ele?
Josefina: Ele ficou me olhando, com cara que não estava entendendo nada...
José Uoshington: Sim...
Josefina: Daí que, sei lá porquê, fui e peguei a roupa dele para... ai, que vergonha...
José Uoshington: Para ver se tinha alguma marca de batom na camisa, é isso?
Josefina: [erubescendo] Sim... por um momento, pensei nisso sim...
José Uoshington: E tinha a tal marca?
Josefina: Uoshington... quanto peguei seu paletó, caiu uma caixa... espera que vou te mostrar...

Correu até o quarto. Trouxe consigo uma pequena e achatada caixa de veludo. Abriu-a e de dentro dela brotou um colar de diamantes.

Josefina: Não é lindo, Uoshington!!
José Uoshington: É seu?
Josefina: Ora... é lógico que é meu!! Adalberto trouxe para mim ontem! Queria fazer uma surpresa...
José Uoshington: Surpresa? Mas que surpresa é esta? Sério mesmo... isso sim que está sendo uma surpresa...
Josefina: Olha... nem me venha colocar caraminholas na minha cabeça, Uoshington... aconteceu um imprevisto ontem, só isso!
José Uoshington: Olha dona, eu, em toda minha vida de sofá, ouvi falar que o ser humano se alimenta de muitas coisas durante a sua existência, coisas estas que lhes proporcionam energia para o trabalho, cultura para o dia à dia e muitas e muitas coisas mais. Mas esta de carbono puro cristalizado no sistema cúbico para a touperice cotidiana é demais!
Josefina: Quê? Ah... não entendi nada... mas não é lindo este colar?

Deu duas voltas em torno de si mesmo a Josefina, segurando à sua frente a jóia.

José Uoshington: Bem... então o atraso na hora de levantar hoje também foi devido à uma intensa noite de amor, né?
Josefina: Também não... Adalberto estava tão cansado ontem que nem conseguiu, entende? Que pena... eu estava tão à fim...

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4:03 PM


Segunda-feira, Outubro 04, 2004

Um bêbado.

Um bêbado, um reles e maltrapilho bêbado entra num bar. Bar da moda, localizado num dos bairros mais finos da cidade, lugar caro. Estabelecimento cheio, bem tarde da noite. Mal sabe que atrás dele, numa mesa bem escondida de olhares curiosos, um político e um grande empresário negociam emolumentos, cedem benefícios e cultivam segredos. Mal sabe ele que lá dentro um homem comemora a falência da empresa da qual era dono (deixou de cumprir todas as exigências estipuladas por lei... mas mesmo assim comemora). Mal sabe ele que a ilicitude deste homem refletirá de modo incisivo na vida de quase todos os seus antigos funcionários, levando-os ao desespero quando perceberem que dedicaram uma vida inteira à um ser tão abjeto... que comemora, de forma farta, o seu (in)sucesso. Mal sabe ele que há também traições naquele lugar: desejos carnais incontroláveis, pecados e mentiras que se misturam ao ar, despertando a libido, a luxúria e o prazer. Há também favores e obrigações, de quase todo o tipo, sendo cobrados em diversas mesas: bem à esquerda uma mulher sendo coagida a se calar; perto do banheiro o homem violento solicitando desculpas por seus acessos de fúria; no balcão a mulher que se vende ofertando-se; o outro que comercializa veneno se esgueirando de olhares vigilantes, nunca parado em um só lugar.

- Aqui não é lugar para você - fala o segurança do lugar.

É... ali não é lugar para ele. Afinal, tratava-se de um simples, um reles e maltrapilho bêbado.

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2:40 PM


Sexta-feira, Outubro 01, 2004

Neandertal.

Parece que o homem, hoje, voltou à ser como na era neandertal, quando matar para viver era coisa normal, essencial, necessária e todos os adjetivos possíveis para a sobrevivencia da espécie.

Mas mesmo por volta de 100 mil anos atrás, acredito eu que deveria ter existido uma pequena fagulha de solidariedade, de bondade qualquer no coração daqueles extintos hominídeos. Sim... pequena chama que deveria crescer, tomar o caminho do bem, fazer o bem, ajudar... ser diferente e melhor que todos os animais! Deveria ser assim... evolução, tanto na mente/corpo quanto na alma.

Mas é isso que vemos nos dias de hoje? Não... vivemos fazendo guerras, muitas das quais muito mal explicadas, guerras com razões políticas (se é que um dia existiu outra razão para guerrear); vivemos envoltos por violência, medo de tudo e de todos, vivemos sobrecarregados, vigiados por olhos ocultos, olhos que talham nossa liberdade.

Mundo capitalista: alguns irão dizer, à procura do bode expiatório. Sim... economias bem distintas em países também distintos levam ao enrudescimento da solidariedade. Não... não posso generalizar: ainda há, de alguma forma, pessoas que tentam fazer e fazem o bem. Mas são poucas, muito poucas em vista de tantos com visões desiguais de crescimento social, crescimento econômico, crescimento humano.

Na África ainda se morre de fome como há anos atrás. Na África ainda se morre de doenças, muitas agravadas por desnutrição, fome!

Fome... você consegue imaginar o que é ter fome? Não esta fome anterior à abrir a geladeira da sua casa ou atacar as panelas no fogão! Fome e não ter o que comer... não, não consigo imaginar.

E no meio, no início e no agora disto tudo está o Homo sapiens. Lá atrás, extinto há 100 mil anos, o Homo neanderthalensis. Triste saber que muita coisa mudou, mas a essência se perdeu.

O homem voltou a ser como na era neandertal, quando matar para viver era o desejo primordial. Quantas crianças morrendo, quantas vidas partindo, e você fica aí, sorrindo, dizendo que o mundo está lindo...

Tá lindo o quê!?!?!?

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2:30 PM

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