Sexta-feira, Maio 28, 2004
Estávamos conversando dentro do ônibus hoje de como é caro tomar uma "birita" nas praças de alimentação dos shoppings da cidade: chega até a ser abusivo o valor cobrado pela jarra de chopp (ou, para quem não tem o hábito de consumir muita bebida alcólica, um de 300 ml) e pelos tira-gostos diversos! Pagamos pelo luxo, pela segurança, pelo ar-condicionado, pagamos para não ser incomodados por pedidos de esmolas intermináveis e aquela engraxada no sapato, pagamos para nem ver se já é noite, em alguns casos. Ah... e pagamos até para dar uma mijada num banheiro limpo e decente!!
Tudo isso está imbutido no preço do chopp! Garrafa de cerveja em shopping, nunca vi! Latinha de cerveja? Nunca vi! Que mais que nunca vi em shopping relacionado ao golo... promoção de chopp que dure mais de 2 horas!
É mesmo! Existem algumas promoções deste jeito: você paga uma quantia (geralmente o valor de uma jarra de chopp) e pode beber até cair... ou até às 22:00 horas. Mas a promoção começa mesmo às 20:00 horas! Duas horas para tomar todas pagando somente (disse somente?) o valor de uma reles jarrinha de chopp. Acho que é trocar seis por meia dúzia: se você, sozinho, chegar e pedir chopps à rodo, com alguma certeza (e experiência de causa) não passará de 4 canecas de 500 ml em duas horas de bebedeira solitária! Viu como é? No final, ficam elas por elas!
Comigo uma vez aconteceu de ir a um shopping (mais precisamente num lugar que vende chopp no shopping) e me divertir (leia-se beber) com amigos! O lugar escolhido era muito legal, muito prático, pois nós mesmos nos servíamos do chopp "na mesa". Era um sistema onde todas as mesas do bar tinham uma torneirinha ligada diretamente do galão do chopp lá dentro da cozinha do "buteco". Chique, hein? A longarina congelada, só colocar o copo (a caneca, melhor dizendo) debaixo da torneira, apertar um botão lá e deixar que a bebida tome conta do espaço (da caneca e da barriga).
Este dia a conta saiu cara! Pelamordedeus! Onde foram parar aqueles litros?
E as histórias que rolam? Fiquei sabendo de um hoje que é... hilária! Este amigo me relatou que uma vez, a tempos imemoriais, foram ele e outro conhecido tomar uma jarra de chopp num shopping do centro da cidade depois da aula (depois da aula nada, eles mataram as últimas).
- Boa noite!
- Boa noite, senhores! Vão beber alguma coisa?
- Pode trazer duas jarras de chopp!!
O garçon anotou o pedido, não antes de esbugalhar os olhos de espanto diante do pedido dos dois garotos! Duas jarras de chopp? Estes dois eram bebedores compulsivos?
- Eis aqui o pedido! - colocando as duas jarras por sobre a mesa!
O garçon se virou e foi buscar os copos. A surpresa dele viria em minutos: quando foi entrega-los aos garotos, eles estavam bebendo diretamente da jarra!
- Os senhores não vão usar os copos?
- Não... vamos beber na jarra mesmo!!
E eles estão que bebem o chopp. Nisso o colega deste amigo sente fome! Um tira-gosto à palito viria bem à calhar nesta hora e ele solicita ao garçon um hambúrger. E está o cara comendo, mastigando o hambúrger e tomando o chopp da jarra. Anestesiado pelo birinaite, nem reparou que comeu somente o pão do hamburger com a maionese e mostarda: o bife tinha caído em cima da mesa desde a segunda mordida!
E, para o grand finale, chega o garçon, observando que a jarra de chopp estava pela metade e, provavelmente já não tão gelada, e fala aos dois companheiros:
- Por acaso os senhores não querem um xup-xup?
- Tem de morango?
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9:26 AM
Quarta-feira, Maio 26, 2004
Uma das coisas mais difíceis do mundo (estou exagerando!), do universo, da nossa realidade física (agora estou exagerando!!) é encontrar uma vaga para o seu automóvel no centro da cidade.
Saia atrasado de casa para o serviço e você verá, com os olhos que a terra há de comer, como é dura a realidade dos trabalhadores que utilizam o transporte próprio e que sofrem em busca de uma vaga de trânsito. Detalhe: a terra há de comer, mas depois do olho fritar bastante no asfalto quente em busca de um lugar para estacionar!
Então estou enganado? Você não acredita?
É a mais pura realidade: se você chega tarde, dorme mais que a cama ou dá vontade de brincar um pouco com seu filho antes de ir embora, indubtavelmente verá que não há vagas gratúitas disponíveis para você (e para outros sofridos e ainda sonolentos camaradas), só há vagas onde se paga para estacionar. Enquadram, neste último exemplo, os estacionamentos particulares que variam bastante de preço dependendo da localização, ou o Estacionamento Rotativo, administrado pela BHTrans.
Nos estacionamentos particulares, a paradinha básica é cobrada em minutos que valem ouro: um dia paguei R$ 2,00 por 15 minutos, míseros 900 segundos que nem cheguei a utilizar por inteiro! Tive que pagar uma conta num banco no centro da cidade e o único jeito era parar num destes estacionamentos. O mais difícil, que era a fila do banco, não existiu! Rapidinho cheguei no caixa do banco, efetuei o pagamento e saí correndo para onde deixei o carro. Dois reais menos de quinze minutos... o manobrista tinha praticamente acabado de desligar o motor!!
Já no Estacionamento Rotativo, o chato é pagar uma taxa para a prefeitura e deixar o carro na rua, sem cobertura nenhuma de nada! No Estacionamento particular não, se você tem seu veículo furtado ou avariado, seguro nele! E na rua, que é pública? Se ele foi riscado, problema seu! Se foi roubado, problema seu! Se foi arrombado e seu som desapareceu junto com o estepe, macaco e carpetes (poxa, estou exagerando!), quem mandou parar o carro ali? Difícil decisão...
Esqueci de dizer dos flanelinhas que vendem a folhinha do Estacionamento Rotativo de R$ 3,50 a R$ 4,00 nas ruas da cidade: oficialmente, cada folhinha custa R$ 2,00 (42,86% a 50,00% mais barato em relação ao do "câmbio negro")
Qual a solução então? Muitos dirão que é o transporte público, em alguns casos deficientes e quando não tem nenhum problema no caminho, cheio, desconfortável e lotado até a tampa. É complicado.
Então, para este caso de arrumar vaga sem despender dinheiro algum do bolso além do "da gasolina nossa de cada dia", não tem jeito mesmo: ou você sai antes de todo mundo (estou exagerando) ou saia, pelo menos, 2 horas mais cedo para tentar encontrar uma vaga (agora tenho certeza que exagerei!).
... ou pedir carona!!
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3:18 PM
Terça-feira, Maio 25, 2004
Eu estou ficando careca, e isso é fato! Desde que tomei conhecimento da minha pequena tendência à calvice (alguns tristes dias atrás), fico observando outros companheiros com tendências à perda de cabelos ao longo do dia!
E tem cada peça rara que é de chorar de rir!
Tem uns que trançam os restolhos de fios em volta do espaço em branco, do vácuo, fazendo uma malha acompridada de parcos cabelos; outros deixam como está a calva, mas as partes cheias de cabelo, ícones intocáveis do passado, ficam lá... parecendo um muro de condomínio (alto, altíssimo...), um construto de cabelos, fazendo cercanias ao aeroporto de mosquito que o indivíduo leva de um lado para o outro, dia após dia, e que, à noite, se transorma num restaurante de muriçocas ávidas por um sanguinho fresco; outros usam um rabo de cavalo, geralmente grisalhos por causa da avançada idade, e aquela protuberância carecal de base (base?) do penteado. Geralmente estes sessentões são motoqueiros, daquelas das antigas mesmo, montados em Halley Davidsons invocadas! O capacete de motociclista e a careca... que hilário! Isso sem falar nos que utilizam perucas, não é mesmo?
O roto falando do rasgado? Jamais, assim espero!! Se for para ficar tentando esconder minha calvície, prefiro usar meu cabelo bem baixinho, tipo máquina zero virgula um!
Grande coisa, já que uso o cabelo cortado na máquina um!
Moral da história: vou já procurar é um dermatologista, isso sim... quem sabe ainda há esperanças?
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3:36 PM
Quarta-feira, Maio 19, 2004
Peso da nossa alma: 21 gramas.
Procurei na internet relatos, fatos, bases científicas desta experiência e não obtive muito sucesso! A maioria dos sites que achei falavam do filme 21 gramas. Mas, ao que tudo indica, tal feito científico-metodológico foi realizado no ano de 1907 por um médico americano, que utilizando moribundos, constatou que os mesmo, ao deixarem esta vida (baterem a caxuleta), perdiam 21 gramas de massa corpórea!
Sinistro? Imagine-se na pele do doutor, então! O que passava pela cabeça dele até chegar à esta conclusão científica do peso da alma e por quantas hipóteses ele teve que averiguar.
Seriam gases esta diferença de 21 gramas? Água em forma gasosa desprendendo-se das paredes do pulmão? O que poderia ser? Atente-se que o ano era de 1907.
Ah... eu tive uma aula de Filosofia do Direito ontem e este assunto veia à baila. Fiquei a noite toda pensando nisso, e hoje, nos raros momentos de ócio (leia-se 10 minutos de descanso a cada hora trabalhada), tentei pesquisar o tema.
Será esta a nossa única certeza científica (ou raras certezas) que existe do "depois daqui", do nosso mundinho material? Será a certeza de que existe algo mais na gente, algo que nos faz ser diferente de outros animais, pois temos 21 gramas de alguma coisa intitulada alma junto de nós desde o nascimento?
Peraí... desde o nascimento, eu falei? Esta 21 gramas nos acompanha desde a concepção ou desde o nosso nascimento? Um gameta masculino e um gameta feminino, em separado, possuem, cada qual, um peso especifico. Nunca, juntos, pesariam mais de 21 gramas. Captou o que estou pensando? Onde, se correto esta experiência do tal médico americano em 1907, captaríamos esta essência imaterial, nossa alma? No primeiro suspiro (o nascer com vida) ou no primeiro movimento do neném na barriga da gestante e sentido por ela?
21 invisíveis gramas de alma.
Agora nem sei mais o que penso.
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2:37 PM
Terça-feira, Maio 18, 2004
Momento momenturesco:
Eu ralando igual doido, o programa no computador ligado, um monte de documentos por sobre a mesa, bagunça geral e eis que chega uma colega e fala:
- É, Denilson... aposto que você nunca trabalhou tanto na vida!
- Que nada! Você precisa ver quando eu trabalhava na construção civil! Aquilo sim era trabalhar muito: levar sacos de cimento para cima dos prédios, colocar areia e brita no lugar, fazer massa...
- Sério mesmo, Denilson? Você já trabalhou de servente de pedreiro? Puxa!! Uai... mas com quantos anos cê começou?
- Desde cedo!
Depois que a ficha dela caiu! O problema é que eu minto bem!!
Tadinha...
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5:33 PM
Hoje é dia de piada:
Estavam um gaúcho, um paulista e um baiano numa lojinha do Mercado Central, quando o gaúcho diz aos outros:
- Bâh tchê, esse que entrou aí é igualzinho a Jesus Cristo !
- Tás brincando, dizem os outros.
- Tô lhe falando, tchê! A barba, a túnica....
O gaúcho levanta-se, dirige-se ao homem e pergunta:
- Índio velho, tu és Jesus Cristo, não é verdade?
- Eu? Que idéia!
- Eu acho que sim. Tu és Jesus Cristo, sim...
- Já disse que não. E fala mais baixo...
- Eu sei que tu és Jesus Cristo, vivente!
Tanto insiste que o homem lhe diz baixinho:
- Sou, efetivamente, Jesus Cristo, mas fala baixo e não digas a ninguém, senão isto aqui vira um pandemônio.
- Tenho uma lesão no joelho desde desde que levei um tombo do pingo. Me cura, tchê!
- Milagres, não! Tu vais contar aos teus amigos e eu passo a tarde fazendo milagres...
O gaúcho tanto insiste que Jesus Cristo põe a mão sobre o seu joelho e cura-o.
- Obrigado, Senhor. Ficarei eternamente grato! - agradece, emocionado, o gaúcho.
- Sim, sim! Não grites e vai-te embora..... e não contes a ninguém!
O gaúcho, mal chega na mesa, conta aos amigos.
O paulista levanta-se logo e dirige-se a ele.
- Ôrra, meu... o meu amigo disse-me que eras Jesus Cristo e que tu o curou. Tenho um problema no olho, desde os tempos que trabalhei na Bolsa de Valores de São Paulo... me cures aí, mano....
- Não sou Jesus Cristo! E fala baixo...
O paulista tanto insiste que Jesus Cristo passa-lhe a mão pelos olhos e cura-o.
- Vai-te, agora, e não contes a ninguém.
Mas Jesus Cristo bem o vê a contar a história aos amigos e fica à espera de ver o baiano pedir a ele uma cura qualquer. O tempo vai passando e nada. Mordido pela curiosidade, Jesus dirige-se à mesa dos três amigos e, pondo a mão sobre o ombro do baiano, começa a perguntar:
- E tu, não queres que.....
O baiano levanta-se de um salto, afastando-se:
- Hei, meu rei! Tira as mãozinhas de mim que eu estou de licença médica por seis meses!!!
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8:48 AM
Segunda-feira, Maio 17, 2004
Comida feita em fogão de lenha é outra coisa: fica muito mais, mas muito mais saborosa do que se feita em fogão comum, à gás.
E como a gente come... repete e ainda quer mais.
Frango com quiabo, angú, feijão de corda novinho, arroz bem soltinho com alho, pimenta para quem gosta, uma "guiazinha" antes de fazer o prato e pronto! Depois é só ficar prozeando em volta do fogão, ainda quente. Rir depois de comer é uma diversão só. E os causos vão saindo voluntariamente, como as inúmeras risadas e lembranças de dias passados.
Fogão de lenha. Quente, como o coração da gente...
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9:21 AM
Sexta-feira, Maio 14, 2004
No meio do caminho - a missão
No meio do caminho tinha uma bar
tinha uma bar no meio do caminho
tinha um bar com cerveja gelada
no meio do caminho tinha um bar.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minha garganta tão seca.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha um bar
tinha uma bar com cerveja gelada no meio do caminho
no meio do caminho tinha um bar.
E por causa disto, estou com uma dor de cabeça enorme. Das duas, uma: ou mudo o trajeto de volta para casa ou páro de conversar com meus amigos de bairro lá no botequim.
Duas coisas muito difíceis de acontecer...
(versão original do poema de Carlos Drummond de Andrade: clique aqui!)
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10:42 AM
Quinta-feira, Maio 13, 2004
O cansaço é o fim do homem. O cansaço mental e o cansaço físico!
... e já está na minha rotina a "'abrição' de boca", desde manhã até a hora de chegar em casa.
Mas ontem foi demais. Foi o dia inteiro com sono, olhos fundos, muito café... e a "abrição" de boca, o "uahhhhááá" e os olhos lacrimejando. Que dia.
E que noite. Sala de aula, caderno aberto, uma anotação e um "uahhhhááá" e a lagriminha no canto do olho. Uma explicação do professor, um abaixar de cabeça na carteira e aquela vontade de estar em casa, debaixo do cobertor.
Vida de trabalhador/estudante é triste. Depois, para ir para casa, pegar o ônibus: cadeiras reclináveis e confortáveis (na medida do possível) e o sono vem, como um tufão, um tornado, uma força incontrolável da natureza. E eu lá, acordando, sobressaltado, a cada freada do ônibus. Quase perco o ponto de descida chegando em casa.
Depois, só alegria... um banho quente, alimentação leve e... ("uahhhhááá") dormir.
Repare uma coisa: quando a gente está muito, mas com muito sono, parece que o tempo anda 3 vezes mais rápido. Até parecia que tinha acabado de colocar a cabeça no travesseiro quando o relógio tocou. Eram 6:25 da manhã.
- Nem morto vou levantar agora - colocando para despertar vinte minutos mais tarde.
Corre-corre para arrumar. Novamente, o ônibus com poltronas confortáveis e reclináveis. De novo o sono bate, mas muito mais arrebatador do que antes.
Desta vez não teve jeito: fui parar longe do ponto de descida.
É foda! É a vida! É o cansaço!
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12:11 PM
Terça-feira, Maio 11, 2004
Ando meio sumido, confesso, mas momentaneamente.
A razão é simples: o bicho tá pegando. Muita coisa para fazer, no trabalho e fora dele.
E nesta guerra para conseguir tempo para qualquer coisa, as vontades particulares levam um baile das vontades (podemos ler como obrigações) do serviço.
Olha para você ver como estou sem tempo: no primeiro domingo do mês vi um cachorro doente (imagino ser leishmaniose) percorrendo as ruas lá do bairro. Como era domingo, entrar em contato com a prefeitura só na segunda-feira, dia 3.
E passou a semana e eu nem "tchum!" para a fiscalização sanitária do município ou para o cãozinho. Sábado agora novamente o vi. Coitado, muito doente, todo errado o pobre diabo. E parece que ele não é um cachorro de rua, não. Quer dizer, ele é agora, entende? Parece ser muito brincalhão (ou tenta ser). É um poodle preto, este sofrido animal. Sabe o que me veio à cabeça? Estes donos (maus donos) que, quando acontece do cachorro (ou gato, ou outro bicho qualquer) ficar doente, em vez de resolver o problema, seja ele qual problema for, faz o pior: solta o animal na rua e deixa que a natureza siga seu rumo, que o bicho se vire se quiser continuar vivo. Que mané de dono é este! Simplesmente criou mais problemas com sua incapacidade de lidar com uma situação, infelizmente, que pode acontecer com qualquer um de nós, donos de animais de estimação.
O que poderia ter acontecido com esse poodle? Qual seria a sua história? Eu acho que ele foi bem criado quando filhote. Poderia ter sido de uma criança brincalhona (pelo jeito que este cachorro corre atrás dos meninos da rua, ele deve adorar uma brincadeira) ou até de um senhor mais idoso. Mas o triste fato é que ele, hoje, se encontra sozinho, doente, se alimentando de lixo nas ruas e dormindo ao relento.
Liguei para a prefeitura de Nova Lima e, surpreso, recebi a notícia que não temos, na nossa tão bem falada cidade, um serviço de coleta de cães doentes que vivem nas ruas. O senhor que me atendeu, muito educado e solícito, me explicou que esta é uma reivindicação antiga da população que, infelizmente, não é solucionada pelos políticos. Falou ainda da inexistência de um canil municipal, onde poderiam ser levados estes animais doentes e outros que ficam vagando, sem rumo, pelas ruas da cidade.
Sou contra o sacrifício de animais, mas casos como este, do poodle preto de Nova Lima, supostamente com leishmaniose, é inevitável a morte do bicho. Se ele continuar zanzando pelas ruas do bairro, com certeza outros animais, e até nós mesmos, poderemos contrair a doença (é aquele ciclo: mosquito, animal infectato e homem).
Puts... acabei que fui escrevendo, escrevendo... para finalizar, o que o funcionário da prefeitura me falou é que eu assumisse que era dono do cachorro, o prendesse em casa hoje (hã?) e entrasse em contato com a fiscalização sanitária na parte da manhã (quê?) para que eles, os agentes sanitários, fossem lá na minha residência buscar o animal (ah, tá bom!) e fosse dado cabo no pobre bicho (é só isso?). Eu perguntei, ironicamente, o que faria a fiscalização sanitária se uma pessoa qualquer ligasse falando que viu a solta nas ruas, um cachorro espumando pela boca, avançando em todo mundo que via pela frente e mordendo poste de iluminação eletrica! A resposta do cara, infelizmente, foi a mesma: a prefeitura não recolhe animais nas ruas, somente em casas, mas mesmo assim, se o dono (ou o interessado) ligar para lá marcando a visita deles. Você colocaria um cachorro raivoso em casa e ligaria para a prefeitura?
Algum jeito tem que aparecer.
E sobre o tempo? É que este problema já dura uma semana, desde domingo dia 02, e não foi resolvido. Tempo...
... falando em tempo, deixa eu trabalhar mais um pouco...
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4:22 PM
Sexta-feira, Maio 07, 2004
Vocês, que se aventuram periodicamente por esta humilde empresa, sempre por aqui encontraram, escritas em poucas linhas, histórias da minha vida, muitas vezes contadas com certa pitada de irreverência, algumas vezes também com grande carga emocional (é mesmo?) e até mesmo com um pouco de reclamações.
O que não gosto é de escrever coisas sobre outras pessoas. Sabe aquele tipo de texto "meu amigo Cicrano fez uma coisa abominável, gente..." ou a clássica "vou contar uma coisa que aconteceu com Rovercrewson que é de arrepiar...", porque aqui não é um programa do Ratinho da vida e ainda mais porque não estou aqui para fazer má propaganda de ninguém.
Mas, infelizmente, esta idéia caiu por terra. Fofocaremos hoje, e exclusivamente hoje.
Será a palavra correta um fofocar? Não... melhor seria "compartilharei" com vocês, caros leitores, uma história que ouvi e que é muito engraçada e que gostaria de aqui relatar:
A HISTÓRIA DE UMA GRANDE CAGADA ou JOÃOZINHO: CAGAR OU MORRER.
Para começar a história, temos que conhecer um pouco do nosso herói, suas origens e fraquezas. João D'balacobaco nasceu prematuro, filho único de pais muito trabalhadores que, de tão batalhadores, ficaram ausentes na educação da criança e também na sua convivência. Criado verdadeiramente pela avó paterna (a avó materna é de Roraima, longe demais para dar pitaco na educação do neto), adquiriu hábitos muito... podemos dizer, peculiares na sua vida social.
Era o xodó da vovó. Único neto, Dona Creuzete o ensinou, como ninguém, a ser muito higiênico e caprichoso na vida. Adquiriu a mania de só defecar em casa, exclusivamente (ou quando possível) no seu límpido, perfumado e esterilizado banheiro particular.
E foi sempre desta maneira: poderia estar morto de vontade de ir ao banheiro mas se segurava, às vezes, até heroicamente, pois tinha um nojo infernal de sentar em vasos sanitários alheios. Tinha ojeriza só de pensar nisso: "quem será que usou este vaso antes de mim?"
Preso neste pensamento, às vezes nem saia para viajar. Como, se o único recanto, único porto seguro para suas necessidades fisiológicas, se encontrava na sua residência? Recluso das faculdades naturais, preferia ficar em casa em vez de viajar e até sair com os amigos.
Começou a fazer terapias mas logo desistiu: "isso é coisa para doido", dizia ele. Juntou coragem e, um dia, foi acampar com uma turma de colégio. O destino era uma grande área destinada, logicamente, ao camping, numa cidade do Espírito Santo. Iriam ficar quatorze dias, na maior festa, curtindo a vida adoidado.
No terceiro dia, Joãozinho não se continha mais. Usar o vaso do acampamento estava fora de cogitação. O jeito era fazer suas necessidades no mato (esta idéia passou pela sua cabeça mas logo foi descartada) ou utilizar o oceano Atlântico. Coitada da fauna marinha... Zim (apelido carinhoso dado pela turma) se aliviou no mar. Não sentiu nojo, muito pelo contrário: apreciou a sensação de cagar no meio aquoso.
Seus amigos, Crodoaldo Sputnik, Frabiguel Xorobim e Phocrates Hoskink perceberam a nítida mudança de comportamento de Zim. Antes, preocupado, observador, recalcado... agora, solto, aliviado... esta era a palavra: aliviado. E Zim entrava para dentro do mar e mandava barro nos peixes. Foi assim durante alguns dias.
Os três amigos então descobriram, do pior jeito, o que Joãozinho ia fazer no mar. Num belo dia ensolarado, Zim saiu da sua barraca arrumadinha (onde tudo é funcional) e foi, correndo, nadar. Crodoaldo já estava praticando natação quando viu seu amigo João lançar um submarino no mar. Foi o fim da história fecal de Joãozinho no Atlântico. Os golfinhos pulavam de alegria, os peroás vibravam com cada xingamento de Crodoaldo, os siris, lagostas e zooplânctons se abraçavam, a Atlântida finalmente saiu do estado de guerra...
Passaram dois dias desde que Joãozinho foi proibido de cagar no mar. Já não se aguentava mais.
Num momento de distração dos amigos Phocrates, Frabriguel e Crodoaldo, Zim tentou se embrenhar no mar para poder se aliviar. Quase conseguiu. Os três então levaram Joãozinho para o banheiro do acampamento: "estamos fazendo um favor para você, Zim... para você perder de vez este nojo de usar vaso sanitário que não seja o da sua casa".
Infelizmente, neste dia, o vaso do camping estava com defeito. O vaso totalmente abarrotado, entupido mesmo. Acho que vocês já estão visualizando a porcaria que estava aquele banheiro...
Joãozinho suava frio. Não agüentava mais e, se não se aliviasse naquele momento, era perigoso até estourar o fundilho do seu calção de banho. Subiu no vaso, todo enojado, e se preparou para soltar nele seus dejetos fecais, seus excrementos, naquele mundo de sujeira. Nisso Zim perde o controle e cai ao chão... levando consigo o vaso sanitário. Não... o vaso não quebrou e Zim não se cortou, não se machucou... mas, para seu completo terror, ficou todo sujo de merda. A privada tombou sobre ele, despejando por sobre nosso herói quilos e quilos da mais fedida merda.
Ouviram-se, por toda a área do camping, um grito medonho. Depois um estrondo, um baque de madeira. João, totalmente desatinado, derrubou a porta do banheiro no peito e saiu em direção ao mar, para desespero dos golfinhos, dos peroás, das ostras, dos mariscos, dos camarões, mexilhões, siris e zooplânctons. A Atlântida voltou, imediatamente, ao estado de defesa. Eram 300 metros que separavam Zim da limpeza total do seu corpo.
Recorde mundial de distância.
Esta foi a história que ouvi.
Se é verídica mesmo, eu não sei... mas eu ri demais desta história do Joãozinho, conhecido agora pela alcunha de Zim Fedidim.
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9:55 AM
Quinta-feira, Maio 06, 2004
Tudo que temos é a vida
Tudo que temos, enquanto vivemos, é a vida;
se você não vive durante sua vida, você é um pedaço de merda.
E trabalho é vida, e vida é vivida no trabalho
a menos que você seja um escravo do salário.
Enquanto um escravo do salário trabalha, deixa a vida de lado
e fica lá um pedaço de merda.
Os homens deveriam recusar-se a ser sem vida no trabalho.
Os homens deveriam recursar-se a ser montes de assalariados de merda.
Os homens deveriam recusar-se a trabalhar, como escravos assalariados.
Os homens deveriam exigir trabalhar para si mesmos,
por si mesmos, e investir sua vida nisso.
Pois se um homem não tem vida no seu trabalho, ele
é basicamente um monte de merda.
D. H. Lawrence
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9:11 AM
Terça-feira, Maio 04, 2004
Mercado pega fogo e trabalhadores almoçam sossegados
Direto da redação:
Belo Horizonte tem cada caso que só você morando aqui compreenderia. Você acredita que o Mercado Novo, situado bem no centro da cidade, estava pegando fogo e o pessoal que trabalhava nas lojas, em horário de almoço, não gostaram nem um pouco dos bombeiros a retirarem do "acalourado" recinto? Estava uma labareda enorme lá na rua e o pessoal lá, alguns comendo aquele "zoiúdo" (ovo e arroz branco na marmita), outros tomando aquele cervejinha antes do rango, todos confortavelmente instalados, quentinhos...
É inacreditável, mas alguns lojistas chamaram a polícia. Disseram de se tratar de uma armação dos concorrentes, pois o preço no mercado é imbativel. Vê se pode? E o fogo lá, comendo solto.
Horário do almoço é sagrado, isso nós, até da redação, sabemos... mas o lugar estava em chamas. Lembra do Joelma?
Algumas pessoas também tentavam, desesperadamente, buscar seus carros no estacionamento. Em vão. A polícia militar, chamada às pressas para retirar os lojistas que ainda almoçavam, tiveram ainda mais este trabalho: evitar que inúmeros motoristas arriscassem seus traseiros para buscar seus automóveis, que, até na hora do fechamento desta edição, não haviam explodidos. Um cidadão, desesperado e chorando à exaustão, alegou não ter pago o seguro do seu carro, um fusca 1969: "Estou desesperado. Este carro eu ainda estou pagando em 12 vezes com juros pré-fixados à 15% ao mês. Se ele pegar fogo, como vou explicar para a patroa?". Muita gente dependurada nos prédios vizinhos aplaudiam a ação do corpo de bombeiro, acenando o boleto da taxa de incêndio. O morador de rua, Cleudemar Bustamante Slanvidnovick, reclamou com nossos repórteres que o valor da sua contribuição está aquém da sua capacidade financeira: "Eu ganho muita moedinha, muito troco durante o dia... mas não vai dar para pagar o Estado. Já pago minha mensalidade no carnê do Baú da Felicidade e minha fezinha na Mega-Sena... este imposto não posso pagar, não".
O fogo ainda estava longe de ser controlado, mas a multidão ainda permanecia em frente do Mercado Novo. E sabe como o povo é, né? Bastou juntar uns gatos pingados sem o que fazer e as reclamações e protestos comem solto. Desta vez, a bola da vez foi o aumento do preço do tira gosto do Mercado Velho, o conhecido, afamado e delicioso "fígado bovino acebolado com jiló". Depois de muito reclamar, até exaustivamente, com as autoridades policiais e políticos (que vieram ver o estrago, e só!), muitos destes contumazes adeptos à bater boca na rua se dirigiram ao Mercado Velho para tomar uma cerveja e conversar mais fiado. Êta povo mineiro bom de golo... e conversa fiada.
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6:21 PM
Segunda-feira, Maio 03, 2004
A gente passa tanto tempo pensando em como e quando conseguir coisas materiais nesta vida, não é? Carros do ano, roupas, casa, apartamento. E para isso você estuda, trabalha, enobrece o espírito e o corpo.
Mas para onde vai tudo isso? Para quem fica.
A gente passa tanto tempo pensando em fazer o melhor para a gente e para o próximo que, sei lá, de repente pinta um "porquê" meio atravessado na garganta, um pedido de ajuda, um palavrão ao céu. Para quê?
Ser o melhor para a sociedade, ser integro, correto. E isso é bom!
E depois que você se for a sociedade vai se sentir um pouco melhor, pois você morreu e deixou seu legado! Bom moço, ótimo aluno, esforçado, mesmo que não gostasse muito de estudar; um excelente profissional, sem dúvida. É a vida!
A gente corre, corre, se enerva com os outros, até consigo mesmo, na esperança de uma melhora vindoura, coisa palpável, comprar coisas, obter prestígio, não digo fama, mas se "destacar" neste mar humano... e para quê? Para, ao final, ter seu nome numa praça, ou num nome de rua?
Um tanto quando pessimista, eu sei... mas você já se perguntou para que toda esta nossa correria, esta gana, esta ânsia?
Para um futuro melhor para seus descendentes, muitos irão dizer.
No fim de tudo, vai restar somente as baratas. As baratas e as contruções feitas de inox.
É... hoje eu não estou muito bom, não.
posted by : o Adminstrador desta empresa, uai!!!
1:48 PM
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