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Diretorio 100% brasileiro


Sexta-feira, Julho 30, 2004



Domingo, depois de curar da ressaca, surge Adalberto na casa de sua namorada, Josefina. Acomodam-se no sofá. Está passando na televisão um animado jogo de futebol, "algum time versus outro", como pensava a moça.

Torcia para o Brasil, mas só em época de Eliminatórias e Copa do Mundo. Não gostava de futebol, mas para não ficar sem assunto com seu namorado, estudou à fundo as regras do jogo: sabia, por exemplo, as regras de impedimento como nenhum outro marmanjo amigo de Adalberto.

Entre um lance e outro, Adalberto comentava sobre sua vida profissional, aos goles de cerveja. Dizia ele que na próxima semana iria, junto com uma estagiária feiosa, para o litoral capixaba, logicamente à serviço! Falava também da raiva que tinha em trabalhar num ambiente muito quente de terno e gravata - vestimenta obrigatória para ele - enquanto outras pessoas da firma que contratara o serviço da empresa se esbaldavam em jeans e camisetas.

Um olho no jogo, o outro na bela namorada.

Passou um tempo, dois olhos no jogo. E só!

Josefina, sempre atenciosa, buscava cerveja e salgadinhos na cozinha. Estranhou o silêncio de Clementino, mas sabia que o sofá às vezes agia de veneta: quando dava na telha, falava como pobre na chuva. Mas de vez em quando, ficava mudo. "Hoje ele deve estar neste dia de ficar mudo".

Josefina: Atchim!
Adalberto: (de olho na televisão)
Clementino: Saúde!

Aquilo mexeu com o brio de Josefina. Aquele "saúde" inesperado.

Josefina: Você viu que eu espirrei?
Adalberto: Quê?
Josefina: Você, por acaso, reparou que eu espirrei?
Adalberto: Ora, Josefina... tenha paciência! Você não está vendo que estamos na melhor parte do jogo? Faltam 15 minutos para acabar a parti...
Josefina: Nunca na minha vida imaginei que você fosse tão insensível a ponto de não desejar um reles "saúde" para mim quando espirrasse!
Adalberto: Hã?
Josefina: Você é um grosso, Adalberto! Um sem educação, um insensível!
Clementino: (só ouvindo)
Adalberto: Benzinho, juro que não estou te entendendo... olha só que jogada!
Josefina (pegou o controle da televisão e a desligou) Eu estou muito, mas muito decepcionada com você, Adalberto!
Adalberto: Por não te desejar "saúde"? É isso? Se for, "saúde", meu amor! Agora liga a televisão, liga!
Josefina: Eu não quero passar o resto da minha vida com uma pessoa que não tem um pingo de sentimento com minha saúde, Adalberto! E outra coisa: não aceito suas desculpas...
Adalberto: Josefina! Que é que você tem? Que bicho te mordeu?
Josefina: O bicho que me mordeu se chama tristeza por você não me dar um "saúde" quando espirrei, só isso!
Adalberto: Espera aí... quer dizer que estamos discutindo pela primeira vez em anos de relacionamento por um "saúde" que não te dei? É isso?
Josefina: Sim! É isso! (caindo em prantos)
Adalberto: Mas...
Josefina: Vá embora, Adalberto! Vá embora e não volte nunca mais!

Adalberto e Clementino não acreditaram no que ouviram a pouco. Um sem saber do porquê, sincero, do acontecido. O outro totalmente boquiaberto com a atitude da moça, que pela primeira vez na vida, demonstrou firmeza e atitude, mesmo que, no íntimo, achasse que o motivo para a discussão fosse a mais idiota, mais sem nexo e sem cabimento possível.

Clementino: Pode falar, Josefina, você está na TPM, não?

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2:11 PM


Quinta-feira, Julho 29, 2004




Sábado pela manhã. Adalberto liga para sua namorada, Josefina, e diz que vai jogar uma peladinha com os amigos do bairro.

Sábado, por volta das 11 horas: Josefina, sem querer, aperta a tecla do seu celular e a última chamada se faz valer no seu aparelho: Adalberto!

Disse ele que estava ainda com seus amigos, tomando uma cerveja, jogando um truco e assando uma carninha, num churrasco improvisado, ainda na quadra de futebol. Prometeu encontrá-la mais tarde.

Sábado, 16 horas: Josefina começa a se aprontar. Mulher demora demais a decidir a roupa, demora demais a se pentear, demora demais para se maquiar... enfim, mulher demora!

Onde está Adalberto? Será que chegou em casa? A dúvida não a deixava em paz. Ligou para a casa dele: não havia chegado.

- Vai ver aconteceu alguma coisa com o carro! Não... o carro é novo! Vai ver ele passou mal de tanto beber, coitadinho... não é acostumado com isso! Será que ligo?

Pensou e decidiu não ligar: poderia achar ruim, achar que é perseguição.

Sábado à noite: chegou Adalberto na casa da namorada. Olhos vermelhos, o cheiro de cerveja exalava à quilômetros! Foi recebido pelo sogro, cumprimentou-o e rumou para a sala. Em Clementino se esparramou.

Clementino: Pelamordedeus... que aço, hein filho? Que manguaça brava.

Realmente, as mulheres demoram para arrumar. Josefina não fugia à regra. Demorou, demorou... e chegou à sala, onde já se encontrava Adalberto, dormindo no sofá da sala de estar.

Josefina: Benhêêê!
Clementino: Tá apagado!
Josefina: Benzinho, acorda!

Adalberto abriu os olhos por um instante, balbuciou algumas palavras desconexas e voltou à roncar. Estava deplorável.

Clementino: Qual é o plano para hoje, Josefina?
Josefina: É... hoje ele exagerou! E agora?
Clementino: Chá de boldo é bom!
Josefina: Acorda, Adalberto...

E nada. Apagou mesmo.

Clementino: É um absurdo. Você ficou esperando ele o dia inteiro e agora tá este traste aqui, em cima de mim, me babando... tira seu namorado daqui, Josefina! Dá um jeito nele!
Josefina: Ah, tadinho... ele está só um pouco cansado. Daqui a pouco ele acorda melhor, mais animado.
Clementino: Sei...
Josefina: É que não está acostumado a beber, entende?
Clementino: Entendo... E o que você vai fazer? Você não tinha um compromisso com suas amigas? Ou eu estou ouvindo demais?
Josefina: Tinha sim, mas como vamos com o Adalberto assim, com sono? Eu não vou dirigir, nem morta! O encontro com minhas amigas pode ser deixado para depois. Vou ligar para elas dizendo que não iremos... inventaremos uma desculpa qualquer.

Saiu da sala e foi ao quarto. Na volta, passou pela cozinha e trouxe um copo d'água e um Sonrisal. Tinha nos braços um cobertor.

Clementino: Ele vai dormir aqui?
Josefina: Vai sim, Clementino. Você não está vendo que ele está passando mal?

Josefina encobriu-o, se posicionou num canto do sofá, colocou a cabeça de seu namorado em sua perna. E assim ficaram os três, Josefina, Adalberto e Clementino, que ora soltava suas farpas já características sobre aquela relação.

Meia noite e pouco Adalberto acorda, assustado. Havia dormido e nem percebeu. Josefina assistia Supercine com olhos sonolentos. Ele pediu desculpas por atrapalhar os planos para aquela noite e foi compreendido. "Esta mulher é demais", pensou ele.

Levantou, foi ao banheiro, molhou o rosto e decidiu ir embora. Queria conversar sobre a próxima semana com ela, mas já estava muito tarde. Levou seu namorado à porta:

Josefina: Tchau, amor... cuidado com o trânsito, hein? Boa noite para você! Amanhã você me liga, tá?
Clementino: Tchau Adalberto... vá para casa direto, hein? Não vá parar nos botecos para rebater esta cachaça de hoje, hein? Amanhã você me aparece aqui com a mesma cara de pau, tá?

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1:13 PM


Terça-feira, Julho 27, 2004



Quarta-feira. Adalberto chega impreterivelmente às 19:00 na casa dos pais de Josefina. Ela não o esperava: correu para o quarto, colocou uma roupa melhor (já estava de pijama e touca) e foi encontrá-lo na sala.

Clementino: Graças à Deus você chegou, Josefina... este cara já estava me enchendo o saco!
Josefina: Oi amorzinho! Não te esperava hoje! Aconteceu alguma coisa?
Clementino: Deve ter sentido muitas saudades!
Josefina: Saudades, né? Quê? Tem alguma coisa pra me dizer?
Clementino: Ah... acho que ele vai te pedir em casamento hoje, Josefina!
Josefina: Fala logo, bem! Sei... aquele dinheiro que você estava guardando... nossa, já tem tanto assim?
Clementino: Já sei, Josefina... ele vai pegar esse dinheiro e dar de entrada num apartamento para vocês morarem... pelo menos é um bom começo, não?
Josefina: Fala logo, amor... o que você vai fazer com estes vinte mil dólares?
Clementino: Eu aposto que ele vai comprar um apartamento para vocês! Tá valendo?
Josefina: Trocar de carro?
Clementino: Quê? Trocar de carro?
Josefina: Mas seu carro não está bom, amor? Será que não há outra urgência que você possa utilizar este dinheiro?
Clementino: Por essa nem eu não esperava: trocar de carro? Mas que cara de pau...
Josefina: Como por exemplo dar de entrada num apartamento para a gente morar! Que acha?
Clementino: Boa esta!
Josefina: Credo, benhê! Pára de tossir...
Clementino: Ele é muito frágil, coitadinho!
Josefina: Vou fazer um chá para você! Quer de hortelã?
Clementino: Faz um chá de urtiga para ele! Já vi muita gente enrolada nestes anos, mas esse bate todos os recordes...

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6:22 PM



Num dos amassos dos dois pombinhos, eis que o telefone de Adalberto sai do seu bolso e cai em Clementino!

Telefone: Bzzzz, Bzzzz...
Clementino: Ô, caramba...
Telefone: Bzzzz, Bzzzz...
Clementino: Mais uma prova que este moço tá aprontando: telefone no vibracall!
Telefone: Bzzzz, Bzzzz...
Clementino: Ôôô Josefina... o telefone do seu namorado tá me fazendo cócegas aqui! Vou atender esta merda, hein?
Telefone: Bzzzz, Bzzzz...
Clementino: Alô! Alôôô... pois não? Não... não é o chuchuzinho, não? É o Clementino! Cle-men-ti-no, ao seu dispor! Não... ele não está agora, não! Hã hã... sou amigo dele! Hã hã... vou sim, vou vê-lo sim! Quê? Se eu conheço ele? Menina... eu conheço o Adalberto à fundo... fundo, sim... conheço ele à fundo! Isso mesmo, minha filha... amigo de anos! Anos! Ô, menina, mas que ligação ruim, hein? Você está falando de onde? Itaúna? Olha... que coincidência, hein? Ele não esteve aí há alguns dias atrás? Contigo, é? Sei! Sei! Pra te ligar, né? Hã hã.... pode deixar que eu dou o recado, Giselda! Tá... é Clementino! Isso... Clementino! Tá... tchau para você também!

Voltam os dois pombinhos, depois de fazerem um lanchinho na cozinha, direto para o sofá da sala.

Clementino: (sussurando) Josefina... enquanto vocês estavam lá na cozinha, o telefone do seu chuchuzinho tocou e eu atendi.
Josefina: (osculando seu namorado) Mmmmmmm, Mmmmmmm...
Clementino: Era uma tal de Giselda querendo falar com o Adalberto...
Josefina: (ainda no ósculo) Mmmmmmm, Mmmmmmm...
Clementino: Josefina, é a hora de você perguntar quem é esta mulher que ligou para ele... e ela é de Itaúna!
Josefina: Benhêêê... onde está seu telefone?
Clementino: Ah... é agora!
Josefina: (cara de tristeza) Ah, não, amorzinho! Então aquele seu amigo que sofreu um acidente piorou e a irmã dele te ligou para te avisar? Tudo bem... amanhã você visita ele, tá? Você quer que eu vá com você? Não... eu sou muito emotiva e prefiro ficar aqui em casa, se você não se importar, ok?
Clementino: Alguém me ajuda!!!

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7:55 AM


Segunda-feira, Julho 26, 2004

Um pedaço de plástico, plástico de saco de lixo azul; uma taquara; linha; adesivo Durex; uns minutinhos, eu e meu afilhado, no chão, corta de cá, arruma de lá, mede, amarra, cola, corta mais pedaços de plástico, sai uma rabiola azul, azul como o papagaio.

- Não sabia que sabia fazer papagaio!

Se bem que meu afilhado que estava me dando os toques: onde amarrar a barbela, onde amarrar a rabiola, como fica a taquara.

Eu entrei com a parte do conhecimento pré-concebido da aerodinâmica do brinquedo: onde fixar mais adesivos para evitar que o papagaio se rasgue, um fio mais resistente e coisa e tal.

Ficou pronto: saiu meu afilhado para a rua, domingo, fim de tarde. Ventava muito aquela hora, se bem que ventou muito o final de semana todo.

Ele já havia soltado uns três papagaios no sábado e naquela manhã: mas aquele papagaio azul de saco de lixo era especial! Havíamos feito nós dois, o padrinho e o afilhado.

Sentia-se especial. Puxou a corda e o brinquedo ganhou o céu! Subiu... subiu!

Gritava de alegria, me chamando para ver o papagaio ao longe. Radiante os dois, quer dizer, os três: o papagaio, refletindo a luz daquele sol vermelho, o garoto de sete anos, feliz, e eu, bajulando aquele menino que vi nascer.

- Deu pique! Deu pique na linha!

Lágrimas, grossas lágrimas corriam por aquele rostinho que há pouco explodia de alegria! Num desespero, num ato impensado, comecei a correr atrás do brinquedo, mas ele estava longe demais.

Eu corria, ele corria atrás de mim e o papagaio voava, solto, cada vez mais e mais longe!

A brincadeira acabou! Mas acabou-se também o domingo! Final de semana que vêm a gente brinca mais... brincar de papagaio, brincar de sorrir, brincar de ser como pai e filho.

Quem sabe choraremos de novo? Quem sabe a gente chore de tanto rir da nossa imensa alegria no próximo final de semana?

Vamos fazer papagaios?

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9:10 AM


Sábado, Julho 24, 2004

Quem passa por aqui já percebeu que sou um cara bom de garfo e faca.

Então o post de hoje é dedicado à arte de encher a pança: falemos então de comida!

Mas diferentemente de falar, vamos colocar a mão, literalmente, na massa e tentar fazer o rango! É isso mesmo, vamos aproveitar o frio e nos fartar, nos fartar de comida boa, saborosa, gordurosa... peraí: eu disse gordurosa?

Rocambole de peito de frango não é tão gorduroso, não! Quer dizer, é, mais ou menos! Quer saber como se faz? Presta atenção:

Você vai precisar de 2 peitos de frango, daqueles grandes! Desosse os bichinhos e depois passe-os por um moedor de carne! Passe mais uma vez! Virou aquela pasta, certo? Pois agora tempere-o com alho socado e sal. Se você quiser fazer mais graça, pode colocar outros condimentos, mas não exagere!

Pegue um pedaço de plástico besuntado com um pouco de óleo de cozinha: é onde você vai jogar a massa temperada! Espalhe-a! Sobreponha uma camada de presunto com uma camada de muzzarela. Feito isso, você, cuidadosamente, levantará o plástico com uma das mãos e a outra você dará um "leve" na massa, enrolando-a, como um rocambole!

Com a massa toda enrolada, coloque-a numa assadeira!

Não... ainda não acabou! Falta a parte gordurosa da receita: o bacon fatiado! Recubra o rocambole com fatias de bacon (que dará aquele gosto especial na receita).

Pronto! Agora leve ao forno por cerca de uma hora! Um detalhe importante e imprescindível para que a receita saia do jeito que você está sonhando é despejar 200 ml (um copo) de água na assadeira (para o rocambole não ficar seco).

Acompanha um arroz soltinho, batatas cozidas, uma salada, um suco... e uma digestão bem feita!

O que você está esperando... mãos à obra! Vá para a cozinha...

Quê? É muito trabalhoso e você está sem paciência? Acabou de almoçar? Quer alguma coisa para o café da tarde?

Pois bem... essa quem me passou foi minha mãe, e quem passou para ela foi minha irmã: bolo de côco. Você vai precisar de quatro ovos, uma lata de leite condensado e um pacote de côco ralado.

Pegue "tudo isso" e leve à batedeira! Eu coloco uma colher de fermento, já minha mãe não...

Naquela forma de bolo (agora você vai trabalhar: passe margarina e farinha de trigo da forma) despeje a massa e leve ao forno já pré-aquecido. Rapidinho fica pronto: é só aguardar de vinte à trinta minutos!

Na quinta-feira passada conversei com um colega de trabalho sobre este bolo! Ele me pediu a receita e eu a escrevi num papel. Foi aí que ele me perguntou:

"Uai... cadê a farinha? Nunca vi bolo sem farinha!! Você está de gozação comigo, não tá?"

Eu fiz uma aposta: faça o bolo! Mas faça dois, porque um só é muito pouco! Se você não gostar, eu te pago o que você gastou para fazê-lo. Mas quero que você me ligue quando estiver na sua casa, comendo esta maravilha da gastronomia moderna!

Há duas horas ele me ligou: arrependeu-se por não ter feito o outro bolo que falei.

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9:25 PM


Sexta-feira, Julho 23, 2004



Sexta-feira novamente. Namoraram bastante e Clementino não falou nada. Parecia estar resignado. Desistiu de dar pitaco na vida dos dois.

Levantaram do sofá juntos, como se o movimento fosse coreografado, e sairam de casa: foram comer uma pizza, ele ouviu! "Tomara que demorem muito, que se divirtam bastante... assim eu posso ficar sossegado aqui na minha sala!"

Passou um tempo e Josefina retornou: estava bem alegre!

Clementino: Olha, olha... estou gostando de ver a cara de felicidade!
Josefina: Pois é... estou alegre e feliz mesmo!
Clementino: E posso saber aonde a senhorita foi hoje?
Josefina: Ah... fomos assistir a um filme no shopping! Depois do filme, fomos comer uma pizza, uma pizza de calabreza, daquela que eu gosto!
Clementino: Eu só passei a gostar depois que me impermeabilizaram...
Josefina: E agora eu estou aqui! Satisfeito?
Clementino: E o Adalberto está guardando o carro na garagem ou conferindo se está trancado?
Josefina: Não... ele já foi embora!
Clementino: Nossa... mas ele foi embora muito cedo, você não acha?
Josefina: O que você está querendo insinuar, Clementino?
Clementino: Que o seu namorado chegou aqui, hoje, às cinco e quarenta e cinco da tarde, vocês ficaram aqui até umas seis e poucas, saíram, pegaram um cinema, comeram uma pizza e chegaram aqui às... agora são que horas?
Josefina: São cinco para as onze!
Clementino: E ele já está liberado para a noitada dele!
Josefina: Noitada? Que noitada, Clementino?
Clementino: Noitada, farra, esbórnia, balada, curtição...
Josefina: Você está virando um sofá esclerosado!
Clementino: Ah... lá vamos nós de novo! Você até sabe o que vou te dizer, né?
Josefina: Já... e eu não vou ligar para ele! Não vou!
Clementino: Tudo bem... sua cabeça, seu guia! Mas eu acho...
Josefina: Você não acha nada aqui, seu sofá metido à bonzão! Você não entende nada de relacionamento amoroso...
Clementino: É... na minha próxima encarnação eu quero vir como tábua de passar roupa!
Josefina: É mesmo? E posso saber porquê?
Clementino: Porque é clean, porque é prático e porque eu gosto, só isso!

Mas na realidade, pensou: "quando eu tentasse falar alguma coisa, sempre viria alguém e me queimaria a língua!"

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1:10 PM

Porquê que a gente tem blog?

Nossa colega Beth indiretamente me fez esta pergunta e, consequentemente, me fez pensar neste porquê.

Vamos lá... primeiro passo é saber porquê ter um diário eletrônico, qual a sua finalidade!

Muitos diriam que expor sua vida e assim escancarar para todos fatos que lhe aconteceram seria o objetivo primordial. Eu, por exemplo, comecei blogando de bobeira: um certo dia vi que meus contatos de e-mail chegaram a mais de duzentas pessoas. Mais de duzentos e-mails diários, desde fotos, textos, perguntas como "e aí, como é que tá?"... ou seja, coisas normais de se transmitir (e retransmitir).

Certo dia percebi que nem todas as pessoas liam os e-mails, por vários motivos: por estar a caixa de mensagem deles lotadas, por estar sem tempo, por me achar um chato de galocha e por aí vai.

Decidi montar um blog: fariam eles o caminho inverso, me procurariam então.

Desde então escrevo acontecimentos de minha vida, de um jeito que gosto, de um jeito descontraído, com muito humor. Certa vez falei para uma amiga que sou capaz de achar um jeito de rir de mim mesmo, até se um dia, por um descuido qualquer, martelar meu próprio dedo numa vã tentativa de afundar um prego na parede! Acho que já faz parte do meu modo de ver as coisas...

O segundo passo, eu acho, é ser lido: não conheço ninguém, até hoje, que tenha um blog só para ele. Se fosse assim, o mais aconselhável era digitar textos no word e salvá-los numa pasta no seu computador, protegido por senha e com um firewall impossível de qualquer hacker neste mundo atravessar. Ninguém o leria, jamais.

O quê escrever? Tem gente que escreve besteiras (eu), tem gente que escreve por escrever, e assim escreve qualquer coisa (eu também?) e tem gente que ainda não sabe o que postar e nos brinda com verdadeiras obras de arte, escrita ou visual! Uma maravilha de literatura moderna... coisa para a posterioridade.

O último é ser compreendido no que você está tentando passar ou não. Já li, em muitos blogs, pensamentos que não tem nada à ver comigo! Já li muita coisa que vou te falar... simplesmente descartável. Mas cada um tem o direito de se expressar, de expor seus pensamentos do modo que lhe aprouver. Eu respeito isso... não faço nenhum comentário no blog da pessoa e também não mais volto lá! Ou seja: "você aí, do seu lado, com seus pensamentos e atitudes, e eu aqui, longe de você", sacou? Em contrapartida há muita, mas muita gente que escreve coisas boas, que tem a ver comigo, que me acrescentam em conhecimento, cultura e divertimento.

Bem... eu acho que é isso aí que nos move pela blogosfera.

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12:04 PM


Quinta-feira, Julho 22, 2004



Quarta-feira. Josefina está aguardando seu namorado, impaciente. Nove e meia da noite chega o moço, chuteira, calção, meião, camisa de futebol... todo sujo! Sentam-se no sofá.

Josefina: Nossa amor, como você está sujo... olha só sua roupa...
Clementino: Sujo? A roupa está suja, Josefina... mas ele não está sujo não?
Josefina: Ah... mas eu entendo vocês, homens... jogar uma bola é bom para relaxar...
Clementino: Olha... eu já vi muita gente suada, conheço o cheiro de cor e salteado... e este aí, Josefina, não está suado não!
Josefina: E como está o pessoal lá da pelada?
Clementino: Pelada? Que pelada, minha filha... este cara, hoje, o mais perto que chegou de um campo de futebol foi uns 15 quilômetros... ele estava era te enganando!
Josefina: Ah, meu Deus... como você joga bola bem, Adalberto...
Clementino: É... ele é demais! E o engraçado é que este cheiro dele não me é estranho...
Josefina: Benhêêê... e quando a gente vai poder ficar juntinhos, no nosso cantinho...
Clementino: Eu conheço este cheiro...
Josefina: O banheiro? Pode ir, querido... deve estar desocupado...
Clementino: Já sei... é cheiro de sabonete de motel! Sabonete de motel!!
Josefina: Cala boca, Clementino... ou eu vou te jogar lá na rua, seu sofá enxerido!
Clementino: Mas o cheiro dele... é de sabonete de motel!
Josefina: Você, que é sofá, não entende nada disso: Adalberto, antes de vir aqui me namorar, passou no vestiário e tomou um banho! Isso explica o cheiro de sabonete que você está sentindo...
Clementino: Você tem certeza?
Josefina: Tenho!
Clementino: Você nem imagina que ele poderia estar na esbórnia e que sujou a roupa de propósito antes de chegar aqui, né?
Josefina: Absoluta certeza... e eu conheço meu gado!
Clementino: É... e eu estou vendo seu chifre!
Josefina: O que você falou?
Clementino: Falei que este seu pensamento é chique, é chique! Só isso!

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12:26 PM


Quarta-feira, Julho 21, 2004



Mal pregou os olhos durante a noite. Fazia bastante tempo que isso não ocorria, esta insônia sem razão! Acordou (ou poderíamos dizer, levantou da cama) às sete e meia e pôs-se a fazer café.

Tomou uma, duas, três xícaras repletas do líquido, acompanhada de biscoito Cream Craker (dizia ela que não engordava), de tão nervosa e ansiosa: estava aguardando o telefonema de seu namorado, Adalberto.

Nove horas: Josefina não se agüentava mais! Ligou para a casa de seu amado, sua sogra atendeu ao telefone.

Sentia que sua sogra não gostava dela... se bem que sentia que quase toda a família dele não gostava dela, com exceção do cachorro de estimação, um coocker spaniel de nome Bráulio. Perguntou sobre Adalberto, teve a resposta que estava dormindo. Solicitou que o chamasse, foi atendida, mas sentiu, mesmo a quilômetros de distância da casa do namorado, a secura e a falta de vontade da mãe do moço ao atender aquele pedido. Despediu da velha cordialmente, mas queria mesmo era voar no seu pescoço.

Josefina: Oi, amorzinho... bom dia!
Adalberto: Josefina? Não acredito que você está me ligando a esta hora...
Josefina: É que fiquei preocupada com você! Está melhor, está mais descansado?
Adalberto: Mais ou menos... estou com um pouco de dor de cabeça... deve ser porque dormi demais...
Josefina: Ah, esta sua dor de cabeça crônica... vem para cá que eu te faço um chá...
Adalberto: Esta bem... lá para as 9 da noite...
Josefina: Quê? De jeito nenhum... você vêm para cá agora...
Adalberto: Mas...
Josefina: Sem mais, nem menos... estou te esperando aqui em casa e vou te dar meia hora para chegar, senhor Adalberto!

Passou meia hora, mais meia... chegou meio dia e Adalberto não apareceu! Josefina liga novamente para a casa dos pais de seu namorado e, desta vez, quem atende ao telefone é a irmã mais nova.

Josefina indaga o paradeiro de Adalberto e obtém a resposta que havia saído com um amigo que passara por lá, numa urgência, num pedido de socorro! A irmã falou sobre um acidente envolvendo um conhecido, ou um parente deste amigo... e que seu irmão fora prestar alguma ajuda.

Clementino: E aí... ele não vai vir, né?
Josefina: Você escutou muito bem, Clementino... ele foi ajudar um amigo necessitado. Alguma coisa aconteceu, tipo uma batida de carro ou coisa assim, e Adalberto, como sempre muito solícito, foi tentar ajudar este amigo.
Clementino: Sei... e você, porque não liga para ver onde ele está?
Josefina: Ai ai ai... lá vem você com esta história de "liga para ele", "onde é que ele está" e mais chatura...
Clementino: Liga, Josefina... não custa nada... e pode ser que ele esteja precisando de alguma ajuda.
Josefina: É... pode ser que ele esteja mesmo precisando de alguma ajuda, né?

E ligou.

Josefina: Alô?Adalberto? Oi amor... aonde você está? Itaúna?
Clementino: É... num pagode em Itaúna! Daqui dá para escutar o pandeiro e o tamborim...
Josefina: Mas o que você está fazendo aí, querido? Quê... um amigo seu sofreu um acidente?
Clementino: Aposto que ele caiu no chão e bateu a cabeça de tanto rir de você!
Josefina: Ah... então foi por isso que você saiu de sua casa tão rápido e nem passou aqui, né?
Clementino: Lógico... senão a cerveja esquentava!
Josefina: Nossa... mas ele quebrou as duas pernas, meu bem? Não me diga... o baço... traumatismo craniano?
Clementino: Esta é boa!
Josefina: Ohh... não, querido, não precisa sair daí para vir me buscar não... fica aí no hospital com seu amigo...
Clementino: Eu não abro mais minha boca!
Josefina: Está bom... me liga quando chegar em casa, tá? Tchau!
Clementino: Eu não acredito, Josefina, que você vai cair nesta lorota!
Josefina: Que lorota?
Clementino: Esta que você acabou de ouvir! E que vai perder seu domingo de sol ficando aqui na sua casa!
Josefina: E o que você me aconselha a fazer?
Clementino: Ah, menina... coloque uma roupa bem bonita e vai curtir o sol, passear, fazer alguma coisa boa... quem sabe até conhecer outras pessoas!
Josefina: É isso mesmo... você me deu uma boa idéia: vou sair de casa! Ontem e hoje, ficar aqui, presa, enclausurada... não! Hoje vou sair!
Clementino: Isso, Josefina... é assim que se fala!
Josefina: Vou dar uma ligada (tecla, tecla, tecla..)
Clementino: Graças à Deus, hoje, ao que tudo indica, ela tirou a viseira...
Josefina: Alô, vovó... a senhora quer companhia para o bingo hoje?

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8:23 AM


Terça-feira, Julho 20, 2004

Olimpíadas: muitos esportes, atletas, competição acirrada... medalhas!

E não é que, de bobeira, pintou uma vontade de relembrar algumas modalidades esportivas que já pratiquei na minha vida? Sim... nós, cidadãos normais, também estamos sempre praticando alguns destes esportes olímpicos, de uma forma ou de outra, durante o nosso dia-a-dia!

Lembrei de um fatídico dia, se não me engano no ano de 1984, em que eu e um amigo resolvemos sacanear com o pessoal da nossa sala! O plano era comprar aquelas balas Dizzioli de sacanagem, aquelas mesmo que tinham um corante azul de recheio e, num gesto de extrema amizade, oferecer aos gulosos companheiros. E ficou combinado: iríamos ao Edifício Maleta (lá havia ou há uma loja de mágicos com toda a sorte de produtos como este, da bala, até cigarros que explodiam - uma festa!) comprar as balas e depois passaríamos nas Lojas Americanas para encher o pacote com algumas verdadeiras. Combinamos ainda de fazer um pequeno furo, com um alfinete, para distinguir as balas com o corante das balas próprias para o consumo.

Ótimo... e lá vamos nós! Saimos lá do Ordem e Progresso, antiga escola que ficava alí na Bernardo Guimarães, e fomos descendo a Rua da Bahia até a Avenida Augusto de Lima.

Finalmente compramos as danadas das balas Dizzioli com recheio azul, um tantão, uma sacola cheia, muitas balas do recheio que deixava a boca do incauto totalmente azul, tipo violeta gensiana, com o aspecto simplesmente ridículo.

Na saída do Maleta fomos abordados por um pivete. Um pivetão (tínhamos 12 anos, o pivete deveria ter uns 17) que nos tomou o saco de balas! O sacana que nos roubou foi andando, tranquilamente, e comendo as nossas balas de sacanagem que deixam a boca azul.

E nós lá, um olhando para a cara do outro, igual duas bestas. Nisso uma funcionária de uma loja de eletro-eletrônicos em frente, que havia presenciado a ação do "pequeno" meliante, nos perguntou:

- Olha, meninos... aquelas balas, por acaso, são as que se vendem aqui na loja dos mágicos, que deixam a boca do incauto totalmente azul, tipo violenta gensiana?

Balançamos a cabeça afirmativamente.

- Então é melhor vocês correrem, pois quando este pivete encontrar os outros e eles começarem a rir deste por causa da boca azul...

- Corre, Wanderson...


Acho que nem ouvimos o final da história. Saímos em disparada, desesperados, subindo a Rua Rio de Janeiro até a Savassi, num fôlego só, correndo até as pernas não aguentarem mais. Juro que doía as costelas, mas doía mesmo... e eu correndo, olhando para trás, com medo dos pivetes terem seguido a gente.

Esporte olímpico: maratona e corrida 100, 200 e 300 metros sem e com barreira

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1:59 PM


Segunda-feira, Julho 19, 2004



Sábado, uma hora da madrugada.

Esta é a hora dos amantes, hora de estar curtindo o começo de um novo dia, ou quem sabe só ficar juntinhos, num lugar aconchegante, tomando um vinho, se esquentando nos braços do ser amado.

Sábado, uma hora da madrugada e Josefina já está debaixo do cobertor, já embalada para uma tranquila noite de sono...

Tranquila? Mais ou menos... seu namorado, Adalberto, não foi encontrá-la naquela noite. Disse que estava muito cansado do trabalho, que os últimos dias foram muito estafantes e prometeu encontrá-la no domingo. Ou seja, aquele mesmo blá blá blá que já estava acostumada a ouvir.

Todas as luzes da casa dos pais de Josefina já estavam apagadas. Silêncio quase que total, se não fosse por um pingar da torneira da cozinha e um barulho de passos pelo corredor!

Josefina tenta isolar o som, mas não consegue. Os ruído dos passos vão só aumentando, aumentando. Passos vagarosos fazendo ranger o piso de tábua corrida do corredor.

A porta se abre, quase que silenciosamente. Um facho de claridade que vem da janela mostra quem adentrou no quarto de Josefina: o sofá Clementino!

Clementino: Uai... cadê o Adalberto?
Josefina: Hoje ele não veio, Clementino. Estava muito cansado!
Clementino: Mas de novo? Este é o 3º sábado que você não encontra seu namorado (ou ele não te encontra, sei lá!)... e você não acha isso nem um tanto estranho?
Josefina: Claro que não, Clementino! Você é que fica fazendo mau juízo do meu namorado. Até parece que não conhece ele...
Clementino: Ah, conheço... e como conheço! Afinal de contas, já são mais de dez anos servindo de esteio para seu namoro, não é, Josefina?
Josefina: Pois então... ele está trabalhando muito para juntar dinheiro para finalmente a gente poder se casar...
Clementino: Sei...
Josefina: ...
Clementino: Porque você não liga para ele desejando uma boa noite de sono?
Josefina: Quê? Ligar para ele agora?
Clementino: É... porque não?
Josefina: Ora... ele já deve estar dormindo a esta hora. E se eu ligar, posso acordar os pais dele também, Clementino... Não, não vou ligar!
Clementino: Liga para o celular então?
Josefina: Será que eu ligo?
Clementino: Liga... não custa nada, custa?
Josefina: É... vou ligar.
Clementino: Isso...
Josefina: (cara triste) Está desligado. Coitadinho... aposto que desligou o celular para poder dormir sem interrupções...
Clementino: Ou está fora de área de serviço, não é?
Josefina: O que você quer dizer com isso?
Clementino: Que ele pode estar tomando umas cervejas com os amigos dele em algum bar ou alguma festa nesta cidade e desligou o telefone, só isso!
Josefina: Não... O Adalberto me falou que estava muito cansado e foi dormir! E eu confio na palavra dele.
Clementino: Tá bom, tá bom... deixa eu fingir que acredito nisso que você está falando!
Josefina: Vai embora, seu sofá enxerido... me deixa dormir. E toma cuidado para não fazer barulho e acordar meus pais, tá?
Clementino: Tá bom, tá bom... não está aqui quem falou!
Josefina: (pensando) Humpf... imagine só se Adalberto iria me deixar aqui em casa num pleno sábado e sair para gandaiar com os amigos dele? Nunca mesmo! Eu tenho que arrumar um jeito de convencer meu pai a desaparecer com este sofá...
Clementino: (pensando) Humpf... imagine só se Adalberto não iria deixar Josefina em casa num pleno sábado e sair para gandaiar com os amigos dele! É lógico que sim! Eu tenho que arrumar um jeito de convencer essa paspalhona a enxergar a verdade...

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1:27 PM


Quinta-feira, Julho 15, 2004

Dia da limpeza: hoje resolvi fazer uma limpa geral, tanto aqui como na minha vida!

Resolvi jogar muitos papéis fora, passar um pano úmido no fundo da gaveta, avaliar alguns conceitos, tirar o pó, limpar um pouco as lembranças, e até mesmo reavivá-las, porque não?

É sempre bom a gente passar por isso: ver o que serve e dispensar o resto... lembrando sempre que esse resto que se vai leva junto um pouco do passado.

Na linguagem moderna, estou desfragmentando, realocando coisas, salvando as boas, jogando na lixeira tudo que está só ocupando espaço, de bobeira.

Limpar a alma é bom.

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3:28 PM


Quarta-feira, Julho 14, 2004

Não há coisa mais gostosa do que uma boa comida mineira feita no fogão à lenha.

Falo isso de carteirinha: o negócio é bom demais. Não tem para strogonoff, para macarrão à bolonhesa, para filé à parmeggiana, para feijoada ou quiçá para aquele rodízio de pizza que você está acostumado de ir. Comida mineira é bom e pronto.

O angu bem consistente (neste último domingo fizemos lá em casa angu de milho verde no fogão à lenha: simplesmente divino!), aquele arroz soltinho temperado com muito alho (eu adoro quando se fritam pedaços de alho e, quando o arroz fica pronto, coloca-se o alho por cima), uma costela de porco novinha, daquelas que a gente pede para o açougueiro, amigo de décadas, separar para a gente (afinal, o cara sabe quando o produto é bom, de procedência), costela esta defumada e feita na panela de pedra ou um frango, daqueles que nasceram e foram criados na roça, soltos, comendo minhocas pelo chão - o autêntico frango caipira. E o que se falar do quiabo? Não há o que se falar.

Está faltando alguma coisa? Sim... o feijão! Suculento, grãos inteiros, vermelhos, a nadar naquela imensidão de caldos quentes e temperos que fazem a boca da gente salivar. E o torresmo: um pecado, um convite à gula. Torresmo sequinho (tem um pessoal que coloca bicarbonato de sódio quando se frita a iguaria para evitar que fique enxarcado. Eu nunca fiz) e uma talagada numa dose de cachaça da roça, bem curtida, daquelas que chegam no estômago da gente suave.

Bem... como estou sem o que dizer da comida mineira, hoje, expecionalmente, vou economizar minha "saliva digital" e postar, sem mais delongas, somente a foto desta delícia aqui, nesta humilde, porém gastronômica, empresa.



É ou não é a imagem de Minas?

Ai, que fome!

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6:09 PM


Terça-feira, Julho 13, 2004

Grandes invenções tem sempre como ponto de partida observações rotineiras do nosso cotidiano.

Pensando nisso, um pessoal lá das Europas da vida inventaram um artefato muito interessante para por fim, definitivamente, à sujeira (pelo menos, grande parte dela) nos mictórios masculinos: colocaram uma trave com uma pequena bolinha que muda de cor lá naquele tapetinho, naquele "trenzinho" que pára qualquer toco de cigarro - chamada bituca - ou outro objeto sólido que, por obra do descuido, possamos tentar enviar pela rede de esgoto (e que entope, logicamente, o sistema).

Nós, homens e amantes do bom futebol, não vamos querer nunca mais "mijar fora do penico", como diria minha saudosa avó! Acertando o alvo, a sujeira simplesmente não vai ter mais vez nos banheiros que possuírem este inteligente dispositivo.

Agora faça uma força e imagine como esta idéia começou. O idealizador, por exemplo, poderia ser dono de um bar ou, para piorar, um reles funcionário: ao fechar o estabelecimento, bem tarde da noite e depois de um jogo televisionado no recinto, sobrou para nosso Professor Pardal limpar o banheiro! E lá, naquele ambiente fétido, o pensamento que viria a revolucionar sua vida: "porque estes sacanas nunca acertam o alvo?" acompanhado por um "e se tivesse alguma coisa aqui para eles mirarem o mijo..." e bingo! Eureka!

O cara chega em casa, pega as traves do futebol de botão do filho mais novo - que, depois de saber do destino do item primordial do seu jogo, começou a chorar - e cola com Super-Bonder no tapetinho de mictório. A bolinha que muda de cor é invencionice posterior, meio que desnecessária... bastava uma bolinha pendurada num fio de nylon pregada no travessão e, para mim, estaria pronto!

Taí a matemática:

muita cerveja + um jogo televisionado num boteco = muitas idas ao banheiro!

muitas idas ao banheiro por causa de muitas cervejas + banheiros muito mais utilizados por torcedores já meio sem reflexos = banheiros muito mais sujos

torcedores bicudos querendo se aliviar das cervejas + tapete de mictório com trave e bola que muda de cor + torcedores querendo fazer o que os atacantes do seu time não estão conseguindo lá no estádio de futebol, ou seja, gols = mijos certeiros no mictório e consequentemente, banheiros mais limpos.


Que invenção revolucionária esta do tapete, não? Isso que é ganhar dinheiro fácil. E mijando...

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12:57 PM


Segunda-feira, Julho 12, 2004

Faz muito tempo que deixei de mandar e-mails para amigos e conhecidos!

E sabe a razão principal? Justamente porque não sei se estou enviando mensagens que o destinatário já recebeu anteriormente (mesmo conteúdo do e-mail) de outra pessoa!

E outra: será que estou enchendo a caixa de mensagem dele inutilmente? Será que estou sendo inoportuno? Será que a conexão deste conhecido é por telefone? Porque se for, para baixar e-mails é um pé-no-saco tremendo! Uma demora sem fim, dependendo do quê foi enviado.

Um dia caí na real: chegou uma vez que eu tinha mais de duzentos contatos, e sempre mandava (leia-se retransmitia) e-mails para todos. Uma bela noite, na faculdade de Sete Lagoas, um amigo meu me deu um toque sobre estas mensagens e a conversa que tivemos me fez pensar, me fez refletir sobre esta ação quase autônoma de comunicação: resolvi, então, puxar o freio de mão. O mais interessante e constatador índice de que estava sendo, por muitas vezes, chato, foi imaginar que muitas destas pessoas iriam reclamar sobre minha súbita ausência. Caí do cavalo! Somente alguns contatos perguntaram o porquê do meu sumiço.

Depois disto larguei mão de ficar enviando inúmeros e-mails diários! Faço sim, mas quando é uma coisa por assim dizer, notável, uma azaração legal, um "causo" inédito, mas mesmo assim para poucas, pouquíssimas pessoas.

Mas porquê estou escrevendo isso hoje? Porque senti a ausência de um amigo, um ilustre conhecido anônimo que, sabe-se Deus como, conseguiu meu endereço eletrônico e começou a me mandar vários, inúmeros e-mails contendo charges, piadas, vídeos de acidentes e muitas coisas engraçadas. Mas o cara me mandava muitos mesmo, por volta de uns 30 por dia. Sinceramente, acredito que ele nem trabalhava: vivia procurando o que mandar nos inúmeros sites que temos à disposição na internet. E quando chegava o final de semana, a quantidade quase triplicava. Houve uma segunda-feira que tomei até um susto: mais de cem mensagens eram dele. E quando eu voltei de férias? Fiquei um bom tempo esperando todas as mensagens (mais ou menos 70% eram dele) baixarem no Outlook. Como minha conexão aqui no serviço é banda larga, não houve muito problema... mas e se fosse via telefone? Mas eis o cara, sem mais nem menos, desapareceu! Desapareceu e nem respondeu à minha mensagem de "uai, cadê você?". Acho que foi demitido, só pode!

Minha caixa de entrada ficou mais aliviada... e vazia! Muito mais vazia...

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12:15 PM


Sexta-feira, Julho 09, 2004

Mês que eu agrado muito é o mês de julho.

Trânsito mais calmo, lojas não tão cheias, bancos não muito lotados, ônibus parecendo ser maior, uma cara de felicidade estampada na face de cada um dos inúmeros cidadãos que circulam à pé pela cidade.

A razão disto tudo que escrevi se resume em uma única e mágica palavra: férias! Não férias generalizadas, mas férias das pessoas que nos aporrinham nos demais meses do ano!

Sabe quem tira férias em julho? As chefias!

Sim... vamos colocar isso em pratos limpos: você estuda, é casado e tem filhos na idade escolar! Seu chefe também.

Você entra em férias da faculdade em julho, sua esposa também e o colégio onde seus filhos estão matriculados, finalmente, dão uma folga aos professores dos seus pestinhas: o mesmo acontece com seu chefe!

Adivinha quem vai para a praia?

Mas tudo tem um gosto de vingança: você pode tirar o mês de agosto de descanso e terá, consecutivamente, 2 meses de folga: o primeiro enquanto a chefia está ausente, e, quando voltar e você picar a mula, mais outro mês coçando o saco, longe dos olhares recriminatórios do seu superior hierárquico.

E a tranquilidade reina por onde não se encontra o chefe: tudo anda na maior harmonia, na maior paz espiritual, tudo muito zen!

É por isso e por outras coisas que adoro julho.

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8:19 AM


Quinta-feira, Julho 08, 2004

Engata a primeira que a gente empurra!

Domingo último fui ao centro de Nova Lima comprar algumas coisinhas no supermercado.

Era relativamente cedo, supermercado lotado, caixas já sem tanta paciência (trabalhar no domingo deve ser horrível), aquela fila tradicional e coisas mais. E tudo aquilo me fez pensar na vida.

Trabalho, dívidas (aí, PH... vou te pagar, viu?), estudos, vida social meio que estagnada, dinheiro, família, a grana e a falta dela, o churrasco que iria rolar em poucos minutos, a cerveja gelada que estava comprando e que tinha que chegar em casa rapidinho, pois o precioso líquido poderia esquentar, e mais e mais pensamentos.

Pensando e pagando as mercadorias. Pensando e levando as coisas para o carro. Pensando e dirigindo pelas tranquilas e pacatas ruas da cidade.

Peraí: eu disse tranquila?

Congestionamento numa cidade do interior! Uma filona de carros, alguns a buzinar, outros a xingar a mãe de alguém! Nunca vi isso aqui!

Quinze minutos numa fila indiana de carros, nervos à flor da pele, eu pensando na vida (mentira: naquela hora eu estava pensando na cerveja que estava esquentando!) e, de repente, nesta rua ligeiramente inclinada e que passava somente um automóvel, eis que vejo o causador daquela encrenca dominical matutina: um Chevette velho, todo comido de ferrugem (maresia brava, daquelas parecendo um vírus de uma doença contagiosa qualquer: se, por obra do Divino, este carro - eu disse carro? - viesse a encostar em outro, poderia ser até numa reles baliza, a maresia passaria de um automóvel para o outro), na cor branca (branca uma vírgula: sabe aquela cor de camisa branca que você, num descuido, deixou-a num armário, esquecida, há 10 anos? Esta era a cor do chevettinho!), o motor esguelando para subir a rua e serrando bastante (não é novidade nenhuma: todo mundo sabe que motor de Chevette serra!) e soltando aquela imensa e poluente nuvem de fumaça pelo escapamento (outra vírgula aí: a nuvem era composta por 99% de óleo queimado... um atentado à atmosfera), um senhor de idade ao volante, mais esposa e filhos e um cara empurrando o carro!

Esta foi a pior parte: além de estar ligado, o Chevette necessitava ainda do fator humano (não ao volante) para dar mais tração para subir uma rua de, digamos, 15º (uma mixaria danada).

Aquilo me doeu o coração: pensei no meu trabalho, nas dívidas, nos estudos, pensei em tudo e cheguei à conclusão que minha vida não está tão ruim assim: não tenho um Chevette velho, graças à Deus!

Mas mesmo assim balbuciei algumas palavras de ofensa, não ao homem, mas ao proprietário daquela sucata sobre rodas: minha cerveja estava esquentando, oras!

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2:23 PM


Quarta-feira, Julho 07, 2004

Como disse o velho ermitão, em suas poucas, porém sábias palavras: hoje tá ruim, amanhã não se sabe, pois o que alimenta a insaciável fome de nossas almas é a desgramada da esperança!

E vamos que vamos, à torto e à direito, seguindo esta estrada esburacada e cheia de obstáculos que é a nossa vida: e eita vida boa de viver, não é?

Tenho que falar uma coisa com vocês, bem rápido: nestes dias não estava ausente, não! Estava era sem ânimo de fazer nada! Pensei em colocar uma letra de música qualquer, tipo destas da nova sensação baiana, o tal do encaixa (quê? Não seria o enxota? Não... tem um nome específico, mas não estou lembrando) ou uma receita de bolo (quê? Receita de bolo?) ou quem sabe somente escrever "hoje não estou afim de escrever..." ou "ah... tô sem inspiração...", mas seria muito disparate da minha parte copiar descaradamente as invenções de outras pessoas! Decidi então, mediante este impasse, ficar calado, somente lendo as coisas, impassível (até certo ponto), um ser invisível rondando a blogosfera (aí, Fá... blogosfera é ótimo).

E voltei da minha viagem, da minha "egotrip" escatológica, onde aprofundei-me na pesquisa sobre a finalidade última de mim mesmo (me ajuda, Aurélio! Escatologia: tratados sobre os fins últimos do homem). Lógico que estou ainda pegando no tranco, passando uma marcha mais forte para subir o morro... mas, o que importa é que estou tentando chegar lá!

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1:53 PM


Sexta-feira, Julho 02, 2004

Minha história com esportes nunca foi das melhores.

Como quase todo mundo, desde cedo sempre fui encorajado pelos familiares a praticar esportes, como o preferido da maioria dos pais: o futebol.

Presentes? Bola de capotão, aquelas que ficavam imensamente pesadas quando molhadas, eram constantes presenças nos "dezembros" da vida. Isso fora bolas de plástico, que duravam menos que uma temporada em nossas mãos.

E as histórias? Claro... você quer saber das histórias, não é mesmo? Pois bem... eu hoje sou uma negação no meio futebolístico, mas houve dias em que eu dominava, se não por completo, a arte de entortar adversários numa quadra de futebol.

Momento integração leitor/autor do blog: uai... este cara não tinha quebrado o dedão do pé e entortado o joelho jogando bola num dia destes?

Não ria, ok? Mas lembro-me, como se fosse ontem, do primeiro dia de aula, na parte da manhã, na ótima Escola Estadual Barão do Rio Branco, localizada ali na Avenida Getúlio Vargas, 1059, hoje terminando uma necessária reforma. Bons tempos aqueles...

Eu estudava à tarde e, se não me falha agora a memória, quando se passava para a 3ª série, era obrigatória a transferência para o turno da manhã. E na parte da tarde a gente vivia jogando futebol na quadra do colégio.

Beleza... primeiro dia de aula, eu chego e vejo alguns garotos jogando bola na quadra. Lógico que já cheguei, joguei minha mochila num canto e perguntei em alto e bom tom:

- Aí... posso jogar com vocês?

A resposta foi positiva. Pensei com meus botões: que legal... primeiro dia de aula e já estou me enturmando com o pessoal do 4º período... ótimo progresso!

Daí que chutam a bola em minha direção. Peguei, dei uma embaixadinha (ah, eu me exibindo...) e fui surpreendido com uma voz:

- É ranca! É ranca!

Nota do editor: ranca é uma brincadeira de bola, geralmente jogados por meninos onde o que se vale é tocar a bola somente uma única vez, se possível em direção à outros colegas, tipo como num jogo de queimada. Mas na queimada, o jogador acertado pela bola é remetido à uma zona de exclusão, do lado oposto onde estava jogando. No ranca, se queimado a pessoa ou se ela, inadvertidamente, toca na bola mais que uma vez, o castigo, como dizia o Maçaranduba do Casseta & Planeta, era porrada.

E eu pensando que era um simples jogo de futebol. E eu pensando que se tratava de uma animada e divertida peladinha na quadra. Eu lá dando umas embaixadinhas na bola quando, de repente, fui soterrado por cocões, chutes e bicudos. Que brincadeira idiota - quando se apanha, é lógico! A única salvação era chegar ao gol, que era o paraíso, o céu daquela brincadeira que reunia o purgatório ao quadrado com o inferno à décima potência. E como apanhei naquele dia.

E aproveitando que estou viajando no passado, me lembrei também, se não me me falha novamente a memória (ando tendo problemas com ela), neste mesmo ano de 1981, de uma atividade esportiva que quase todos os meninos do colégio faziam: o judô. Os meninos faziam judô e as meninas faziam balé, isso depois da aula, no próprio colégio.

Eu tinha meus nove anos e sempre fui magrelo. Magrelo mesmo. Mas me dava relativamente bem nos combates, mais por méritos da minha incrível agilidade e estupenda flexibilidade de sair dos golpes dos outros garotos mais fortes do que eu.

E eis que um dia houve um torneio de judô entre alunos, tanto da rede particular quanto estadual e que praticavam o esporte, lá no Colégio Pitágoras do bairro Cidade Jardim. E lá fui eu, todo contente, levar minha ficha de inscrição para que minha mãe autorizasse minha participação. Mas tinha uma informação que era essencial: peso do participante. Minha mãezinha me olhou como se possuísse no globo ocular uma balança de precisão (daquelas que pesam até átomos) e lascou dois dígitos no papel.

No dia do torneio, estou lá, magrelo e franzino, no meio de outros garotos com 30, 40 por cento de massa muscular a mais do que eu. Ia ser um massacre, pensava a todo instante: vou ser é massacrado!

E eu tentando falar com minha mãe que ela tinha errado ao colocar meu peso na folhinha - maldita folhinha - e ela nem tchum! Corri para falar com o juiz do combate e ele parecia estar conivente com minha mãe: agora sim eu estava perdido.

E começou a primeira luta: eu tentando mandar um ippon-seoi-negue, um ashi-waza (quando se usa a perna ou o pé para desferir um golpe) junto com um koshi-waza (deslocar o adversário com o quadril) e me dei mal. O inimigo me jogou longe e me imobilizou. Bati a mão no tatame, solicitando o fim da luta, e perdi a batalha.

Ah! Não acabou não! Eu chegando perto da minha mãe e só dei uma olhada para ela, com aquele olhar tipo "viu que você fez? Tô apanhando demais e você aí, aplaudindo! Muito obrigado, viu?". O garoto que tinha me derrotado foi, por sua vez, derrotado por outro participante, o garoto gordão, meu próximo adversário.

E na luta final? Gente, o inimigo, o garoto gordão, simplesmente ignorou minhas insistências em levá-lo ao tatame. Quer dizer, ele que me projetou longe e me imobilizou com, se não me falha a memória pela terceira vez neste post, com a técnica do ossae-waza (imobilização) e com a do shime-waza (estrangulamento... é isso mesmo que você leu: es-tran-gu-la-men-to).E eu lá, fazendo batucada no tatame, um samba do crioulo doido com as mãos e o juiz fingindo de besta. Acho que o juiz não foi com a minha cara naquele dia.

Tá bom! Ganhei, pelo menos, uma medalha de 3º lugar depois de muito apanhar.

PS.: não conte para ninguém não, mas nesta faixa de peso que lutei, só haviam três lutadores de judô mirins: eu, o mais ou menos gordo e o gordão que ficou em primeiro lugar.

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3:59 PM

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