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Jornal do Blogueiro

Diretorio 100% brasileiro




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Segunda-feira, Agosto 30, 2004



Clementino: Está certa disso mesmo?
Josefina: Sim... chegou o meu grande dia, Clementino!
Clementino: Não se sente, assim, meio arrependida de, sei lá... não ter vivido uma outra vida...
Josefina: ... minha vida é esta, com Adalberto ao meu lado! Ele é tudo para mim, já te disse!
Clementino: Eu já ouvi esta história, Josefina... e parece que vai ser este mesmo o final!
Josefina: Não, Clementino... é o começo de uma nova vida, uma vida à dois, cheia de coisas boas, respeito, amor...
Clementino: É... parece que sim!
Josefina: Não está feliz?
Clementino: Ah... um pouco! Te ver feliz me deixa feliz! Mas te ver explodindo de felicidade...
Josefina: O que é que tem?
Clementino: Ah, sei lá... pressentimento de sofá! Estou achando que algo de ruim vai acontecer, sabe?
Josefina: Ah... é cisma sua! Nada vai acontecer de ruim comigo!
Clementino: E Adalberto?
Josefina: Olha... ele me pareceu bastante apreensivo ontem quando nos casamos no civil...
Clementino: É mesmo? E porquê?
Josefina: Sei lá... estava nervoso, bem mais do que o habitual...
Clementino: Alguma coisa aconteceu de diferente?
Josefina: Nada que eu tenha percebido...
Clementino: Ora... então está tudo na normalidade! E quem compareceu?
Josefina: Os nossos pais, alguns amigos de infância e outros colegas do serviço dele...
Clementino: Ah... colegas do serviço também foram?
Josefina: Sim... tinha uma secretária lá que não parava de chorar. Coitada, muito emotiva!
Clementino: É mesmo?
Josefina: É... o Adalberto me disse que ela fora abandonada no altar pelo noivo... e por isso aquele chororô todo!
Clementino: Ah... estranho o Adalberto nunca ter te dito isso, né? Comentado da existência desta moça...
Josefina: Você sabe que o Adalberto é muito discreto, não é...
Clementino: Discretíssimo...
Josefina: É mesmo...
Clementino: Hehehe... estou aqui pensando com minhas almofadas se o nervosismo do Adalberto não foi por causa desta secretária feiona e chorona que você falou...
Josefina: Ô, Clementino... eu falei que ela era chorona, não feiona...
Clementino: É mesmo? Esta minha memória tá falhando...
Josefina: Para você ficar sabendo, esta secretária era muito, mas muito bonita! E a preocupação com Adalberto, então? Toda hora passava pela gente e perguntava se estávamos precisando de alguma coisa, qualquer coisa!
Clementino: É mesmo, Josefina...
Josefina: Muito prestativa!
Clementino: É sempre assim... ainda bem que Adalberto pode contar com sua equipe até mesmo diante de uma situação assim, bem familiar, bem pessoal, não é mesmo?
Josefina: Com toda a certeza!
Clementino: É!
Josefina: É!
Clementino: Pensei que ontem vocês iriam sair para almoçar juntos, comemorar o casamento no civil...
Josefina: E saímos, Clementino... fomos todos almoçar num restaurante alí no centro! Mas depois o Adalberto teve que voltar ao trabalho...
Clementino: ... com a secretária...
Josefina: Isso! Falaram de uma reunião, uma pauta gerencial que deveriam discutir, coisa assim... você sabe que eu não me ligo muito neste assunto!
Clementino: Sei sim! Infelizmente, não é, Josefina!
Josefina: É... tenho que começar a me entrosar mais com o trabalho do meu benzinho, né? Poder ajudar quando precisar, conversar sobre como foi seu dia, ainda mais que mudaremos de cidade!
Clementino: E ele irá gerenciar a filial da empresa, não é?
Josefina: Ah, é! Mas ainda bem que esta secretária vai continuar à acessorá-lo!
Clementino: Quê?
Josefina: Eu não te falei? Parece que a tal da secretária recebeu um aumento salarial para poder acompanhar o Adalberto na filial da empresa... isso não é ótimo?
Clementino: Como ótimo?
Josefina: Ora... ele terá uma pessoa de confiança trabalhando na empresa! É sempre bom podermos confiar nos outros, Clementino...
Clementino: [falando baixinho] Eu invejo a sua inocência, Josefina!

Desligou o rádio e olhou novamente para o relógio de parede: o frio começou novamente a percorrer a boca do estômago! Daqui a poucas horas estaria entrando naquela igreja, enfeitada, repleta de amigos e familiares. Olhou o ponteiro dos minutos por alguns instantes!

Josefina: A manicure e a maquiadora estão atrasadas! Será que este é o tal do pressentimento que sentiu, Clementino?
Clementino: [um silêncio]
Josefina: Nossa... tenho muita coisa para fazer hoje! Será que vai dar tudo certo?
Clementino: Sim, Josefina... no final, bem lá no final, acredito que tudo dará certo! Você vai ver... é só ter um pouco de fé!
Josefina: E esperteza, não é mesmo, Clementino? Porque se eu não fosse esperta, não estaria aqui, hoje, me casando com o Adalberto...

posted by : o Administrador desta empresa, uai!
6:02 PM


Quinta-feira, Agosto 26, 2004



Num dado momento, um relacionamento conturbado. Num outro, um caso de amor dito quase que perfeito, dignos de finais de novela brasileira! Nunca se deram tão bem Josefina e Adalberto. Daqueles de ficar cabreiro quem de perto conhecia o andar da carruagem daqueles dois: ou seja, Clementino.

E era meu bem para lá, e era meu amor para cá... e a todo instante! Um verdadeiro paraíso!

Recebeu o moço uma proposta de gerenciar uma filial da empresa numa outra cidade, um tanto distante da capital. Seria um modo de recomeçarem a vida, livre de influências externas - pensava Josefina. Ele, querendo agradar, estava alugando, ou melhor, alugou um canto, um apartamento, naquela cidade. Queria mobiliá-lo do seu jeito, mas para evitar atrito com Adalberto, que também tinha seu estilo próprio, deixou a cargo dele a decoração. Ficou ela com a parte da festa, do enxoval, da igreja, dos convites, da lua de mel...

E por conta da pequena reforma do apartamento e da aquisição de móveis, Adalberto passava muito tempo, principalmente nos finais de semana, na nova cidade.

Clementino: Está chegando o dia, hein Josefina?
Josefina: É... nem acredito, Clementino... eu, casando...
Clementino: Nem eu, te juro! Aproveitando que estamos só nos dois aqui, conversando, queria te pedir desculpas por não acreditar em Adalberto...
Josefina: Que nada, Clementino! Você é que fazia mal juízo do meu namorado...
Clementino: Pois é... namorado, noivo não!
Josefina: É... nem vamos noivar...
Clementino: Vem cá... vocês vão fazer o curso de noivos?
Josefina: Já fiz. Quer dizer, já fizemos... sabe, Clementino, o Adalberto é muito ocupado. No final de semana passado, sábado e domingo, ficamos por conta só disso!
Clementino: Ah... você havia me dito.
Josefina: ... é, mas o Adalberto foi só no sábado, mas mesmo assim umas poucas horas! Tinha muito trabalho para fazer...
Clementino: Ah, sei! O Adalberto é muito ocupado mesmo...
Josefina: Pois é! Mas na terça eu contei tudinho para ele, como proceder antes, durante, depois do casamento e tudo mais...
Clementino: Aposto que ele agora já sabe como fazer, não é mesmo?
Josefina: É! Agora ele já sabe...
Clementino: E falando no moço, cadê ele?
Josefina: Ah... o Adalberto está pra chegar! Ontem ele foi lá no nosso apartamento, junto com uns amigos, para ajudar com algumas mobílias... uma das surpresas que ele vai fazer para mim!
Clementino: É mesmo? Os amigos dele foram ajudar, é?
Josefina: É... foram!
Clementino: Que ótimo!
Josefina: É... que ótimo!
Clementino: É!
Josefina: Eu te conheço, Clementino. Pode falar o que você está pensando...
Clementino: Festa de despedida de solteiro. Acho que rolou uma festa ontem.
Josefina: Você acha? Não... se tivesse, o Adalberto me contaria...
Clementino: Bem... se você acha isso...
Josefina: Hum hum!
Clementino: Hum hum!
Josefina: Você acha que eles foram fazer uma festa de despedida de solteiro lá na cidade que iremos morar? Que este lance dos amigos irem para ajudar é desculpa?
Clementino: Hum hum!
Josefina: Sei não... Adalberto nunca mentiu para mim!
Clementino: [um silêncio]
Josefina: [um silêncio]
Clementino: Lá nesta cidade tem muitos bares, não tem?
Josefina: Tem.
Clementino: Ah... então eles foram só beber umas cervejas, não tem nada que se preocupar...
Josefina: É lógico!
Clementino: Sabe o que me veio na cabeça, Josefina? Hoje pela manhã vi no telejornal que uma boate de strip tease, que fica na estrada indo para a tal da sua nova cidade, pegou fogo! É mesmo... teve bombeiros, imprensa e tudo mais...
Josefina: E daí?
Clementino: Será que eles não foram curtir uma despedida de solteiro numa boate de mulher pelada?
Josefina: Ah, não... Adalberto nunca teria coragem de ir à um local destes!
Clementino: Mas e se ele foi obrigado a ir?
Josefina: Será que estes amigos... [pensativa]... não! "Diga com quem andas que te direi quem és" ... se são amigos de Adalberto, não seriam capazes de ir à uma destas casas de perversão...

Toca a campainha. É Adalberto.

Josefina: Nossa, querido... você está todo vermelho!
Clementino: É mesmo... parece até meio queimado!
Josefina: Ah, coitadinho! Você ficou perto da solda elétrica, né? Mas você não sabia, benhê, que tem que usar equipamentos de segurança e uma roupa especial para mexer com soldagens?

posted by : o Administrador desta empresa, uai!
5:46 PM


Quarta-feira, Agosto 25, 2004

Neste final de semana recebemos, lá em casa, num animado almoço, uns amigos.

E conversa vem, conversa vai, passamos, sem nem perceber, a falar sobre a violência nas grandes cidades (aliás, duvido muito que tal tema não seja colocado em pauta durante um papo descontraído nos dias atuais: afinal, ela está aí, na nossa porta).

Mas eu não quero e nem vou falar de violência aqui, hoje, mas muito pelo contrário: vou falar no que os pais desta nossa amiga, ambos aposentados, fizeram para fugir dela, e de quebra, começar a viver uma nova vida à maneira deles.

Bem... para início de conversa, os dois possuíam um terreno na cidade, bem valorizado (Nova Lima só melhora a cada dia). O que eles fizerem? Ora... passaram ele no cobre, arrumaram mais uma grana com a venda de um automóvel e adquiriram um terreno enorme, uma pequena fazenda (assim vislumbrei) prá lá, bem prá lá da cidade de Conceição do Mato Dentro.

E começaram a plantar tudo quanto é tipo de hortaliças e legumes, criar algumas vacas, porcos, cavalos, respirar ar puro... ter, depois de muitos e muitos anos de peleja na cidade grande, uma vida saudável e, quase sem medo de dizer, praticamente auto-sustentável.

Mas o jeito que eles, principalmente o marido da filha dos donos da propriedade, falavam da dita fazenda que me enchiam os olhos: um riacho de águas límpidas, uma pequena porção de mata nativa, terra boa para o plantio, um lugar onde não pega celular, não pega televisão (só se tiver uma parabólica), rádio só AM, computador só em sonhos, a própria Serra do Cipó... olha... para terminar a conversa e resumir numa frase: um lugar de paz e sossego!

Eu sou urbano, sempre vivi nesta correria, neste stress, neste calor da cidade grande. Não penso em me mudar da minha cidade ou sequer adquirir um sítio num futuro longínquo, um pedaço de terra longe de tudo e de todos, para curtir uma possível aposentadoria (iihhh... faltam muitos anos ainda)... mas, juro, fiquei, depois desta conversa, me imaginando num lugar assim: cuidando dos meus dálmatas, tomando banho no riacho, tocando um violão no entardecer, prosear com os amigos, contar meus "causos", acordar cedo e ver o orvalho nas plantas, sentir aquela fina e fria névoa nas primeiras horas do dia... fugir do mundo por alguns instantes, mesmo que somente por alguns instantes...

Hummm... sabe que não deve ser tão ruim assim, não?

posted by : o Administrador desta empresa, uai!
12:09 PM


Segunda-feira, Agosto 23, 2004



Tinha um problema, tinha um enorme problema: como não se casar?

Afinal, eram mais de dez anos de relacionamento, ele e Josefina! Achava-a especial, amável, atenciosa, caridosa, uma perfeita companheira para toda a vida... mas daí a casar? Não se sentia, em hipótese alguma, preparado! E pior: ser pego numa situação assim, em que não teve, nem por um segundo sequer, do controle da situação!

Tudo pairava sobre a cabeça de Adalberto ali, diante de Josefina e suas amigas. Procurou, em míseros milésimos de segundos, uma rota de fuga, um porto, um ponto em que poderia se segurar... e não achou nenhum, nada! Era isso ou isso!

A família de Adalberto, às vezes, perguntava, sondava um possível enlace (diga-se de passagem, à contra-gosto) oficial dos dois pombinhos. A família dela já não dizia nada, e até gostava disso o namorado. Mas agora, naquele momento, chegou à uma encruzilhada: uma encruzilhada com somente um caminho a seguir, que era o casamento!

Josefina com as mãos suadas, apertava as suas! Olhava para seus olhos, fixamente, esperando um "eu não estou sabendo disto... só pode ser brincadeira" ou pior, que risse na sua cara! As amigas, sorridentes, aguardavam um sinal positivo, assim como Josefina! Isso sem falar de Clementino, que já esperava que o moço saísse pela culatra novamente! Uma dor de barriga incontrolável? Uma indisposição gastro-estomacal e intestinal bombástica? Um "juca" repentino?

Resolveu, Adalberto, tirar o pé da jaca: confirmou toda a história! Iriam, sim, casar no mês de novembro!

Um "ufa" invisível saiu da boca de Josefina, um "me belisca, eu estou sonhando" de Clementino, quatro sonoros "parabéns" das grandes amigas e um "e agora, Adalberto" do responsável moço!

posted by : o Administrador desta empresa, uai!
11:46 AM


Sexta-feira, Agosto 20, 2004



Andar no centro da cidade está cada vez mais difícil.

É muita gente, são muitos carros, é muita confusão, tromba-tromba, trombadinha e trombadão (olha... rimou!).

Acrescente a isso sons diversos e em diversos decibéis, camelôs nas calçadas ocupando o nosso espaço de ir e vir, buracos e bueiros abertos que nos esperam de braços abertos a todo instante, árvores e troncos de árvores, postes, placas de vereadores, bancas de jornais e bancas de ofertas daquelas lojas mais simplesinhas, aquelas mesmo que se utilizam de um locutor e de um microfone para chamar a freguesia para dentro e passeio irregular para nos dar o rodo, o famoso trupicão semanal no coitado e sofrido pedestre.

E isso tudo sem falar nas sombrinhas e guarda-chuvas em tempos de pé-d'água: temos que andar de olhos bem abertos e sempre desviando a cabeça para não ficarmos cegos ou ter nossos óculos arremessados aos leões. Ah... temos também, de quebra, as lixeiras, as caixas de correio e orelhões da Telemar. Que beleza, não?

É muito complicado.

Sabe o único lugar onde podemos andar livremente neste paraíso em terra chamado horário do rush? No meio fio.

Já percebeu que nada fica no meio fio? Ele é totalmente livre de qualquer coisa: no centro da cidade ninguém o utiliza para nada. Nada mesmo!

Quer dizer, quase nada.

E foi pensando nisso que resolvi entrar num curso de equilibrista de meio fio. Chega de ficar andando no meio da multidão, apertado, lento, passo à passo atrás de uma pessoa sem pressa nenhuma, correndo o risco de ter sua carteira batida ou correndo o risco de torcer o pé num buraco na calçada.

Este curso, de apenas 12 horas por aula, me habilitará a andar somente no meio fio e não na calçada (também chamado de passeio) ou muito menos no canteiro central da Avenida Afonso Pena, onde nascem as poucas e quase inexistentes gramas da nossa cidade e correndo o risco de atolar o pé na lama. Sabe o que é isso? É menos stress, uma otimização do seu tempo destinado à chegar em determinados lugares no horário marcado e segurança, principalmente o quesito segurança.

Olha para você ver uma coisa: se Deus quiser, logo depois deste curso, entrarei urgentemente no módulo 2, que nada mais é do que um curso de aperfeiçoamento do equilibrista de meio fio, habilitando-o à equilibrista senior. Aí sim estarei apto a correr no meio fio, para caso eu esteja atrasado para uma reunião muito importante, perdendo um ônibus ou com uma prova na faculdade que começa em poucos minutos.

Que maravilha... quando me formar, minha mobilidade, meu deslocamento em grandes centros urbanos será infinitamente superior à outros transeuntes, e poderei vir a alcançar uma velocidade média de até 25 km/hora (detalhe muito impotante: correndo com toda a segurança pelo meio fio) enquanto o trânsito da Avenida Afonso Pena, tirando esta como exemplo por ser uma das mais movimentadas de Belo Horizonte, está totalmente engarrafado e as pessoas se amontoando nas calçadas, querendo chegar o mais depressa possível em suas residências.

É ou não é uma boa pedida?

posted by : o Administrador desta empresa, uai!
3:11 PM


Quinta-feira, Agosto 19, 2004

Eu tenho um dinar.

Ganhei do meu pai quando tinha uns 10 anos, mais ou menos. Bobagem, né? Mas sempre estou com ele: ele e minhas duas notas de um dólar.

Dois contra um... duas notas americanas para uma iraquiana! Briga feia dentro da minha carteira. E qual das duas vale mais?

Uma de frente para a outra há vários anos, dobradas, ora no compartimento destinado à documentos, ora entufuiadas no meio de outras notas e contas à pagar, mas sempre lá, intocáveis, companheiras e amigas de "carteirinha".

Que coisa... ontem, remexendo nos meus poucos reais, encontrei-as novamente e lembrei da onda que tirava com a cédula do tio Saddam...

- Já viu um dinar?
- Quê? O que é isso?

Ninguém sabia. Ouvimos falar no franco, dólar, peso... mas em moedas de países longínquos é bem difícil. Só mesmo quando há uma desvalorização assombrosa, como aconteceu com a moeda Iraquiana.

"Antes do embargo determinado pela ONU na seqüência da Guerra do Golfo (1991), um dinar valia US$ 3,20. A desvalorização, porém, fez com que antes do início do atual conflito fossem necessários 2.500 dinares para comprar um dólar. Com os saques a bancos após a tomada de Bagdá, a cotação chegou a atingir picos de 16 mil dinares por dólar, e a moeda foi à venda no eBay, site de leilão na internet, como relíquia."

Acho que esta nota, falando somente no valor daquela moeda nacional, não vale um palito de fósforo: que deve ser umas 50 vezes mais valorizado em relação à cédula. Mas e em termos de relíquia?

Tenho em mãos um tesouro! Um tesouro que não vale nada, mas mesmo assim um tesouro!

Grande porcaria... mas eu tenho um dinar!


posted by : o Administrador desta empresa, uai!
1:43 PM


Terça-feira, Agosto 17, 2004



Reunião de mulheres é a coisa mais engraçada do mundo. Juntou mais de duas moças e a conversa rola solta. Risos, confidências, alertas, espantos, farpas, rusgas antigas e muitas dicas de onde comprar aquela bijuteria, aquele vestido, onde arrumar o cabelo, o endereço da especialista em limpeza de pele e por aí vai.

E pode ser regado à chá e bolo, café e biscoito, cerveja e tira-gosto... qualquer coisa serve para unir as bocas numa conversa onde é terminantemente proibida a presença masculina: homem não pode e não deve ouvir o que elas falam, jamais. Até porque, com a sua presença, o papo não flui... ficam acanhadas, introvertidas.

Resolveram se encontrar as grandes amigas. Aonde? Num bar qualquer? Não... acharam por bem não irem a um bar para jogarem conversa fora. Queriam ficar mais à vontade. Ficou decidido, ou melhor, decidiram se encontrar na casa de uma delas: Josefina foi a sortuda.

Só não contaram com Clementino...

Tentou, tentou de todas as formas transferir a reunião para outro lugar: em vão... todas foram unânimes em apontar o melhor local a residência de Josefina. E para lá seguiram Abigail, Joyce, Carol e Paulinha.

Abigail, a mais espevitada, contava detalhes tórridos de seus relacionamentos passados, atuais e fazia menção aos futuros (e seus olhos reluziam). Era uma morena clara, magrinha, cara de sapeca (e atitudes também), cabelo curto e, de vez em quando, soltava um palavrão entre as frases! Joyce, ruiva e grandalhona, era a mais quietinha: ouvia a tudo atentamente, fazia cara de espanto, parecia aprender com cada caso, mas sempre bem quieta, na dela, sendo que às vezes o sangue corava a face, principalmente quando Abigail começava a relatar suas aventuras! Carol era a mais explosiva e tipo a madre protetora daquela irmandade. Morena dos cabelos lisos e negros, casada com um namorado que conhecera na infância, não deixava nada passar batido: "mexeu comigo, levou na hora" era seu lema. Paulinha, ao contrário de Josefina, era a festeira da turma: sair para dançar, festas, tudo relacionado à baladas era com ela. Como era a mais nova das cinco, sempre foi tratada com muita atenção, todos sempre dando conselhos e alertando-a de possíveis "perigos" ("coisa que achava sempre distante, que dificilmente poderia ocorrer" - pensava).

E, assistindo de camarote, Clementino!

Josefina, toda hora que passava para tomar rumo à cozinha, dava uma esbarrada no sofá, alertando-o dos bons modos. Ele ainda quieto; por vezes, soltava um "hum, hum", um "não acredito", um "duvido" bem baixinho, quase inaudível, ou pinicava as pernas de Abigail, mas nada de extraordinário! Lembrava do que Josefina falou do gato e se continha.

E o papo rolou solto. Conversavam sobre tudo e sobre todos. Relatavam fatos ocorridos com elas, suas desavenças e desencontros amorosos, sempre olhando, com o rabo-de-olho, para Josefina. Pareciam querer, desta vez, abrir os olhos da amiga. E foi quando Carol, já cansada de escutar a fantástica patranha de amor perfeito da amiga, perguntou que dia estava marcado a data do casório com Adalberto. Caiu na bobeira de dizer:

Josefina: Estamos pensando em novembro, um sábado!
Clementino: E Adalberto já sabe?
Josefina: Eu não iria contar agora, mas já que vocês estão a perguntar, eu decidi revelar...
Clementino: Josefina, você é doida? Ele não falou nada sobre casamento e ...
Josefina: ... e já estamos até procurando um apartamento, dois quartos, coisa simples, para a gente...
Clementino: ... ele estava para trocar de carro...
Josefnia: ... morar. Depois, quem sabe, poderemos comprar uma casa, sabe? Adalberto adora cachorro...
Clementino: ... mas você não gosta de cachorro, Josefina...
Josefina: ... e fora que é bem melhor uma casa do que um apartamento. Mas, por ora, resolvemos...
Clementino: ... mas você não é de pegar sol! Para falar a verdade, corre do sol como o diabo...
Josefina: ... optar pelo apartamento. Somente nós dois, no nosso cantinho...
Clementino: ... foge da cruz!
Josefina: ... e já estou vendo vestidos de noiva! Tenho lá no meu quarto umas revistas...

Levantou e foi buscar a "Moda Noiva", "Noiva Elegante" e afins da coleção. Antes passou por Clementino e, desta vez, um chute.

Clementino: Aaaaai, Josefina... deste jeito, você vai acabar quebrando o pé! O meu e o seu...

Entrou no quarto, abaixou para pegar as revistas no criado-mudo e pensou: "agora vai ou racha: tenho que casar até novembro senão estou roubada!"

Voltando à sala, trombou com Adalberto, em pé, olhos esbugalhados, boca aberta, como que tivesse recebido um choque de milhares de volts. Havia chegado quando sua namorada estava a buscar as revistas e foi recebido com muitos parabéns por marcar a data do casamento, logicamente falado da boca das inseparáveis amigas de Josefina.

Clementino: Agora é a hora, Josefina... respira fundo e vai!
Josefina: O-o-oi Amor... es-es-estava falando ju-ju-justamente do no-nosso casamento com as meninas...
Clementino: Hehehe! Agora eu quero ver o que vai acontecer...

posted by : o Administrador desta empresa, uai!
5:05 PM


Segunda-feira, Agosto 16, 2004

O que vou ser quando crescer? Qual profissão seguir? Espelho em meus familiares ou sigo minha própria vocação?

Tamanhas e difíceis perguntas, não? E são perguntas, muitas vezes com respostas imprecisas, que nos atormentam e nos seguem, se não tomarmos o devido cuidado, a vida toda. Estamos naquela fase de decidirmos o nosso futuro profissional.

Advogar parecia ser legal, te juro. Aquele glamour cegante dos tribunais... aquelas perspectivas sociais, poder ajudar os outros! É isso.

Mas ao mesmo tempo existe a vontade de criar, escrever coisas da minha imaginação, ser, podemos dizer, livre para expressar o trabalho: marketing e publicidade; comunicação social; jornalismo!

Isso sem falar na música...

É complicado. E haja teste vocacional.

Mas será que isso ajuda? Eu coloquei um negócio na cabeça e estou nesta até hoje! Às vezes odeio pensar deste jeito, às vezes me congratulo (sou um vencedor!)... mas sempre fico em cima do muro, imaginando outras possibilidades à seguir, aquele "se" em cada esquina, à cada final de frase...

Mas sou cabeça-dura: agora vou até o fim, mesmo que me arrependa depois.

Mas e se...

posted by : o Administrador desta empresa, uai!
12:03 PM


Sexta-feira, Agosto 13, 2004



Casamento. Somente um casamento poderia unir novamente Adalberto e Josefina.

Estavam brigados, era fato! Mas existiam compromissos que os dois tinham que cumprir: um casamento, onde eles seriam os padrinhos.

A idéia foi de uma grande amiga de Josefina, a noiva, que fez questão de ter a amiga como madrinha: "É para te dar sorte" - disse a ela no dia do convite.

O presente já havia sido comprado. O vestido encomendado à uma eficiente costureira e já ajustado no corpo de Josefina. Maquiadora, cabelereira... tudo programado. A única coisa que não estava no script era justamente esta pequena discussão com Adalberto. Queria que não tivesse acontecido, mas fato é fato: pela primeira vez na vida começava a prestar atenção às palavras de Clementino, mas ainda com certa desconfiança!

Teve que dar o braço à torcer e ligar para Adalberto muitas vezes, ora para combinar a hora de pegá-la em casa, toda arrumada, ora para combinar a entrega do presente na casa dos noivos, ora para dar palpite na vestimenta do namorado. Ele, ainda sem entender o motivo da cara fechada, ela, olhando de rabo-de-olho para Adalberto, procurando motivos maiores, erros ou atitudes que poderiam mostrar o caráter, real cara por trás da imagem que fez para o bom moço.

Clementino muitas vezes escutava as conversas dos dois, mas calado. Achava aquilo um bom sinal? Às vezes sim, por outras não.

Na hora combinada foram à igreja. Todos elegantes, muita gente, calor, a preocupação em não manchar a maquiagem, luzes, flashs, fios pelo chão, filmagens, pais dos noivos apreensivos, pais da noiva extasiados, o padre - cadê o padre? - murmurinhos saindo da boca dos convidados, flores, cheiro de flores a enfeitar o altar, uma imagem de Nosso Senhor e mais flores, tapete vermelho, uma criança correndo de um lado para o outro; mais uma criança; pais correndo atrás das crianças, um som: clarinete - pensou ela! - clarinete e um piano ao fundo, começo de casamento, lá na frente o noivo a passar a mão insessantemente uma na outra, numa ânsia, numa espera para o fim da cerimônia, momento que poderá relaxar, tirar aquele peso da responsabilidade dos ombros - ou compartilhar com a noiva! - um carro chegando, a música tocando e todos os padrinhos andando em direção ao altar - agora via o padre: se valia de um óculos de lentes grossas, era um pouco calvo, tinha uma expressão serena, parecia ser um bom padre! - apertou a mão de Adalberto e uma ponta de lágrima ameaçou escorrer pelo seu rosto.

A música muda, começa a tradicional marcha nupcial. Desponta a noiva no final do tapete vermelho. Vestido branco, grinalda, iluminada pelas luzes dos refletores, flash dos fotógrafos, luz qualquer. Olhos todos voltados à ela, todos os olhos! Cheiro de flores no interior da igreja, cheiro de flor...

Começa então o casamento...

Lá pelas tantas da madrugada chegam em casa. Adalberto, já um pouco calibrado pela bebida servida na festa, se despede de Josefina com um longo beijo, ainda no portão. Josefina adentra pela casa, meio trôpega, deixando pelo caminho o sapato de salto alto num canto, o outro quase perto da porta, a bolsa em cima da mesinha de centro e se joga no sofá:

Josefina: Ah, Clementino... eu quero me casar...

posted by : o Administrador desta empresa, uai!
9:36 AM


Quarta-feira, Agosto 11, 2004

"Ninguém liga para a gente, ninguém tá nem aí para a gente... ninguém ajuda! E nunca vai ajudar..."

Palavras ditas à ouvidos surdos, ontem, na avenida, defronte um restaurante luxuoso. Ao lado, ouvia-se um choro, um choro de criança: um choro de uma criança indignada, com pequenas perspectivas sociais, ínfimas, diria eu. Uma criança de 6 anos de idade. Alguma coisa aconteceu naquele restaurante, não sei bem o quê, mas os seguranças enxotaram três garotos "sem quase nenhuma perspectivas sociais" daquele lugar.

Tal fato acontece a cada instante, a cada olhada que por acaso damos à nossa volta: eles estão lá, solitários, órfãos de pai, mãe e parteira, muitas vezes tendo-os ao lado. Sofrem de falta de carinho, de alimentação, de moradia, de saúde, sofrem por não saberem escrever seu próprio nome, sofrem por serem obrigados à crescerem depressa (pois é necessário para a sobrevivência: a lei do mais forte é a que impera), sofrem por não terem roupas limpas, passadas, sofrem por passarem a infância toda sem poder brincar, sofrem com o descaso de toda uma sociedade cega aos seus problemas.

Sofrem de olhar para o lado e ver há um outro lado da moeda: um mundo, que está no mesmo mundo, e que eles nunca tiveram nenhuma chance de viver. Um mundo onde há uma possibilidade; um mundo onde pode haver outra alternativa sem ser o roubo e as drogas!

E de quem é a culpa? Não... pergunta errada, não devemos fazer esta indagação, localizar culpados ou apontar-lhe o dedo: devemos sim procurar soluções para o caso, minimizar os efeitos vindouros, tratar ser humano como ser humano, independentemente da classe social. Então, o que devemos fazer? Quem deve fazer mais, quem deve e tem o dever de fazer alguma coisa? O Estado? A sociedade como um todo? O FMI? Deus, Jesus e Cia. Ltda?

Todos nós sabemos que estamos vivendo uma crise social sem precedentes. Há uma explosão da violência nunca vista antes neste país. Violência gratúita, eu te pergunto? Não: é uma violência criada debaixo dos nossos olhos! Violência cultivada, pouco à pouco, regada diariamente, que vai crescendo, crescendo... e que um dia vai explodir. Estamos vendo casos de violência à todo instante, seja na TV, nos jornais, nos rádios, de boca à boca... ela está aí, como um barril de pólvora, cheio, prestes a explodir.

... e o pavio está acabando.

posted by : o Administrador desta empresa, uai!
5:03 PM


Sábado, Agosto 07, 2004

Churrasco de toucinho de barriga.

Um chute bem dado no colesterol controlado! Um atentado ao pudor das aortas e das veias do nosso organismo! Um desdém ao regime, principalmente aquele que sempre começa (ou recomeça) na segunda-feira. Churrasco de toucinho de barriga: é tudo isso, mas é muito bom. Triste de gostoso!

Daqui a poucas horas estarei lá, praticando a arte de assá-lo, churrasqueando e biritando uma cervejinha gelada. O que eu posso fazer? Me pediram para cuidar do churrasco, gente!

Tá ficando com água na boca, né? Quer saber como fazer? Simples, mas um bocado trabalhoso. Primeiro comprar um toucinho de barriga, coisa fina, muita carne, entende? O segundo passo é temperá-lo de véspera (algumas pessoas temperam o toucinho na hora, com aquele sal grosso já previamente temperado com ervas e cheiros). O terceiro passo já existe duas vertentes: a primeira é que se deve colocar o toucinho no andar de baixo da churrasqueira, praticamente no carvão! Deste modo você vai ser escravo do churrasco de toucinho de barriga: não poderá discuidar dele em hipótese alguma, sob o risco de, logicamente, ficar o saboroso, nutritivo e diet churrasco todo queimado. Quando a carne estiver ao ponto, deve-se retirá-la da churrasqueira e reservá-la, deixar esfriar mesmo. Quando ela estiver fria (morna, né, você entendeu!) volte para o calor. Deste jeito, a pele irá virar aquela pururuca maravilhosa e hummmm... a boca tá salivando.

A segunda vertente foi que ouvi recentemente: deixar o toucinho lá no andar de cima da churrasqueira, igual como se se faz costelão. Deixe lá e esqueça da vida. Vá fazer asinha, coração e contra-filé. Quando estiver a parte de baixo dourada, vire e deixe que se asse a outra parte. Assada a outra parte, é só sair para o abraço: abraço do toucinho de barriga com a aguardente de cana, com a água-benta, mamãe-sacode, desmancha-samba, quebra-goela, malvada, engasga-gato, canjebrina ou seja lá qual o nome que você vai dar para a pinga!

Eu vou morrer disso...

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10:58 AM


Sexta-feira, Agosto 06, 2004



Passaram-se alguns dias desde que os dois pombinhos tiveram a primeira e única discussão em mais de dez anos de namoro. Para Josefina, melhor seria a morte. Para Adalberto... ninguém sabe!


Josefina: Ah, meu Deus... onde será que ele está agora?
Clementino: Ele quem? Adalberto?
Josefina: Lógico, Clementino... ele não me ligou hoje!
Clementino: Uai... ele te ligou ontem?
Josefina: Ligou. Ontem e anteontem. Mas eu estou me fazendo de difícil para ver se ele toma alguma atitude, entende?
Clementino: Tenho que entender?
Josefina: Lógico que sim. Afinal, você me conhece...
Clementino: É?
Josefina: É!
Clementino: Então é, já que você falou...
Josefina: Onde será que ele está, hein?
Clementino: Bem... sexta-feira, nove da noite... quer saber mesmo onde ele poderia estar?
Josefina: Cala a boca, Clementino... deste jeito você me coloca mais nervosa...
Clementino: Nervosa? Estou te tentando colocar mais esperta...
Josefina: Quê você falou?
Clementino: Falei que vou adorar nossa conversa, só isso!
Josefina: Ah... mas o que você acha, na realidade, Clementino...
Clementino: Olha... eu acho, sinceramente... posso falar mesmo?
Josefina: Pode!
Clementino: Você não vai me queimar com pontas de cigarro não?
Josefina: Não!
Clementino: Nem trazer para dentro de casa um bichano qualquer para me unhar quando ninguém estiver vendo?
Josefina: Quê? Do que você está falando, Clementino...
Clementino: Do terror dos sofás, sua tonta. Estou falando daquele animal mamífero, carnívoro, felídeo (Felis cattus domesticus), digitígrado, de unhas retráteis, domesticado pelo homem desde tempos remotos, e usado comumente para combate aos ratos e que nas horas vagas é o terror dos sofás...
Josefina: Não! Não vou trazer nenhum gato para casa...
Clementino: Onde a gente tava mesmo?
Josefina: Você ia falar o que acha da minha relação com Adalberto...
Clementino: Ah, sim... bem, eu acho que você é meio relapsa com o que há e está na sua frente! Pronto, falei!
Josefina: Não entendi!
Clementino: Não entendeu? Bem... vou te dar um exemplo, um que eu sempre vejo, ok?
Josefina: Ok!
Clementino: É... você se produz demais para sair. Eu acho isso um erro!
Josefina: Mas eu me produzo para meu namorado, Clementino...
Clementino: Será mesmo? Eu já ouvi que as mulheres se produzem para outras mulheres...
Josefina: É... em termos, sim.
Clementino: Pois bem... e depois vocês ficam naquela de "cuidado com meu cabelo, acabei de sair do salão de beleza", "ah, churrasco não... vou ficar com cheiro de fumaça" e coisa e tal... homem gosta de coisas mais simples, entendeu?
Josefina: Não.
Clementino: Ah, Jesus... quando você encontra Adalberto, se produz. Até quando estão aqui em casa...
Josefina: Mas eu não quero que ele me veja toda descabelada, né Clementino.
Clementino: É aí que eu acho que há uma falha: você está toda produzida e das muitas vezes repele as investidas do seu namorado!
Josefina: Lógico! Imagina se ele me desarruma o meu cabelo. Eu acho que estou certa.
Clementino: E eu acho que você às vezes exagera.
Josefina: Você acha mesmo?
Clementino: Acho!
Josefina: E o que me aconselha?
Clementino: Ora... seja mais natural. Aja com mais naturalidade, veja a vida por outro ângulo, curta este momentos que você está sozinha e...
Josefina: Será que se eu fizer tudo isso, eu consigo casar com Adalberto?
Clementino: O quê?
Josefina: Casar... com Adalberto.
Clementino: Ou com outra pessoa, não?
Josefina: Outra pessoa sem ser Adalberto? Jamais, Clementino!
Clementino: É... estou vendo que a conversa vai ser loooooooonga...

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2:01 PM


Quinta-feira, Agosto 05, 2004

Paraíso

E o que é o paraíso, senão a procura pela felicidade? O paraíso não é estático, é movimento! O paraíso não é luz pura e constante, é também a luz e a falta dela: proporciona a emoção de um dia diferente, um dia único a cada dia, a cada instante, a cada batida do coração. O que é o paraíso senão a busca pelo outro alguém, aquele que anda por aí, às vezes até ao seu lado, e você não percebe, pois está tudo tão calmo... e você não quer que isso mude! O paraíso é isso e mais alguma coisa: é aquele "I", que significa mutação na língua chinesa... é aquela coisinha que sempre nos acompanhou (e acompanha ainda hoje) desde que éramos simples mamíferos comedores de alguma iguaria à milhares de anos atrás! Mudamos... sim, mudamos e estamos sempre a mudar, inclusive o conceito de paraíso, recriando-o à nossa vontade! Para mim, o paraíso é o que fazemos da nossa vida! Paraíso é ser feliz! Paraíso é ter amigos e sempre ter amigos. Paraíso é fazer um cafuné na pessoa amada! Paraíso... é também um nome de um bairro aqui em Belo Horizonte, ruas íngremes e estreitas...

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6:04 PM


Quarta-feira, Agosto 04, 2004

Sono

Como é gostoso ficar com sono: tudo fica mais e mais interessante à medida que os ponteiros do relógio se mexem e você, infelizmente, não consegue ou não pode dormir.

Não... não estou falando, ainda, da insônia! Estou falando do sono num sentido mais amplo: o "ser" sono!

É uma delícia gratificante, só perdendo para tomar um copo d'água quando você se encontra numa sede infernal! O sono atrasado faz muito bem, sim senhor: faz você repensar seus conceitos da vida, suas urgências, suas pretensões vindouras.

É sabido de pessoas que só dormem poucas horas numa noite. Li, certa vez, que um artista de televisão dormia somente 3 horas por noite (ou menos) e acordava bem disposto, plenamente satisfeito com aqueles 180 minutos de olhos fechados. Para mim, isso soa inconcebível: não o dormir três horas por noite, visto que isso já me ocorreu até demais, principalmente por causa das gandaias juvenis, mas de difícil aceitação a parte final, do acordar e trabalhar normal, produzir alguma coisa de útil, ficar um sorriso de fora à fora no rosto! Dependo demais de uma boa noite de sono, ô se dependo.

Mas cada caso um caso.

Dormir é bom demais. Qualquer anomalia durante a noite e meu dia já amanhece nublado, com tendências à fortes trovoadas, ventos de 200 km/hora e chuva de granizo na parte da tarde. O meu bom humor é proporcional e diretamente ligado à uma boa noite de sono.

Então, quando algo dá errado, eu fico assim: carrancudo! Carrancudo e com sono! Muito sono. Mas hoje não é por causa de insônia, não... estou com sono por conseqüência do começo das aulas.

Durante as férias costumo dormir por volta das 22:00 horas. É a conta de chegar, tomar um banho, jantar, assistir o final da novela das 8 e cataplum na cama. Com a volta às aulas, chegando em casa bem tarde da noite, vou me deitar lá por volta da meia-noite e caqueirada (ou meia-noite e lá vai fumaça). Faça as contas: antes dormia oito horas por noite, agora, cinco horas. São três horas, três necessárias horas de sono que perco por noite.

E só nestes últimos dois dias, seis horas de sono perdidas: ou seja, praticamente um período de descanso que foi para o saco! E não adianta: a sensação de sono vai durar até o corpo se acostumar com estas reles cinco horas de sono!

E ainda tem professor que fala para a gente estudar quando chegar em casa! Tem condição?

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3:34 PM


Segunda-feira, Agosto 02, 2004

Ressaca

Ressaca das bravas, daquelas que a boca da gente fica seca, a cabeça doída, o corpo bambo, a vontade de ficar na cama, dormindo.

Ressaca e segunda-feira. Pior: segunda-feira, ressaca e volta às aulas. Êta tríade infernal esta.

Tudo começou no sábado: compramos uma peça de contra-filé e resolvemos chamar um "fio da mãe" dum amigo nosso para assá-la no domingo. Liguei para chamar um outro "fio da mãe", mas a porqueira do telefone dele só caía na caixa postal (Darta: você perdeu!). Passou uns minutos, outro "fio da mãe" nos ligou: chamamos ele também! Daí, para uma festança completa, só faltava a boa vontade!

E não é que não faltava mais nada?

E foi o dia inteiro nisso: churrasco e cerveja! Churrasco, cerveja e violão! Cerveja, churrasco, violão e meu time de futebol ganhando!

E hoje? Hoje tá bravo... mas o que me consola é que toda ressaca é dividida irmãmente: e isso é bom!

Ainda bem!

posted by : o Administrador desta empresa, uai!
9:58 AM


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