Domingo, Junho 27, 2004
... se encontraram então no parque da cidade, a Mônica de moto e o Eduardo de camelo...
Em cada região deste nosso imenso país têm-se palavras ou expressões tipicas.
Aqui em Minas Gerais temos o famoso "trem" e o danado do "uai", sendo este uma interjeição que exprime surpresa, espanto ou terror, bem mineiro por sinal; e aquele qualquer objeto ou coisa; um negócio, um treco ou um troço.
Eu, antes de ontem, assistindo televisão bem à noitinha, vi uma propaganda de um banco que me chamou a atenção: alguns garotos marcando de se encontrar tal hora em tal lugar; eles iriam de camelo.
18 anos achando que o Eduardo chegou ao encontro de ônibus: para mim, camelo era condução, transporte urbano, e nunca bicicleta.
Bicicleta é camelo! Tal qual foi minha surpresa quando, na propaganda, todos os garotos, com suas respectivas "magrelas" ou "bikes", estavam aguardando o outro atrasado garoto, este que, como eu, não sabia que teria que ir ao encontro montado numa bicicleta... e arrumou um mamífero ruminante, um autêntico Camelus dromedarius, com uma corcova, no zoológico!
E você? Tem alguma interjeição bem particular da sua região que queira compartilhar comigo? Sabe como é, né... para evitar que eu fique mais alguns anos achando que uma palavra significa aquilo, não é isso... ou vice-versa!
PS.: clica lá em cima na palavra "banco" ou neste banco mesmo e "procure clipes da nova campanha", ok?
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6:45 PM
Sexta-feira, Junho 25, 2004
Meus aplausos: clap! clap! clap!
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4:39 PM
Quinta-feira, Junho 24, 2004
Último e emocionante capítulo da saga de Julimar!
O que tem escrito naquela carta? Onde está o Pé de Couve? Essa Dona Ermengarda pirou de vez? Para onde Julimar vai fugiu, já que está no 30º andar de um edifício em construção?
- Dona Ermengarda! Que carta é essa?
- Eu sabia, estava na minha cara e eu não quis ver!
- Dona Ermengarda... eu não estou entendendo mais nada!
- Está tudo escrito aqui, Mestre de Obra, quer dizer, Julimar...
- Pela última vez...
- Lembra daquele dia da feijoada?
- Ô se lembro... minhas costas doem até hoje por conta da pia... - e meu ego nunca mais se recomporá - pensou.
- Aquele dia eu psicografei uma carta, Julimar... peguei um espírito da Pomba Gira... e a Pomba Gira era na realidade a sua mãe, Dona Polymar!
- Ah, está de brincadeira! Minha mãe, Pomba Gira?
- Sim, meu querido Julimar... sua mãe rodava no terreiro de macumba!
- Nããããoooooo...
- Siiiiiimmm Julimar... está tudo escrito aqui!
Julimar pega a carta e seu sangue gela ao reconhecer a caligrafia de Dona Polymar: até os erros crassos de português e a frase "excesso de zelo" escrita com quatro "esses" na primeira palavra e um bruta acento circunflexo na segunda - sua mãe nunca foi boa com ortografia!
Naquele trigésimo andar da construção, Julimar teve a exata noção do que fez com sua vida a partir do momento da morte de sua mãe, Dona Polymar. Não agüentou o tranco e começou a chorar como um menino que tomou Bezetacil na poupança! Dona Ermengarda, percebendo a fragilidade de seu amado, lhe ofereceu o ombro, prontamente aceito por nosso herói.
Nisso chega Jorge Pé de Couve. Sua mulher e seu futuro cunhado, se abraçando a tantos metros do solo era uma cena que nunca lhe passara pela cabeça: traição! Possesso, se lançou de encontro com o moço, exigindo uma explicação! Julimar, percebendo que iria apanhar muito, começou, de nervoso, a gaguejar: nenhuma palavra coesa saia de sua boca! Dona Ermengarda somente gritava "não mate ele, Jorge" repetidas vezes, que de tão alto, chamou a atenção de todos naquela obra.
Tião Olho de Tândera e seu supervisor, Seu Oswaldo, foram os primeiros a chegar. Julimar, gaguejando, corria na frente de Jorge Pé de Couve, que o amaldiçoava por tê-lo salvo naquela mesma construção e jurava à todos os santos que iria consertar aquele erro! Dona Ermengarda, já sem saber o que fazer para aplacar a ira de seu marido, pegou o celular e ligou para Anita: "se minha filha não conseguir acalmá-lo, nada mais o fará" - pensou ela.
Em três minutos, Anita chega à obra. Julimar, já com a língua para fora, corria em círculos pelos andaimes, tendo Pé de Couve em sua perseguição.
- Papai... porquê você quer matar Julimar, meu amado?
Os olhos de Pé de Couve estatelaram ao ver sua filha. Parou de correr atrás do moço e relatou o que vira a pouco. Anita, chorando, exigiu explicações à sua mãe. Dona Ermengarda se negou a dizer uma só palavra, o que inflamou ainda mais o ódio que todos estavam sentindo pelo servente de pedreiro.
Se sentindo acuado, Julimar se esforçava a dizer toda a verdade, mas, de tão nervoso, não conseguia.
Quando andou em direção à Anita para lhe explicar todo o caso, pisou no cadarço e caiu do andaime.
Morreu Julimar.
Seu Oswaldo foi demitido da construtora porque recebeu uma denúncia anônima por maus tratos aos profissionais que trabalhavam com ele.
Dona Ermengarda, louca, foi internada num hospício. O trauma de ver Julimar morto foi enorme... e afetou irreversivelmente seu cérebro.
Anita se casou com Tião Olho de Tândera e tem dois lindos filhos. Mesmo apaixonada por Julimar, descobriu no seu melhor amigo um companheiro fiel e dedicado... além de ter uma mancha parecida com o Pato Donald na virilha.
Seu Jorge Pé de Couve se aposentou e hoje toma conta de um bar intinerante. Onde há uma obra, ele está lá, vendendo cafezinho, pão de queijo e cigarros picados.
Dona Ondina vai bem. Para conseguir viver o resto de sua vida em paz com sua consciência, enterrou Julimar com todos os pertences, como seu radinho de pilha, seu lap-top e outros objetos sem valor... inclusive uma carta, toda manchada de sangue...
E acabou a história!
Quê? Está faltando alguém? Os irmãos de Julimar? Ah, sim... Sulimar, a bioquímica, hoje mora na França. Dirige um conglomerado farmacêutico e ganha horrores de salário, graças à sua enorme ambição e também pela grandiosa pesquisa nas selvas da floresta amazônica. Claudiomar, com ajuda de seus pares, é cotadíssimo candidato à Senador da República. Os negócios de Lindomar, banqueiro conceituadíssimo, expandiu tanto que abriu uma filial nas Ilhas Caimãs, conhecidíssimo paraíso fiscal. Os três não foram punidos por nenhum de seus atos ilícitos ou moralmente ilícitos e viveram ricos, felizes e impunes para sempre... porque alguma coisa nesta história tinha que ser real!
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9:28 AM
Terça-feira, Junho 22, 2004
Penúltimo e emocionante capítulo.
Julimar e Anita estão se entendendo. Fizeram um joguinho para saber do quê gostavam na realidade, pois agora não poderia mais haver nenhuma mentira entre eles:
- Sim, Anita... eu sou rico!
- Julimar... eu sabia, no fundo, eu sempre soube que você não era um destes serventes de pedreiro?
- Como soube? Por causa da minha fala correta?
- Não... porque você não tem a unha do dedinho da mão enorme, para tirar cêra do ouvido!
- Ahhhh! E eu pensando que sabia de tudo de servente de pedreiro! A vida nos prega peças...
- Mas então, Ju, você é servente por conta da promessa que fez à sua mãe!
- Sim... mas quero me formar e ser um servente de pedreiro engenheiro civil.
- Vou ficar tão orgulhosa de você! E como você nos vê no futuro, Julimar?
- Eu vejo nós dois casados, curtindo um jazz bem tocado na nossa casinha de madeira, bem rústica e humilde... alguns cães labradores soltos no quintal, uma hortinha nos fundos da nossa casa, cerca branca, árvores e muito verde. Sonho com noites perto da lareira, um vinho do Porto e assando pedaços de queijo. Vejo muitos livros e revistas para a gente ler nas noites frias, vejo...
- Credo, Julimar! Eu vejo nós dois num baile funk, dançando o melô da popozuda bem no meio da pista. E é bom você ficar sabendo de uma coisa: eu de-tes-to ficar em casa. Quero morar é num apartamento! Melhor seria num duplex no melhor bairro da cidade. Cachorros? Nem pensar... detesto cachorro, gato, passarinho... não gosto de bicho nenhum!
- Anita...
- Julimar...
- Você cospe na rua?
Dizem que o amor é cego! Cego e inconseqüente!
Julimar, num dos seus raros momentos de descanso na obra, continua ligado na internet: por ironia do destino, estava levando um papo bem saudável com a Garotinha de Niterói, que anteriormente, o chamou de babaca.
Mestre de Obra: Olha, Juliana... eu tenho que te confessar uma coisa: esta é a última vez que teclamos pois pretendo me casar em alguns dias
Garotinha de Niterói: Não... diga que está mentindo! Eu gosto tanto de você... e ainda não nos conhecemos pessoalmente...
Mestre de Obra: Mas não podemos ficar neste romance internético! É o fim!
Garotinha de Niterói: Não... me diga onde você está que irei te encontrar, meu amor!
Mestre de Obra: Vem me encontrar? Que nada, Juliana... duvido que virá aqui!
Garotinha de Niterói: Irei, Juliano! Me passe seu endereço!
Mestre de Obra: Ok! Te passo meu endereço, mas lembre-se: eu não quero nada contigo, pois sou louco com minha namorada e pretendo me casar com ela. Anota aí: Rua Trombose Intraversicular nº 31.427 - canteiro de obra da construtora BMNCE - Balança Mas Não Cai Empreendimentos.
Garotinha de Niterói: Não acredito! 31.427 é o número?
Mestre de Obra: Sim.
Garotinha de Niterói: Onde você está neste momento?
Mestre de Obra: Estou no 30º andar da construção.
Garotinha de Niterói: Espere aí.
Julimar esperou, esperou e, para sua surpresa, logo atrás dele, surge a sua sogra a Dona Ermengarda!
- Julimar? O que você está fazendo?
Julimar ficou pálido. Descobriram que ele tem um lap-top e que fica, na hora do almoço, papeando na internet.
- Dona Ermengarda... eu posso explicar!
- Pode sim. O que você está fazendo?
- Estava conversando com uma amiga minha de Niterói!
- Niterói? Amiga?
- Sim... no meu lap-top de última geração.
- Eu não acredito, Julimar... você que é o Mestre de Obra?
- ...
- Foi por você que me apaixonei?
A casa caiu! Dona Ermengarda, mãe de sua namorada, Anita, era, na calada, na surdina, na arte ninja, a amiga de Niterói. Julimar pensava que agora sim estava perdido.
- Estou esperando uma explicação, Julimar! Então você além de rico, de ter lap-top e está cumprindo uma promessa que fez à sua mãe no leito de morte, ainda fica se enrabichando por outras mocinhas inocentes como eu na rede? E você estava debaixo do meu nariz e não percebi!
- Dona Ermengarda ... a senhora que é a Garota de Niterói?
- Sim, Julimar, sou eu! Eu sou de Niterói! E você é culpado, é responsável por despedaçar meu coração!
- Eu?
- Sim... você! Bem que a Pomba Gira me alertou! Bem que a Pomba Gira me alertou! Olhe aqui a carta, Julimar... veja com seus próprios olhos, Julimar!!!
Janete Clair, Benedito Ruy Barbosa, Silvio de Abreu, Gilberto Braga e Cia Ltda... isso que é história!!! Princípio meio e fim emocionante!! Voltando à vaca fria, você se lembra da Dona Ermengarda que pegou o espírito da Pompa Gira na feijoada da casa do Pé de Couve? Pois é... o que terá escrito a Pomba Gira? Mistério!! E agora a preocupação imediata de Julimar é se Pé de Couve visse a sua esposa chorando por ele em plena obra. Nosso herói se encontra realmente num beco sem saída. O que fará? É o nosso último capítulo e você escolhe o final: QUAL VAI SER O DESTINO DE JULIMAR? O QUE TEM NA CARTA? Lembre-se que é o É O ÚLTIMO CAPÍTULO.. E VOCÊ ESCOLHE O FINAL.
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5:40 PM
Este é o antepenúltimo capítulo da saga de Julimar!
Vimos ontem que Julimar encontrou sua alma gêmea.
Julimar fez a prova.... estava fácil, relativamente fácil. Como era bastante estudioso, não achou muito complicado as questões de matemática, inglês, português e etc... o que pegou mesmo foi os braços doloridos, resultado do esforço do dia anterior. Responder as questões estava sendo um árduo exercício físico, não mental.
Já aguardava seu nome na lista de chamada. Pensava em Anita o tempo todo... e de quebra do pai salvador que ela tinha: Seu Jorge Pé de Couve. Imaginava ele casado com a menina mais linda que já viu e tendo um sogro tão... gente boa!
Chegando em casa, percebeu a porta do barraco aberta. Entrou ressabiado e viu, sentado no sofá da pequena sala, seus três irmãos.
- Julimar... que cheiro horrível
- É meu desodorante, Lindomar... eu não uso Hugo Boss como vocês! Eu sou servente de pedreiro, esqueceu?
- Lógico que não, irmãozinho querido - dizia Sulimar, que, depois de arrumar aquela confusão com Seu Oswaldo, desapareceu do mapa. Queremos saber de você, seu bobo!
- É, Julimar... queremos que você esqueça esta sua promessa idiota que fez à mamãe no leito de morte! Falava o irmão deputado, Claudiomar, demonstrando estar muito desconfortável naquele cubículo que era a casa de Julimar.
- Jamais, irmão! Eu sou um Promessa Cumprida, assim como vocês! E, que eu saiba, vocês também cumpriram a promessa!
- Sim, Julimar... mas sua vida é tão árdua, meu irmãozinho - dizia Sulimar, com uma voz suave - você é tão inteligente, não precisa ficar nesta de servente!
- Queremos você trabalhando comigo, no Banco Promessa!
- Não... trabalhe comigo, representando meus produtos bioquímicos no exterior, Julimar...
- Eu quero que você seja meu assessor, irmão... vamos ganhar muita grana, digo, votos!
- Não - gritou Julimar! Eu tenho uma dívida para com nossa mãe, e não irei sujar meu nome nem a honra de nossa família!
- Honra? - os três falaram simultaneamente!
- Sim... honra!
Discutiram, bateram boca mas não convenceram Julimar.
O tempo passou novamente, Julimar foi aprovado no vestibular da Federal e agora já está estudando. Estudava à noite e trabalhava durante o dia. Era pesado o fardo, mas não desistia... pela sua promessa e também por Anita, a quem estava perdidamente apaixonado.
Trabalhava ainda com Jorge Pé de Couve e Tião Olho de Tândera. O pedreiro já o via como um cara legal... meio mala sem alça, mas legal. É que percebera também o interesse de sua filha para com o jovem mancebo.
Um belo dia, Seu Jorge convidou Julimar para uma feijoada em sua casa. Tomaram bastante cerveja e diversas cachaças (Julimar já era bem habituado ao golo e não passou vergonha!), mas o anfitrião não!
Jorge queria ver as reais intenções de Julimar para com sua filha, a bela Anita e tentava a todo custo embriagar seu companheiro de serviço. Chamou-o no canto da sala e começaram a conversar sobre a vida, sobre o futuro e coisas mais.
Julimar ficou desesperado. O que falar para o Pé de Couve? Falaria a verdade ao homem que o salvou, mesmo correndo o risco de ter sua mentira espalhada e sabida por todos da obra ou diria a verdade, que tinha grana, herança e tudo mais? Deu-lhe uma tremenda dor de barriga.
- Seu Jorge... o senhor me dá licença de ir ao banheiro?
- Claro, Julimar... fique à vontade. Enquanto você vai lá, eu busco mais uma gelada para a gente!
Julimar chegou ao banheiro social. Estava ocupado. A barriga remoía. Seu intestino parecia querer explodir. A feijoada fez efeito mais rápido que pensava. Não havia mais tempo... Julimar vê uma porta aberta: era do quarto de casal de Jorge Pé de Couve e sua esposa, Dona Ermengarda. Sem titubear, entrou e foi direto ao banheiro suite.
Lá judiou à torto e à direito da Cellite. Congelou quando procurou o papel higiênico: não havia o maldito papel higiênico naquele banheiro ainda em construção. Nada, nem uma folhinha, nem de jornal, nem de caderno, simplesmente não havia como se limpar. Nem tubulação do chuveiro havia naquele recinto.
Viu a pia recém colocada, ainda com algumas escoras. Naquela ânsia de se limpar, se desequilibrou, forçando a pia para baixo: infelizmente, o reboco ainda não havia se firmado. A pia caiu por cima de Julimar, arrebentando o encanamento e molhando-o todo.
O grande barulho fez com que Seu Jorge, Anita e todo mundo corresse para o quarto de casal a fim de ver o que havia acontecido. Pé de Couve, chamando por Julimar e só obtendo "ais" como resposta, tacou o pé na porta, que se arreganhou, mostrando à todos a dantesca cena: Julimar, todo molhado e com a bunda suja olhando para o teto, a pia de mármore por sobre ele e aquela bagunça generalizada.
Anita, naquela hora, soube com toda certeza, que aquele era o homem que iria se casar: tinha uma mancha na nádega, igual a que a cigana Sandra Rosa Malalena lhe falara: "um homem com uma mancha em forma de Mickey Mouse na buzanfa será o seu verdadeiro e único amor!"
Tomou um banho e usou algumas roupas do futuro sogro e voltou para a festa. Seu Jorge, já meio mamado de tanta cachaça, começou a revirar os olhos e rodar no quintal: estava pegando o espírito de um pai de santo!
- Muunnfff, misinfio! Preto véio tá aqui!
Correria geral. Todo mundo assustado! O caso de Julimar no banheiro caiu no esquecimento! Nisso o Preto Véio encarnado no Pé de Couve dá um pulo e agarra Julimar pela mão e começa a relatar toda a sofrida vida do rapaz, desde que perdeu sua preciosa mãe, Dona Polymar.
- Voismecê é um moço de posses! Tem irmãos ricos e uma gorda herança deixada por sua avó! Seus irmãos tão te passando para trás, misinfio... e voismecê tá pastando igual boi no campo!
- Seu Jorge... pára com isso, está assustando todo mundo, inclusive sua filha!
- A fia deste caboclo que tô no corpo dele tá enrabichada por voismecê e Preto Véio sabe!
- Sério mesmo? Agora já estou gostando do rumo da conversa...
- Sério... e agora sabe que voismecê é rico, tem fazendas, gado, muita inteligência e uns irmãos que num valem um pingo de areia!
O corpo de Seu Jorge, já se habituando como Preto Véio, começou então a dar passes nas visitas. A esposa do Seu Jorge, Dona Ermengarda, segurou seu braço e, por ironia do destino, baixou a Pomba Gira nela! Pediu um papel e uma caneta, um copo de cachaça e um cigarro! Começou a escrever uma carta...
Festança geral na feijoada do Seu Jorge Pé de Couve!
Julimar se aproveitou da confusão, puxou Anita pelo braço e levou sua amada para fora da festa.
- Julimar, meu amor... você está fugindo de medo dos espíritos?
- Sim, querida... vai que o espírito do Clovis Bornay baixa em mim?
- Uai... ele já morreu?
Mais aguardado do que o final da novela Celebridade (quem matou Lineu?), está chegando ao fim a saga do nosso herói, Julimar... não ouse perder!
Créditos: tirei a idéia, no ótimo Macho Solteiro Também Sofre, post do dia 16-jun-2004, da parte da dor de barriga. Aproveitei que o Julimar estava numa feijoada (caiu certinho!) e...
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5:36 PM
Depois de ser salvo por Jorge Pé de Couve e confundi-lo com sua mãe, Julimar fica eternamente agradecido a ele.
Antes tivesse deixando este bosta se estrupiar lá em baixo - pensava Jorge Pé de Couve. Julimar, como um menino que acabou de ganhar um brinquedo no Natal, ficava rodeando o pedreiro que já aparentava impaciência.
Quando soou o apito do fim do expediente, o cansado Julimar, mesmo sabendo que tinha uma prova de vestibular no dia seguinte, resolveu levar o seu salvador até em casa. Jorge Pé de Couve morava a poucos quarteirões do serviço.
Julimar andava ao lado de Jorge conversando fiado: falava de música, falava de marcas de automóvel, falava de futebol, falava de tudo. Tentava, à todo custo, puxar conversa com Pé de Couve. E ele nada.
Chegaram. Era uma casa muito bonita, simples, mas bonita. A porta se abre e de dentro da casa sai uma morena linda. Julimar, de boca aperta, via a bela moça se aproximar dos dois:
- Boa tarde, papai!
- Boa tarde, minha flor do campo!
Julimar parecia não acreditar que tamanha beleza se condensou numa forma humana: a filha do Pé de Couve era linda de morrer...
- Quem é o moço, papai?
- É um babaca que trabalha comigo!
- Prazer, senhorita... meu nome é Julimar
- Muito prazer, Julimar... meu nome é Anita!
Jorge Pé de Couve reparou nos olhares dos dois jovens e mandou Julimar caçar seu rumo.
Anita, Anita... era só o que Julimar pensava. Lembrou também daquela mini-série que passou na Globo, "A Presença de Anita"! Chegou no seu barraco pensando em Anita, mesmo cansadíssimo pensava em Anita, foi tomar um banho pensando em Anita e amaldiçoou tamanha dor nos braços.
Próximo capítulo: dia de vestibular.
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5:31 PM
No último capítulo, vimos que Sulimar, a irmã de nosso herói, deu em cima do supervisor da obra em que trabalha Julimar. Depois de um desastrado encontro amoroso, Seu Oswaldo começa a pegar no pé do seu funcionário para se vingar de Sulimar.
Julimar sente que seu emprego está seriamente comprometido. Na sua mente, a única coisa que pensava era se o segredo, tão bem guardado por anos, fora finalmente descoberto pelo seu carrasco, o supervisor Oswaldo.
Os serviços estavam cada vez mais pesados e geralmente sobravam os mais cabulosos para ele e para Tião Olho de Tândera. "Ele só pode ter descoberto meu segredo e está fazendo estas sacanagens para eu peça demissão!" - pensava ele. Exausto, Julimar não mais rendia bem nos estudos e perigava não passar no vestibular, que viria a acontecer, coincidentemente, em um pouco mais de 30 horas.
- Julimar... suba lá no 20º andar para ajudar subir massa de concreto para o Jorge Pé de Couve!
Jorge Pé de Couve era conhecido por sua braveza e pelo modo rude que tratava os serventes de pedreiro. Não gostava muito de conversa, passava dias sem trocar uma palavra com seus companheiros. Julimar morria de medo dele...
Neste dia, a máquina que levava concreto da rua para o alto da edificação pivou. Como a betoneira já estava à postos, o único meio de não perder a massa era puxar o concreto na carretilha. Julimar, desesperado, já se imaginava como iria fazer as provas do vestibular no outro dia, pois, com toda certeza, não haveria de ter força no braço nem para segurar uma caneta descartável. Julimar começou, pela primeira vez na vida, a duvidar de si mesmo quanto ao futuro... será que teria capacidade de se passar neste tão sofrido exame depois de puxar, sozinho, inúmeros quilos de cimento por vinte andares e ainda numa carretilha?
Depois de puxar 782 latas, do nível da rua até o 20º andar, Julimar, quase não sentindo mais o corpo de tanto cansaço, começou a ter uma vertigem. "Deve ter sido o ovo da marmita" - pensava ele. Sem se dar conta do perigo, ele começa a pender para frente e ameaçou cair lá de cima. Acordou quase no meio daquele que poderia vir a ser o seu derradeiro fim.
Perdeu o equilíbrio e se segurou como podia. Gritou por socorro, já dependurado na corda de fio de bacalhau. Nisso olhou para cima e viu a figura de sua falecida mãe, Dona Polymar.
Ela estendeu sua mão e Julimar, com um sorriso estampado no rosto, prontamente a agarrou. Sua mãe o puxou num átimo, numa rapidez, que o moço se surpreendeu:
- Nossa... mamãe está forte!
Ele abraça fortemente sua mãe e começa a chorar, dizendo que sentia muita saudades dela. Nisso sente um cheiro forte de suor e percebe que sua mãe não era musculosa.
- Alem de forte, muito suada!
Quem o havia salvo daquele acidente era o Jorge Pé de Couve.
- Se-se-seu Jo-jo-jorge? Me-me-me des-des-culpa aí, cara!
Jorge só olhou, com o canto dos olhos, o rapaz e voltou a trabalhar.
Julimar não sabia o que falar... mas sabia que devia sua vida ao companheiro. Nascia aí uma amizade muito forte entre eles que perdurará por toda a vida.
No próximo capítulo da saga, Julimar vai se enrabichar sabe com quem? Você não vai acreditar...
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5:26 PM
No último capítulo, vimos Julimar curtindo uma animada conversa na internet.
Sulimar se encontrou com seu irmão, Julimar, perto da obra em que trabalha. Ela estava bastante apreensiva com a magreza do rapaz. Aconselhou-o a largar mão da promessa, que aquilo não era vida de um rapaz tão inteligente e esforçado.
Mal sabia Julimar que a verdadeira intenção de Sulimar era dar em cima do supervisor da obra, o Seu Oswaldo. Os dois já haviam trocado olhares na igreja em que freqüentam, e Sulimar, que de boba não tem nada, resolveu partir para o ataque.
Os dois pretensos amantes conversaram poucas palavras. Estava na cara o que iria rolar. Seu Oswaldo olhou para Julimar e o mandou peneirar um caminhão de areia junto com Tião Olho de Tândera.
- Pôxa vida, Seu Oswaldo... depois do almoço, peneirar um caminhão de areia é sacanagem
- É, Seu Oswaldo - falou também Julimar - deixa para amanhã de manhã, quando a gente chegar mais bem disposto...
- É para agora, seus dois preguiçosos...
O quarto onde se guarda os sacos de cimentos ficou pequeno diante da imensa vontade dos dois pombinhos. Sulimar, a irmã mais velha de Julimar, e Seu Oswaldo, fiel seguidor da Igreja Jesus é o Canal, começaram a se pegar naquele aposento cheio de pó. O supervisor mandou seu funcionário peneirar a areia para poder ficar à sós e mais à vontade com a irmã do jacu da roça.
- Ai, Seu Oswaldo... não sabia que o senhor era tão sem vergonha!
- Para você, minha deusa, eu sou tudo que você quiser...
Mas o pior ainda estava por vir: Seu Oswaldo não conseguiu consumar o fato, pois sofria de impotência. A irmã mais velha da Dona Polymar começou a rir da cena (rir é pouco: gargalhava) e, juntando suas roupas, ameaçou contar à Julimar e Tião Olho de Tândera que ele, o supervisor, era broxa!
O supervisor deu uma olhada na cara da irmã de Julimar e apontou, no canto esquerdo do quartinho, uma câmera de vídeo: ele então ameaçou a mostrar aos fiéis da igreja e ao seu marido que ela não era o que aparentava. Sulimar engoliu em seco. Partiu sem olhar para trás.
O supervisor Oswaldo, ainda possesso, chegou perto dos dois rapazes e disse:
- E aí... já acabaram?
- É a última pá, seu Oswaldo...
- Ótimo... depois quero que vocês dois peneirem novamente esta areia.
- O QUÊÊÊ? - exclamaram, em conjunto, os dois amigos! Mas de novo?? Porquê??
- Porque eu estou mandando...
A vida de Julimar nunca mais fora a mesma na obra.
Não perca por nada neste mundo nosso próximo capítulo: "escravos modernos". Se Julimar achou que estava ruim, coitado... não sabe o que ainda o está esperando...
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5:21 PM
Na hora do almoço, Julimar corria para o último andar da construção, ligava o lap-top e começava a conversar com o mundo pela internet. Adorava o messenger:
Mestre de obra: Olá... alguém quer teclar?
Garotinha de Niterói: Oi... qual seu nome?
Mestre de obra: Meu nome é Ju... liano. E o seu?
Garotinha de Niterói: Juliana. Que coincidência, não?
Mestre de obra: É mesmo... e você, o que está fazendo?
Garotinha de Niterói: Ah... estou aqui em Nova York, acompanhando meu pai numa viagem de negócios. Está nevando muito lá fora e não tem jeito de ir ao Mac Donald´s. Que saco, né? Eu aqui na cidade mais importante do mundo e não dá para ir comer um mac burger? Vê se pode! E meus pés estão congelados... e você, fale de você! Quantos anos tem e o que faz na vida?
Mestre de obra: Eu tenho 25 anos e sou servente de pedreiro.
Garotinha de Niterói: ... servente de pedreiro? O que um servente de pedreiro está fazendo na internet?
Mestre de obra: O que é que tem? Eu estou na minha hora do almoço e graças à Deus não sou um excluído da internet.
Garotinha de Niterói: E aí na sua empresa eles deixam os funcionários usarem o computador do escritório?
Mestre de obra: Não... eles não deixam...
Garotinha de Niterói: Então como você está na internet agora? Está usando escondido o computador do patrão, né?
Mestre de obra: Não... estou usando meu lap-top Ultron XP-6900 Wave da Intercomunication Network
Garotinha de Niterói: Um Ultron XP-6900? Você está de gozação... é o lap-top mais moderno que existe!
Mestre de obra: É sim... é o mais moderno.
Garotinha de Niterói: E você é servente de pedreiro, está na hora do almoço, conversando comigo pelo messenger num XP-6900?
Mestre de obra: Sim...
Garotinha de Niterói: Vem cá... quanto você ganha trabalhando de servente de pedreiro?
Mestre de obra: Ganho um pouco mais que um salário mínimo. Mas dá para ganhar uma graninha extra batendo laje nos finais de semana...
Garotinha de Niterói: Você está de gozação comigo, né?
Mestre de obra: Juro que não...
Garotinha de Niterói: Está bom... eu confesso que esta foi a mentira mais deslavada do mundo. Nem a minha, que te falei a pouco, chega aos pés desta sua... um servente de pedreiro!
Mestre de obra: Juliana... minha falecida mãe me ensinou a não mentir, sabe!
Garotinha de Niterói: Sei... a minha também!
Mestre de obra: Olha... vou ficar só um pouquinho sem teclar contigo, ok? Porque senão minha marmita vai esfriar!
Garotinha de Niterói: Sei... e o que tem para hoje? Faisão? Caviar?
Mestre de obra: Muito melhor do que isso! Hoje tem ovo com arroz e farinha de mandioca. Uma delícia...
Garotinha de Niterói: Você está me achando com cara de trouxa, né?
Mestre de obra: ... que foi? Algum problema?
Garotinha de Niterói sai da sala.
No próximo bloco, Julimar... mais Julimar e suas confusões... mas desta vez, quem vai aprontar com ele é um dos seus irmãos... aguarde!
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5:15 PM
Capítulo bônus!
Vinte e cinco anos tem Julimar. A promessa de ser servente ele fez à sua mãe com dez anos. Seus irmãos, com diferença de idade de justamente um ano cada, sempre ganharam de presente das irmãs da falecida mãe brinquedos que relacionassem à profissão escolhida pela Dona Polymar. Sendo assim, Sulimar, Claudiomar e Lindomar ganhavam, respectivamente, aquele kit de produtos químicos não alérgicos, microfone tipo karaokê e banco imobiliário. Julimar ganhava aquele baldinho de plástico com uma pázinha e uma peneirinha e era responsável por limpar sempre o terreiro da casa, inclusive os dejetos fecais dos cachorros da tia Ondina.
- É para ele se acostumar - dizia Ondina da Promessa Cumprida, tia coroca e ranzinza, solteirona, que prometeu a alguém da família que iria morrer virgem. E nesta família doida, promessa é dívida!
Julimar sempre estava à procura de se sobressair na profissão de servente. Desde cedo observava os modos deles e como trabalhavam. Às vezes, passava horas e horas em frente as obras fingindo soltar papagaio, somente observando com seus olhos atentos a movimentação dos peões. Hoje, depois de tanto estudar a classe, virou um expert no assunto. Sabia tudo de servente de pedreiro: como fazer massa, como peneirar, como levar 10 tijolos somente nos dedos, como se perfumar para pegar um ônibus lotado e como jogar bilhar à valer tomando pinga de R$ 0,25 a dose. Ah... sabia também como ninguém assoar o nariz na rua e escarrar pela janela da condução - mas isso até quem não é servente faz.
Mas saber é uma coisa. Gostar é outra. Para que sua promessa tenha efeito, ele é obrigado moralmente a fazer tudo que os outros serventes de pedreiro fazem.
Por exemplo: pagode. Julimar detesta pagode. Preferia jazz e blues. Adora Ella Fitzgerald, Buddy Guy, John Lee Hooker e B. B. King, que são seus ídolos. Tem estes e muitos outros cd's escondidos no seu barracão. À vista, os Travessos, É o Tchan! e o Belo do antigo Soweto, aquele mesmo que foi preso. Outra coisa que detestava era a conversa fiada, sem nexo, que sempre rolava entre eles durante o expediente: futebol era a mais odiada. Não torcia para time nenhum, mas, à vista dos companheiros, era Americano. Dizia ele que " torcer para time fuleiro, torço para o América Mineiro... ou para o Botafogo do Rio de Janeiro".
No próximo capítulo iremos acompanhar Julimar num dos seus raros momento de distração... com a internet.
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7:58 AM
No último capítulo, vimos como estão os filhos da falecida Dona Polymar. Cada qual tomou seu rumo, ralando e honrando a promessa feita à matriarca da família.
Cinco e meia da manhã. Julimar acorda no seu barraco e faz um café bem forte. Não havia necessidade de tomar banho, pois o fez à poucas horas, mais precisamente à meia noite e meia, hora que chegou, morto de fome e de sono, do cursinho pré-vestibular. Pegou seu desodorante Vaness, tacou um bocado caprichado debaixo do braço que escorreu até chegar à calça jeans surrada que vestia, colocou uma camisa estampada verde limão fosforescente, abriu a geladeira e pegou sua marmita.
- Opa... está bem pesada!
O ônibus passa exatamente às cinco e quarenta e cinco. Julimar corre, já atrasado. O ponto estava lotado.
- Fala aí, mano Julimar...
- Olá, Sebastião...
- Que cara de sono, meu velho... estava no pagode ontem?
- É... estava num pagodão lá no outro lado da cidade. Um dia te levo lá, falou?
- Pôxa... você vive me dando pernada, Julimar... tem uma cara que estou te pedindo para me levar lá!!
Julimar se sentia envergonhado por mentir assim para seu melhor amigo e companheiro de trabalho, Tião Olho de Tândera. Mas ninguém no serviço pode saber que ele está fazendo pré-vestibular e que tem irmãos ricos pois correria o risco de ser demitido, correria o risco de sofrer preconceito por parte dos amigos e da chefia. Julimar sempre dava um jeito de se safar...
Tião tem o apelido de Olho de Tândera por causa da cobiça eterna. Não a cobiça financeira, mas a cobiça pela marmita dos companheiros. Sempre pedia um teco de um, um teco de outro... até, praticamente, encher outra marmita e comer bastante.
Depois de muito andar naquele ônibus lotado, chegaram finalmente à obra. Já no vestiário, o rapazes se aprontam para mais uma jornada de trabalho, mas nunca se esquecendo, além dos itens de segurança, de colocar o rango na velha geladeira Brastemp vermelha que, de tão velha, começava a se auto-desligar ao seu bel prazer.
- Marmita pesada esta sua, hein, Julimar?
- É... parece que hoje é ovo cozido com macarrão!
Chega o supervisor da obra e o papo é encerrado bruscamente, para alegria de Julimar. Tião Olho de Tândera poderia pedir para que ele abrisse a mochila à caça de uma sobremesa qualquer, tipo um doce de marmelada com queijo, e aí sim o segredo de nosso herói estaria perdido. Lá, junto da marmita, estava um lap-top última geração e uns livros de Física e Química. Como ele iria explicar estes itens na sua mochila Company? Todo seu segredo iria para as cucúias...
Oswaldo, o supervisor, diz aos dois amigos e aos outros serventes que terão um dia longo pela frente. Chegará, somente neste dia, um caminhão de cimento e outros dois de areia lavada e brita. E enquanto não chega o carregamento, eles tem que levar muitos, mas muitos tijolos para o 15º andar, pois o elevador de carga estava estragado.
Hoje vai ter capítulo bônus... e iremos saber mais da pessoa de Julimar... não saia daí!
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7:49 AM
Segunda-feira, Junho 21, 2004
Morreu Dona Polymar... mas não antes de fazer seus filhos jurarem, no seu leito de morte, que iriam seguir a carreira profissional que ela mesma escolheu para seus pimpolhos. Julimar, o mais novo dos quatro irmãos, será servente de pedreiro...
Passou o tempo.
Sulimar, a irmã mais velha, atendendo ao último pedido de sua mãe, se tornou bioquímica, com ênfase em elementos roubados da fauna amazônica. "Na Amazônia, minha filha, tem tanta coisa para ser descoberta" - dizia a velha Dona Polymar. Naquele leito de morte, jurou também que seria a última vez que juraria e cumpriria uma promessa em toda a sua vida. Não comentava com ninguém esta sua faceta, ainda mais por causa da característica da família Promessa Cumprida. Até durante seu casamento, se esforçou bastante para dizer aquele característico "sim" depois de ouvir do padre aquele também característico sermão do" e promete ser fiel, na alegria e na doença, na pobreza e na riqueza e blá blá blá". Corneava seu marido à torto e direito, mesmo freqüentando um conceituado templo de oração, a Igreja Fenomenal Jesus é o Canal.
Claudiomar se ingressou na carreira política, como era de desejo da falecida mãe. "Queria vê-lo num palanque, como nosso saudoso JK e tantos outros políticos" - falava a toda hora a matricarca da família. Mas Claudiomar nunca gostou de trabalhar, o safado. Durante sua juventude, vivia a passar outras pessoas para trás, engrupia até as ditas mais espertas. Tinha o dom da fala, de ludibriar e conseguir tudo o que queria. A carreira política não estava nos planos dele à princípio... mas depois da promessa feita à mãe, pensou bem e juntou a fome com a vontade de comer. Hoje é Deputado Federal eleito pelo seu partido, o Partido Democrático Pobre no Poder. É constantemente alvo de comentários maldosos à respeito de como conseguiu se tornar muito rico em tão pouco tempo, mas nada, até agora, foi provado.
Lindomar se tornou banqueiro. Não bastante, ajuda ainda seu irmão Claudiomar nas falcatruas políticas, às vezes como laranja, às vezes colocando a mão na massa mesmo! Como o último desejo de sua mãe era que este filho se tornasse bancário, na sua ânsia por poder, começou trabalhando num banco particular e, paulatinamente, conseguiu juntar muita grana trocando cheques, vale transporte, ticket refeição, mexendo com agiotagem e coisa e tal. Hoje possui um pequeno banco, mas, para todos os efeitos, tem sua carteira de trabalho assinada como bancário. Tudo pela memória à Dona Polymar.
Julimar, no auge dos seus vinte e cinco anos, se tornou um ótimo servente de pedreiro. Inteligente, se formou com honras no colégio e se prepara agora para prestar vestibular no fim do ano para Engenharia Civil. Sonha toda noite com a promessa que sua mãe o fez jurar que cumpriria naquele fatídico dia e por causa disto a escolha do curso. Para não ser demitido das obras que o empregavam, resolveu se mudar da sua mansão adquirida pelos seus irmãos milionários, localizada num dos bairros mais valorizados da cidade, para um barracão numa área não muito segura, mas relativamente próximo ao trabalho. Infelizmente, ele tem que viver este personagem para poder arrumar emprego e honrar a promessa feita à mãe.
No próximo capítulo, adentraremos, no bom sentido, na vida de Julimar. Tipo como num BBB, mostraremos a realidade nua e crua da vida deste sofrido rapaz...
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3:10 PM
Domingo, Junho 20, 2004
- ... e você, Julimar, prometa que você vai ser...
- Ser o quê, mãe?
- Prometa que vai ser...
A mãe de Julimar e seus irmãos Sulimar, Claudiomar e Lindomar se esforça para dizer as suas últimas palavras para seu filho mais novo. Num leito de hospital do Estado, a matriarca da família, Dona Polymar da Promessa Cumprida, se despede de seus filhos.
- Ser o quê, mãe... o que Julimar vai ser? - perguntou rispidamente Lindomar.
- Fale, minha mãe... eu juro que irei cumprir seu último desejo - falou Julimar, com a garganta seca e olhos inundados por grossas lágrimas.
- Eu queria, Julimar - continuava, com muito esforço, Dona Polymar - eu gostaria que você, meu filho, trabalhasse na construção civil como seu avó paterno!
- E farei o quê, minha mãe?
- É, mãe... o que Julimar vai ser? Servente? - mesmo naquele momento trágico, Lindomar conseguia, ainda, debochar do seu irmão mais novo.
- Servente...
O aparelho ligado ao coração da idosa Dona Polymar começa a apitar intermitentemente. Seus olhos começam a se fechar, aperta a mão de seu filho e a cabeça pende para o lado. Julimar sabe que sua mãe se foi. Os enfermeiros entram pela porta da enfermaria desesperados, empurrando os filhos da moribunda senhora. Infelizmente, não puderam fazer mais nada. Dona Polymar não se encontrava mais com vida.
- Eu prometo, mãe... irei ser servente de pedreiro e trabalharei na construção civil, assim como nosso avó!
Assim jurou, no leito de morte de sua mãe, Julimar da Promessa Cumprida. Assim começa a história do nosso herói.
Não perca o próximo capítulo, onde iremos saber do destino dos filhos da Dona Polymar... principalmente de Julimar, o servente de pedreiro.
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6:49 PM
Sábado, Junho 19, 2004
Quer gripe? Estou leiloando o vírus.
De bandeja, você leva um punhado de dor nas costas, olhos, dor de cabeça, garganta inflamada e uma carga etérea incomensuravelmente pesada por sobre o corpo: parece que no mundo só existe você, sua cama e a malfadada gripe. Ah... e o remédio, o "caríssimo remédio" para cada santo dia de gripe, item que não podemos esquecer jamais.
E nada no mundo fica bom.
A culpa é do tempo e do tempo artificial do ar-condicionado. Aqui tá um frio danado, obra da senhora natureza. E do outro lado, por intervenção do homo sapiens, um clima totalmente "pré-feito", ideal mesmo. Ideal para ficar gripado!
Mas estou reclamando de barriga cheia. A gente nunca está totalmente feliz com nada! Quando está quente demais, achamos ruim. Frio demais, achamos péssimo. Quando o tempo está meia boca, achamos que poderia estar mais quente ou o contrário! Igual a temperatura da água no chuveiro. Sempre estamos tentando regular a água que sai dele, ora mais quente, ora mais fria. Coisa da gente, do ser humano.
Vai querer ou não a gripe? Vírus novinho em folha, ainda não muito usado. Ano que vem muda-se somente a carenagem, a aparência externa do influenza, mas, no fundo, vai ser o mesmo e bom velho vírus da gripe.
- Dou-lhe uma, dou-lhe duas, dou-lhe três... vendido para esta pessoa com as duas mãos sobre o teclado. Belíssima aquisição, com toda a certeza!
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10:28 AM
Sexta-feira, Junho 18, 2004
E estou bem subindo a Rua Grão Mogol ontem, por volta das seis e meia da noite. Nisso um cara com uma corrente de cachorro pára na minha frente. Olhos esbugalhados, mirando um lado e outro da rua.
Pensei comigo mesmo: o cara deve ter deixado a porta da casa aberta e o cachorro fugiu!
Segui meu caminho e o cara do cachorro fujão seguiu o dele. Fiquei imaginando o porquê do seu desespero: esposa nervosa, apaixonada também pelo bichinho de estimação foi uma das idéias que me passou pela cabeça. Qual era o cachorro foi a outra: vai que, por ironia do destino, eu tope com um daqueles cães bem nervosos? E solto na rua!!! Já comecei a ficar preocupado.
Apertei o passo. Depois de dois quarteirões vejo um senhor, com seus tantos anos vividos, parado e segurando um monte de cachorros pela coleira. Este senhor também parecia procurar alguém. Olhava insistentemente para o fim da rua onde o outro homem do cachorro fujão seguiu. Somei dois mais dois...
No bairro Sion tem muito disto. Contrata-se um profissional para passear com os cãezinhos das pessoas. O cara quer ter um animal de estimação, mas não tem tempo para ele. Como não é "humano" deixar um bicho o dia inteiro trancado num apartamento, a solução é contratar alguém que leve os bichinhos para espairecer, tomar um ar puro, fazer suas necessidades nos muitos postes da cidade.
E ontem, para este profissional, foi um dia de cão: um dos seus protegido conseguiu se desvencilhar da corrente e ganhou o mundo. E o cara ganhou uma enorme dor de cabeça!
Onde o outro homem preocupado entrou na história: vai ver entrou de gaiato mesmo. Estava passando e se ofereceu para segurar os outros bichos, sei lá!
Se o cara dos olhos esbugalhados achou o fujão? Não tenho a mínima idéia... fiquei foi imaginando o moço chegando para a sua cliente e dizendo
- Senhora, tenho uma boa e uma má notícia para te dar...
A má notícia é evidente. A notícia boa é que, pelo menos, o cachorro não levou a corrente...
Grande economia!
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8:19 AM
Quarta-feira, Junho 16, 2004
- Pois é, meu filho... se você não tivesse mexido com música, hoje você poderia...
Mas adolescente é adolescente! Naquela época (como se eu tivesse, hoje, chegado à casa dos 'entas) a gente vivia música, cheirava música, andava música, dormia música, comia e bebia música! E nos divertíamos muito com isso.
Nunca escrevi isso aqui não, mas aquele tempo tocando rock'n'roll com meus amigos foram os melhores anos que já vivi nestes trinta e dois invernos.
Decerto ralávamos bastante para poder tirar nosso "sonzinho santo" de todo domingo. No começo era levar caixa de som dentro de ônibus (mas isso foi nos primórdios da banda mesmo), era levar instrumentos de um lugar para outro quando rolava uma festa ou um boteco qualquer, era o junta-junta de dinheiro para melhorar sempre a aparelhagem, era acordar cedo num domingo e ir ensaiar dentre tantos outros sofrimentos que tínhamos que, sorrindo, fazer.
Mas tudo isso valia à pena. Ô, se valia!
E os sonhos de todo adolescente músico criado em Belo Horizonte na década de 90? Lógico que queríamos almejar o topo, e se não o topo, um reles montinho no meio daquele turbilhão musical que rolava aqui na nossa cidade. E neste pensamento, colocamos nossa cara à prova e partimos, com nossa coragem e dom, para cima daquele "leviatã sonoro" que era (e é ainda hoje) o público, as casas de shows, enfim, todo lugar onde tivéssemos chance de mostrar nosso trabalho e ser avaliado.
As bandas belo-horizontinas brotavam em quase toda garagem. Os estilos musicais eram bem diferenciados, uma porção gostava de rock dos anos 70, uns do metal mais pesado, outros buscavam o reggae como base, outros se inspiravam no pessoal do Clube da Esquina. Enfim, miscelânea completa na capital das Minas Gerais.
Nós optamos por tocar um rock'n'roll mesclado com blues e MPB. E não é que a mistura deste bolo saiu melhor do que esperávamos? A gaita que jogamos nas nossas músicas era um diferencial. A guitarra, tocada dum jeito meio puxado, naquela levadinha meio soul, meio blues, meio rock, era a base forte. A bateria e o contra-baixo, a cozinha onde o bolo assava. Méritos também para o vocalista, que tinha uma voz e um carisma especial.
Esta era a Bândida.
E foram muitas histórias, muitas músicas, muito divertimento, muita discursões, brigas, aniversários e confraternizações, muitas festas, alguns bares, alguns showzinhos discretos, outros de grande porte, como o Fest-Valda de 1995 (acho que este foi nosso ápice!) que ganhou o Tianastácia e muita, mas muita cerveja gelada e noites viradas nos botecos tocando violão.
Como poderia ter dito ao meu velho, "tudo nesta vida tem o seu tempo... e o meu tempo que passou foi muito bem vivido".
Wanderson (guitarra), Paulinho (sax e teclado), Sandro (voz e gaita), Dartagnan (baixo) e eu (bateria)
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5:00 PM
Terça-feira, Junho 15, 2004
E a Cinara passou por mim...
Sabe quando a gente tem quase certeza que reconhece uma pessoa? Um rosto na multidão? É estranho, muitas vezes embaraçoso... imagine-se andando no passeio de uma rua qualquer e, de repente, você se depara com um rosto conhecido. Um andando de encontro ao outro. Quase sempre eu páro a pessoa e pergunto se a conheço! Muitas vezes dou com os burros n'água, outras vezes acerto na fisionomia e, devidamente reconhecidos, conversamos sobre o passado e tentamos não afastarmos um dos outros pelos próximos 15 anos.
- Nossa! É a Cinara de Windsor.
No outro segundo, um punhado de neurônios me dizia que não!
- Não é ela não... não tem nada aqui registrado.
- Mas parece demais... baixinha, morena, cabelos amarrados num rabo de cavalo, o formato do nariz...
- Mas não é... confia na gente!
E a pessoa não reconhecida pelo meu cérebro se distancia. Nos dois passos que ela deu à frente, os neurônios do contra, finalmente, vencem a pendenga.
Mas sempre fica uma dúvida.
Cinara foi uma amiga minha, de tempos imemoriais. Estudamos juntos no Colégio Estadual Ordem e Progresso desde a 5ª série até o 1º ano do segundo grau (1983 à 1987). Quando me transferi para o Colégio Estadual Milton Campos (o famoso Estadual Central) no ano de 1988, infelizmente me distanciei dos amigos do antigo colégio e nunca mais a vi novamente.
Éramos muito unidos, eu, Cinara e Sandra. Sempre lá, nos ajudando mutuamente, tanto nas colas, tanto nas matérias difíceis. Ela morava no bairro União, eu no Sion...
Minto! Houve um dia que nos encontramos no ônibus 5001 (que justamente ligava nossos bairros). Foi há tanto tempo que não me recordo bem o que conversamos... mas foi um papo bem rápido! Conversa de ônibus, sem muito alarde, vozes num tom baixo, muita gente ao redor... mas acho que se casou com o antigo namorado e estava na faculdade.. mas isso nos idos de mais ou menos 1992 ou 1993.
Depois disso, nunca mais! Se aquela moça de ontem era a Cinara, agora, sinceramente, não tenho mais tanta certeza. Mas foi bom relembrar desta antiga amiga.
Onde você estiver, menina, sinta-se abraçada!
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6:16 PM
Segunda-feira, Junho 14, 2004
Ah... futebol! Para quem sabe jogar, um esporte emocionante. Para outros, que não tem a devida habilidade com a redondinha, um sofrimento indescritível.
Me enquadro nesta última categoria! Mas pior, sou daqueles que teimam em jogar uma bolinha no final de semana.
Depois de ter trincado o osso do dedão do pé numa fantástica dividida com um colega no primeiro domingo quando voltei de Maceió, ontem fui jogar uma salutar pelada de manhã, bem cedo. Antes tivesse ficado dormindo...
E foi de estalo a decisão: no sábado à noite, falei com minha esposa que voltaria a jogar. A resposta dela foi como uma premonição:
- Vê se não vai se machucar, hein?
Se for contar as vezes que me machuquei, às vezes sozinho, nestas peladas, vocês não acreditariam. Sendo assim, vou relatar somente umas duas, que foram as mais legais.
A primeira lesão que me lembro foi quando eu, num lance super inspirado e digno dos milionários jogadores atuais, fui driblar um oponente pior do que eu na arte de jogar bola e me lasquei. Foi um lance maravilhoso: parei a redondinha, dei uma finta no adversário e, quando ia partir com a bola dominada, fui, num ato covarde, calçado. Caí por cima da perna direita. Ouvi aquele estalo do osso se deslocando. Os colegas de pelada correram para me socorrer e desviraram minha perna. Que dor! Peguei o carro, fui para casa, tentei dormir (só Deus sabe o quanto eu tentei dormir neste dia) e no sábado pela manhã, fui parar no hospital.
Resultado: uma grave distensão no joelho, muitas aulas de fisioterapia, um osso um pouco amassado e quatro meses no estaleiro.
A segunda lesão que me recordo foi quase que recente, um pouco antes do dedão trincado: estava marcando um colega e torci o pé, o mesmo pé direito que já havia tantas vezes machucado. Com o corpo quente, não senti tanta dor assim. Joguei a partida toda sem me queixar. Mas quando cheguei em casa, tomei aquele banho e as cervejas naturais do fim de semana, o tornozelo começou a inchar, inchar... e tive que para no hospital novamente.
Legal foi a cara do fisioterapeuta neste dia, que passou, para ir ao trabalho, em frente à quadra onde jogamos bola e pensou: "daqui a pouco vou atender algum destes jogadores de fim de semana!" Foi dito e feito. Só pode ser praga de fisioterapeuta.
Aliás, taí um ser humano que, ao assistir uma partida de futebol, deve ficar prestando atenção somente nas faltas cometidas: "Hummm... pegou a tíbia! Vai ficar sem jogar na próxima partida" ou senão "Pegou no menisco dele, pegou no menisco dele..." e por aí vai!!
Mas eis que joguei minha bolinha ontem, corri demais, dei alguns passes para ninguém, outros logrei êxito, não fiz nenhuma jogada sensacional, não me machuquei... mas também não fiz gol algum. Voltei para casa com o sentimento de dever cumprido.
Mas o corpo esfria e as dores aparecem. Estava todo moído, um caco, um bagaço... e fazendo caras e bocas para minha esposa, como se estivesse no auge da forma física.
Como disse, antes tivesse ficado em casa, dormindo.
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11:04 AM
Terça-feira, Junho 08, 2004
EXTRA EXTRA EXTRA EXTRA EXTRA EXTRA EXTRA EXTRA EXTRA EXTRA
Terroristas do grupo MSPT (Movimento Sol Para Todos) picotaram nosso Astro-Rei hoje pela manhã.
Numa audaz operação, estes fanáticos, que reivindicam a demarcação de lotes de três mil metros quadrados na superfície da estrela para cada família sem terra da Terra, com ajuda dos simpatizantes do grupo também extremista Al-kabou Hagranna, tomaram a direção do planeta Vênus e, num feito inédito, conseguiram seccionar o Sol em aproximadamente 20 porcento da sua superfície, como mostrado na foto divulgada hoje pela internet.
"Com este feito, mostramos aos líderes dos países desenvolvidos que eles não tem e nunca terão primazia sobre o Sol, que há de ser de todos! ", berrava o líder da organização, o indiano radicalizado brasileiro Mickey Mey Nhagurdhura Kent, primo de quinto grau do repórter Clark, do Jornal Planeta Diário. "Esta parte menor do Sol aí não é para a gente não... esta parte é a parte dos que possuem mais, dos ricos da Terra! A parte grandona do Sol que é nossa!!", bradava Tho Zem-u Phutu Nowbow Son, sub-secretário da organização.
Células terroristas do grupo Al-kabou Hagranna, espalhadas por diversos bolsões de pobreza nos países subdesenvolvidos e para lá de pobres, comemoravam o feito. Nos países da África, vários cidadãos jejuaram em sinal de graça alcançada, prometendo voltar a alimentar normalmente (?) somente em julho, quando terá mais jogos televisionados da Seleção Brasileira pela Copa América.
O MSPT surgiu no Brasil por volta de 1998. Cansados de esperar do governo brasileiro terras para o plantio e moradia, alguns integrantes do MST original juntaram suas economias, adquiriram por meio de um consórcio uma nave espacial usada e foram lançados ao espaço na Base de Alcântara. Depois de singrar o universo em busca de melhoria de vida e terras cultiváveis, voltaram ao nosso planeta com uma nova ideologia: "a terra que se dane: eu quero é morar no Sol!"
Arrebataram, de imediato, a atenção de pobres e desiludidos de todo mundo e, desde então, reivindicam dos países desenvolvidos o imediato assentamento dos paupérrimos habitantes do planeta no Astro-Rei.
Os líderes dos países desenvolvidos alegam não ser possível a reivindicação dos grupos terroristas: "não há meio de transporte para todos os pobres do mundo. Mas prometemos analisar com carinho o pedido na próxima reunião do G8", confidenciou o Secretário de Melhoria na Qualidade de Vida dos Países Desenvolvidos da ONU, Sir Khun Raab Shey D'grhnna
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1:22 PM
Certos slogans publicitários são tão marcantes que se incorporam ao vocabulário do dia-a-dia. Mas será que você se lembra dos produtos que eles vendem? Neste teste estão alguns dos bordões mais famosos da propaganda brasileira. Lembra-se deles? Faça o teste e descubra! Clique aqui!
Fonte: Revista Istoé Dinheiro
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8:33 AM
Segunda-feira, Junho 07, 2004
As polícias militar e civil fizeram greve neste final de semana aqui no estado.
Já na sexta haviam rumores de que tomássemos o rumo de casa e lá ficássemos, pois não haveria patrulhamento nem nada!
- Que nada! Aqui não tem nada disso não!
E saí da faculdade para pegar o ônibus para ir para casa.
No começo do trajeto encontro um colega de sala. Ele mora no coração da savassi, num prédio que fica numa rua um tanto quanto desolada.
E vamos nós, descendo a Avenida Afonso Pena, proseando. Nisso ele tem que virar à esquerda para ir para a casa. Eu o acompanho.
No meio do trajeto, ele se despede e entra no prédio. Sobrei, sozinho, no meio da rua escura! Nisso, eu descendo rapidamente naquele deserto quando, lá na frente, vejo um homem saindo do meio dos carros estacionados em 45º.
E o cara vem em minha direção, com as mãos nas costas. Eu seguindo em frente, em sua direção.
Nisso o cara tira uma mão das costas e coloca por sob o blusão.
Pensei: - Agora eu rodei! Foi ser assaltado! - e seguindo, firmemente, em sua direção.
Uns 4 metros de distância nos separavam. Eu, em rota de colisão com o possível assaltante. O cara tira a mão do blusão e parece estar segurando alguma coisa [imaginei logo uma faca!]. Foi o bastante: a menos de 1 metro o meio dele, entrei por entre os carros, me esquivando dos espelhos retrovisores dos carros estacionados, cheguei na calçada (que estava muito mais escura que a rua) e apertei um pouco mais o passo (estava quase obtendo índice olímpico naquela corrida em que não se pode tirar os pés do chão).
Se o cara ia me assaltar, não sei. Mas que foi sinistro, isso foi: do nada o cara aparece do meio dos carros estacionados, vêm em minha direção com as mãos nas costas e chegando perto de mim tira [ou parece tirar] alguma coisa da blusa? É de se pensar num assalto ou não?
Bem que minha avó já dizia: de noite, todo gato é pardo!
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3:59 PM
Quinta-feira, Junho 03, 2004
Todas as minhas energias estão concentradas no próximo sorteio da Mega Sena.
Previsão de R$ 45.000.000,00 (quarenta e cinco milhões de reais).
O que será que dá para fazer com um dinheiro deste? Sei lá... mas só sei que é grana até não poder mais.
Será que dá para enfileirar todas as notas, uma após a outra, sem que ninguém passe a mão em uma só cédula? Uma nota tem a dimensão de 6,4 centímetros de largura por 14 centímetros de comprimento. Transformando o prêmio em notas de R$ 50,00 (mais comum de se ver), teríamos 900.000 cédulas. Novecentas mil cédulas, com cada uma com 14 centímetros de comprimento ... teríamos uma estrada tipo da Doroty de singelos 12.600.000 centímetros, equivalente à 12.600 metros... 12,6 quilômetros. Matemática nunca foi o meu forte, mas acho que é isso aí...
Ou transformar esta quantia em... cestas básicas? Conforme a Folha, no dia 01/06, o maior valor para a cesta básica foi de R$ 181,17 em Porto Alegre. Usando esta quantia, teríamos então na nossa mão 248.386 cestas.
Ou então em carros populares: mais ou menos 2.500 unidades de um automóvel na base de R$ 18.000,00 (básico). Ou então em clipes niquelados? Sabem quantos que poderemos comprar com esta quantia? Exatos 6.081.081.08,08 clipes (cada caixa com 100 unidades custam R$ 0,74).
Falando em clipes, sabe quem inventou o clipes? Foi um norueguês chamado Johan Vaaler, que patenteou o invento no ano de 1.900! Se ele e a família receberam royalites por sua invenção, acredito que devam estar figurando entre os mais ricos do mundo.
Ou então transformar quarenta e cinco milhões em chicletes Ping-Pong: 300.000.000 chicletes de R$ 0,15 cada!
E você? Se você ganhasse esta bolada, o que gostaria de fazer com esta grana toda? Dê a sua opinião sincera... e coloque, por favor, seis números, de 01 à 60 no final do comentário, ok?
Vou jogá-los também!! Quem sabe você não está com a sorte?
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4:36 PM
Quarta-feira, Junho 02, 2004
Tenho que parar de ser tão bobo!
Estava bem trabalhando (o normal de sempre e finalizando o post de ontem, das formigas ninfomaníacas da África Central) e, de repente, me deu um clique, uma outra idéia que logo coloquei no papel (papel não, comecei a digitar). Inicialmente, eram somente três camadas de formigas (rainha, operárias e machos), mas faltava mais alguma coisa: as formigas "da vida".
Rapidamente escrevi e postei. E fiquei igual bobo, rindo sozinho de tanta bobice junta! Vez ou outra eu aparecia no blog para ver se alguém tinha achado graça, se achou estúpido, se faltou alguma coisa... e eu sempre começava a rir sozinho.
Sabe como é, né... rir sozinho é chato, o "rir" tem que ser coletivo! Deu vontade de contar para alguém para rirmos juntos. Numa mesa atrás de mim estava sentada uma auditora (auditor é aquele que procede exame analítico e pericial e que segue o desenvolvimento das operações contábeis, desde o início até o balanço).
Eu: Está afim de rir um pouco?
Auditora: Quê?
Eu: Gosta de piada, de rir?
Auditora: Gosto sim! Porquê?
Eu: Leia isso aqui!
Me levantei, cheguei no computador que ela trabalhava, acessei o blog e a moça começou a ler.
Eu: Que achou?
Auditora: Impressionante! Quem escreveu isso não tinha mais nada para fazer! Aposto que não trabalha, não faz nada... só fica pensando nestas bobagens.
Eu: É... é... concordo.
Concordei discordando... mas concordei!
posted by : o Adminstrador desta empresa, uai!!!
8:48 AM
Terça-feira, Junho 01, 2004
Os animais mais perigosos do mundo.
Os relevos planálticos e de clima equatorial da selva da África Central servem de habitat para um dos animais mais fantásticos e perigosos do mundo: a formiga ninfomaníaca da África Central (Safadirnote formicae ninfomine). Este fabuloso hymenoptera da classe insecta e família formicidae se destaca dos seus parentes mais próximos pela incessante busca do prazer sexual.
Vivem exclusivamente na região entre o Rio Congo e o Rio Zaire, onde há o maior volume d'água do continente africano. A razão por se estabelecerem nesta área específica é que somente na região nasce um musgo, o Ardiconet mussaliv, que é a base alimentar destas raras formigas. Em estudos recentes, cientistas britânicos e alemães descobriram nestes briófitos um poderoso afrodisíaco natural, razão então destas colônias de formigas terem hábitos, digamos, bem particulares.
Assim como suas parentes, o corpo da formiga ninfomaníaca também é dividido em três partes: a cabeça, cheia de pensamentos libidinosos que dispensa comentários, a mesossoma, que corresponde ao tórax dos outros insetos, e a gáster, que é a bundinha da formiga, o último segmento abdominal dela, situados atrás do pecíolo, sendo a característica mais marcante desta espécie a forma do pedúnculo abdominal, bem definido por intensa malhação nos ninhos e durante as muitas cópulas com os machos.
A rainha tem como função principal a perpetuação da espécie. Outra particularidade desta espécie de formiga é com relação à fecundação: em outras famílias de formicidae, a rainha copula com um macho e a partir daí coloca tantos ovos quiser, sem necessidade de nova cópula. Já com as formigas ninfomaníacas, a rainha, fecundada, mesmo não necessitando de novo parceiro sexual para colocar novos ovos, não dispensa uma boa transa. Sendo assim, vários machos ficam à inteira disposição da matriarca, para que ela extravase seus desejos mais incontidos.
Aos machos cabe somente o papel de reprodução e satisfazer o apetite sexual das formigas ninfomaníacas. Quase nunca saem à luz do dia: vivem sob constante vigilância e enclausurados em confortáveis cavidades no interior do ninho, sendo bem alimentados pelas formigas operárias, a terceira camada nesta estranha forma de organização. Existem também as formigas ninfomaníacas guerreiras, de hábitos noturnos, ocasionalmente diurnos quando há a possibilidade de comida fácil, e que preferem viver em pequenos bandos de 5 à 10 indivíduos. Uma particularidade desta quarta camada: as guerreiras, ou formigas operárias da noite, são renegadas pela sociedade das formigas. Ainda não se sabe a verdadeira razão porque ocorre este afastamento, mas cientistas acreditam em divergências entre castas ainda dentro do formigueiro ou até mesmo por própria escolha da formiga guerreira. O que se tem certeza é que cada vez mais se vê formigas ninfomaníacas guerreiras atacando outros animais pelas selvas do Congo.
Às operárias cabe manter o estoque de musgo, a limpeza do ninho, defender o território de outros animais e praticar até mais de 30 relações sexuais com os enclausurados machos do ninho.
Quando eles, os machos, não conseguem satisfazer seus desejos, as formigas operárias se tornam bastante agressivas. Em busca do prazer total, várias delas saem em busca de machos de quaisquer espécie para saciar seus ímpetos. É neste momento que se transformam num dos animais mais letais do nosso planeta.
Nativos africanos dizem ter presenciados cenas em que mais de 3 milhões formigas em êxtase atacaram animais como elefantes, rinocerontes e bandos de jovens leões, e mantiveram relações com eles. E como elas fazem isso? A explicação vem também da própria ciência: as formiga ninfomaníacas possuem uma secreção muito poderosa, à base do princípio ativo do mesmo musgo que se alimenta. Sendo assim, os animais atacados ficam altamente sensíveis às investidas das formigas e completamente transtornados, chegando inevitavelmente até à morte para satisfazer as insaciáveis pequenas.
Certamente estão no ápice da pirâmide alimentar da região da África Central, ao lado dos leões e outros predadores. As formigas não sentem medo de nenhum outro bicho, não tem receio nenhum de atacar para satisfazer seus ímpetos. Nada fica entre elas e seu desejo primal, que é a busca incansável do prazer.
Nenhum outro animal é tão insaciável quanto a formiga ninfomaníaca da África Central. Nenhum instinto animal é tão poderoso, tão inabalável.
Praticamente sem nenhum predador natural, estas colônias de formigas foram proliferando por todo o Congo e alguns pontos afastados do Zaire.
Recentemente, foi introduzido um animal também muito especial no habitat das formigas ninfomaníacas da África Central, no intuito de reduzir e controlar a população dos referidos insetos: o tamanduá da língua de veludo (Lambitae veludum tongue), que possui uma enzima no seu órgão muscular alongado que neutraliza o princípio ativo da secreção afrodisíaca da formiga.
Cientistas estudaram por vários anos alguns ninhos de formigas ninfomaníacas e registraram o exato momento em que o tamanduá da língua de veludo atacou uma determinada colônia:
Formiga 1: Boa tarde!
Formiga 2: Boa... já foi visitar o aposento de relaxamento?
Formiga 1: Acabei de vir de lá pela vigésima vez... tem um reprodutor que, infelizmente, acabou de morrer de tanto... você sabe de que! Menos um nas nossas fileiras...
Formiga 2: É... não se fazem mais machos como antigamente! Veio me render no posto de observação?
Formiga 1: Sim... ordem da rainha! Está na sua hora de relaxar!
Formiga2: Nossa, é mesmo! Bem que reparei que minha gáster está comichando!
Formiga1: Então... vai lá, bobinha! Aproveita e... Santa Formigona que estais no céu! Olha lá, atrás daqueles arbustos!
Formiga 2: Onde? Onde?
Formiga 1: Alí, atrás daquela rocha onde a formiga Crotilde mandou ver com o seu elefante!
Formiga 2: Sim, sim... estou vendo! Mas diga que não estou sonhando...
Formiga 1: Não! É verdade! Vamos ser invadidas...
Formiga 2: É ele?
Formiga 1: Sim! É o terrível, o viril e másculo TAMANDUÁ DA LÍNGUA DE VELUDO!
Formiga 2: Rápido... soe o alarme!
O alarme é soado! Todas as formigas ninfomaníacas entram em polvorosa! Os machos, enfim, tem um momento de descanso em dias! Sem pestanejar, o tamanduá da língua de veludo sobe no ninho e enfia a sua poderosa língua no formigueiro.
Formiga 1: Ôba! Hoje nós vamos bater de língua!
Formiga 2: Tava morrendo de saudades!!
As formigas relam incessantemente o seu minúsculo corpinho, principalmente a gáster, na poderosa língua do tamanduá, que aguarda o momento exato em que as enzimas atuem nas perigosas formigas ninfomaníacas! A natureza é sábia e possui suas regras e o tamanduá, pacientemente, sabe que tem que aguardar...
Formiga 1: Ah! Já não tô me agüentando...
Formiga 2: Nem eu!! Seu tamanduá, come a gente, vai!
Formiga 1: É, seu tamanduá... depois de tanta lambição, agora você pode nos comer!!
Acima, representação, em forma de desenho, da exata hora em que o tamanduá da língua de veludo lambuza com suas enzimas as ferozes formigas ninfomaníacas da África Central, neutralizando, assim, a secreção afrodisíaca delas. Repare como os insetos se lançam de encontro com a língua do mamífero.
Neste instante o tamanduá da língua de veludo faz sua refeição e contribui para o controle da população das terríveis formigas ninfomaníacas da África Central.
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11:10 AM
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