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Diretorio 100% brasileiro


Quinta-feira, Setembro 30, 2004

Este é daquele post relâmpago!

Alô alô, Jornal dos Blogueiros!! Meu muito obrigado por publicar aquele post sobre "porque a gente tem um blog"!!

Abração para vocês!!!

posted by : o Administrador desta empresa, uai!!!
10:31 AM


Quarta-feira, Setembro 29, 2004

Cama.

Porquê a cama da gente fica mais gostosa justamente na hora que temos que levantar?

É inexplicável, alguns poderão dizer! E eu, como estou com muito sono agora e com preguiça de pensar no assunto, vou pela mesma vertente: inexplicável.

O relógio grita bem cedo e o martírio começa: o travesseiro te olhando como quem diz "encosta mais um pouquinho aqui"; o colchão, amigo de tantas horas, lhe convida para uma espreguiçada boa; o lençol, ah... o lençol te abraça com sofreguidão, juntamente com o cobertor, que passou a noite ora caído no chão, ora evitando que sentimos frio.

- Mais dez minutos... só mais dez minutos...

E tudo isso acontece naquele momento anterior ao colocar o pé no chinelo e caminhar, triste, para o banheiro. Tristeza quando não aproveitamos um pouco mais a cama, horror quando perdemos a hora...

posted by : o Administrador desta empresa, uai!!!
8:39 AM


Terça-feira, Setembro 28, 2004

Marimbondo.

Marimbondo existe só para nos aporrinhar. Acho que não tem nenhuma serventia para nós, humanos, este bicho. O que eles fazem? Eles polinizam flores por acaso? Eles caçam aranhas, alguns. Fora isso, marimbondo não serve para nada.

Meu sogro, que gosta muito de uma arte, uma vez pediu ao seu filho, menino meio metido à esperto, para pegar uns abacates no pé. Mal sabia ele que seu pai, já aguardando longe dali, estava era aprontando com ele. Lá, entre as folhas, havia uma casa de marimbondos, se não me engano, aqueles da bunda amarela. E foi o meu cunhado, com uma vara, catar abacates.

Cutuca de lá, cutuca de cá um outro abacate e, do nada, veio um marimbondo e lascou uma ferroada na orelha do menino. Meu sogro, encostado na porteira, se agachou de tanto rir. Quando menos se esperava, outros três, quatro ou mais juntaram no pobre garoto que saiu em disparada pelo campo, batendo os braços em desatino por sobre a cabeça, tentando espalhar a nuvem de insetos que atrás dele voava.

Vocês precisam ver o meu sogro contando esta história. Gente... é muita ruindade para uma pessoa só. O filho dele, meu cunhado, hoje chora de rir das boas que seu pai pregava (nele e nos outros irmãos).

E viemos hoje, para trabalhar, falando de marimbondos. Bichinho ordinário, não serve para nada.

Outro caso foi o que o vizinho me contou: quando pequeno, ele e mais uma turma foram explorar uma montanha, em Nova Lima mesmo. Eis que um avista, no chão, algo suspeito. "É aranha, cara... vamos passar bem no canto para não atiçar elas". Ledo engano. Era na realidade uma casa de marimbondos-cavalo (estes bichos fazem casas até no chão, os sem-vergonhas) que ferroaram até cansar os pobres dos meninos.

O que primeiramente alertou os outros levou somente uma ferroada na orelha. "Quando o marimbondo me picou senti minhas vistas escurecendo", disse ele hoje, no carro. Chorei de rir e fiquei imaginando o outro que levou umas sete ou mais ferroadas pelo corpo todo.

E você... já foi picado por marimbondo?

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12:03 PM


Segunda-feira, Setembro 27, 2004

Aqui em Belo Horizonte não tem tucupi. E nem jambu.

Procurei em todos os lugares possíveis e nada de encontrar o ingrediente principal para o prato que iria fazer neste final de semana, o famoso pato no tucupi. O pato foi fácil de achar... estava praticamente comprado quando me veio à cabeça: "vou comprar o tucupi primeiro".

Internet: procurei e nada de encontrar. Supermercados: liguei para dois e nada também. Somente um lugar poderia achar o danado do tucupi: Mercado Central.

Sábado, calor, Mercado lotado e eu lá, andando de um lado para outro, procurando e procurando...

- Senhor... por acaso você tem tucupi?
- Tuco o quê?
- Tucupi... é uma espécie de molho feito com água-de-goma [líquido leitoso e venenoso, que contém amido e é extraído da compressão de raspas de mandioca; o calor do fogo ou do sol elimina o veneno e do líquido faz-se o tucupi] e pimenta, que acompanha vários pratos da cozinha do norte do Brasil, principalmente no Pará.
- Tenho não.
- E jambu? O senhor tem?
- Jambu? O que é isso?
- É uma hortaliça, também chamada de agrião-do-pará!
- Tenho também não...

E foi assim boa parte do sábado: ora perguntava sobre o tucupi, ora perguntava sobre o Acmella oleracea, sem sorte nenhuma.

Quer dizer, sorte mesmo teve o pato.

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8:31 AM


Sexta-feira, Setembro 24, 2004



Abriu a porta confiante em si mesma: aquela conduta de Adalberto era inadmissível. Ele teria que se explicar, sim senhor! Isso não se faz, principalmente na primeira noite que iriam passar juntos no apartamento novo.

Enquanto empurrava a porta, pensou em inúmeras possibilidades de fuga, de desculpas que ele, seu marido, poderia lhe dar: uma saída com os amigos? Uma reunião de negócios que se prolongou por demais? O automóvel com problemas mecânicos? Mas então porque não usou o telefone para avisar do atraso, seja ele qual for? Porquê deixá-la angustiada, agoniada, conversando com o sofá, como uma boba, uma mulher apaixonada aguardando o retorno do príncipe encantado?

E o rosbife, comida preferida de seu esposo, frio por sobre a mesa, perdeu a graça. Para falar a verdade, o jantar todo perdeu a graça! Isso também é de se explicar! Se bem que não sabia, logicamente, da surpresa... mas teria que se explicar assim mesmo.

Seus olhos começavam a lacrimejar de raiva: "devem estar até vermelhos" - pensou ela. E com este pensamento, fechou a porta atrás de si.

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11:35 AM


Quinta-feira, Setembro 23, 2004

Transpiração.

Nem quando passamos aquele aperto danado conseguimos transpirar tanto quanto nestes dias de calor insuportável.

Tudo conspira para que transpiremos mais e mais: o calor em si, muitas vezes refletivos por paredes de concreto, fornos em forma de automóveis e ônibus, calor irradiado pelo asfalto, pela ardósia, novamente pelo concreto.

Suamos e suamos bastante: santo ar-condicionado que nos livra, pelo menos um pouco, do enorme sacrifício de estar eliminando e secretando o suor pelos nossos poros! Ajuda, refresca, mas não elimina a sensação angustiante de calor: afinal, o tal ar é, como o próprio nome diz, condicionado a um determinado recinto! E lá fora o ar continua quente, pesado, difícil de suportar: quase não se move.

Transpiramos... e transpirando vivemos. O suor contém água; esta, evaporando-se sobre a pele, absorve calor do corpo, reduzindo a nossa temperatura. E assim, transpiramos vagarosa e sistematicamente.

É... ainda bem!

Mas haja água, haja suor, haja calor, haja paciência, haja camisa, haja desodorante!

Já percebeu que nunca estamos satisfeito com o clima? Coisa de gente urbana.

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11:27 AM


Quarta-feira, Setembro 22, 2004

"Ah... sem inspiração? Eu também estou sem inspiração hoje! Para falar a verdade, quase nenhuma inspiração! Tá bom... só um tiquinho de nada! Coisa muito, mas muito pouca! Quase um átomo de inspiração. Não, um átomo tá grande! Um elétron de inspiração! Peralá... elétron fica rodando e rodando, e rodar acaba inspirando alguma coisa... estou tipo um próton de inspiração! Isso... próton fica parado, sem fazer bosta nenhuma... quase nem massa tem! Isso: hoje estou um próton de inspiração! Um próton de inspiração de um material bem, mas bem vagabundo mesmo! Daqueles que ficam escondidos na tabela periódica, de nome feio, nome que se dá à uma coisa sem graça, mas de nome engraçado! Um próton, quase sem massa, de nome estranho, sem inspiração!"

Escrevi isso comentando um post de uma amiga, a Soberana, num dia que ela estava sem nenhuma inspiração para escrever nadica de nada!

Mas agora eu te pergunto: o que é a inspiração senão uma extensão do seu espírito, da sua consciência sobre as coisas e do bom humor cotidiano (ou não... pessoas mau humoradas também criam, não é).

É lógico que tem dias que estamos com aquela preguiça de fazer qualquer coisa, e, na sequência, pecamos no quesito inspiração. É como chegar em casa, com fome, e resolver pedir uma pizza pelo telefone (preguiça de ir para a cozinha). A inspiração de fazer um almoço caprichado, no jeito, foi para as cucúias.

Quem sabe foi melhor assim, não? Mas peraí: o que uma coisa tem à ver com a outra? Sei lá... mas tem coisa pior do que ir para a cozinha sem ter inspiração de fazer aquela comida gostosa? Acho que não!

Quando eu resolvo praticar meus dotes culinários, faço com inspiração... rocambole de peito de frango, aquele churrasco de toucinho de barriga, aquele bife à role com pistache...

E é assim também escrevendo. Lembro que tinha pavor de redação na escola. Acho que me faltava, na época, a danada da inspiração.

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9:45 AM


Terça-feira, Setembro 21, 2004

Detesto quando acordo no meio da noite e perco o sono! Esta noite aconteceu novamente: 4:00 AM e eu lá, rolando na cama, de um lado para o outro, sem a mínima vontade de dormir (mas querendo, com todas as forças).

Olhava o relógio assustado de quinze em quinze minutos. Minutos acordados que pareciam não acabar de jeito nenhum... e deste jeito fui até o sol iluminar a cortina do quarto: já eram mais de seis horas.

Você tem este problema? Acorda no meio da noite e não consegue mais dormir? Mas afinal de contas, porquê isso acontece?

Não é um quadro de insônia, isso eu sei. Insônia, conforme a psicopatologia, é a dificuldade de adormecer ou de manter o sono e que excede o período de um mês, independente de problemas de ordem física e sem a utilização de substâncias capazes de alterar o sono.

É... numa coisa eu tenho que admitir: estas últimas semanas foram bastante atribuladas. Troquei várias horas de sono por festas de comemoração (formatura da esposa) e também teve aquele dia que levantei de madrugada para estudar.

Vai ver que meu corpo está começando cobrando a dívida.

... e este dia e este sono que não acaba...

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5:09 PM


Segunda-feira, Setembro 20, 2004



Abriu a porta lentamente o Adalberto, e não esperava encontrar sua esposa ainda acordada. Já era bem tarde da noite e Josefina o esperava, na sala, recostada no sofá verde, meio sonolenta. Levantou-se e caminhou em sua direção.

Ela abriu os braços esperando que fizesse o mesmo. Ele, meio que desajeitado, a segurou pela cintura, deu-lhe um beijo no rosto, afastou-se e disse, com uma voz meio ranheta, que estava demasiadamente cansado!

Josefina: Quer que eu esquente a janta, amor? Fiz seu prato preferido, rosbife!

Adalberto nada disse. Dependurou seu paletó na cadeira da sala de jantar e dirigiu-se ao banheiro. À esposa, somente restou uma indagação feita por José Uoshington:

José Uoshington: O patrão deve ter tido um dia de cão, hein?
Josefina: Coitadinho... deve estar muito cansado.
José Uoshington: Aposto que a senhora não é daquelas que fica procurando coisas no paletó, na carteira ou nos bolsos das calças do marido, né?
Josefina: Lógico que não! De onde tirou esta idéia?
José Uoshington: Sei lá... o patrão chegou com uma cara tão estranha, tão esquisita!
Josefina: Como assim esquisita?
José Uoshington: Ah... uma impressão estranha que tive! Só isso!
Josefina: Pois é só impressão.
José Uoshington: Onde a senhora acha que ele esteve até agora, tarde da noite? No serviço?
Josefina: Ah... algum problema deve ter acontecido no trabalho. Uma reunião até mais tarde, ou senão um desatino no setor de produção, sei lá...
José Uoshington: Certo! Então a senhora é daquelas que aceita tudo passivamente, sem questionamento algum.
Josefina: Não estou entendendo aonde você quer chegar, José Uoshington!
José Uoshington: Poxa... a senhora, com todo o respeito, merecia um caloroso abraço, ainda mais por ter preparado um jantar especial para seu marido. E lembre-se que hoje é o primeiro dia que os patrões passam juntos neste apartamento.
Josefina: É... neste caso você tem um pouco de razão. O que acha que eu devo fazer?
José Uoshington: A senhora, já que me deu esta imensa liberdade, poderia primeiramente indagar ao seu marido o porquê da demora hoje! Vamos ouvir o que ele tem a dizer!
Josefina: Você acha isso mesmo, Uoshington? Devo perguntar à ele isso, desta maneira?
José Uoshington: Sim! Vai lá e pergunta, na chincha, na lata, porquê ele se atrasou!
Josefina: É... acho que devo fazer isso. Mas será que coloco o rosbife no microondas enquanto isso? Adalberto detesta comida fria...

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2:23 PM


Sexta-feira, Setembro 17, 2004

Tenho um amigo que é uma piada só: adora inventar, quase sempre sem querer, frases de impacto, frases que fazem todos à sua volta refletir sobre... o que ele queria realmente dizer!

E é uma mancada atrás da outra... e quem se diverte com isso somos nós!

Lembro de um dia, num sempre animado almoço, que ele soltou:

- Não gosto muito de farofa. Teve um dia que eu quase quebrei um dente com o osso da azeitona...

Nem preciso dizer que engasgamos de tanto rir. E quando ele foi comprar umas galinhas no Mercado Central?

- Bom dia! Por acaso, o senhor tem galinha chipanzé para vender? É... quero duas, e vivas...

Difícil. Imagino a cara do vendedor! Ah... e ele, intermediando uma leve discussão de dois amigos. Um cara discordava da ação do outro. O outro idem. E este meu amigo lá, como juiz naquele conflito de interesses. Para acalmar os ânimos e ainda dar uma bela lição de moral em ambos, soltou a impagável:

- Peralá, gente... o negócio é agradar negros e troianos.

Acabou-se a rusga entre os caras: um se escorou no outro, rindo da barriga doer!

Vamos ver se lembro de mais algumas frases ou palavras:

- Cutucar a vara com a onça.
- Precisamente entre oito e nove horas.
- Leite de amnésia é bom!
- Shampoo para tártaro.
- Manifestado de gente.


Mas o fino foi quando ele comentou uma reportagem que passava na televisão:

- Olha lá... é uma sacanagem esta rincha, né?
- Rincha? Que rincha, cara... é rinha!
- Ah, dá na mesma! Rincha, rinha, tudo é lugar onde o galo dá soco no outro!

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11:24 AM


Quinta-feira, Setembro 16, 2004

Não há de quê!

Obrigado, senhor, por nos ajudar quando não conseguimos enxergar sinais ou avisos durante nosso trajeto. Obrigado, senhor, por retirar do nosso caminho coisas ou objetos que, por ventura, nos impeçam de seguir em frente. Obrigado, senhor, por nos guiar e orientar em qual caminho tomar, principalmente quando à nossa frente enxergamos tudo tão confuso, tão sem saída, tudo tão embaralhado. Obrigado, senhor, por tudo, e nos perdoe se, por acaso, nós não o compreendemos direito: afinal, somos todos seres humanos, e, como bom exemplar da raça, sujeito à falhas. Faz parte da nossa natureza xingar e não dar muita confiança para aquilo que nos é estranho, e o senhor sabe disto tão bem quanto eu! Obrigado, senhor, por ser gentil conosco, solícito, compreensivo às vezes, nervoso de vez em quando. Obrigado, senhor, por tudo isso e muito mais. Agora, senhor, será que não dá para quebrar este galho e me livrar desta multa? Eu só parei aqui um minutinho só...

Agente de trânsito: Infelizmente não! Já preenchi a infração...

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1:02 PM


Quarta-feira, Setembro 15, 2004

NOSSAS AÇÕES ESTÃO EM ALTA E LOGICAMENTE CADA VEZ MAIS VALORIZADAS!



Caros atuais e futuros acionistas: o Gerolino Incorporation foi mencionado no Blogs Of Note desta semana.

Mas o que isso quer dizer? Ora... para mim, ter seu blog citado no BON é como ganhar um Oscar, é como levantar uma taça de campeão depois de um intenso campeonato, é como comemorar numa quadra de tênis fazendo um coração no chão com a raquete e deitando no centro do desenho!

Ser citado no BON eleva a estima e a moral do blogueiro - como o Viagra, mas não do jeito que você está pensando, ok? - e nos dá força para seguir sempre em frente, pois quem não gostaria de ter o reconhecimento do árduo trabalho (eu disse árduo?) de escrever textos divertidos de se ler (dizem que são divertidos... e quem sou eu para discordar da maioria?) quase que diariamente?

Quer saber de uma coisa? Ser citado no BON é uma honra!

... e eu pensando em colocar algumas debêntures no mercado para captar mais risos, hein?

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8:30 AM


Terça-feira, Setembro 14, 2004



O rosbife continuava por sobre a mesa de jantar, frio, aguardando para ser, quem sabe, consumido ainda naquela noite. Será?

Josefina: Antes, um muito cômico, bastante engraçadinho para o meu gosto; hoje um sofá filósofo!
José Uoshington: Mais ou menos, dona... não sou muito bom de filosofia, não...
Josefina: E onde foi que meu marido te comprou? Numa destas lojinhas de beira de estrada?
José Uoshington: Para começo de conversa, dona Josefina, não foi o seu marido que me comprou!
Josefina: Não foi? Ora... mas ele que ficou de comprar as coisas para cá, para nosso lar...
José Uoshington: Ah, mas não foi ele não...
Josefina: Mas... que estranho... mas se não foi ele, quem será que te comprou?
José Uoshington: Foi uma mulher. Chegou, conversou com o vendedor um bom tempo, sentou em mim e em alguns de meus irmãos diversas vezes, analisou, conferiu... e depois optou em me adquirir. Fui escolhido, vai ver pela minha textura especial, vai ver pela minha fofura natural. E agora estou aqui... agraciando sua sala com a minha pessoa!
Josefina: Ahhhh... o safadinho do meu marido pediu ajuda para a mãe dele, a minha digníssima sogra, para mobiliar a nossa casa! E eu pensando que ele estava se desdobrando todo para fazer esta surpresa e ele... mas que safado!
José Uoshington: Com o perdão da palavra, dona Josefina... mas a sua sogra é um espetáculo! Êta mulher boa, sô!
Josefina: Realmente... ela é uma pessoa maravilhosa, bondosa... vir até aqui, longe, ajudar a mobiliar a casa da gente! Ela é uma santa!
José Uoshington: Uma santa muito, mas muito "boa"! Sacou, dona?
Josefina: Saquei!
José Uoshington: Essa vai para o céu!
Josefina: A minha sogra? Lógico!

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1:43 PM


Segunda-feira, Setembro 13, 2004



José Uoshington: Josefina...
Josefina: É.
José Uoshington: [cantando] "Assim como todo brasileiro tem um dente cariado nunca vi país que tenha tanto feriado"
Josefina: Que diabo de música é esta?
José Uoshington: [cantanto] "Se se for em qualquer esquina, tem sempre uma menina, que a graça é josefina, mas de graça só a desgraça que ela vive o tempo inteiro..."
Josefina: Mas que diabo de música é esta, Uoshington?
José Uoshington: [cantando] "O que vale é... o que vale é..."
Josefina: Vai ou não vai me dizer que música é esta?
José Uoshington: Ah... é uma música aí, das antigas. Rock'n'roll genuíno, lá de Minas!
Josefina: Nunca ouvi!
José Uoshington: Imaginei isso! Reparou que mencionam seu nome na letra: Josefina!
Josefina: Reparei!
José Uoshington: Será que a vida imita a arte ou é somente uma complexa brincadeira do destino?
Josefina: Não entendi nada! O que você quis dizer?
José Uoshington: Que a vida às vezes podem nos pregar peças! Imagine um teatro de bonecos! Sempre haverá alguém por trás dos bastidores, indicando caminhos, movendo cordas, caras e bocas de brinquedos! Agora se imagine boneco: ser obrigado a obedecer comandos, pré-estipulados por muitas vezes, e deixar de seguir o que, no íntimo, gostaria de fazer e ser! Mas só se quisermos ser assim controlados! Podemos sim, gritar "basta!", fazer nossa própria estrada, nos livrar do cordão, caminhar sozinhos... ou juntos, se assim ficar conscientizado e estipulado! Mas sem manipulações, sem falsos conceitos, seguir um caminho de felicidade... Pode ser o melhor para aquele determinado momento, ou não!
Josefina: Palavras meio complexas estas suas, não? O que um sofá entende disso?
José Uoshington: Eu entendo somente do que vejo! Minha visão, portanto, é um pouco que, digamos, limitada. Mas sei o que está na minha frente! E você?
Josefina: Ora... eu também!
José Uoshington: Isso é bom! Olhar para frente e conseguir enxergar! Enxergar futuros...
Josefina: Sim... enxergar futuros!
José Uoshington: E o que você vê?
Josefina: Eu? Eu vejo épocas de paz, de alegrias...
José Uoshington: ... e um rosbife frio em cima da mesa de jantar!

PS.: José Uoshington cantou um trecho da música "o que vale é" da banda mineira Virna Lisi. Você acredita que a primeira coisa que postei neste blog foram as letras de músicas do CD deles, o estupendo "se desce a lona vira circo, se cerca vira hospício"?

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11:39 AM


Sexta-feira, Setembro 10, 2004

Hoje em dia nada é feito para durar! Nada mesmo!

Tudo é consumível e consumista! Acabou-se aquele pensamento de "para toda a vida", produto forte, para passar de pai para filho.

E vamos assim, caminhando junto com novas tecnologias de deixar tudo mais e mais... descartável. Começou com o Prestobarba? Será? Uma vez passada na cara, lixo. Há ainda aqueles que teimam em usar mais de uma vez, com efeitos na pele muito indesejados. Bem vindo à era da descartabilidade.

Uso, por muito poucas vezes, e descarto. Não quero mais! Acabou! Já prestou para seu fim. Olha para frente e vê uma coisa mais moderna e... lixo! Modelo de vida americano: carros, que aqui ainda rodariam muitos e muitos quilômetros, no ferro-velho.

E o prestobarba, a gilete descartável, virou símbolo da descartabilidade naquele tempo... assim como virará o nosso querido, estimado e às vezes nem muito útil aparelho celular num futuro bem próximo.

Tecnologias novas à cada instante, fotos, GSM, teclado inteligente, tem um carro aí no mercado que, quando você adentra nele, automaticamente o auto "percebe" que o celular está lá dentro contigo e o motorista, como num passe de mágica, pode efetuar uma ligação sem sequer ligar ou tirar ele de onde estiver (numa pasta no porta mala, no bolso do paletó...). Agora eu não sei se a gente compra o carro ou o celular, mas que esta tecnologia existe, isso existe!

E por falar em celular, o meu aparelho resolveu entrar na era da globalização da linguagem! Resolveu, por ele mesmo, falar numa língua por mim desconhecida (e sem me consultar antes). Acho que caducou, o coitadinho, com dois anos e meio de uso! Dois anos e meio e com poucas horas de uso! Mas mesmo assim evoluiu por ele mesmo (está falando outra língua, um mandarim junto com um árabe: letras estranhas) e me deixou sem opção, quer dizer, me deixou com a opção: da descartabilidade!

E vamos que vamos substituindo as coisas constantemente...

Agora eu te pergunto: o amor é descartável também? Acho que não... ainda não inventaram coisa melhor do que amar alguém! Você pode mudar de amores, amo hoje você, amanhã outra pessoa, mas o amor, este amor, é o mesmo!

Amor não é descartável como um prestobarba e nem como este meu intrépido celular. O amor tem a tecnologia própria, dele mesmo, sempre se modificando sem que percebamos naquele instante... e quando nos demos conta, pronto: ele já fez o up-grade! Mas é o mesmo amor, agora um pouco atualizado! Mas vem cá, é atualizado mas não é modificado no sentido estrito da palavra: no íntimo, é o mesmo sentimento amor!

É... realmente, hoje em dia, tirando o amor, nada é feito para durar!

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12:00 PM


Quinta-feira, Setembro 09, 2004



Vimos que Adalberto já começou a deixar a pobre da Josefina esperando, esperando... com um rosbife frio por sobre a mesa de jantar.

José Uoshington: Tô vendo que o patrão vai te dar um chá de cadeira esta noite, né, dona?
Josefina: Ah... quanto mais rezo, mais assombração aparece...
José Uoshington: Qualé, dona! E eu lá tenho cara de assombração?
Josefina: Me desculpe, não quis ofender!
José Uoshington: Mas ofendeu! Eu, José Uoshington, chamado de assombração pela patroa!
Josefina: José Washington?
José Uoshington: Não... Uoshington.
Josefina: Então... foi o que eu disse: Washington!
José Uoshington: Não, dona... é U-ó-xin-ton. Uó, entendeu? E sem pronunciar o "g", que é mudo.
Josefina: Mas que nome mais... exótico! Uoshington! Quem te pôs este nome tão peculiar?
José Uoshington: O José?
Josefina: Não... este Washington... ops, Uoshington!
José Uoshington: Ah... isso é lá na linha de produção! O cara vai fazendo a gente, costurando, enxertando espumas e, de repente, nos dá um chutão e fala o nosso nome! É tipo a criação junto com o batistmo! Sacou como é?
Josefina: Mais ou menos!
José Uoshington: O cara que me fez quis me sacanear! Eu, que queria ser chamado de Felipe, de Afonso... tomei um chute e fui batizado com este nome! Mas fazer o quê, né? O jeito é me resignar...
Josefina: Eu sei como é... meu nome também é um tanto... estranho.
José Uoshington: É mesmo? E qual é?
Josefina: Josefina!
José Uoshington: Josefina da perna fina?
Josefina: Palhaço! [xingando]

Pensou em comprar um gato!

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12:05 PM


Quarta-feira, Setembro 08, 2004

Hoje.

6:00 AM - Levanto. Estava cansado de ficar descansando.
6:35 AM - Estou saindo de casa. Pintou uma carona, mas que sairá às sete horas. "Ah, não... está cedo! Vou pegar o ônibus e chego rapidinho no trabalho".
6:39 AM - Eu e um vizinho de bairro, o Marquinhos, aguardando no ponto. E papo vai, papo vem...
6:41 AM - Chegam dois ônibus [0010, Expresso Novalimense, Nova Lima - Belo Horizonte]: um executivo, lotado, e outro normal, vazio (que não é o normal dele nunca). Resolvi ir no convencional. Achamos bancos vazios para sentar e seguimos, eu e Marquinhos, batendo aquele papo furado.
6:50 AM - Como o ônibus executivo é mais novo e mais rápido, nos ultrapassa numa subida, mesmo com a lotação máxima. Eu olho para dentro daquele ônibus lotado e rio para mim mesmo: "olha... eu poderia estar alí, em pé, como eles..."
6:57 AM - Já na estrada, o motorista não consegue passar a segunda marcha! Tenta novamente e escutamos, já prevendo o pior, o arranhar das engrenagens por debaixo do assoalho do ônibus.
6.59 AM - Eu, Marquinhos e demais tripulantes daquela embarcação furada, ficamos à ver navios na estrada. Uns xingavam a péssima conservação daquele coletivo, outros elogiavam a habilidade e a destreza do motorista, outros, como nós (eu e Marquinhos) aguardávamos, tristes, por uma carona ou quiçá outra condução que nos levasse inteiros ao serviço (outro ônibus).
7:04 AM - Alguns passageiros se espremem num ônibus que parou para o nosso.
7.06 AM - Outros passageiros se espremem num outro ônibus da linha. Resolvo esperar mais um pouco!
7:12 AM - Este colega, o Marquinhos, acena para um carro: era uma carona! Para ele! Não tinha lugar para mim naquele carro...
7:13 AM - Eu consigo entrar num ônibus. Cheio!
7:25 AM - Pegamos aquele congestionamento. É o pessoal voltando do feriado prolongado.
7:35 AM - Ainda no congestionamento, vejo aquela carona que me ofereceram passar pelo ônibus! Eu lá, em pé, espremido, enquanto o pessoal lá, curtindo um som, sentados e pior, passando por mim na maior alegria. Detalhe muito importante: eles não me viram!
7:53 AM - Desço no ponto, já em Belo Horizonte.
8:00 AM - Olha que interessante! Apesar dos pesares, não cheguei atrasado... mesmo hoje estando com cara e jeito de segunda-feira!

Nada como um ônibus estragado para começar bem o dia!

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3:58 PM


Sexta-feira, Setembro 03, 2004

Feriadão! Pegar estrada e ir para a roça! Mas antes um casamento, casamento de um amigo meu!

Se não fosse por isso, sairia hoje, por volta das 2 ou 3 da madrugada... horário bom para viajar. Mas é por um bom motivo: casar este amigo! Vai acabar a mamata, vai acabar a folga, vai acabar a falta de responsabilidade! Ei... este amigo tá se casando!

Casamento é bom... mas casamento na roça é melhor! A festa dura geralmente um final de semana inteiro! Mas eu não quero falar de casamento na roça, quero falar é da roça!

Eu vou, ficarei alguns dias, e retornarei na terça! É o bastante para... descansar um pouco! Só descansar.

Estou pensando em levar um livro, uma apostila qualquer para pesar no porta-mala! Sabe... eu, no ano retrasado, fui à praia e levei 2 livros, um de Teoria Geral do Processo e outro de Comercial. Eles foram e voltaram, incólumes, bem guardados na mochila! Que vergonha...

Mas mesmo assim penso em levar alguns para conhecerem a roça! Está decidido! Vai se saber se, depois de um jogo de truco, eu resolva ler alguma coisa? Tudo pode acontecer!

Outra coisa que coloquei na cabeça: desta vez, lá na roça, não vou pescar! Não vou mesmo!

Da última vez, eu, meu sobrinho torto e um menino da terra (filho de conhecidos lá dos cachapregos do interior desta roça) fomos pescar! Tínhamos acabados de almoçar e inventamos de buscar uns peixes em alguns tanques, alguns reservatórios naturais espalhados por aquele lugar. Saímos e começamos a andar, quebrar matos, caminhar mais e mais. Chegamos num tanque, semi-vazio! Tristeza geral.

Enquando o guri cavava o chão à procura de minhocas, eu, demonstrando extrema perícia, me vali da linha com o anzol e, novamente falando da minha destreza na arte da pesca, sem isca nenhuma lancei na àgua o pequeno gancho!

- Mordeu!

Algum estúpido e faminto peixe havia mordido o anzol! Coitado... coitado e morto de fome peixe!

- Eita... hoje eu estou com sorte! Se sem isca já peguei um peixe...

O peixe que mordeu a isca não era um peixe com "p" maiúsculo. Era um projeto de peixe, um filhote mesmo! Coloquei na sacola e fomos em busca de outro tanque!

E andamos mais e mais... suamos a camisa e chegamos ao destino: um brejo, um terreno alagadiço cheio daqueles matos em volta. Tive vontade de xingar aquele menino por nos fazer andar por horas e horas para "tentar" pegar peixes num tanque seco e num brejo.

- Vamos atravessar que do lado de lá tem outro maior...

O menino nos convenceu novamente! Existia duas possibilidades de ir ao outro lado do brejo: entrar para dentro dele ou se equilibrar num tronco submerso, totalmente tomado de lodo.

O pequeno aventureiro atravessou pelo tronco, balançando de um lado para outro, com enorme cuidado para não escorregar, compensando o peso do seu corpo com uma esticada alí, uma esticada acolá dos seus braços e contrabalançando a língua mentirosa de que havia um lago cheio de peixes naquele lugar. Chegou do outro lado.

Meu sobrinho optou pela primeira opção: atolou no brejo, se sujando todo até na altura da cintura! Com muito esforço, se desvencilhou do barro e apareceu lá do lado de lá! Resultado da brincadeira: molhou carteira, o alarme do carro, uma verdadeira festa!

Eu estava pensando em dar meia volta e seguir rumo ao pequeno sítio que estávamos. Atravessar aquele brejo? Será que tem outro tanque cheio de peixes do lado de lá daquele brejo? Será?

Gritei que não iria, que voltaria daquele ponto. Foi aí que o chão começou a tremer, começei a escutar um som estranho e ao mesmo tempo tremendamente familiar. Eu, parado em frente daquele brejo cercado por juncos! De repente vejo, aterrorizado, uma manada, um enorme rebanho bovino vindo em minha direção!

Era o brejo atrás de mim, eu, de frente para aqueles bois todos, e os bois, logicamente, querendo beber da água! Nisso o peste do menino grita, lá do outro lado:

- Nossa! Estes bois zebus são perigosos.

Disparou o cagaço (para quem não sabe, cagaço quer dizer grande medo, pavor, susto; por extensão de sentido, quer dizer estado de quem tem ou está com medo ou assustado: ou seja, eu estava "no cagaço").

"Pelo tronco ou pelo brejo? Pelo brejo ou pelo tronco?" pensei em um milésimo de segundo! Saí em disparada! Os bois, sedentos daquela água de brejo, atrás de mim! Tentei atravessar correndo pelo tronco!

No momento em que pus o pé no tronco enlodado, a terrível constatação: liso. Liso e bastante escorregadio.

Atolei no brejo!

Na minha frente, o menino e meu sobrinho torto, rolando no chão de tanto rir! Atrás de mim, os bovinos, sem nada entender. E eu lá, no meio do brejo, afugentando os peixes e clamando por uma mão para me puxar daquele lugar.

Neste feriado, na roça, eu não vou pescar! E nem que a vaca tussa!

PS.: Ah... o único peixe que pegamos naquela tarde foi mesmo a piabinha morta de fome!

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4:48 PM


Quinta-feira, Setembro 02, 2004

A mulher, seu amado, mais de dez anos de namoro e o sofá chamado Clementino.

E não é que ficou interessante a cada dia que passava? E não é que prende a nossa atenção? E não é que em cada um desperta pensamentos e emoções diferentes?

Começou despretensiosamente a história de Josefina, seu namorado Adalberto (que a enrolou durante mais de dez anos) e o sofá Clementino. Pensei, por alguns instantes, em como seria a primeira história, sentei em frente ao computador e pronto: estava garantida a introdução! Um sofá entrando num quarto e perguntando pelo namorado da moça! Fui escrevendo e rindo de tamanha idiotice, tentando imaginar a cena!

Pensei em fazer igual à história do Julimar - servente de pedreiro (num sábado escrevi toda uma história) mas queria algo diferente. Queria ler as reações, interagir com os visitantes, descobrir coisas novas... e passei a escrever as histórias somente para aquele dia, nada de estoques, bem just in time mesmo!

E foi bom... foi ótimo ler as diversas interpretações para o sofá, sobre a índole de Adalberto e os pedidos de "atropele esta mulher, pelo amor de Deus" para Josefina.

E é isso. Hoje resolvi escrever, primeiramente para agradecer vocês, acionistas da Gerolino Incorporation, por acompanhar e me ajudar nesta história como também para parabenizá-los pelos interessantes e diversos pontos de vista que tiveram àcerca da vida dos personagens.

Meu muito obrigado...

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10:00 AM


Quarta-feira, Setembro 01, 2004



Adalberto, você aceita Josefina como sua legítima esposa, prometendo amá-la e respeitá-la, na saúde e na doença na riqueza e na pobreza, até que a morte os separe?

- Aceito.

Josefina, você aceita Adalberto como seu legítimo marido, prometendo amá-lo e respeitá-lo, na saúde e na doença na riqueza e na pobreza, até que a morte os separe?

"Engraçado como em determinados momentos a vida passa rapidamente pelo nossos olhos, como se fosse um filme, um filme que mescla romance, tristeza, alegria, esperança... um quê futurista, coisa incerta e até mesmo algumas ficções! E hoje estou aqui, de frente para você, olhos nos olhos. Sabe o que estou pensando agora? Ah... você não tem como saber... estou aqui relembrando nosso primeiro encontro! Na saída do colégio, eu, sempre quieta e no meu canto, você, todo espevitado, conversando alto, no meio da sua turma. Aquele olhar não foi muito diferente deste de agora, em que estamos próximos de concretizar para todo o sempre um desejo nosso! Ouviu bem: um desejo nosso, Adalberto! Aquele olhar, como este, me fez ficar em paz... e mesmo assim nervosa! E como estou nervosa hoje, Adalberto... estou muito nervosa. E Clementino? Porquê pensei em Clementino logo agora? Sei lá... tanta coisa está passando na minha cabeça, tanta informação, tantas lembranças. Agora lembrei-me de quando você me ligava, dizendo que iria atrasar por algum motivo. Sinceramente sabia, no fundo do meu coração, que você viria - sempre veio! Está certo que por vezes, por estar muito cansado do trabalho, não vinha me ver no dia prometido... mas sempre chegava no outro dia com um sorriso de fora à fora no rosto, algumas flores, bombons... e estava tudo bem! Clementino que vivia implicando com você, Adalberto... mas ele é só um sofá! Um sofá que vivia a analisar as coisas do meu coração! E como é difícil me analisar, Adalberto... acho que sou única! Agora estou me lembrando de um dia, na sua casa, quando sua irmã gritou alto para a sua mãe escutar lá na cozinha que você havia caído de pescoço no chão! Lembra como eu fiquei preocupada? Aquele roxo no seu pescoço... como devia ter doído! Só você para se machucar assim... seu desastrado! E de novo e de novo muitas imagens nossas me vem à mente, nossas viagens... é, viagens! Gostei muito de viajar com você... e gosto! Muito carinhoso, muito atencioso.... lembra do dia que ficou um tempão procurando um chocolate ao rum lá em Gramado? Eu lá no hotel, te esperando, e você, naquele frio danado, procurando por horas e horas o chocolate que você disse ter ouvido falar e queria que eu provasse! Adorei o chocolate! Valeu cada hora que fiquei esperando, assistindo televisão e debaixo do cobertor! E esta nossa lua-de-mel? Qual surpresa você vai me aprontar desta vez? Um jantar à luz de velas numa noite iluminada por estrelas? Ah... mal posso esperar pela sua próxima surpresa!! Mas seja lá o que for e que a vida me reservar, Adalberto, ficarei feliz!"

- Aceito!

E assim casaram-se Adalberto e Josefina. Naquela igreja, o começo e um final de uma história que já durava mais de uma década. Na saída, muitas felicitações dos convidados e parentes. Seguiram para a festa, uma festança, diga-se de passagem! Fizeram questão de casar em grande estilo, muita pompa! Queriam eternizar para sempre aquele momento mágico, se possível congelando-o, guardando um pedaço daquela enorme alegria nos corações de todos ali presentes.

Casaram-se, neste dia, Adalberto e Josefina: vida longa à este matrimônio!

E Clementino? Ah... Clementino continua lá, na casa dos pais de Josefina. E continua o mesmo sofá de sempre, com medo que comprem um gato para a casa, observando tudo em sua volta, contando cada partícula de poeira que porventura venha cair nele. Continua o mesmo sofá... só que mais calado! Também pudera... vai conversar com quem?

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Esperou uma, duas, três horas por Adalberto. Havia feito um rosbife no capricho - comida preferida de seu marido - do jeito que ele gostava, e resolveu esperar para com ele jantar. Havia de ser o primeiro naquele apartamento!

Mais alguns minutos e terminaria o último jornal na televisão. Estava um pouco preocupada, pois afinal estavam numa cidade por eles muito desconhecida. Quais perigos se esconderiam por trás de uma esquina, um semáforo...

Tratou de pensar em coisas boas!

A lua-de-mel fora tranqüila. A viagem de avião, coisa que detestava, foi ligeiramente indolor ao estômago! Tinha muita coisa ainda que tirar das malas... mas estava feliz! Preocupada com a demora de Adalberto, mas feliz.

Resolveu, depois de muito pensar, ligar para seu marido: fora de área. Pensou alto:

- Pode ser por causa da operadora. O telefone dele...

Escutou um riso vindo da sala! "Adalberto chegou?" - pensou com seus botões...

- Fala aí, dona... seu marido já está na esbórnia? Mal chegou de lua-de-mel e já tá aprontando?

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4:43 PM

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